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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
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26 de junho de 2015

Quando os evangélicos vão mostrar que pastores pilantras não falam por eles? Por Kiko Nogueira

evangelicos

A cada vez que — na definição de Ricardo Boechat — pilantras como Silas Malafaia, Marco Feliciano ou Magno Malta proferem suas imbecilidades, alguns evangélicos correm a dizer que eles não os representam.
Se isso é verdade, e é de se supor que seja, por que essas vozes discordantes não estão fazendo mais barulho? Onde a condenação veemente dessa pregação intolerante, histérica, ignorante, homofóbica, obscurantista?
Outros líderes precisam iniciar um diálogo com os brasileiros que seja baseado em premissas diferentes, sob risco de virarem, graças ao ódio que jorra dos malafaias, o grupo mais odiado do Brasil.
No bairro da Penha, no Rio, uma menina de 11 anos levou uma pedrada na cabeça ao sair de uma festa do candomblé. Os homens carregavam bíblias na mão, segundo testemunhas.
A maior igreja pentecostal local se solidarizou com ela e a mãe. Mas é pouco. É necessário que pastores parem de clamar, no púlpito, que seguidores da umbanda ou do candomblé praticam feitiçaria. (Feliciano declarou, certa vez, que Caetano e Veloso e a Mãe Menininha do Gantois tinham “um pacto com o diabo”).
Os evangélicos sofrem hoje de uma crise de autoridade. Quem fala por eles, afinal?
Até quando a alegação de que “não é a religião, são apenas esses caras”? É razoável acreditar que a esmagadora maioria deles são pessoas normais, que não atacam crianças de outras fés, não acham que gays têm uma doença para ser curados. Mas onde eles estão?
Algo precisa mudar. É urgente opor-se publicamente aos fanáticos de ocasião. Há uma demanda para que crentes se mostrem aliados da decência humana, contra o que pregam os felicianos.
Quem, no meio evangélico, está desafiando esses doutrinadores? Eles precisam resgatar Jesus das mãos dessa canalha que grita cada vez mais e mais alto. Eles estão no Congresso, orando, afrontando o laicismo do estado com sua retórica de vergonha e desesperança. E aí?
É difícil se insurgir contra eles? Sim, mas começa com uma pessoa. Há uma fotografia tirada em Hamburgo, em 1936, que simboliza a força da resistência de um indivíduo.
Foi no porto, no lançamento de um navio de treinamento. No meio da multidão fazendo a saudação nazista, um homem está de braços cruzados. Mais tarde ele foi identificado como o operário August Landmesser.
Um único sujeito pode fazer a diferença. Depois vêm outros. Não é o caso, eventualmente, de atirar um ovo no púlpito ou cruzar os braços. Um bom começo é acertar onde mais dói nesses fundamentalistas: não dar dinheiro.

O homem identificado como August Landmesser se recusa a fazer a saudação nazista na Alemanha
O homem identificado como August Landmesser se recusa a fazer a saudação nazista na Alemanha

Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

15 de maio de 2015

Uma Geração que não Sabe Sorrir



Confesso que fiquei surpreso com uma crítica dura que recebi em um post que coloquei na minha time line numa rede social. Como se pode ver na imagem deste artigo, trata-se de um cartoon que se utiliza do bom humor para fazer uma denúncia. As figuras que aparecem no mesmo, como se sabe, não carecem de apresentação nem comentários...
Pois bem, por causa deste dito cujo, recebi a reprimenda de que estava fazendo pilhéria, algo de mau gosto, debochando, ridicularizando os pastores em destaque, que os profetas, ou os apóstolos – Paulo e Pedro – jamais fariam isto, que a denúncia era desmedida, etc., etc.

Ora, não é de hoje que sei que a mente religiosa, além de limitada, é violentamente condicionada pela moral de ocasião, um subproduto da cultura bíblica que, na esmagadora maioria dos casos, é irremediavelmente mal aplicada a contextos diversos da vida. Sim, a igreja neste tempo sofre, dentre outros, de dois males terríveis: ignorância doutrinária e analfabetismo histórico.

O grande mal da alienação que a religião produz é a amputação do indivíduo para a vida. A religião não suporta nada que não seja ligado a “fé”, que não se atenha as suas rotinas, credos e confissões. Para o religioso, arte, cultura, ciência, política, são temas exilados da existência, para nada aproveitam ao “homem-de-Deus”, são manifestações e conhecimentos inúteis que cabem, apenas, ao mundo caído e as suas dinâmicas próprias.

Este confinamento do saber às mídias de cunho espiritual, além de limitar o pensar do indivíduo, bitola-o de tal forma em sua consciência que ele se torna alguém impossibilitado de fazer abstrações, desenvolver um senso crítico, questionar algo ou mesmo se posicionar na contramão do sistema. O resultado é o que chamo de “crente em série”, um produto da igreja-fábrica que oferece a sociedade um sujeito obtuso, do ponto de vista da cultura, e intolerante, da perspectiva da fé.

A trágica realidade é que, a grande maioria das pessoas ligadas à religião, perdeu a capacidade de sorrir. Sim, é um contrassenso uma espiritualidade que, ao invés de tornar o indivíduo um ser melhor, faz dele uma aberração! Esta é uma geração que não consegue se alegrar com nada que não seja pregação ou culto do sagrado. Eles não conseguem rir de uma piada, nem admirar o nu de uma obra de arte, não podem assistir a uma dança popular ou falar sobre economia e política sem o viés da religião.

Eu usei o cartoon para fazer a denúncia – lembrando que este tipo de arte consegue alcançar uma enorme quantidade de pessoas – como poderia ter utilizado uma música do Ivan Lins, criticando o cerceamento da liberdade, ou uma obra de arte de Edvard Munch – como “O Grito” – para falar do desespero humano, ou uma poesia de Pier Paolo Pasolini, denunciando práticas sociais perversas. Eu não vivo numa gaiola, vivo numa sociedade plural!

