13 de abril de 2013
Homem viaja dentro de saco plástico em avião e gera polêmica na internet
Medida pode prejudicar passageiro em caso de acidente ou emergência durante o voo Reprodução/dailymail.co.uk
Um judeu ortodoxo foi fotografado dentro de um avião completamente coberto por um saco plástico, segundo informações do jornal britânico Daily Mail.
O fato chamou a atenção dos demais passageiros e se espalhou na internet, onde a imagem foi publicada na quinta-feira (11). Acredita-se que o homem seja um Cohen, grupo da comunidade judaica que afirma ser descendente de uma casta sacerdotal. Essas pessoas são obrigadas a cumprir certas regras para que possam exercer novamente o sacerdócio quando o Tempo de Jerusálem for reconstruído. Profecias afirmam que somente eles serão selecionados para a tarefa. Eles também são proibidos de voar sobre cemitérios, o que motivou a cena inusitada. O saco plástico funcionaria como proteção, uma espécie de barreira entre o homem e as impurezas do cemitério.
Em artigo publicado na internet, o rabino Jeffrey W. Goldwasser explicou que o hábito é como uma medida de compromisso.
— Nas comunidades ortodoxas e conservadoras eles devem abster-se de entrar em contato com os mortos, o que inclui visitar cemitérios, com exceção para os funerais de parentes próximos.
A solução é controversa até mesmo dentro da comunidade judaica. Para as companhias áereas, a medida é inadequada, uma vez que pode dificultar os movimentos do passageiro em casos de emergência.
Um judeu ortodoxo foi fotografado dentro de um avião completamente coberto por um saco plástico, segundo informações do jornal britânico Daily Mail.
O fato chamou a atenção dos demais passageiros e se espalhou na internet, onde a imagem foi publicada na quinta-feira (11). Acredita-se que o homem seja um Cohen, grupo da comunidade judaica que afirma ser descendente de uma casta sacerdotal. Essas pessoas são obrigadas a cumprir certas regras para que possam exercer novamente o sacerdócio quando o Tempo de Jerusálem for reconstruído. Profecias afirmam que somente eles serão selecionados para a tarefa. Eles também são proibidos de voar sobre cemitérios, o que motivou a cena inusitada. O saco plástico funcionaria como proteção, uma espécie de barreira entre o homem e as impurezas do cemitério.
Em artigo publicado na internet, o rabino Jeffrey W. Goldwasser explicou que o hábito é como uma medida de compromisso.
— Nas comunidades ortodoxas e conservadoras eles devem abster-se de entrar em contato com os mortos, o que inclui visitar cemitérios, com exceção para os funerais de parentes próximos.
A solução é controversa até mesmo dentro da comunidade judaica. Para as companhias áereas, a medida é inadequada, uma vez que pode dificultar os movimentos do passageiro em casos de emergência.
Fonte:http://noticias.r7.com/internacional/homem-viaja-dentro-de-saco-plastico-em-aviao-e-gera-polemica-na-internet-12042013
Reflexões sobre o forte crescimento evangélico .
Ricardo Gondim
“Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes, que as digam: morrerão os católicos sem confissão, nem sacramentos: pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e em lugar de S. Jerônimo, e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegrar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero, beberão a falsa doutrina os inocentes que ficarem, relíquias do Portugueses: e chegaremos a estado, que se perguntarem aos filhos e netos dos que aqui estão: Menino, de que seita sois? Um responderá, eu sou calvinista; outro, eu sou luterano. Pois, isto se há de sofrer, Deus meu?”
Padre Antônio Vieira, preocupado com o avanço holandês e a aparente apatia portuguesa para com o Brasil, pregou um sermão bombástico em 1640. Deu-lhe um título não menos agressivo: Sermão Pelo Bom Sucesso Das Armas De Portugal contra as da Holanda.
Ele temia naquelas priscas eras que o “pérfido calvinista” se multiplicasse na colônia lusitana de sua majestade. O sermão de Vieira, inclui uma oração a Deus. Temendo que os holandeses calvinistas se identificassem com o povo, excluindo os católicos, rezou assim:
“Que dirá o tapuia bárbaro sem conhecimento de Deus? Que dirá o índio inconstante, a quem falta a pia afeição de nossa fé? Que dirá o etíope boçal, que apenas foi molhado com a água do batismo sem mais doutrina? Não há dúvida, que todos estes, como não têm capacidade para sondar o profundo de vossos juízos, beberão o erro pelos olhos. Dirão, pelos efeitos que vêem, que a nossa fé é falsa, e a dos Holandeses a verdadeira, e crerão que são mais cristãos sendo como eles. A seita do herege torpe e brutal, concorda mais com a brutalidade do bárbaro: a largueza e soltura da vida, que foi a origem e o fomento da heresia, casa-se mais com os costumes depravados e corrupção do gentilismo…”
O catastrofismo medieval de Vieira sobre os altares católicos não se cumpriram. Milícias protestantes não anularam o catolicismo romano. Ainda não se deixou de celebrar o natal com presépios. Nenhum católico precisa morrer sem acesso à confissão. Entretanto, o crescimento protestante – por meio do segmento pentecostal – ganhou velocidade, como ele bem previu e temeu. As igrejas se multiplicam nas periferias das grandes cidades, os templos estão lotados. A agressividade proselitista do movimento parece longe de arrefecer. Com a pentecostalização das igrejas denominacionais históricas – Luteranas, Presbiterianas, Anglicanas, Metodistas, Congregacionais, etc. – o protestantismo de viés reformado também cresce. A presença evangélica se tornou tão evidente que os intelectuais dissertam sobre ela nas universidades; faz a pauta de jornais e revistas; e incomoda a cúria do Vaticano.
