Blogroll

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens

14 de maio de 2013

Líder da 'igreja da maconha' é condenado a 14 anos de prisão no interior de São Paulo


Geraldo Antonio Baptista (à direita), o Rás Geraldinho Rastafari, 53, está preso em Americana (SP) 

A Justiça de Americana condenou a 14 anos, dois meses e 20 dias de prisão, em decisão proferida nessa segunda-feira (13), Geraldo Antonio Baptista, o Rás Geraldinho Rastafári, 53, líder da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, conhecida como "igreja da maconha".
Ele foi condenado por tráfico de drogas, com pena ampliada por participação de menor, além de associação para o tráfico. A defesa afirmou que vai apelar. A decisão prevê ainda que o réu recorra sem poder sair da cadeia e pague 2.132 dias multa, o que hoje equivaleria a R$ 48,1 mil.
A decisão deve ser publicada nos próximos dias. Geraldinho foi preso em flagrante, em 15 de agosto de 2012, quando foram encontrados 37 pés de maconha em sua casa. Na ocasião, dois jovens de 18 anos foram presos, e um adolescente, apreendido. Ele afirmou que a planta é cultivada para uso religioso, o que é permitido pela legislação brasileira, e consumida apenas em ocasiões de culto, mas foi enquadrado por tráfico.
A alegação, no entanto, não foi acolhida pelo juiz Eugênio Augusto Clementi Júnior, que julgou o caso. Para o magistrado, há "farta prova produzida no processo que desmente a alegação da defesa de que o consumo da maconha era feito de forma ritual".
"Ainda que, com extrema boa-vontade, se pretendesse atribuir ao direito ao livre exercício do culto religioso a propriedade de agir como excludente de antijuridicidade, no caso específico do réu isso não é possível, porquanto a prova dos autos demonstra que o réu fornecia maconha a terceiros fora da realização dos cultos de sua 'igreja'".

Em igreja, maconha vira erva sagrada e entra até na Bíblia

O juiz defendeu ainda que, mesmo que fosse o caso, a legislação brasileira exigiria uma condenação. "A liberdade de culto religioso só pode ser invocada se e somente a prática ritualística não entre em conflito com a lei penal do país", disse o magistrado. "Se alguém quiser sacrificar virgens, como faziam os astecas, a lei brasileira não irá permitir. É o mesmo caso", disse.

Outro lado

Marlene Martim, mulher de Geraldinho e comandante da igreja no período em que ele está preso, afirmou que a reação entre adeptos e familiares foi de choque. "Não imaginávamos que o juiz seria tão cruel na sentença, sem levar em consideração a questão religiosa", afirmou.
Ela disse ainda que há uma mobilização nas redes sociais em defesa do líder religioso. "Sábado nós iremos realizar uma marcha em Campinas."
Recurso
O advogado de Geraldinho Rastafári, Alexandre Curi Miguel, afirmou que ainda não havia lido a sentença - que tem mais de 40 páginas - na íntegra, porém adiantou que a defesa irá apelar da decisão.
"A Justiça de Americana já deu a opinião dela: não existe liberdade religiosa. Agora, nós iremos recorrer ao TJ (Tribunal de Justiça) para que a decisão seja apreciada por uma Câmara, composta por cinco desembargadores", disse.
Miguel afirmou que a defesa irá brigar pela liberdade religiosa e defender que a condenação de primeira instância foi "preconceituosa".
"A sentença foi promulgada no dia da Abolição da Escravatura. Está claro para a gente a opinião do juiz", observou. "O TJ vai analisar se é uma igreja que está sendo apreciada ou um traficante disfarçado de líder religioso."
O advogado disse ainda que irá lutar para que Geraldinho aguarde o julgamento do recurso em liberdade - o líder religioso ficou preso durante toda a apreciação da ação na Justiça local.
A defesa do Ras já impetrou dois habeas corpus no TJ, ambos com provimento negado, e um habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça), que teve o pedido de liminar negado, e aguarda o julgamento do mérito.

Fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/05/14/lider-da-igreja-da-maconha-e-condenado-a-14-anos-de-prisao-no-interior-de-sao-paulo.htm

15 de maio de 2012

Anjos caídos!