Portanto, é bom lembrar que a bíblia não é o único canal da manifestação de Deus na história humana, pois a Graça Comum nos revela um Pai que faz com que seu amor alcance pessoas através de meios, não raro, totalmente inusitados e imponderáveis.

Sou um homem do mundo contemporâneo, não posso viver minha fé da mesma forma que Jeremias viveu. Os princípios de Deus são imutáveis, mas as dinâmicas da vida estão marcadas pelas características de cada tempo e da própria história humana debaixo do sol.

Os heróis da fé sempre serão, para nós, uma referência, mas eu preciso encontrar a forma certa para comunicar o Reino de Deus e a Salvação em Jesus para este tempo! Se assim não for, estou correndo o sério risco de afirmar que “Jesus Cristo é a solução”, mas sem saber quais são os problemas que afetam as pessoas neste dia chamado hoje.

© 2015 Carlos Moreira

28 de abril de 2015

A verdade que liberta

caleidosco

Ricardo Gondim

Houve tempo em que me encantei com o otimismo. Me sinto constrangido de reconhecer que acreditei na sorte como bumerangue: a gente arremessa os desejos adiante e, belo dia, eles voltam premiados pela deusa Fortuna.
Incentivei auditórios a cantar em ritmo frenético: “Vai dar tudo certo, em nome de Jesus”. Prometi em palestras e sermões grande reviravolta na história de todos ali presentes. Com o passar do tempo percebi, apesar de toda a minha boa vontade – e de todo o pensamento positivo das pessoas – as tais guinadas não aconteciam frequentemente. Nem tudo dava certo.
Tive amigos que agonizaram, carcomidos de câncer, prematuramente. Outros foram à bancarrota. Celebrei casamentos que terminaram em divórcio. Continuei a repetir jargões ufanistas sem levar às últimas consequências as minhas afirmações. Lamento a infantilidade de perceber a existência como homogênea, previsível, nos trilhos. Fui simplista. Pior, minha história de sucesso se deveu, também, por capitalizar sobre as ilusões. Eu sabia, mas negava, o que Francisco Azevedo escreveu: “A vida é caleidoscópio. De nada adianta girarmos o cilindro devagar. Tanto cuidado para quê? Quando menos esperamos, cacos de vidro desabam uns nos outros e formam o imprevisível desenho”.
Agora noto que não estava só no esforço de lucrar com frases de efeito sobre sucesso, prosperidade e segurança. Políticos e conferencistas motivacionais se somam a líderes religiosos na repetição de clichês sobre a vida feliz – na verdade, esses discursos idealizados servem apenas para fortalecer a eles mesmos.
Nenhum ufanista é ingênuo. Os interesses que escondem são perniciosos e as consequências, desastrosas. Mulheres azedam na vida porque alguém lhes promete que Deus (ou Santo Antônio) traz marido “no tempo certo”. Empresários desesperam porque alguém assegura que “o Senhor não permite que seus filhos fracassem nos negócios”. Pais e mães se arrasam, existencialmente, por jamais cogitarem que Deus “permitiria” a morte de um dos filhos – “uma família piedosa e obediente sempre pode contar com os livramentos do Senhor”.
É triste notar multidões acorrentadas às promessas que “um dia chegarão” – mas não chegam nunca. Não há como evitar a revolta de ver pessoas creditando dificuldades e agruras aos “paradoxos do divino ”, ou aos “mistérios insondáveis de Javé”.
Quem lucra com o triunfalismo? As revistas de fofoca, com seus conselhos de auto-ajuda, os televangelistas com seus milagres abundantes e as religiões que promovem crença no Deus  intervencionista – o mesmo que vez por outra vem em socorro de problemas cotidianos; ganham também os políticos personalistas – messiânicos – que se projetam como salvadores da pátria.
Mikahil Bakunin, o teórico político russo, afirmou que um ser onipotente como grande resposta para nossos dilemas existenciais gera parasitas:
Se ele faz parte da categoria dos homens fortes e dos políticos inteligentes, será um espertalhão que se aproveitará da imbecilidade e da crueldade das massas ignorantes, tanto para seu interesse pessoal quanto para aquele de sua casta, de onde retira sua existência e sua força.
O dia a dia acaba esvaziando o discurso triunfalista. Por mais que charlatões –  e canastrões – prometam cura, em um país com um sistema de esgoto precário, crianças vão agonizar com diarreia nas comunidades pobres. Embora se repita, nos ambientes religiosos, que os anjos estão ao dispor dos crentes, se falta ambulância na periferia das grandes cidades, gente vai morrer à mingua. Não adianta clamar aos céus para ganhar uma blindagem extra, se professores da rede pública são subvalorizados e o Estado corta verba para a educação. Sem escola de qualidade, o ciclo vicioso ignorância-desemprego-miséria-violência se perpetua.
A vida de muitos simplesmente não se tornará um sucesso. A estrutura econômica do Brasil, assimétrica na distribuição da riqueza e na manutenção dos privilégios de poucos, não permite que o pobre suba pelas malhas da inclusão social. Oligarcas nunca se mostram dispostos a abrir mão de seus benefícios (basta ver a miséria do Maranhão, por décadas feudo de uma família poderosa).
Uma geração inteira de judeus não conheceu a terra prometida. A história se repete trágica: homens adoecerão antes de conseguirem recuperar suas empresas; mulheres não vão mudar a realidade machista que as asfixia; meninos não sairão do lugarejo pobre e desprovido de oportunidade profissional. Rapazes, que sonhavam em jogar futebol na Europa, terão que se contentar com o salário mínimo.
Ninguém deve desprezar a realidade em nome de uma esperança fantasiosa. Nenhum grupo pode negligenciar a luta por justiça social por aguardar intervenções milagrosas. Religião alguma tem o direito de perpetuar a ilusão em nome do otimismo.
Sou pastor, pregador e conferencista, mas não tenho o direito de descolar o meu discurso da realidade; por ela ser crua, eu me obrigo a insistir: fé significa compromisso, coragem e ânimo no desafio magnífico –  e trágico – de viver. Não há outro caminho. Todos precisamos assumir uma aliança com a verdade – e nos engajar por justiça e paz a partir desse pacto. Me obrigo, não à verdade metafísica e absoluta do dogma ou da filosofia, mas a tudo o que promove solidariedade, bondade, compaixão e inclusão.
Sou intimado a abraçar a verdade que as circunstâncias impõem. Tenho que enfrentar os sistemas que justificam a anti-vida. Devo manter minha fé na promoção da liberdade. Se ensino a fuga, o fim de meu discurso desembocará em decepção. – Jesus disse: “Vocês conhecerão a verdade e a verdade os libertará”. Para que o mundo seja minimamente transformado, não me resta outro recurso senão me embrenhar na vida do jeito que ela é. E arregaçar as mangas para que um outro futuro se torne possível.
Soli Deo Gloria