O movimento evangélico não se multiplica isento de problemas e dificuldades. Onde há pessoas, há idiossincrasias e virtudes, beleza e vício. Por estarem situados historicamente no tempo e na cultura, os evangélicos copiam acertos e erros da época. Daí ser mister que no frenesi do crescimento, vozes se levantem para alertá-los de que, embora numerosos, nunca devem pretender dominar o Brasil, como no pesadelo de Vieira.
A idéia de que o movimento tem a obrigação de converter o Brasil é tão anacrônica como a fala de Vieira. É perigosíssimo acreditar que repousa sobre os ombros do movimento o dever de suprimir expressões não evangélicas da cultura. Esse discurso não é mera coreografia religiosa e não impressiona apenas na liturgia interna. Não só empolga o coral. Caso tal pretensão realmente for levada a sério, o movimento vai descambar (se já não descambou) para um fanatismo reacionário e intolerante.
É preciso também contar com a ameaça do capitalismo. Os evangélicos – bem como a própria igreja católica – convivem com uma cultura fortemente influenciada por uma economia neoliberal. Talvez seja essa a tentação maior da igreja: conformar-se a continuar como mera empresa, gerida por técnicas administrativas. Em uma cultura de eficiência e sucesso, a religião sofre pressão do pragmatismo. E a piedade, instrumentalizada para satisfazer ambições pessoais, desemboca no individualismo. Qualquer expressão religiosa que pretenda manter-se íntegra, deve cuidar para não cair na tentação de adorar o deus ex machina - uma potência que reage a botões.
Visito ocasionalmente igrejas evangélicas do hemisfério norte. Fico impressionado com a nova postura dos pastores. Muitos assumiram o papel de executivos da fé. Os gabinetes pastorais se assemelham a escritórios de grandes multinacionais. Pastores se cercam de assessores e gastam mais tempo com reuniões de planejamento estratégico. O departamento de marketing fica no topo do organograma. Palestrantes ensinam como lubrificar a engrenagem administrativa da comunidade de fé. Uma gama enorme de especialistas em crescimento de igreja conduz seminários sobre como (eles adoram um “como”) tornar o louvor adequado ao auditório. Ensinam como orações precisam ser curtas para não aborrecer e como as músicas, mais palatáveis a ouvidos sensíveis. Para tais empresários da fé, se as igrejas providenciam bons estacionamentos, cadeiras confortáveis, ar condicionado, berçário para os recém-nascidos e uma excelente lanchonete, conseguem lotar os santuários e aumentar a arrecadação mensal.
Por mais bem intencionados que estejam, parecem menos interessados em lidar com valores espirituais do que gerenciais. Muitos perderam a noção de que o objetivo do Nazareno nunca foi lotar auditório, apenas inspirar corações a amar a Deus na relação com o próximo.
Cópia aculturada desse empreendedorismo gringo, o movimento evangélico se especializa para tornar-se maioria – em muitas cidades brasileiras já existem mais evangélicos por domingo nos cultos do que católicos nas missas. Acontece que em alguma esquina do tempo a ameaça do pragmatismo espreita.
A pergunta que se faz no mundo moderno é: funciona? E essa parece ser a maior preocupação do movimento. Na cultura grega, o conhecimento bastava; compreender parecia suficiente. Entre semitas o conhecimento visava produzir reverência. A cultura ocidental, que influencia o movimento, quer transformar conhecimento em técnica. Fundamentalistas já acusaram – injustamente – pentecostais de valorizarem as emoções acima da verdade. Hoje vale questionar se o neopentecostalismo não hierarquiza o útil acima da verdade; e se não cria uma nova cultura de eficiência como manifestação da fé.
Evangélicos crescerem não deve impressionar. No descompasso da espiritualidade e técnica, propõem temas moralistas enquanto carecem de ética; têm esperança com grandes buracos em maturidade humana; expressam fé com carência de ternura; revelam coragem com pouca discrição e humildade; possuem poder de mobilização, mas são rasos na teologia.
Uma resposta possível diante do medo do Padre Antônio Vieira é que o protestante brasileiro virou evangélico; e cresce a despeito dele mesmo. Fica a esperança de que a graça de Deus se revele nesses tempos dificultosos e que um remanescente talvez com outro nome sobreviva à loucura que acompanha a vitalidade do movimento. Vieira também notou o pecado de seus pares no Brasil católico provinciano e mesquinho do século XVII. Rezou assim:
“..E como sois igualmente justo e misericordioso, que não podeis deixar de castigar, sendo os pecados do Brasil tantos e tão grandes. Confesso, Deus meu, que assim é, e todos confessamos que somos grandíssimos pecadores. Mas tão longe estou de me aquietar com esta resposta, que antes esses mesmos pecados, muitos e grandes, são um novo e poderoso motivo dado por Vós mesmo para mais nos convencer de vossa bondade.”
A nós só resta dizer Amém.
Soli Deo Gloria
fonte: http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/reflexoes-sobre-o-forte-crescimento-evangelico-3/
Autor de “O evangelho maltrapilho”, Brennan Manning faleceu ontem aos 78 anos
4/13/2013 10:26:00 AM
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Escritor e pensador brilhante, Brennan Manning faleceu ontem (12) aos 78 anos de idade. Seu best-seller O evangelho maltrapilho falou de forma aguda e penetrante sobre o escândalo da graça. Apesar de estar com a saúde debilitada há algum tempo, sua voz continuou a impactar milhões com sua mensagem simples e poderosa sobre o inefável amor de Deus.
Batizado Richard Francis Xavier, o escritor Brennan Manning nasceu e cresceu, junto com os dois irmãos, num subúrbio barra pesada de Nova York. Sua família enfrentou dificuldades – experiência que certamente contribuiu para aguçar-lhe a sensibilidade pelos anseios dos humildes e simples no ministério que abraçaria anos depois -, mas isto não o impediu de entrar para a Universidade St. John, da qual sairia para servir no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (os famosos marines) durante a Guerra da Coréia.