Avanço das drogas na sociedade bate à porta da igreja e jovens evangélicos já fazem parte de estatísticas do vício.
“As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
Por Marcos Stefano

Tudo começou com um punhado de anfetaminas e o desejo desenfreado de vencer no ciclismo. Mas logo vieram o ecstasy, a cocaína, o crack, as brigas com a família e os roubos para manter o vício que acabara de se instalar. A cada capítulo, o drama vivido por Danilo Gouveia, personagem interpretado pelo ator Cauã Reymond na novelaPassione, da Rede Globo, mexe com os telespectadores e choca a sociedade com a dura realidade das drogas. Não é o primeiro sucesso do showbiz macional em cima do assunto. Há pouco tempo, o longa Meu nome não é Johnny, baseado no livro do jornalista Guilherme Fiuza, ganhou as telas dos cinemas ao revelar as desventuras de João Guilherme Estrella, um jovem que tinha tudo na vida, menos limites, pelo mundo das drogas. Em comum, histórias como as de Gouveia e Estrella alertam dramaticamente que ninguém está livre desse perigo – nem mesmo aqueles que estão aparentemente nas situações mais seguras, aos olhos dos homens. Johnnatan Wagner Richele Guardian, hoje com 25 anos, sabe muito bem o que isso significa. Nascido numa família de pastores, Johnnatan cresceu dentro de uma congregação da Igreja do Evangelho Quadrangular, numa pacata cidade do interior das Minas Gerais. Na adolescência, envolveu-se com o grupo de mocidade e começou a tocar nos cultos. Tinha talento e um futuro promissor. Mas trocou tudo pela bebida e pela droga. A ponto de terminar traficando cocaína e crack nas ruas da cidade de São Paulo. Tornara-se um dependente.

Para quem observa hoje o trabalho e o envolvimento do obreiro Johnnatan com a juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus, onde se prepara para o pastorado, é até difícil imaginar o que pode ter acontecido para um moço aparentemente tão fervoroso espiritualmente ter se esfriado tanto. “As pessoas sempre me viam nos cultos, mas não sabiam o que se passava comigo”, conta. Repetindo o que acontece com tantos garotos que crescem numa aparente segurança espiritual dentro das igrejas, ele estava longe da fé fervorosa da avó, que sempre o levava aos cultos. “Eu achava tudo muito careta e, influenciado por alguns amigos, pensava que ser crente era viver escondido atrás de uma Bíblia”. Aos 19 anos, o rapaz deixou a igreja. Com a “ajuda” daqueles mesmos amigos, começou a beber. Dali para as drogas, foi um passo.

A família, no entanto, não desconfiava de nada. Só veio a descobrir a verdade quando Jonathan foi morar com a mãe, na capital paulista. Como o que ganhava já não era suficiente para comprar tóxicos, começou a vender coisas de casa até ser flagrado pela mãe. Já estava dominado pelo vício. Nos anos seguintes, não foram poucas as tentativas de deixar as drogas, mas elas sempre terminavam em fracasso. Bastava uma discussão que o deixasse mais nervoso para Johnnatan mergulhar novamente naquele mundo. “Quando ficava desempregado ou o dinheiro acabava, vinham as vozes no ouvido: ‘Por que você não se mata? Jogue-se da ponte!’. Era terrível”, recorda. Conseguiu sobreviver até que um de seus patrões o levou de volta à igreja, onde recebeu a Cristo como Salvador. Logo foi incentivado a largar o vício. Essa decisão, assim como a de romper com velhas amizades e até mesmo um namoro, foram decisivas para que ele tivesse êxito.
Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal.
Histórias de crentes que enfrentam o pesadelo das drogas chegam a soar muitas vezes quase como surreais. Porém, o que mais impressiona não são experiências sobrenaturais ou as misérias enfrentadas quando a pessoa chega ao fundo do poço, mas perceber que esses casos se multiplicam. Por si só os números que envolvem as drogas têm dimensões infinitamente maiores do que qualquer das pragas descritas no Apocalipse. Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal. Dessas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas, 26 milhões enfrentam problemas sérios, como a dependência de substâncias mais pesadas, especialmente nos grandes centros urbanos. É um problema de saúde pública, inclusive no Brasil, onde estima-se que haja quase 900 mil usuários. Mas, quando se pensa que uma parte desse contingente é formado por jovens filhos de crentes ou desviados das igrejas, a preocupação é ainda maior.