Fonte: site do Ricardo Gondim

4 de maio de 2012

O marketing incoerente do ‘Dia do Grande Desafio’ da Igreja Mundial

O marketing incoerente do ‘Dia do Grande Desafio’ da Igreja Mundial
No dia 06 de maio de 2012 a Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo Apóstolo Valdemiro Santiago fará um evento, em São Paulo, denominado ‘Dia do Grande Desafio’. O evento pretende reunir 1 milhão de pessoas.
Até aí, nada de anormal. Todavia, o que vem chamando a atenção é a maneira como está sendo anunciado o evento. Tanto o site da denominação como os bispos da mesma fazem questão de anunciar o evento, centrando-se na pessoa de Valdemiro Santiago e propagando o incomprovado.
Enquanto um bispo diz: “Se você se sente fraco, sem fé ou desanimado, então desafie a fé do Apóstolo Valdemiro Santiago, e Deus também mudará a sua história”, o site da igreja propaga que “a maior concentração de milagres somente vistos na Bíblia”.
À luz da Bíblia, duas aberrações são perceptíveis ao se propagandear o evento. Em relação às palavras do bispo, a incoerência está nas palavras “então desafie a fé do Apóstolo Valdemiro Santiago”. A fé é um ato pessoal. Aquele que põe em execução a sua fé, está reconhecendo a soberania de Deus e, confiante, sabe que Deus pode agir e cumprir Suas promessas. Por várias vezes Jesus Cristo fez questão de testar a fé das pessoas que iam a Ele em busca de um milagre. Naqueles dias, muitos, inclusive, deixaram de receber seus milagres justamente por faltar-lhes a fé. Portanto, a fé de Valdemiro Santiago jamais fará um incrédulo receber sobre si um milagre.
O segundo erro é a forma como o site da igreja refere-se ao evento, como a maior concentração de milagres, exceto os da Bíblia. É impossível saber a proporção das ocorrências dos milagres nos últimos dois mil de história da igreja. Também não é possível ter ciência se no evento haverá uma grande quantidade de milagres da história da igreja, pois a oniciência só pertence a Deus.
Para muita gente, se há erros e absurdos, não importa. O que vale mesmo é o ‘marketing da fé’.

Por 

Paulo Teixeira é carioca, cristão evangélico da igreja Assembleia de Deus e atua na internet como blogueiro e articulista, desde 2007, focando assuntos sociais, políticos e religiosos, analisando-os sob a ótica cristã. Licenciado em matemática pela Universidade Castelo Branco (UCB/RJ) e graduando em história pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro 

5 de abril de 2012

Eventos evangélicos movimentarão o feriadão. E você, irá para qual evento?


O feriadão da semana santa será movimentado nas principais capitais do Brasil com eventos evangélicos.

Confira os eventos, abaixo:

  • Em Belo Horizonte, começa hoje dia 05 (quinta-feira), o tradicional Congresso Internacional de Louvor e Adoração Diante do Trono, que movimentará a capital mineira. Ana Paula Valadão e sua trupe interministerial estarão 3 dias em um Congresso  que reúne gente de toda parte do Brasil e do mundo.
  • No Rio de Janeiro, a MK Music promoverá na sexta-feira, dia 06 de abril, aenézima edição do tão bem sucessido "Louvorzão". Na minha opinião, o evento mencionado é meramente comercial, mas não posso negar que é um sucesso de crítica e de público. O local escolhido mais uma vez foi a Quinta da Boa Vista. Praticamente todos os artistas da MK se apresentarão.
  • No Rio de Janeiro, o Mi$$ionário R.R. $oares fará no dia 07 de abril, a partir das 16h,  um evento chamado "Uma Nova História" no Monumento aos Pracinhas, com presença de alguns cantores da Graça Music.
  • Em São Paulo, o RR Soares fará o mesmo evento, será no dia 07 às 08h da manhã, no Vale do Anhangabaú.

E aí, para qual dos eventos você irá?