De volta à vida civil, Manning tentou estudar jornalismo na Universidade do Missouri, mas seus questionamentos pessoais e a palavra de um conselheiro o levaram a um seminário católico. Em fevereiro de 1956, ao meditar sobre o caminho de Jesus até a cruz, sentiu-se comovido pelo Evangelho e chamado por Deus. “Naquele momento”, relata, “a vida cristã passou a ter um novo significado para mim: uma relação íntima e profunda com Jesus.” Quatro anos mais tarde, graduou-se em Filosofia e, posteriormente, em Teologia, pelo Seminário St. Francis.
Um dos aspectos mais interessantes sobre a trajetória ministerial de Brennan Manning é o trânsito entre a academia e as favelas, a universidade e as vilas, povoados e cortiços. Pensador brilhante, especialista em Escrituras e Liturgia, foi entre as populações carentes dos Estados Unidos e da Europa que encontrou o caminho para colocar em prática o tipo de cristianismo com o qual se comprometera desde o início de sua vocação: o da compaixão e serviço abnegado. Viveu em clausura e contemplação; carregou água para populações rurais e foi ajudante de pedreiro na Espanha; lavou pratos na França; deu apoio espiritual a presidiários suíços.
Com a fé reafirmada, Brennan Manning retornou aos Estados Unidos, fixando-se inicialmente no Alabama, onde tentou organizar uma comunidade nos mesmos moldes da Igreja primitiva. Voltou ao campus no fim dos anos 1970 e, depois de enfrentar uma crise pessoal, começou a escrever e ministrar palestras, atividades que mantém até hoje, sempre com o objetivo de comunicar o amor incondicional de Deus em Jesus. “Aprendi de um sábio franciscano que, para quem conhece o amor de Cristo, nada mais no mundo é tão belo e desejável.”
Livros de Brennan Manning publicados pela Mundo Cristão
Fonte: http://www.blogmundocristao.com.br/index.php/autor-de-o-evangelho-maltrapilho-brennan-manning-faleceu-ontem-aos-78-anos/
11 de abril de 2013
Como Deus pôde ordenar um genocídio?
Por Justin Taylor
Essa é uma boa e difícil questão. A
maneira como respondemos tanto refletirá quanto informará qual o nosso
entendimento de justiça e misericórdia.
A pergunta é sobre o que acontece no
livro de Josué, quando Deus ordena a Israel que massacre os cananeus, a
fim de que a Terra Prometida seja ocupada. Foi uma guerra sangrenta, com
destruição total, onde Deus usou seu povo para executar seu julgamento
moral contra seus inimigos perversos. Para avançarmos numa resposta será
útil pensar cuidadosamente sobre os tijolos que constroem uma
cosmovisão cristã em relação à justiça e misericórdia de Deus.
1. Como criador de todas as
coisas e regente de todos os povos, Deus tem os direitos absolutos de
propriedade sobre todas as pessoas e lugares.
“No princípio Deus criou os céus e a
terra” (Gn 1.1), “o mar e tudo o que neles há.” (At 14.15). Isto
significa que “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e
os que nele vivem” (Sl 24.1). Como Deus diz: “a terra toda é minha” (Ex
19.5) e “todos os animais da floresta são meus” (Sl 50.10). O fato de
Deus ser dono de tudo significa que ele é livre para fazer o que desejar
sobre todas as coisas. “O nosso Deus está nos céus, e pode fazer tudo o
que lhe agrada” (Sl 115.3). Dentro desta livre soberania, Deus
“determinou os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em
que [cada nação] deveria habitar” (At 17.26). Deus tem direitos de
Criador, e ninguém pode lhe dizer: “O que fazes?” (Jó 9.12).
2. Deus não é apenas o criador, regente e proprietário final de tudo, mas ele é justo e reto em tudo o que faz.
Abraão perguntou a Deus a mesma questão
que fazemos: “Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25).
A resposta implícita é: “Claro que sim!”. Este é o outro lado da
pergunta de Paulo em Romanos 9.14: “Acaso Deus é injusto?”. A resposta
de Paulo: “De maneira nenhuma!”. Moisés proclamará: “Ele é a Rocha, as
suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus
fiel, que não comete erros; justo e reto ele é” (Dt 32.4).
É um lugar-comum em nossa cultura
perguntar se foi correto ou justo algo que Deus fez. Mas se você parar
para pensar, essa questão é, na verdade, ilegítima. Simplesmente
pressupõe que nós somos os juízes; nós colocamos “Deus no banco dos réus” e o examinamos; Deus deve se conformar ao nosso senso
de justiça e retidão e equidade – se Deus passar no teste, muito bom,
mas se não, ficamos chateados e nos tornamos o acusador. Esqueça essa
ideia! Como diz Deuteronômio 32.4: “todos os seus caminhos são
justos” – por definição. Se Deus faz algo, então é justo. Pensar de
outra maneira é o ato definitivo de arrogância: usar nossa mente e
opiniões e concepções como o padrão supremo do universo.
Isto, entretanto, não impossibilita o
questionamento e a busca para se conseguir um entendimento maior.
Enquanto é definitivamente ilegítimo perguntar se os caminhos de Deus são justos ao assegurar a Terra Prometida, é perfeitamente apropriado e edificante procurar entender como os
caminhos de Deus são justos – seja em ordenado a destruição dos
cananeus, seja em outra ação. Essa é a tarefa da teologia – ver como os
vários aspectos da verdade e revelação de Deus se combinam.