O pastor Cilas, dirigente de uma igreja pentecostal do Rio de Janeiro, pede que a reportagem omita seu sobrenome e o nome de seu filho mais novo, de 22 anos. Mas não esconde que vive esse drama: “Eu prego a libertação que há em Jesus no púlpito, mas esse processo ainda não aconteceu na minha casa”, lamenta o religioso. No fim da adolescência, o filho, que desde bebê acostumou-se a ouvir cânticos e mensagens de fé na congregação frequentada pela família, deixou de ir aos cultos. Alegava que queria ficar em casa e assistir televisão aos domingos, mas quando se via sozinho, saía furtivamente. “Pensamos que era aquela coisa de adolescente rebelde, que um belo dia vai ter uma experiência com Cristo e mudar de vida”, diz Cilas. O problema era muito maior – o garoto já andava com outros rapazes mais velhos, que o iniciaram nas drogas. Passo seguinte, abandonou os estudos e agora pouco aparece em casa, para desespero dos pais. “Às vezes, fico semanas sem vê-lo, sem nem mesmo saber se está vivo ou morto”, entristece-se o pastor, que admite a própria culpa. “Tinha tanto interesse em buscar as almas perdidas que não percebi que tinha um perdido sob meu teto.”

RELAÇÃO PERIGOSA

Não existem pesquisas nem números que quantifiquem de fato essa relação perigosa dos jovens evangélicos com as drogas. Mas basta analisar o perfil dos pacientes internados nas muitas casas de recuperação para dependentes químicos espalhadas pelo Brasil para perceber que vários deles têm ou tiveram alguma relação anterior com o Evangelho. Essa constatação se repete nas ruas. No Rio de Janeiro, missionários que trabalham nas favelas costumam relatar encontros em que traficantes pedem orações. “Cansei de conhecer traficantes filhos de crentes”, confirma o missionário Pedro Rocha Júnior, de Jovens com uma Missão, a Jocum. Atualmente no Cairo (Egito), ele passou mais de uma década pregando o Evangelho e prestando serviços sociais no Morro do Borel, zona norte da capital carioca, num tempo em que a comunidade era dominada pelo narcotráfico. “Muitos dos traficantes tinham nomes bíblicos, como Ezequiel, Davi, Josué. Gente criada na igreja, mas que depois pulou fora e caiu no vício.”

Em São Paulo, na chamada Cracolândia – área da região central da cidade que ganhou fama pelo tráfico de drogas e pela prostituição, além dos delitos praticados a céu aberto e em plena luz do dia –, meninos e meninas que um dia cantaram em corais juvenis de igrejas agora não passam de moribundos que vagam pelos becos alucinados pela próxima dose. “É assustador ver que tanta gente com quem trabalhamos saiu de igrejas e provêm de famílias evangélicas. Seja por terem uma religião apenas nominal ou por experimentarem alguma frustração com o sistema, foram presas fáceis para a tentação das drogas”, explica a advogada e missionária Selma Maria de Oliveira, de 33 anos. Ela integra a Missão Cena, organização interdenominacional que trabalha na região da Cracolândia. Sua sede, localizada próximo dali, é um refúgio para quem já não pode contar com mais nada nem ninguém. A cada terça-feira, centenas de moradores de rua e viciados dirigem-se à base para comer, tomar banho, cortar o cabelo e trocar de roupa. Lá, encontram abrigo temporário, mas que pode se transformar em permanente: após passar por uma triagem, os usuários de drogas têm a possibilidade de conseguir tratamento na Fazenda Nova Aurora, centro de recuperação que a missão mantém em Juquitiba, no interior paulista.

A impressão dessa alta presença de ex-crentes entre os viciados foi partilhada pelo repórter de CRISTIANISMO HOJE. A revista acompanhou na região central de São Paulo o trabalho de uma equipe de obreiros da Cena. Conversando com usuários de drogas como o crack, é possível perceber a origem e formação evangélica de diversos deles, como um rapaz que falava da Bíblia para moradores de rua. Antes, líder do louvor numa igreja pentecostal, ele agora se tornou traficante. Mesmo pedindo para não ser identificado, falou um pouco sobre sua história. Ainda guarda do Evangelho a certeza de que há perdão e restauração em Cristo, mas, por enquanto, diz não ter forças para sai do fundo do poço. “Tenho esperança de que um dia voltarei para os caminhos do Senhor”, diz. Mesmo assim, garante, fala do amor de Jesus aos outros. “Até ensino o pessoal a cantar alguns hinos”, diz, sorrindo.

“Há pelo menos quatro fatores que podem explicar o vício entre os jovens: o físico, o psicológico ou emocional, o social – e também o espiritual”, explica a psicóloga Gisele Aleluia, professora do Instituto de Integração da Família (Inif) e de pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Coautora do livroDrogas.sem (Editora BestSeller), em que orienta como ajudar alguém que pretende deixar o vício, ela diz que os adolescentes são presas fáceis quando buscam reconhecimento entre os amigos e acham que as drogas os ajudarão a ser mais populares ou vencer a timidez na hora de namorar. Já outros, na ponta oposta, são por demais curiosos e autossuficientes para achar que correm riscos. “A mesma falta de perspectivas pode ser encontrada entre aqueles inseguros, que vão atrás de alívio para seus problemas”, aponta.

Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Num desafio ao bom senso, experimentam esse tipo de substância cada vez mais cedo. Há dez anos, a média de idade para o primeiro contato era de 14 anos. Agora, não passa de onze. As pesquisas também revelam que, devido à exibição na televisão dos efeitos devastadores dos entorpecentes na vida de viciados e às campanhas de prevenção, a juventude brasileira sabe o tamanho desse problema. Ainda assim, boa parte dela não consegue ficar longe de um baseado de maconha ou um papelote de cocaína.

“No meio evangélico, some-se a tudo isso o ambiente repressor de muitas igrejas. Ao sair desse sistema, o jovem está vulnerável e despreparado”, continua a psicóloga Gisele. “Justamente por conta dessa tolerância para com os de fora e intolerância para os de dentro, a igreja tem facilidade para lidar com quem pede ajuda e dificuldade para auxiliar alguém já recuperado que recai”, diz. Membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), ela lembra o caso de um de seus pacientes. Filho de pastor, hoje, ele luta contra o vício. “A pessoa quer mostrar sua rebeldia usando tóxicos. No caso desse rapaz, ele me confessou que seu pai o havia prendido a vida inteira. Finalmente, quando conseguiu sair, saiu demais.”

ESPIRITUALIDADE TERAPÊUTICA

Do ponto de vista da ciência, as drogas são uma doença. Um problema sério, capaz de acabar com relacionamentos e inviabilizar o estudo e o trabalho – e que precisa do devido acompanhamento e de soluções à altura. Mesmo assim, até na área médica já existe um consenso de que a espiritualidade tem um papel muito importante para prevenir e tratar a dependência química. No mais amplo estudo realizado no Brasil sobre o tema, de autoria de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), mais de 16 mil estudantes foram envolvidos. A conclusão foi de que a religiosidade é fator importante de prevenção ao vício.

Essa também é a opinião dos órgãos governamentais responsáveis pela política nacional de combate às drogas. “As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Dentro da estratégia de priorizar a prevenção, um dos principais projetos da instituição é o curso Fé na Prevenção, desenvolvido para capacitar os religiosos a trabalhar na área. O objetivo era chegar ao fim de 2010 com 200 mil pessoas treinadas.

“Valores espirituais protegem a pessoa das drogas. Por isso, torna-se tão importante falar a língua do jovem”, faz coro Gisela. Acontece que normalmente famílias e igrejas que enfrentam o perigo das drogas com seus jovens têm dificuldade para fazer a pressão na medida certa e ao mesmo tempo manter o mínimo de diálogo. Na lacuna, quem entra com força são os centros especializados no acolhimento e tratamento a viciados. Não por acaso, a maior parte das casas de recuperação são evangélicas ou católicas, sendo procuradas também por quem não tem religião. Mas a demanda é grande demais, inclusive por parte das igrejas e famílias evangélicas que as veem como última esperança. Só a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb) representa cerca de 300 instituições do gênero no Brasil. Quem atua no setor quer fazer mais. “Para prestar um serviço relevante à sociedade precisamos nos qualificar, mas também melhorar nossa estrutura física”, diz o presidente da entidade, pastor Wellington Vieira. “Um primeiro passo é o reconhecimento dos governos federal, estaduais e municipais ao nosso serviço e parcerias que nos permitam adaptar-nos às exigências da Vigilância Sanitária para o funcionamento das clínicas”, reivindica.

A fé, contudo, não faz milagres sozinha. “Não adianta somente se dizer evangélico. Se a família que frequenta a igreja é disfuncional, a chance de seus filhos pararem nas drogas é alta”, constata o pastor Carlos Roberto Pereira da Silva, do Desafio Jovem de Rio Claro (SP). Desde 1998, a casa é a representante oficial do Ministério Desafio Jovem Internacional, criado quarenta anos antes nos Estados Unidos pelo pastor David Wilkerson, cuja história está registrada no best-seller A cruz e o punhal (Editora Betânia). Na época, Wilkerson, pastor de uma Assembleia de Deus no interior do país, mudou-se para Nova Iorque a fim de evangelizar gangues que disputavam o poder nas ruas da metrópole.