Comentário Web Evangelista
Nós vamos ao Congresso da Santa Ana Paula Valadão... Num protesto Pacifico no sabado. Quem quiser saber mais informações: http://www.webevangelista.com/2012/03/protesto-pacifico-no-13o-congresso-de.html

4 de maio de 2011

Um Grão de Areia

Tudo está tão frio, tão tenebroso..
Olho para os lados e vejo tanta injustiça, me sinto somente um pó, um pequeno grão de areia no meio de um mar de pedras.
É tão ruim e difícil ser tratado como indiferente, peso, querer fugir e não poder..o vento passou por diversas vezes por aqui mas ainda não me levou para longe, muito longe.
A vontade é voar, quero achar o meu lugar na praia, onde me junto a outros de minha espécie e faço uma linda paisagem beira mar.
Então sou levado finalmente e jogado no deserto...aqui onde tudo é tão vazio estou melhor, sinto-me em casa! Não porque queira estar aqui, mas a possibilidade de atravessar um deserto de areia é muito maior que uma multidão de pedras..
O deserto é uma imensidão onde posso somente adorar, em meio ao frio aterrorizante nas madrugadas e o calor intenso durante o dia  percebo quão maravilhoso é o poder de Deus, pois intensas assim são suas maravilhas..
Meu grão de areia fará parte de um grande castelo, serei parte desse reino, viverei intensamente e serei finalmente feliz.

Esse texto não sai da minha cabeça, nela ele surgiu e dela não queria sair, a sensação de frustração mistura-se com a esperança de dias melhores e não consigo por muito tempo me sentir mal. Sou forçado a calar-me, parece uma ditadura militar revivida por quem nem havia nascido ainda quando ela aconteceu, mas faço parte da galera que vence pra contar história e sei que nada pode calar um servo de Deus.
Em meio a tanta sujeira, a luz que há em minha vida ainda precisa brilhar, eis me aqui Deus, sozinho, aflito, mas pronto pra te entregar o meu melhor...liberte-me!

Tiago Cardiaal --- @_cardial --- sigam-me, quando consquistar a liberdade verei..haha

14 de janeiro de 2011

O Cristão e o Meio Ambiente




Rio de Janeiro. São Paulo. Santa Catarina. Três exemplos vivos em nossas mentes do quanto nosso país tem sofrido com catástrofes naturais. Nos últimos dias temos experimentado uma avalanche de notícias sobre como o Brasil tem sido assolado por chuvas, ventos, tempestades e até mesmo tornados passando pelo território nacional. O que temos visto em nossos jornais e noticiários ultimamente têm deixado muitas pessoas atônitas com o que a natureza é capaz de fazer ou de destruir, e uma coisa é quase unânime a todas as pessoas que passam por essa situação ou que tomam conhecimento a distância: “Porquê Deus deixou isso acontecer?”

Uma indagação dessas é uma daquelas que não tem resposta alguma em nossas mentes pois não conseguimos entender os propósitos de Deus para com isso. Entretanto algo que não podemos deixar de ressaltar é o fato de que os culpados dessas catástrofes não é nada mais nada menos que nós seres humanos, cristãos ou não, que temos acabado com nossa Terra de uma forma absurdamente rápida. E por nós estarmos com essa atitude cometemos um pecado muito grande (se é que posso dizer isso) primeiramente contra Deus, depois contra as outras pessoas e também contra nós mesmos, já que Deus, ao colocar o homem neste mundo deu uma ordem explícita de cuidar e cultivar a terra (Gênesis 2.15), tornando o homem uma espécie de mordomo do ambiente. O meio ambiente então reflete o cuidado que nós, como mordomos que somos, temos com ele. E pelo que temos visto ultimamente não temos tido sucesso nessa tarefa? De que adianta empresas reciclarem seu lixo todo se nós jogamos papéis e latas no chão? De que adianta um plano de reflorestamento se nos preocupamos mais como vamos morar do que com o aonde vamos morar, e sujeitamos a morar em encostas, morros, lugares onde é praticamente um malabarismo sobreviver. Nossa atitude como cristãos tem que ser a de cuidarmos dessa natureza com afinco em todas nossas atitudes, seja nas mais simples ou nas mais complexas.

Pense nisso, se todos colaborarmos nas coisas mais simples o mundo fica muito mais agradável de morar, e dessa forma estaremos dando testemunho do Criador desse mundo a todos. 

13 de janeiro de 2011

Jezrael Rodrigues (Tio Jezz), novo colaborador

Bom dia, boa tarde, boa noite pessoas que navegam neste grande portal. Meu nome é Jezrael Rodrigues e a partir de hoje sou um dos colaboradores deste blog que vem só crescendo. Como o mano Wagner pediu a ajuda de uma pessoa um tempo atrás resolvi me dispor a trabalhar com ele nessa empreitada contra esse mundo dito ‘gospel’ que tem virado notícia nesses últimos tempo, e ao contrario da Bíblia, tem escandalizado a muitas pessoas (me incluo nessa lista de escandalizados).

Mas vamos a um breve relato de quem sou eu. Tenho 21 anos, moro atualmente em Brasília, mas de brasiliense não tenho nada. Por ser filho de pastor já morei em diversos e inimagináveis lugares deste mundo, quase que do Oiapoque ao Chuí, o que me confere uma grande gama de culturas diferentes. Sou adepto do bom e velho rock’n roll, mas sou possuidor de um cavaquinho (para aquelas rodas de samba de churrascos), e tenho uma grande admiração pelo forró, o qual passaria madrugadas e madrugadas dançando (com minha princesa Camila, se ela gostasse de dançar). Estou a 1 ano no último semestre de Sistemas de Informação, tendo inclusive passado pelo aperto do TCC e passado, mas tenho pensado em largar esse curso e partir para o meu chamado que é trabalhar com jovens e adolescentes em tempo integral. Pelo que viram estão lidando com uma pessoa que não é tão normal, mas que por ser meio louco, entende perfeitamente o quão louco e estranho é o cristianismo para o mundo, e isso se torna perfeitamente normal para a minha vida. Espero em Deus passar muito tempo aqui lutando contra falsas doutrinas, expondo-as para que as pessoas não venham a ser enganadas, mas também levar muito dessa alegria que é poder fazer parte do Reino de Deus a todos vocês.