3. Todos nós merecemos a justiça de Deus; nenhum de nós merece a misericórdia de Deus.
Como vimos acima, Deus é absolutamente
justo em tudo o que faz. A única coisa que cada um de nós merece de Deus
é sua justiça. Nós quebramos sua lei, nos rebelamos contra ele e seus
caminhos, e a divina justiça exige que recebamos o castigo divino na
proporção da nossa traiçoeira e desleal rebelião. Está totalmente dentro
dos direitos de Deus trazer misericórdia, mas ele não precisa trazer a
todos – ou a alguém. É também útil perceber que, na história bíblica, um
ato de julgamento sobre alguém é frequentemente um ato de misericórdia
sobre outro (por exemplo, o dilúvio foi julgamento sobre o mundo, mas um
meio de salvar Noé; as pragas foram julgamento sobre Faraó mas um meio
de libertar Israel). Da mesma forma, a destruição dos cananeus foi um
ato de misericórdia sobre Israel.
4. Os cananeus eram inimigos de Deus que mereciam ser punidos.
“Todos pecaram e estão destituídos da
glória de Deus” – “Não há um justo, nenhum sequer” – e “o salário do
pecado é a morte” (Rm 3.23, 3.10, 6.23). Portanto, se Deus destruísse
Adão e Eva após a queda ele teria sido inteiramente justo. Quando ele
apagou mais de 99,99% da raça humana durante o tempo de Noé, ele estava
sendo justo.
Algumas vezes nós pensamos erroneamente
que Deus apenas queria dar a terra a seu povo e chutou fora as pessoas
inocentes que estavam lá. Mas, na realidade, os cananeus estavam cheios
de iniquidade e impiedade, e, por essa razão, Deus fala da terra os
vomitando (cf. Gn 15.6; Lv 18.24-30; Dt 9.5). Tudo isto é consistente
com o fato de que Deus “vingará o sangue dos seus servos; retribuirá com
vingança aos seus adversários e fará propiciação por sua terra e por
seu povo” (Dt 32.43).
É também importante perceber que Dt 9.5 diz que a posse de Israel sobre a terra e a expulsão dos cananeus não
se baseava na retidão de Israel, mas seria por conta da pecaminosidade
dos cananeus. Deus deixa muito claro a Israel que, se eles não seguissem
ao Senhor e sua Lei, eles sofreriam o mesmo destino das nações
vomitadas de sua terra (cf. Lv 18.28; Dt 28.25-68; cf. também Ex 22.20;
Js 7.11-12; Ml 4.6). Deus deu seu amor eletivo especial a Israel (cf. Dt
7.6-9), mas suas ameaças e promessas de castigo pela infidelidade
demonstram sua retidão e seu comprometimento com a justiça.
5. As ações de Deus não são um exemplo de limpeza étnica.
O Pentateuco (Gênesis-Deuteronômio) provê leis para dois tipos de guerra: (1) batalhas contra cidades fora
da Terra Prometida (ver Dt 20.10-15), e (2) batalhas contra cidades
dentro da Terra Prometida (Dt 20.16-18). O primeiro tipo permitia que
Israel poupasse pessoas; o segundo tipo não. Essa prática, chamada herem
(o segundo tipo de guerra), significava “devoção/consagração pela
destruição”. Como um ato sagrado que cumpria o julgamento, está fora das
categorias que usamos para pensar sobre a guerra.
Mesmo que a destruição tenha sido
ordenada em termos de totalidade, parece haver uma exceção para aqueles
que se arrependem, voltando-se para o único Deus vivo (por exemplo,
Raabe e sua família [Js 2.9] e os gibeonitas [Js 11.19]). Isto significa
que a razão para a destruição dos inimigos ímpios de Deus era
precisamente por causa de sua rebelião, e de acordo com os propósitos de
Deus – não por causa de sua etnia. “Limpeza étnica” e genocídio
referem-se à destruição de pessoas por sua etnia, e portanto, é uma
categoria inapropriada para a destruição dos cananeus.
6. Por que foi necessário remover os cananeus da terra?
Nos EUA, falamos sobre a separação entre
“igreja” e “estado”. Mas Israel era uma “teocracia”, onde igreja e
estado estão inseparavelmente juntos e indistintos, de forma que os
membros do povo de Deus tinham obrigações políticas e religiosas. Ser um
cidadão de Israel requeria ser fiel à Aliança com Deus e vice-versa.
A comunidade da aliança exigia pureza, e
violações abomináveis significavam eliminação (por exemplo, Dt 13.5;
17.7, etc.). Isto também implicava na pureza da terra onde eles estavam
vivendo como povo de Deus, e a falha em remover os impenitentes desta
terra significava que a nação inteira seria derrubada com os rebeldes,
resultando em idolatria, injustiça e mal (por exemplo Dt 7.4, 12.29-31) –
o que, infelizmente, provou, muitas vezes, ser o caso na velha aliança.
Cristãos hoje não vivem em uma
teocracia. Nessa era, somos “estrangeiros e peregrinos” (1Pe 2.11) sem
terra sagrada. Vivemos no encontro da antiga era e a era porvir – “entre
dois lugares” (na criação que geme – após a Terra Prometida
santa-mas-temporária, e aguardando os santos-e-permanentes Novos Céus e
Nova Terra). Nesta era e lugar devemos respeitar e nos submeter às
autoridades governantes, constituídas sobre nós por Deus (Rm 13.1-5) –
mas que não são, nem deveriam ser, uma parte da igreja (o povo de Deus,
chamado e reunido para a Palavra e os sacramentos). Portanto, o dom de
Deus da revelação específica e especial para a igreja inteira agora
terminou (cf. Hb 1.1,2: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de
várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas
nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho”). Esses fatores
combinados nos dão garantia de que nada como a destruição dos cananeus –
necessária para a teocracia de Israel possuir a terra física – seja
ordenada por Deus ou permissível para seu povo hoje.
7. A destruição dos cananeus é uma figura do julgamento final.
Ao fim desta era, Cristo virá para
julgar vivos e mortos (At 10.42; 2Tm 4.1; 1Pe 4.5), expulsando-os da
terra (da Terra inteira). Este julgamento será justo e será completo.