“O tratamento é melhor estruturado e mais complexo agora”, destaca Carlos, “mas, ainda hoje, a filosofia de trabalho permanece a mesma. Temos uma das melhores porcentagens de recuperados no país, com mais de 70% de sucesso. Nos Estados Unidos, o índice chega a 86%”. Ele é parte dessa estatística, já que, no passado, foi viciado e chegou a roubar e traficar drogas. Com conhecimento de sobra, o pastor não tem ilusões em relação ao assunto. “Infelizmente, muitas igrejas querem lidar com viciados sem o mínimo de estrutura. Não se tira alguém das drogas com uma simples oração ou unção com óleo”. Mas sabe que o Evangelho de Jesus continua tendo poder de mudar vidas. “Acredito que a Igreja brasileira continua sendo um lugar terapêutico, mas é preciso voltar a tocar a trombeta do despertamento.”

Johnnatan, o futuro pastor que abre a reportagem, tem feito isso. Exceção à regra, ele superou o vício sem precisar ser internado em uma casa de recuperação. Mas sabe que precisa vigiar. As recaídas são das maiores ameaças a ex-viciados, e ele já passou pela experiência. “E não quero repetir nunca mais”, afirma. Consciente da situação, hoje Johnnatan ajuda a tirar outros jovens do submundo das drogas. Quase toda semana, visita instituições de atendimento, onde testemunha e encoraja os internos a continuarem o tratamento. “Se eu consegui, você também consegue”, costuma repetir para rapazes e moças – muitos dos quais, como ele, deixaram para trás os tempos de comunhão com o Senhor e os irmãos para entrar num caminho nem sempre com retorno.

Pesadelo global

Segundo a ONU, 210 milhões de pessoas no mundo usam substâncias ilegais

Destas, 26 milhões são seriamente viciados em drogas pesadas

No Brasil, usuários frequentes e viciados chegam a 900 mil

Há dez anos, a idade média do primeiro contato era 14 anos. Hoje, é de 11 anos

1 em cada 4 estudantes brasileiros de ensino fundamental e médio já experimentaram

Solução arriscada

A última conferência da Comissão de Entorpecentes da ONU, realizada em Viena, Áustria, em 2008, foi palco para surpresas desagradáveis. A primeira foi o trágico balanço da luta contra as drogas. A proposta de criar “um mundo livre das drogas”, slogan aprovado pela entidade dez anos antes, foi um fracasso retumbante. A segunda, a ressurreição das vozes que clamam pela legalização do uso de substâncias consideradas ilícitas. Mesmo derrotada, a proposta é cada vez mais forte no mundo moderno.

Historicamente, a legalização das drogas trouxe mais males do que benefícios. Há cem anos, a China só conseguiu conter o crescimento do consumo de ópio quando passou a combatê-lo. Com isso, evitou uma catástrofe nacional, já que 25% da população era viciada. Em países como a Holanda, que liberou a compra de até cinco gramas de maconha em lojas, criou-se um “turismo da droga” – além disso, bairros inteiros da capital Amsterdã se degradaram.

Blindagem familiar

São muitos os caminhos, as oportunidades e as necessidades que levam o jovem às drogas. Mas a família não deve encarar o pesadelo como inevitável ou definitivo:

· Diálogo constante e compreensão na medida certa, com demarcação de limites claros, continuam sendo as melhores opções para manter os filhos longe do vício

· A fuga para as drogas geralmente é sintoma de que algo não vai bem em casa. Os pais precisam exercitar a autocrítica o tempo todo

· O filho deve ser conscientizado, desde cedo, que é o principal responsável por seus atos – e a principal vítima de suas eventuais consequências ruins

· Famílias acomodadas correm mais riscos de serem surpreendidos pelas drogas. Os pais devem acompanhar a rotina, fiscalizar companhias e programas dos filhos e, sobretudo, ganhar sua confiaça

· O drama das drogas muitas vezes não se resolve e pode levar o filho à ruína pessoal e à morte. A família não deve minimizar o uso de substâncias entorpecentes ou considerar que a prática é coisa normal do processo de formação e amadurecimento do jovem

· Repetidos estudos têm mostrado a importância da prática religiosa como forma de prevenção ao vício. Pais crentes devem incentivar o desenvolvimento da vida espiritual dos filhos e seu engajamento numa congregação
***

Fontes: Desafio Jovem e Clube 700 (adaptado) - Via Cristianismo Hoje compartilhado no PCamaral

ELE SE COMUNICA COM O ARCANJO MIGUEL DESDE OS 2 ANOS DE IDADE… #FALASÉRIO!