Contem comigo, a qualquer momento podem me mandar emails, ou entrar em contato comigo via tuiter (@TioJezZ) que ficarei muito feliz em conversar com você. Me despeço desde já, e se preparem que novos textos loucos como eu virão a esse blog. Fiquem na paz de Deus.

20 de dezembro de 2010

Ludmila Ferber e Padre Fábio Melo no Faustão: Ecumenismo is in the air!



Por Yago Martins

Domingo à tarde, dia 12 de dezembro, tivemos um momento épico no conhecido programa do Faustão. Tivemos a cantora Ludmila Ferber e o padre Fábio de Melo, juntos, em um encontro ecumênico, representando a tolerância religiosa que deve existir entre o Catolicismo Romano e as comunidades evangélicas do Brasil.

O que para muitos é uma vitória, para o Cristianismo Bíblico é um momento de vergonha. Não que eu defenda violência ou desamor entre pessoas de diferentes religiões, mas o que eu vi foi além disto. O que foi pregado e proposto foi um relativismo teológico sem fronteiras. Claro, eu entendo que o apresentador Fausto Silva, como não-Cristão, defenda que teologia e questões doutrinárias sejam desimportantes, como ele bem disse:

Vocês têm aqui diferentes visões. O importante é que os dois estão aqui [...] mostrando que não importa a igreja, [...] você tem é que respeitar a opção de cada um. [...] Cada um tem que entender as peculiaridades de cada igreja e de cada mandamento.


Agora, o que eu não entendo é como a Ludmila, que se professa pastora e Cristã, pode concordar com as opiniões de tal apresentador, balançando a cabeça em cada palavra expressa por ele.

Faustão: Não é melhor nem pior, cada igreja tem as suas características, seus detalhes.
Ludmila: Cada um anda na luz que tem.


Perceba a força desta frase! “Cada um anda na luz que tem”. Será que Cristo diria isto se, em rede nacional, fosse questionado sobre as divergências doutrinárias nas religiões de seu país? Será que Jesus, o qual foi tão polêmico, incisivo, duro e radical em suas críticas às outras religiões, defenderia que devemos andar cada um em seu próprio entendimento da verdade? Leia sua Bíblia e você verá que não.

Não é difícil perceber que a religião que pretensamente intitula-se de Cristã, a mesma que foi representada noPrograma do Faustão, está totalmente distante do Cristianismo que Jesus veio pregar. Quer saber por quê? Isso é culpa de uma humildade manifesta no lugar errado. Deixe-me explicar: o homem foi chamado para ser modesto e, com isso, duvidar sempre de si mesmo. A humildade Cristã deve sempre ser posta em nossa própria capacidade e forças. Com isso, seremos pessoas que transmitem Cristo com o próprio viver. O problema de hoje é que as pessoas põem sua humildade numa área que não deviam: na área do conhecimento de Deus. O homem deve sempre mostrar-se duvidoso a respeito de si mesmo, mas não a respeito da Verdade; e isto foi invertido completamente nos dias atuais.

O que vimos neste domingo foi um verdadeiro show de humildade manifesta no lugar errado. Cada vez que um tema polêmico era posto em pauta, todos se apressavam m dizer que cada um tinha sua visão, cada um tinha sua doutrina, cada um tinha seu cada um. Não era difícil ver o esforço mútuo de não querer parecer “dono da verdade”.

Acho que G. K. Chesterton escreveu uma verdadeira profecia quando, em 1908, disse que estamos em vias de produzir uma raça de homens mentalmente modestos demais para acreditar na tabuada. Do modo com as coisas vão indo, o relativismo será a nova lei nas igrejas de nosso país, se já não o for.


***
Yago Martins, para o Cante as Escrituras e Púlpito Cristão

8 de dezembro de 2010

Caçadores de unção



Por Neto Curvina

Existe no meio evangélico um fenômeno interessante: São os 'caçadores de unção'. É fácil identificá-los. Estão sempre "Em Busca da Oração Perdida". Dava ou não dava um ótimo nome para um filme de aventura? Pois é. E bota aventura nisso.

Essa categoria de crente enfrenta qualquer parada para estar na presença, não de Deus, mas de qualquer irmão ou irmã que esteja, digamos, na moda... Sobem montes frios e inóspitos, com chuva ou sem chuva. Enfrentam estradas em caravanas para ver 'aquele' pregador. Embarcam em campanhas estúpidas que lhes arrancam até o último centavo. E ao final, nada. Segue a vida como antes.

Os caçadores de unção acham que estar na presença de um vaso de Deus vai lhes garantir bênçãos. Afinal, eles mesmos nunca se assumiram como tal. São dependentes da unção alheia. Basta dizer que chegou no bairro, na igreja, na comunidade ou coisa parecida, um irmãozinho novo, cheio da unção, que quando ora, 'o fogo cai' e pronto: já vira procissão. Entra irmão sai irmão da casa do tal vaso. Até e muitas vezes mais do que na própria igreja. Daqui a pouco vem o racha, os escândalos, as divisões e, bingo! Outra igreja se abre, normalmente com um nome quilométrico e inexplicável.

Os caçadores de unção só oram em bando. Isso mesmo, bando. Chamar aquilo de grupo é impertinente. Nunca oram em casa, a sós com Deus, como Jesus orientou. Bíblia? Nem pensar. "A letra mata!" - dirão. E mata mesmo. Mata sua infantilidade, ignorância e heresia. Esse negócio de estudo bíblico não é com eles. "Teologia" esfria as pessoas, gera incrédulos. O pior é que quem tem defendido essa tese tem sido seus pastores. Deveriam silenciar sobre teologia. Não é bom se falar do que não se conhece.