Este é o dia em que “o Senhor Jesus será revelado lá dos céus, com os
seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes. Ele punirá os que
não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor
Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da
presença do Senhor e da majestade do seu poder” (2Ts 1.7-9).
Surpreendentemente, Paulo pergunta aos coríntios algo que eles pareciam
ter esquecido, se é que sabiam: “Vocês não sabem que os santos hão de
julgar o mundo?” (1Co 6.2).
Como isso vai funcionar? Como se
parecerá? Eu realmente não sei. Mas a Palavra de Deus nos diz que o povo
de Deus será parte do julgamento de Deus contra seus inimigos. Neste
sentido, a ordem de Deus para que os israelitas levassem seu julgamento
moral contra os cananeus se torna uma sombra – uma previsão, se você
quiser – do julgamento final.
À luz disso, a terrível destruição
registrada nas páginas de Josué não se torna um “problema para
resolver”, mas um chamado para todos acordarmos – permanecermos “puros e
imaculados diante de Deus” (Tiago 1.27), buscarmos a ele e seus
caminhos, e fielmente compartilharmos o Evangelho com nosso próximo e
com as nações não-alcançadas. Como Jó, devemos desistir de colocar a
bondade e justiça de Deus em dúvida, colocando a mão sobre nossa boca
(Jó 40.4) e, ao invés disso, nos maravilhar com as riquezas e o mistério
da grande e inescrutável misericórdia de Deus (Ef 2.4). No final, nos
uniremos a Moisés e ao Cordeiro cantando esta canção de louvor:
Senhor Deus todo-poderoso!
Justos e verdadeiros são os teus caminhos,
ó Rei das nações.
Quem não te temerá, ó Senhor?
Quem não glorificará o teu nome?
Pois tu somente és santo.
Todas as nações virão à tua presença
e te adorarão,
pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos”. (Ap 15.3,4)
Fonte: Ipródigo
Pelo Direito de Discordar!
Ariovaldo Ramos
Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa.
Discordo!
Eu respeito o irmão e oro por ele, mas, discordo da forma como o Deputado está conduzindo o mandato que recebeu de seus eleitores.
Eu respeito os seres humanos que optaram pela homossexualidade, mas, entendo que os direitos que estão a reivindicar já estão contemplados nos direitos da pessoa humana, cobertos por nossa constituição, e que o que passa disso constitui reclamos por privilégios, o que não é passível de ser concedido numa democracia, sob pena de contradize-la.
Eu respeito o direito das uniões homossexuais terem garantida, pelo Estado, a preservação do patrimônio, por eles construídos, quando da separação ou do falecimento de um dos membros da união. Entretanto, discordo que seja possível transformar uma união voluntária de duas pessoas do mesmo sexo, a partir de opção comum e particular, em casamento, pois isso insinua haver um terceiro gênero na humanidade, o que não se explicita na constituição do ser humano. Assim como não entendo que a conjunção da maternidade e da paternidade, necessária para um desenvolvimento funcional do infante humano, seja substituível por mera boa vontade.
Eu respeito e exerço direito de pregar o que se crê, mas discordo do pregador, quando diz que Deus matou John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, por terem desacatado o Altíssimo, como se o pecado humano não o fizesse desde sempre. A Trindade matou a todos os que a desacatam, em todo o tempo, no sacrifício do Filho, manifesto por Jesus de Nazaré (1Pe 1.18-20), na Cruz do Calvário, oferecendo a todos o perdão e a ressurreição.
Eu respeito o direito de ter religião e o reivindico sempre, mas, discordo de tachar como agentes do inferno quem não concorda com o que penso, como se Deus, por sua graça, não estivesse, desde sempre, cuidando que a raça humana não sucumbisse à rebeldia inerente à sua natureza, o que explica o triunfo do bem frente a maldade explícita. Por isso discordo do pregador quando afirma que o sucesso de um artista, a quem Deus, por sua graça, cumulou de talentos, como Caetano Veloso, só se explique por ter feito pacto com o diabo. Como se ao adversário de nossas almas interessasse qualquer manifestação do Belo.
Eu respeito e pratico o direito ao livre exame das Escrituras Sagradas, conquistado pela Reforma Protestante, e, por isso, enquanto respeito o direito do teólogo expressar suas conclusões, discordo do teólogo quando suas considerações sobre o significado de profecias do texto que amo e reverencio, não corresponderem ao que entendo ser uma conclusão pautada pelas regras da interpretação bíblica, assim como, no meu parecer, ferirem a uma das maiores revelações desse Livro dos livros: Deus é Pai de todos, está em todos e age por meio de todos (Ef 4.6).
Reconheço a qualquer ser humano o direito de protestar contra o que não concorda, mas, nunca em detrimento do direito do outro, o que inclui o direito ao culto. Uma coisa é discordar do político outra coisa é cercear o direito do religioso, e de quem o convide para participar de um culto da fé que pratica. Uma coisa é denunciar o político por suas posturas, outra, e inadmissível, é atentar contra a integridade física ou emocional dele e dos seus.
Não admito, contudo, como cristão, ser sequestrado no direito de discordar, ou ser tratado como se fosse refém das circunstâncias, sejam elas quais forem. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5.1).
Lamento que haja, entre os cristãos, quem trate a nossa fé como se fosse frágil e necessitada de proteção. Nossa fé foi preponderante na construção do Ocidente, e resistiu às mais atrozes perseguições.
Nós sempre propugnamos pela liberdade. Nós impusemos a Carta Magna ao Principe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito. Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos. Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão. Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.
Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos. Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.
Nossa fé foi construída por gente que foi a toda luta que entendeu justa, pondo em risco a própria vida, e por mártires, por gente que se recusou a matar, por gente que não capitulou diante do assassínio, pois nós cremos que Deus é amor, e que o amor de Deus é mais forte do que a morte (Rm 8.38). E por amor a Deus e ao seu Cristo lutamos pela unidade e pela liberdade da humanidade.