Walter Sandro Pereira da Silva recorda o dia em que o Arcanjo Miguel veio em seu auxílio pela primeira vez. Ele tinha 2 anos e meio e procurava desesperado a chupeta perdida. “Foi quando apareceu este ser dizendo que ela estava debaixo da cama e que eu devia procurar o Salmo 91.” Quando os pais encontraram o pequeno, ele tinha a chupeta na boca e a Bíblia na mão: milagre. “Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos”, dizia o premonitório texto bíblico. Hoje, sentado à cabeceira da mesa da sala de reuniões de sua Igreja Templária de Cristo na Terra, em São Paulo, a cargo de um crescente séquito de 10 mil “templários”, ele agradece a providência angelical, enquanto explica, entre ligações recebidas pelo smartphone, sua missão divina na Terra.
Por que abrir uma nova igreja, quando tantas outras disputam fiéis e denúncias Brasil afora é resposta que o apóstolo tem pronta. “Foi o Arcanjo Miguel que orientou.” Assim a igreja saiu do papel, mas não sem um percurso repleto de sacadas empresariais e, por que não, verdadeiros milagres (“pois não existe coincidência”) que fizeram desse pernambucano pobre de Gravatá o líder de uma seita-símbolo do sincretismo religioso nacional: compósito da lógica de bufê livre, da tolerância e da espiritualidade sem limites do brasileiro.
Mais velho de três filhos de um mestre de obras, Silva veio para São Paulo bebê e cresceu num ambiente católico sem arroubos religiosos. Isso até visitar sua cidade natal aos 13 anos, entrar em uma igreja evangélica e ouvir do arcanjo que deveria pregar. Virou evangélico. Anos depois, quando começou a vender seguros, descobriu o dom da retórica e passou a dar palestras motivacionais: deixe de fumar, emagreça, conquiste o amor. Com a mesma ênfase convencia qualquer um de qualquer coisa, tudo transmitido em um programa na Rádio Mundial. As pessoas saíam a suspirar, crentes, felizes da vida. Estudante de Psicologia, deixou os estudos e bolou sua versão de autoajuda, munido das dicas do arcanjo e de uma fórmula infalível: a pessoa pagava pela entrada na palestra, emocionava-se e na saí-da comprava o livro, o CD e o DVD.
Por dez anos viveu assim. Mas faltava algo, insistia o arcanjo. Até o pregador conhecer gente que “sentia”, como ele, vir de algo maior – nada menos que a reencarnação dos Cavaleiros Templários, braço militar da Igreja Católica formado por monges com voto de pobreza que aceitaram a tarefa de proteger os cristãos dos muçulmanos, enquanto aqueles tomavam desses a Cidade Sagrada nas Cruzadas. Quando Jerusalém ficou para trás, templários foram queimados vivos pela Inquisição. “Somos a reencarnação deles.” As reuniões começaram como uma espécie de maçonaria, que aos poucos incorporou doses de Reiki (prática esotérica), ioga e passe espírita. Em 11 de novembro de 2011, quando Silva estava prestes a entrar no ar pelo canal UHF 58, novo milagre se deu. “O Arcanjo Miguel materializou-se e disse para eu abrir a igreja. Foi tão forte que tive uma crise de cálculo renal. Fui ao banheiro e ele veio e disse pra botar a mão na urina. Eu pus. E saiu uma pedra do tamanho de meio grão de feijão.” À meia-noite o programa foi ao ar já com o nome de Igreja Templária.