E lá se vão os caçadores de unção, atrás de outras 'revelações', normalmente ditas em línguas que eles não entendem. Aliás, na grande maioria dos casos, nem quem fala sabe o que está falando. E é mesmo bom que nem tenha quem interprete por perto. Melhor deixar como estar, senão o estrago vai ser maior.

Deixemos essas sanguessugas espirituais dissecarem à exaustão os humildes vasos de Deus. até quando enjoarem, descartarem e procurarem outro. Afinal, aquele profeta já saiu de moda mesmo.


***
Neto Curvina, via e-mail, para o Púlpito Cristão. 

27 de novembro de 2010

Comentário de Filipenses 4.13.

 

O texto bíblico acima é um dos muitos que estão sendo desvirtuados nos dias de hoje, citados e aplicados completamente fora de seu contexto literário e histórico para embasamento de idéias que envolvem a pregação do chamado “evangelho pragmático”, onde as tribulações da vida são vistas como “maldições”. Entretanto, o próprio apóstolo Paulo tinha consciência da necessidade das vicissitudes da vida, afirmando que “...a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5.3 e 4 - ARA) e que todos os filhos de Deus deveriam ser “...pacientes na tribulação...” (Romanos 12.12 - ARA). Nas palavras que antecedem o texto em comento, Paulo disse aos irmãos filipenses o seguinte:
 “...aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez”(vv. 11 e 12 - ARA).
A grande maioria dos teólogos acredita que Paulo escreveu a Epístola aos Filipenses durante uma de suas prisões, talvez em Roma ou Éfeso. Segundo Francis Davidson¹, “Houve duas razões principais que induziram o apóstolo a escrever aos filipenses. A primeira, para hipotercar-lhes sua gratidão pelo fato de eles, simpatizando com seu apostolado e partilhando de suas aflições, lembrarem-se de enviar-lhe algumas dádivas por intermédio de Epafrodito, um de seus membros (Fil. 4:10-18). A segunda, para corrigir algumas pequenas desordens existentes no seio da igreja”. Nas palavras do saudoso Merril Frederick Unger², “...Seu tema é a adequação de Cristo a todas as experiências da vida – privação, perseguição, dificuldades, sofrimento e também prosperidade e popularidade. Cristo dá alegria e triunfo venha o que vier, desde que a ele se conceda o centro da vida” . Portanto, Paulo escreveu palavras motivadoras aos seus leitores, em meio à intensa tribulação a que estava condicionado no momento!
Analisando criteriosamente o contexto literário e histórico, pode-se concluir que a expressão paulina “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13 – ARA) não diz respeito ao “poder de conquistar todas as coisas”, como pregam os “apóstolos modernos”, mas sim, ao “poder de enfrentar e suportar todas as situações em Cristo”. David H. Stern³ comenta o referido texto bíblico da seguinte forma:
“O cristianismo é acusado de estimular tanto o ascetismo quanto a ganância. O ensino destes versículos, baseados em experiência pessoal (detalhada em 2Co 11:21-33), é o de que o Messias oferece poder para se enfrentar tanto a escassez quanto a fartura, na verdade o poder para todas as coisas” .
O teólogo pentecostal David Demchuk4, após tecer uma breve crítica ao frequente mau uso do texto de Filipenses 4.13, deixa claro seu entendimento, nas palavras a seguir transcritas, de que a expressão contida no referido texto diz respeito à capacidade que Paulo tinha recebido do Senhor Jesus, o Cristo, para enfrentar todas as adversidades da vida:
“Em uma conclusão triunfal, o verso 13 revela a principal fonte do contentamento do contentamento de Paulo: “Posso todas as coisas, naquele que me fortalece”. Este contexto do verso tem sido frequentemente transgredido, e esta verdade tem sido colocada a serviço de extravagâncias caprichosas. O apóstolo está claramente se referindo à grande variedade de suas próprias experiências (v. 12). A importância do verso 13 é encontrada no fato dessa capacidade de Paulo lutar com as adversidades da vida não ter sido alcançada por meio da auto-suficiência (como os estóicos ensinavam), mas através da suficiência em Cristo. Este fortalecimento foi parte da experiência cristã contínua de Paulo e estava fundamentado em sua união com Cristo”.
Concluindo, pode-se dizer, sem dúvida alguma, que a expressão paulina “Tudo posso naquele que me fortalece”(Filipenses 4.13 – ARA), ao contrário do que se prega atualmente, é uma das maiores expressões de fé para aplicação prática na vida diária de cada cristão, pois ensina a confiar no Deus Eterno em quaisquer situações, acreditando que Ele, embora não livre seus filhos de sofrer dificuldades na vida, outorga poder para enfrentá-las e suportá-las sempre.

JORGE CARVALHO

BIBLIOGRAFIA:
1. DAVIDSON, Francis. O Novo Comentário da Bíblia, 3.ª Edição, São Paulo, SP: Editora Vida Nova, Editado em português pelo Dr. Russel P. Shedd, 1995, Reimpressa em 2003, p. 1269.
2. UNGER, Merril Frederick. Manual Bíblico Unger, Reimpressão Revisada da 1.ª Edição, São Paulo, SP: Editora Vida Nova, Revisada por Gary N. Larson, 2008, p.555.
3. STERN, David H.. Comentário Judaico do Novo Testamento, 1.ª Edição Brasileira, São Paulo, SP: Editora Atos, 2008, p. 650.
4. DEMCHUK, David. Comentário Bíblico Pentecostal, 4.ª Edição, Rio de Janeiro, RJ: Editora CPAD, 2006, p. 1313.