9 de abril de 2013
Fé cega, faca amolada.
“Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35
Quando Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a uma mulher branca, nos Estados Unidos dos anos 1950, havia um pastor ao seu lado para protestar contra segregação racial. Ele liderou esse movimento por anos. Enfrentou ameaças e ataques. Seu nome era Martin Luther King. E sua participação foi decisiva na luta contra a discriminação não só nos transportes, mas em toda a sociedade norte-americana. Foi assassinado brutalmente. Mas virou herói em seu país, e, hoje, não é possível falar de Direitos Humanos ou minorias sem citar sua enorme contribuição.
Esse movimento de mais de 60 anos atrás me lembra de que, quando a fé encontra a ação política profética, não precisa necessariamente se transformar em acusações, falso moralismo ou hipocrisia. Antes, pode ser traduzida em ação contra a injustiça, a favor da inclusão e pela paz. Infelizmente, porém, parece que o modelo capaz de combinar atuação pública relevante e cristianismo genuíno está sendo ignorado por alguns daqueles que resolveram se dizer porta-vozes da Igreja brasileira.
Tenho acompanhado com perplexidade – e, tenho de dizer, com constrangimento – o noticiário dos últimos dias. A conclusão é óbvia: a plataforma dos Direitos Humanos virou palanque predileto de um certo povo lá de Brasília… Usar tema dessa importância só pra se promover já não seria coisa boa. Porém, se ao menos estivessem batendo bumbo contra a corrupção, a violência e a injustiça vá lá… Mas não. O que estão fazendo é acentuar preconceitos e rancores, estimular a exclusão e o racismo, e defender a intolerância. E o pior: tudo isso em nome de Deus (e no meu e no seu nome também!).
É evidente que, num país democrático, ninguém pode impedir quem quer que seja de expressar suas opiniões, valores e crenças. E o princípio vale também para nós, evangélicos, que temos de ter liberdade para dizer o que pensamos. Não se combate intolerância com intolerância, nem fundamentalismo com mais fundamentalismo. Sem dúvida, repudio qualquer tentativa de cerceamento desse direito. Porém, não podemos nos esquecer de que Jesus veio a esse mundo com a missão de salvá-lo e não de acusá-lo.
Quem me conhece, sabe da minha militância de quase 20 anos pelos Direitos Humanos. Sabe de minha luta e da luta do grupo que represento para garantia de direitos aos pobres, aos injustiçados, aos mais fracos, aos escravizados… E, na semana que passou, fui ao plenário e me posicionei contra essa redução da agenda bíblica de transformação social a questões de sexualidade. No entanto, não protestei como ativista do tema: discursei como cristão.
Fui ao microfone e critiquei esse modelo de política e púlpito que explora questões étnicas ou de sexualidade em troca de lucro eleitoral (ou seja, voto). Mas, sobretudo, usei meu pronunciamento para pedir perdão. Sim, dirigi-me aos não-crentes, àqueles que não professam a mesma fé que eu e você, e pedi que nos perdoassem se, de alguma forma, o barulho que está sendo feito os estiver impedindo de entender a verdadeira mensagem de Jesus.
Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. No entanto, não se vê nenhum projeto para atender a quem sofre. Pergunto: Quantas vezes Jesus falou sobre homossexualidade? Respondo: Nenhuma… No topo da lista dos confrontados pelo Mestre estavam os homossexuais? Ou eram os hipócritas religiosos de Sua época? Por que, então, super explorar alguns temas de forte apelo eleitoral e desvalorizar outros, claramente enfatizados pela Bíblia e por Jesus? A quem interessa reduzir a essência amorosa e transformadora da mensagem de Jesus à agenda moralista? Será que esses que fecham os olhinhos diante das câmeras da imprensa, parecendo muito espirituais, não os mantêm bem abertos, fixos nos votos que podem tirar de todo esse teatro?
“Errais não conhecendo as Escrituras”, diz a Palavra. E o problema fica ainda mais agudo quando esse discurso sem amor ou sabedoria contamina algumas igrejas. Aí, é mesmo como na velha música: fé cega, faca amolada. Crentes sinceros têm aderido a essa ideologia esdrúxula, sem saber que estão assumindo uma agenda que nada tem a ver com os reais desejos do coração do Pai.
Atenção, caro leitor. Não estou propondo que essa ou aquela prática seja, agora, legitimada. Há questões que são específicas da Igreja. E outras que são de Estado. Não apoio aqueles que tratam a nós, evangélicos, como ignorantes. Minha fé e minha consciência cristã não estão alinhadas a esses que querem impor no grito sua condição como regra. Defendo que respeitem a nós, evangélicos, com o mesmo respeito que têm exigido.
Porém, o que acontece é, no meio de todo esse barulho, a ideia de cristianismo transmitida está errada. O testemunho público está ruim. Pesquisa recente, realizada pelo Barna Group, nos Estados Unidos, questionou jovens não-cristãos sobre sua percepção sobre os cristãos. O resultado? Para eles, a principal característica dos crentes é a de ser anti-homossexual. Triste conclusão a de que cristãos estejam se tornando mais conhecidos pelo que são contra do que pelo que são a favor. Vale a reflexão. Essa com certeza não era a impressão que as pessoas tinham ao encontrar Jesus ou os irmãos da primeira Igreja.
Perde-se tempo com discussão de modos e costumes, quando uma agenda cristã contemporânea, biblicamente fundamentada, conduzida com honestidade e humildade, poderia diminuir a violência, lutar por melhores condições de saúde, erradicar a pobreza e a escravidão moderna, cuidar da Criação, fortalecer as famílias, promover o respeito à sacralidade da vida humana e sua dignidade intrínseca – bem ao contrário dos absurdos que temos visto.