A hierarquia nasceu naturalmente. Há um apóstolo (ele), cujo cargo é vitalício e só pode ser transmitido após um conclave. Há também um primeiro-ministro, quatro bispos, 20 ministros e 560 mestres, cada qual encarregado de cuidar de 70 -fiéis. O apóstolo vive “uma vida simples”, em uma casa em São Bernardo do Campo (o “solo sagrado”), com nove dos ministros, sua mãe e cerca de 80 cães e gatos – a igreja tem como tarefa tirar animais da rua. Apóstolos não se casam. O anel de ouro na mão esquerda, com três luas entrecruzadas (as três religiões), ganhou-o de um ourives que foi a uma de suas palestras e seguira o desenho sugerido pelo arcanjo.
Igreja Templária de Cristo na Terra, em São Paulo.
Além do prédio no número 643 da Rua Leais Paulistanos, a igreja tem sedes no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e em Minas Gerais. Estrutura crescente, que começou a ser erguida com auxílio de doações. Com 1,5 mil reais em moedas, o apóstolo comprou uma Kombi velha, com a qual os mestres vendiam batatas de porta em porta para arrecadar dinheiro.
Outros tempos. Hoje a igreja é mantida pelo “Carnê da Gratidão”, um boleto com depósito de 33 reais em uma conta do Banco do Brasil. “A pessoa não paga. Ela doa.” E ganha, de quebra, o número do celular de um dos mestres para ligar quando quiser, todo dia até as 2 da manhã. “Qual seu problema? Bem, às vezes Deus não cura agora para testar sua fé”, diz o mestre em uma das baias da sala onde cerca de 20 pessoas se revezam em três turnos para atender 3 mil ligações por dia no telemarketing. “A senhora gostaria de receber um CD do Arcanjo Miguel? Não, não é obrigada a pagar. Mas seu lado material vai render mais.” Ao lado, uma senhora corta boletos com uma guilhotina.
A casa do tesouro tem crescido. Um tour revela as 44 salas da igreja, nas quais a mesma cruz pátea impera, entre desenhos de Buda, faraós e santos católicos. Há dois auditórios e salas. Uma das salas de reunião é repleta de cristais a dividir espaço com uma armadura medieval, um sarcófago, São Jorge e a Virgem Maria. Ao lado fica o hospital de cura, onde macas se enfileiram à espera dos pacientes. “Teve uma mulher que chegou com a bexiga podre. Em um mês aqui, a bexiga dela se refez inteirinha.” Mas milagres mesmo se dão durante o “Vale de Sal”, evento que atrai 5 mil pessoas uma vez por mês. Toneladas de sal desenham uma trilha por onde as pessoas que têm problema espiritual caminham e passam mal. “Uivam, gritam, vomitam.”
Tanta peculiaridade trouxe inimigos. “Já cansei de sofrer ameaça de morte, pelo telefone, pela internet.” Mas o apóstolo segue sua vida exemplar. “Templário não ingere café, carne ou açúcar (só mascavo). Ioga e tai chi chuan são obrigatórios. Se bem que a minha ioga é na tevê”, diz, à mesa onde grava os programas. Se tudo der certo, e o arcanjo há de ajudar, em breve a igreja terá seu canal UHF (que custou 120 mil reais) para levar, “em cadeia nacional”, a mensagem do fim do preconceito. “Nós não temos nenhum.”
***
Dá pra acreditar no que você leu acima? Sinceramente não sei o que dizer. Anátema. Que assim seja! Direto da Carta Capital. Divulgação: Púlpito Cristão.