(Recebi o Artigo por e-mail)

8 de novembro de 2010

Louvor ao EGO! A proliferação de cânticos com letras focadas no “eu”.


mate seu ego
Por Isabel da Cunha Franco
Há poucos dias fui a duas igrejas em dois domingos consecutivos e pude confirmar o que já venho observando há algum tempo: a proliferação de cânticos com letras focadas no “eu”. São músicas com letras que parecem ser instrumentos de autoajuda, em que  as pessoas ficam repetindo que vão vencer ou que são vencedoras.
No primeiro domingo foram pelo menos três músicas desse tipo e, no outro, foram no mínimo duas. Dos cânticos que ouvi e me lembro vou citar
parte da letra de alguns: 1.“Bendito serei” (este era baseado na promessa de Deus a Abraão); 2. “Transbordarei, prosperarei...Para a direita, para a esquerda, para frente, para trás, por todo lado sou abençoado”; 3. “Uma só palavra que Deus mandar vai fazer a minha vida mudar; Não importa o que enfrentarei, com a unção imbatível serei”; 4. “Somos mais que vencedores”; 5. “Deus de alianças, Deus de promessas...Posso enfrentar o que for, eu sei quem luta por mim...”. Estes mencionados são alguns dos que ouvi nesses dois domingos. Sei que há muitos outros.
Alguns deles são bonitos e devem ser analisados com cuidado e sem preconceito. Podem até conter uma teologia correta. Mas fiquei pensando nas causas e consequências da proliferação desse tipo de letra. Como algumas das causas, vejo:
- A sociedade em que vivemos é individualista e vive à procura de sucesso e de vantagens. Vivemos nesta sociedade e acabamos, sem perceber, absorvendo muitos dos seus valores e acabamos nos entusiasmando no culto com as promessas de sucesso contidas nos cânticos;
- Os evangélicos têm crescido em número e muitos são os que se têm convertido em todas as classes sociais.  Outros têm tido experiências especiais com o Senhor. Glória a Deus por isso! Só que os novos ou velhos convertidos, alguns cheios de alegria e amor ao Senhor, mas sem qualquer preparo bíblico-teológico ou formação acadêmica, compõem lançando CDs com músicas de má qualidade, com letras repletas de erros teológicos e também erros de português. Promessas bíblicas usadas completamente fora do contexto transformam-se em pensamento positivo para ser empregado nos embates desta vida.
Algumas consequências de tudo isso:
- Quando essas músicas predominam, mesmo sem perceber, vamos trocando o culto que é devido ao Senhor, pelo louvor ao “ego”. Deus é que parece estar ao nosso serviço. Como comparar, por exemplo, uma letra como a do cântico “Ao Rei dos reis consagro tudo o que sou, de gratos louvores transborda o meu coração” com “Transbordarei, prosperarei”? Uma está inteiramente dirigida à adoração a Deus, a outra está centrada no eu.
- Quando as pessoas cantam “Uma só palavra que Deus mandar vai fazer a minha vida mudar, não importa o que enfrentarei, com a unção imbatível serei” ou “Prosperarei”, temo que isso as torne um tanto inconscientes de que temos de lutar pelo sucesso que desejamos. Ficar esperando, como num passe de mágica, por “uma só palavra” de Deus não será mais fácil do que irmos à luta? Deus, pela sua graça, deseja nosso
triunfo, mas muitas vezes quer que batalhemos por isso tendo leis que devemos obedecer para que tenhamos vitória, não apenas na vida espiritual, mas também nas áreas econômica, intelectual, física ou de relacionamentos. Ficar esperando por “uma só palavra que Deus mandar” não será mais fácil do que crescermos no conhecimento dele, do seu modo de agir, da sua vontade e das suas leis por meio da reflexão, do estudo da Sua Palavra, do ouvir os mais experientes, etc?
Este é apenas um início de reflexão que pretendo continuar sobre o assunto. Sabemos o quanto a música pode influenciar a percepção e o comportamento das pessoas. Não estou dizendo que não devemos cantar este tipo de cântico. Aprovando-se a qualidade de sua música e a teologia de sua letra, podemos cantá-los na igreja recebendo deles ânimo para as batalhas de cada dia. Quando, no entanto, eles predominam em nossos cultos, creio que é sintoma de um mal que já estamos sofrendo ou viremos a sofrer – uma vida centrada em nós mesmos.
Que Deus nos ajude!

Isabel da Cunha Franco é Educadora religiosa. Matéria publicada no Jornal o Batista Mineiro (Setembro/2010). Divulgação Blog Renato Jr. 

15 de setembro de 2009

CARTA DE UM FILHO PRÓDIGO


CARTA DE UM FILHO PRÓDIGO

Querido pai:

Há algum tempo eu queria escrever, mas estava com vergonha. Quando saí de casa, estava com uma boa grana na mão, cartões de crédito e com o canudo da faculdade. Achei que poderia enfrentar tudo sozinho e sem depender de ninguém. Queria uma vida independente, ser dono do meu nariz.

Encontrei uma pá de amigos quando cheguei aqui.

As baladas se sucediam e eu vivia emoções fortes a semana inteirinha. Além disso, minha aparência ajudava muito e tinha ao meu lado as garotas mais descoladas do pedaço.


Sabe pai, o carro, numa madrugada de sexta para sábado, eu estava tirando um racha numa avenida daqui e quando fui dar um cavalo de pau, acabei capotando. Fiquei dois dias em coma, mas felizmente me restabeleci.

Nessa época a grana já estava acabando, mas achei um amigo que me pareceu muito legal e que me deu o maior apoio. Cedeu-me um lugar em sua casa já que morava só. Ele só tinha um problema, estava envolvido com o uso de cocaína e depois ele me confessou que para manter o vício ele batalhava para vender a droga para outras pessoas. O Giba me ofereceu a cocaína e me garantiu que ficar careta não era para jovens como nós.

Quando dei por mim, já estava fazendo uso da farinha (é assim que a gente chama a cocaína). Sentia uma inquietação muito forte e o Giba disse numa boa que não podia mais sustentar o meu vício.