A esses pastores ou políticos que se autodenominam defensores dos evangélicos, lembro que a Igreja já tem em Cristo o seu maior e suficiente defensor. As vozes cristãs que mais foram ouvidas e mais transformaram a história da Humanidade não foram essas que se apressam em julgar e condenar. Foram aquelas que pregaram e viveram a essência da mensagem de Jesus: o amor, a paz, a justiça, o perdão, a tolerância, a não violência, a defesa dos mais frágeis, a vida com integridade. Foram vozes que se levantaram contra o racismo e a hipocrisia religiosa. Salve Mandela, salve Desmond Tutu, salve Martin Luther King, Bonhoeffer, Wilberforce, Jaime Wright, Robinson Cavalcanti! Com esses, estou alinhado, hoje e sempre.
CARLOS BEZERRA JR., é pastor, médico e deputado estadual. É líder do PSDB na Assembleia Legislativa-SP e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Estado de São Paulo. Autor da lei que criou o Programa Mãe Paulistana e da nova lei paulista contra o trabalho escravo. Acredita que a missão do cristão na política seja a definida pelo texto de Salmo 82, nos versículos três e quatro: “Vocês estão aqui para defender os indefesos, para assegurar que os prejudicados tenham uma chance de justiça. O trabalho de vocês é proteger os fracos, perseguir os que os exploram”.
Através da Cruz 2 - O Pecado
Neste segundo episódio, falo sobre o pecado, sua universalidade e como o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. Deixe seu comentário e sua opinião.
Os testemunhos que você NÃO vai ouvir naquela igreja evangélica
4/09/2013 08:16:00 AM
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Como é sabido, não basta pregar Teologia da Prosperidade: tem-se que ter testemunhos poderosos de como o deus-mordomo deles é poderoso para realizar todos os desejos de quem dá os dízimos e ofertas, sendo quase um gênio da lâmpada gospel. Assim, nessas igrejas os testemunhos são todos de grandes vitórias, do fulano que morava na rua e agora tem 3 casas, 2 carros e um iate, do sicrano que conseguiu restituir o casamento e ficar milionário (não necessariamente nessa ordem), do outro que foi curado das doenças mais incríveis.
É claro que Deus tem poder para fazer tudo isso e muito mais, mas e Sua vontade soberana onde fica?
Abaixo alguns testemunhos que você nunca ouvirá nas "igrejas da prosperidade", mas que glorificam e exaltam verdadeiramente o Senhor, não os falhos seres humanos.
"Antes de aceitar a Jesus eu tinha um certo prestígio e um bom emprego. Mas depois de conhecer a Jesus minha vida melhorou inexplicavelmente! Perdi o emprego, perdi os amigos do templo, fui açoitado, apedrejado, ameaçado de morte, passei por naufrágios, ganhei um 'espinho na carne' e tive passagem até por prisões. Glória a Deus, aleluias!!!" – Paulo de Tarso
"Eu era muito rico, tinha tudo do bom e do melhor mas algo faltava na minha vida. Mas aí Jesus tocou no meu coração e minha vida melhorou completamente! Abri mão de toda a minha fortuna e fui trabalhar com os pobres e humildes. Passei por muitas dificuldades, mas glória a Deus!!!" – São Francisco de Assis
"Irmãos, na semana passada pedi oração pelo filho do meu vizinho que tinha sido preso por pregar o Evangelho. Hoje soube do que lhe aconteceu: foi apedrejado e morreu por amor a Jesus Cristo. Glória e louvor ao Único Digno!!!" – vizinha da família de Estêvão
"Deus finalmente trouxe a resposta à nossa campanha de jejum e oração por nosso irmão. Nessa tarde ele foi morto na fogueira por defender o Evangelho de Jesus. Enquanto era consumido pelas chamas, quem assistiu disse que ele cantava 'Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo, tem piedade de mim'. Seu coração, encontrado entre as vísceras, foi espetado numa estaca e assado até se consumir por completo, numa morte humanamente humilhante. O Senhor seja louvado, glórias a Deus!!!" – amigo de John Huss
"Nosso irmão Policarpo se recusou a adorar ao César, e Deus lhe deu uma grande vitória. Foi levado ao tribunal, e continuou rejeitando adorar o César e se dizer cristão. Aí foi condenado à fogueira, mas não deixou que o pregassem e disse: 'Deixem-me como estou. Não é preciso prender-me com pregos, pois Aquele que me dá forças para suportar o fogo também me fará permanecer na fogueira sem eu querer fugir. Ó Pai, eu te bendigo por me teres considerado digno de receber o meu prêmio entre os mártires'. Aí acenderam a fogueira, mas o fogo ficou ao redor do Policarpo e não o queimava, e então o carrasco lhe enterrou uma espada e saiu tanto sangue que apagou a fogueira. Aleluias!!!" – cristão que prefere manter o anonimato
"Soubemos que Deus completou a obra na vida dos irmãos Maturo, Santo, Blandina e Átalo. Após passarem a noite sofrendo as piores torturas, continuaram a se dizer cristãos. Os carrascos ficaram extenuados de tanto tortura-los, e mesmo assim não negaram sua fé. No dia seguinte foram jogados na arena, para serem comidos pelas feras. A irmã Blandina foi colocada numa cruz, e as feras não lhe tocaram, e foi jogada novamente na masmorra, onde foi executada dias depois. Com certeza receberam o maior dos tesouros: o galardão no Reino dos Céus. O Senhor seja louvado sempre!!!" – membro da igreja primitiva
E você? Seria capaz de dar glórias a Deus se algum dia um testemunho desses fosse dado em sua igreja? E você glorificaria a Deus se, ao invés das vitórias humanas, Ele lhe presenteasse com um testemunho desses?