15 de fevereiro de 2012

Para Whitney, de sua fã, Juliana.







Mais uma vez, alguém famoso morre em virtude de abuso do uso de medicamentos. A lista é longa. Apenas alguns nomes recentes para lembrarmos: Heath Ledger, Michael Jackson, Amy Whinehouse, e agora, minha amada Whitney Houston.
Eu não sei o que acontece quando uma pessoa alcança a fama, como essas pessoas alcançaram, e como muitos outros alcançaram. Não sei porque a maioria delas se volta para a bebida e para o àlcool. Depressão, ansiedade, solidão, a pressão pelo sucesso...confesso que a causa para esse tipo de comportamento, para mim, ainda é incompreensível.
Essa semana, ouvi Celine Dion falando sobre isso, quando recebeu a notícia da morte de Whitney Houston. Ela disse que tem muito medo do que acontece no showbusiness. Medo. Foi essa a palvra que usou. Por isso ela evita participar de festas, de sair nas baladas, de ir a determinados lugares. Ela prefere ficar mais em casa, com a família, porque já viu muita tristeza acontecer. Achei muito interessante essa afirmação dela.
Quando Michael Jackson morreu, fiquei muito triste. Gostava muito dele, e acho que nunca mais vai existir um artista  assim. A música vibrava em seu ser. Como disse um de seus bailarinos, no documentário “This is It”, se você fosse surdo, e apenas visse Michael Jackson dançar, você sentiria a música no seu próprio corpo, mesmo sem poder ouvi-la fisicamente, tamanha era a  habilidade e o talento que Michael tinha para a música e para a dança.
Mas Michael tinha seus problemas, seus traumas, e não sei qual era seu relacionamento com Deus.
Já com Whitney Houston, as coisas são diferentes.
Senti profunda tristeza com a notícia de sua morte. Me emocionei no dia seguinte, ao ver imagens de sua carreira, e com o fato de que agora, não poderemos mais ouvir novas melodias cantadas por ela. 
Dona de um timbre de voz sem igual, além de cantar excepcionalmente bem, Whitney era linda. Foi também atriz, e chegou até a trilhar a carreira de modelo em sua juventude.
Whitney cresceu na igreja. Filha de pastor, ela foi descoberta pelos grandes produtores musiciais, quando cantava no coral de uma pequena igreja Batista em New Jersey, local onde seu funeral vai ter lugar nesse final de semana.
Li um trecho de uma entrevista dada por um dos pastores que conheceu Whitney em sua adolescência, antes da fama. 
Ele disse que desde aquela época, seu talento chocava as pessoas. Havia corais de outras cidades, profisisonais, que quando vinham até a sua igreja participar de algum evento, e ouviam Whitney cantar, ficavam ‘embasbacados’, com a voz que saía daquela adolescente.
Afirmou que todos sabiam que estavam ali presenciando o nascer de uma grande estrela, e até mencionou a preocupação dos pais, em deixá-la seguir uma carreira profisisonal, fora da igreja.
Esse mesmo pastor, falou que Whitney manteve contato com ele durante várias épocas da sua vida, orando com ela em algumas oportunidades, e que Whitney contribuía com várias obras sociais, na maioria das vezes, de forma anônima.
Outros amigos cristãos, afirmaram que após ter finalmente se separado de Bobby Brown, que diga-se de passagem, foi quem a levou para as drogas, Whitney estava se reerguendo, e sua fé estava renovada.
Alguns desses amigos, que falaram com ela por telefone nesses últimos dias, disseram que conseguiam ouvir, ao fundo, o som de música gospel tocando, enquanto ela falava. 
Ela estava sim buscando a Deus.
Assisti a entrevista que ela concedeu à Oprah Winfrey, há cerca de 2 anos atrás, e ela pareceu bem consciente de suas lutas contra o vício, e testemunhou como Deus a ajudou nesse período.
O último álbum que lançou antes de morrer, “I Look to You”, foi um reconhecimento daquilo que Deus estava fazendo em sua vida.
No BET Gospel Awards de 2011, um evento da música gospel americana, Whitney fez um dueto cantando essa música “I Look to You”, e realmente louvou ao Senhor. Quem assiste o vídeo dessa performance, pode ver claramente seu coração para com Deus.
Os jornais documentaram que a última música que ela cantou, foi “Jesus loves me, yes I Know, for the Bible tells me so”.
Whitney Houston conhecia a Deus, e conhecia sua palavra. 
Sim, ela teve um período conturbado em sua vida. Se envolveu com drogas, com bebidas. Chegou ao fundo do poço.
Mas como disse um de seus pastores, em uma entrevista, os demônios pessoais da vida de Whitney, com os quais ela lutava, sempre estavam à vista de todos, pois ela era uma pessoa pública. No entanto, muitos de nós, cristãos, temos as mesmas lutas, mas, diferente de Whitney, elas não vêm à tona, não são do conhecimento de todos. Por isso, é fácil usar uma máscara de ‘santo’ às vezes. E por isso é fácil julgá-la.
Muitos perguntam: será que a Whitney estava convertida, será que tinha se reconciliado com Deus?
A polícia não achou nenhum vestígio de drogas na suíte do hotel onde seu corpo foi encontrado. Também não havia sinais de suicídio. Ela tomava remédios para depressão e ansiedade, o que é muito comum hoje em dia. Ao que se sabe até agora, pois as investigações ainda não foram concluídas, pode ter sido a mistura desses remédios, com alguma bebida alcóolica, que fez com que Whitney desmaiasse na banheira em que estava tomando banho, e morresse por afogamento, ou alguma parada cardíaca.
Eu creio que Whitney tinha um relacionamento com Deus e creio que ela foi salva sim. Essa é a minha opinião.
Jesus disse que muitos ladrões e prostitutas vão preceder aqueles que se consideram justos e religiosos, na entrada do Reino dos Céus, e que nós iremos nos surpreender, pelas pessoas que lá veremos quando chegarmos. Creio que há um lugar também para os viciados em drogas, que estavam tentando voltar para o Senhor, que estavam com o coração correto, querendo se libertar.
Deus conheceu o coração de Whitney. Ele viu seu interior. Nós, porém, só vimos o exterior. Aquilo que a mídia nos repassou ao longo dos anos.
De uma coisa eu sei, eu tenho esperança, de ver Whitney no céu, cantando mais uma vez.
Por isso, fica aqui, amada Whitney, minha homenagem de fã para você.
Sua voz inigualável, emocionava à todos que a ouviam. Seu talento, seu sorriso e sua beleza, para sempre serão lembrados. Você foi a maior Diva da minha geração. Um ícone, uma referência para cantores de todos os tempos. A sua voz nos fez ter mais certeza de que Deus existe, pois só Ele seria capaz de abençoar alguém com um dom assim.
I will always love you.... Whitney.
Com carinho, da sua fã,
Juliana.