Pai, até tentei me firmar num emprego, mas não consegui e a coisa começou a engrossar. O Giba foi preso com quinze papelotes de cocaína e foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecente. Eu não podia mais permanecer na casa dele pois estava devendo para o dono de um ponto de tráfico.

Umas garotas que participavam das baladas com a gente, também entraram para o time dos drogados, inclusive, a Jose e a Jéssica morreram, uma de overdose e a outra, foi morta no carro do namorado, que era da pesada.

Pai, aos poucos eu fui me aprofundando nesse abismo e agora, estou dormindo na rua. Às vezes tomo banho num posto de gasolina que tem um frentista gente boa, o Ceará, ele me deixa tomar um banho lá, até me deu uma camiseta de propaganda.

Me alimento com restos de comida de um restaurante e de vez em quando eu  vou até o  CEAGESP onde consigo frutas que ainda servem pra gente comer.


Pai, hoje de manhã, acordei pensando se seria certo ou não, afinal resolvi escrever essas linhas. Estou envergonhado, pois pensei que sabia de tudo e que ninguém tinha nada a me ensinar. Lembro das  nossas homéricas discussões que terminavam com o choro da mamãe e com a revolta da Cássia e do Léo, meus dois irmãos, pessoas  que eu achava tão caretas para o meu gosto e que só pensavam em estudar e fazer tudo dentro de regrinhas rígidas e nada mais.

Pai, gostaria de ter uma chance, principalmente agora, descobri que sou soropositivo. Sabe o que é isso pai, quer dizer que em breve já não estarei mais nesse mundo. O médico me disse que morando na rua o meu fim será abreviado, já que adquiri um problema sério nos pulmões e cheguei a por sangue pela boca e desma iei.

Pai, sabe aqueles dois cômodos que tem nos fundos e que são utilizados como depósito de quinquilharias? Gostaria que o senhor permitisse eu morar ali  de favor e nem precisa me chamar de filho, pois eu não mereço esse tratamento. Quero do fundo do coração que vocês me perdoem e tenham misericórdia de mim. 

Prometo que não vou trazer mais aborrecimentos para ninguém.

Caso o senhor concorde, mande uma cartinha para o albergue onde estou por mais duas semanas (o endereço está no rodapé). Se a cartinha não chegar eu entendo a sua posição, vou tentar me arranjar.

Desculpe a qualidade do papel, mas foi o que arranjei para escrever essa cartinha. Não liguei para casa, pois tenho certeza de que não agüentaria ouvir a voz de mamãe, a sua ou a de qualquer dos meus irmãos.

Um abraço para o senhor, para a mamãe para a Cássia e para o Léo.

Perdoem-me  por tudo tá?

São Paulo, 23 de abril de 2007.

Guilherme A. Prado.

(Os nomes são fictícios e o texto é uma contextualização da parábola do Filho Pródigo).

Carlos Roberto de Souza  Pastor é Juiz de Direito em São Paulo

31 de agosto de 2009

O GPS de Deus

“Quando o condutor sai do roteiro sugerido pela voz eletrônica, o GPS percebe o deslize e, automaticamente, programa um novo trajeto até que o carro chegue ao endereço final”

Dias atrás, uma reportagem me chamou muito a atenção. Num desses programas sobre automóveis, eram apresentados alguns modelos de GPS para veículos. O equipamento – que ajuda a guiar o motorista até determinado endereço – já é uma realidade nos grandes centros. A eficácia da máquina, movida por satélite, impressiona. Para programar o pequeno computador, basta digitar o nome da rua e do bairro. Em seguida, as coordenadas são passadas por uma voz eletrônica: “Vire à esquerda a 100 metros”; “Siga pela direita por três quadras”; “Cuidado com o obstáculo à frente”. Em meio a tantos “faça isso ou aquilo”, fica fácil chegar ao local planejado.
Mas mesmo com tanta clareza nas orientações, a reportagem mostrou que alguns motoristas erram o caminho indicado. Quando o condutor sai do roteiro sugerido pela voz eletrônica, o GPS percebe o deslize e, automaticamente, programa um novo trajeto até que o carro chegue ao endereço final.

A idéia é fantástica e se assemelha ao comportamento de Deus para com seus filhos. Desde o ventre da sua mãe, Ele planejou o caminho em que você deveria andar.

O Senhor pensou cuidadosamente no seu trajeto, nas dificuldades das esquinas e cruzamentos da vida, nos possíveis acidentes de percurso e até no combustível para levar você ao destino desejado por Ele.

Mas, infelizmente, muitas vezes tomamos decisões isoladas, sem a orientação do nosso “GPS”, Deus. Ignoramos a voz do Pai e seguimos na direção errada. Assim como no trânsito, isso também pode nos trazer prejuízos. O tempo perdido é um deles. Sem saber a direção certa e em meio a tantas dúvidas, andamos muito mais. São voltas e voltas em busca do alvo. As dificuldades também são bem maiores quando você não conhece o caminho. As barreiras podem atrapalhar a sua passagem. Agora, o mais interessante disso tudo é que assim como o GPS, Deus também refaz os planos e nos leva aonde, verdadeiramente, precisamos ir. A misericórdia do Senhor é tão grande que Ele não leva em consideração os nossos erros. O Pai quer que o filho alcance a plenitude. Então, mesmo que você tenha tomado direções erradas em sua vida, não perca a esperança e não pare no caminho. Deus está no comando e vai lhe reconduzir ao caminho certo.

“Quando desviares para direita e quando desviares para esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: ‘Este é o caminho, andai por ele’.” (Is 30.21).

Sucesso!

Juliano Matos
Jornalista e colaborador do portal Lagoinha.com