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
Em homenagem aos missionários José Dílson e Zenaide, que hoje receberam o habeas corpus e já devem ter deixado a prisão no Senegal, e em homenagem aos milhares de cristãos verdadeiramente perseguidos neste mundo. Que Deus os ampare e fortaleça, e que seus testemunhos não sejam jogados na lama pelos falsos profetas da Teologia da Prosperidade (se você ainda não assinou a petição pela libertação dos missionários José Dílson e Zenaide, clique aqui e assine).
Alguns testemunhos foram adaptados d' O Livro dos Mártires, de John Foxe, Editora Mundo Cristão – essa leitura não será recomendada nas igrejas da demoníaca Teologia da Prosperidade.
MORRE DAVE HUNT, MEU AUTOR FAVORITO
4/09/2013 08:10:00 AM
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Dave Hunt, meu autor favorito, sempre foi muito responsável no que se refere a dividir corretamente a Palavra da Verdade, apresentando fatos totalmente embasados na Escritura. Ele teve muitas controvérsias com os inimigos do Evangelho, tendo exposto, honesta e ousadamente , os fatos, sem se preocupar com o "politicamente correto", usando todo o vigor de sua fé genuína e do seu conhecimento da irrefutável Palavra de Deus.
Dave nasceu em 1926, de pais cristãos, o que lhe facilitou o conhecimento da verdade bíblica, por ter crescido num ambiente genuinamente cristão. Ele sempre teve colegas e amigos cristãos e fez parte do grupo conhecido como Irmãos Plymouth, o qual sempre ensinou e praticou o legítimo evangelho do Senhor Jesus Cristo.
Dave recebeu o mestrado em Matemática. Casou-se com Ruth, teve 4 filhos e foi consultor em uma empresa conhecida como CPA e, depois, em algumas outras de alto nível.
Ele participou de muitos ministérios evangélicos, tendo pregado em vários encontros de jovens. Seu desejo maior era servir ao Senhor em tempo integral. Por isso, começou a se dedicar à pesquisa bíblica e à Apologética em 1973, tendo escrito vários livros sobre o assunto.
Ele escreveu sobre o engodo das religiões orientais, que têm penetrado, sorrateiramente, no Ocidente, mostrando o perigo da Psicologia e das seitas da Nova Era, bem como do Ecumenismo, ou seja, da união entre católicos e protestantes. Ele se dedicou a denunciar qualquer religião ou seita que se afastasse da verdade bíblica.
Dave apontou os erros da seita mórmon e, principalmente, do Catolicismo Romano. Seu livro - "A Woman Rides the Beast" (A Mulher Montada na Besta), que tive a felicidade de traduzir, há mais de dez anos, é o melhor depoimento que li, entre tantos outros, sobre os erros da Igreja de Roma. Este livro vendeu uns 4 milhões de cópias, tendo sido traduzido em mais de 40 idiomas.
"The God Makers" (Os Fabricantes de Deuses) mostra os erros do Mormonismo e sua ligação com a Maçonaria, com farta documentação.
Seus livros "A Sedução do Cristianismo", "Escapando da Sedução" e "A Invasão do Ocultismo" não devem faltar em nenhuma biblioteca do cristão realmente interessado em conhecer os perigos das seitas orientais. Outros livros dele são "A Paz Global" e"Ascensão do Anticristo".
Seus livros têm sido criticados e rejeitados pelos protestantes liberais e pelos "cristãos acomodados", que mantém um namoro com a ICAR. Ele mostra o perigo da ligação católica/protestante na programação de ganhar o mundo para Cristo. Por isso, é considerado pelos protestantes liberais e os "acomodados" como um especialista em dividir os cristãos.
Convidado a falar em muitos países, Dave se desdobrou em atender aos convites, com um grau de humildade que me deixou edificada, quando o conheci pessoalmente, há alguns anos, em um dos congressos da Chamada da Meia Noite.
Tive a bênção de traduzir mais de mil páginas escritas por Dave Hunt (um livro e muitos artigos) e coloco à disposição dos irmãos alguns dos seus melhores textos.
Estou chorando a perda de Dave Hunt, desde ontem, e como sou apenas quatro anos mais nova do que ele, espero que o Senhor não demore a me convocar. Imagino a beleza celestial de um encontro com o apóstolo Paulo, Dave Hunt, o destemido Dr. Peter Ruckman, muitos outros santos e, lá num cantinho do Céu,também eu, a mais ínfima entre todos os santos em Cristo, todos nós louvando e glorificando o Glorioso Nome do SENHOR JESUS CRISTO!
Mary Schultze, 06/04/2013.
8 de abril de 2013
Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição sobre Negros e Africanos.
Ministério Sal da Terra
Como parte do Conselho Geral da Aliança Evangélica Brasileira, segue nota oficial da Aliança.
Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição
sobre Negros e Africanos
A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.
Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.
O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.
Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.
O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.
Queremos salientar enfática e categoricamente:
Primeiro, Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.
Segundo, embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do sec. III, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.
Terceiro, Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!
Quarto, é de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.
Quinto, a maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.
Sexto, não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.
Sétimo, o texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.
Oitavo, Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.
Nono, a alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.
Décimo, toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.
Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.
Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.
Brasil, 07 de abril de 2013
Aliança Cristã Evangélica
Como parte do Conselho Geral da Aliança Evangélica Brasileira, segue nota oficial da Aliança.
Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição
sobre Negros e Africanos
A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.
Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.
O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.
Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.
O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.
Queremos salientar enfática e categoricamente:
Primeiro, Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.
Segundo, embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do sec. III, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.
Terceiro, Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!
Quarto, é de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.
Quinto, a maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.
Sexto, não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.
Sétimo, o texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.
Oitavo, Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.
Nono, a alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.
Décimo, toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.
Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.
Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.
Brasil, 07 de abril de 2013
Aliança Cristã Evangélica

