Blogroll

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

6 de dezembro de 2012

ALIANÇA COM DEUS...



Aliança significa pacto, compromisso, acordo firmado. O anel que os noivos trocam na cerimônia de casamento recebem esse nome por representarem o acordo que firmam naquele dia. Sem esse significado, torna-se um mero anel.

Alias, falar em compromisso em nosso tempo é quase utópico. Tentar explicar o que significa aliança, acordo mútuo nos tempos atuais pode soar até como piada.

Digo isto porque é claro que vivemos em tempos de relações superficiais e mesquinhas. As pessoas não se interessam em cumprir o que pactuam. Não há interesse em se assumir um compromisso sem que eu seja o mais beneficiado com isso.

Pensando assim volto-me outra vez ao exemplo clássico do casamento. Se casamento denota aliança, compromisso mútuo, explica-se aí o fato de muitos fugirem dessa aliança e de outros tentarem adaptá-la ao seu gosto.

Deus também fez uma aliança conosco. Aliás, na Bíblia existem várias passagens em que Deus propõe um pacto de compromisso. (Gen. 9 – Aliança após o dilúvio com arco íris; Gen. 17 Aliança com Deus representada na circuncisão; Deut. 29:9 – Renovação da Aliança com o povo; Aliança com Davi – Sl. 89:3), e por aí vai...

Contudo, no texto de Jer. 11, Deus faz uma cobrança. O povo não cumpria sua parte no acordo. Não respeitavam a aliança e isso havia tempo. Volta e meia eles eram infiéis no compromisso assumido e não respeitavam os termos do acordo.

O ser humano tem dificuldades em honrar seus compromissos.
Os termos da aliança eram: “... obedeçam-me e façam o que lhes ordeno... e eu serei o Seu Deus... e cumprirei a promessa que fiz...” v.5 e v.7.

Alguém que não cumpre os termos de um compromisso firmado; fica a mercê da aplicação das sanções previstas no mesmo.

Deus advertiu seu povo. Disse que permitiria que recaíssem sobre eles todas as maldições provenientes do descumprimento do pacto.

Deus fora meramente justo. Aplicou aquilo que estava previsto. Fez com que se cumprisse aquilo que já advertira várias vezes anteriormente. Entretanto não são poucas às vezes em que olhamos Deus com ar acusador, simplesmente pelo fato de colhermos os frutos da quebra da aliança com Ele.

Lembro-me de Sansão, que tinha um pacto firmado com Deus desde seu nascimento. Sua força descomunal e suas inúmeras vitórias estavam atreladas ao obedecer aos designíos que Deus havia estabelecido. Porém, quando ele deixa de cumprir sua parte, quebrando a aliança feita, sofre inevitavelmente as consequências de seus atos.

A grande questão é que somos infiéis, quebramos a aliança, mas não queremos arcar com as consequências.
Assim acontece comigo e com você. Quase sempre. Desprezamos a aliança feita, o compromisso firmado. Só queremos cumprir com aquilo que nos agrada.

Por isso considero esse tempo como um tempo de pessoas sem palavra, de gente que não cumpre o que promete.

Quando se trata de Deus, achamos que não temos a obrigação de cumprir ou obedecer nada que Ele tenha estabelecido. Entretanto, sempre achamos que Deus é obrigado a cumprir sua parte no acordo.

Lembre-se que um acordo só pode ser validado quando ambas as partes fazem o que se propuseram. Deus fez sua parte, na maior aliança de todas com o homem. Enviou Jesus, para libertá-los da condenação eterna como consequência do pecado. Os termos desse acordo são:

“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” Rom. 10:9.

“... se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e sararei a sua terra.” II Cron. 7:14

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 3:16-17
Ainda há tempo. Assuma um compromisso com Deus. Sua atitude de segui-lo vai livrá-lo da condenação eterna. Deus já fez a parte Dele. Faça a sua também. Firme uma aliança com o Senhor.

Pois vocês são um povo santo para o Senhor, o seu Deus. O Senhor, o seu Deus, os escolheu dentre todos os povos da face da terra para ser o seu povo, o seu tesouro pessoal.

O Senhor não se afeiçoou a vocês nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos, pois vocês eram o menor de todos os povos.

Mas foi porque o Senhor os amou
e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito.

Saibam, portanto, que o Senhor, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e guardam os seus mandamentos.
 
Deuteronômio 7:6-9.


Marcello Matias, pastor.

3 de dezembro de 2012

Deus é amor



Em sua recente entrevista à revista VEJA, Rob Bell usou a declaração bíblica “Deus é amor” como argumento para embasar sua expectativa de que ao final todos os seres humanos serão salvos.
Não quero aqui repetir as observações que fiz à tal entrevista em post anterior. Vou me concentrar apenas numa análise crítica do uso desta frase “Deus é amor” por Rob Bell e seus seguidores.

Vou começar lembrando que antes de Rob Bell outros já usaram esta expressão bíblica (1Jo 4.8 e 16) para defender ideias estranhas. Cito particularmente os defensores do teísmo aberto ou da teologia relacional. Para eles, o atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Richard Rice, um proponente do teísmo aberto, em seu artigo “Biblical Support for a New Perspective” [“Base Bíblia para uma Nova Perspectiva”] publicado num livro de teístas abertos cita um leque eclético de neo-ortodoxos e liberais, tais como Heschel, Barth, Brunner, Kasper e Pannenberg para apoiá-lo na afirmação que o amor “é mais importante que todos os outros atributos de Deus”, até mesmo “mais fundamental… O amor é a essência da realidade divina, a fonte básica da qual se originam todos os atributos de Deus.”

Com base neste conceito da predominância do amor, eles negam que Deus conheça o futuro, pois seu amor o impede de limitar a liberdade de suas criaturas de qualquer modo ou maneira. Deus é amor, e isto significa que ele é sensível para com suas criaturas e que constrói o futuro junto com as decisões delas. O futuro, portanto, é sempre aberto e indeterminado. Nem Deus o conhece, pois em nome do amor abriu mão da sua onisciência.

É claro que estas conclusões não podem ser consideradas nem mesmo como cristãs. Mas note que elas foram alcançadas a partir do uso errado do conceito de que Deus é amor. No caso, o erro maior foi esquecer que além de ser amor, Deus também é onisciente e onipotente e que seu amor não o obriga a renunciar a nenhuma de suas características ou atributos em seu relacionamento com suas criaturas. Penso que este é exatamente o mesmo tipo de erro em que Rob Bell e seus defensores incorrem ao usar a expressão “Deus é amor” como base para sua expectativa da salvação universal. Explico.

1 – Apenas quatro vezes no Novo Testamento encontramos afirmações sobre o que Deus é, três delas feitas por João: Deus é “espírito” (Jo 4.24), “luz” (1Jo 1.5) e “amor” (1Jo 4.8,16). A quarta é “Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29; cf Dt 4.24). Estas afirmações não são definições completas de Deus – não tem como defini-lo no sentido estrito do termo –  mas revelam o que ele é em sua natureza. “Deus é amor” significa que ele não somente é a fonte de todo amor, mas é amor em sua própria essência. É importante, entretanto, lembrarmos que se Deus é amor, ele também é espírito, luz e fogo consumidor. Temos de manter em harmonia estes aspectos do ser de Deus, pois só assim poderemos compreender como um Deus, que é amor, castiga os ímpios com ira eterna. Conforme escreveu John Stott em seu comentário de 1João 4.8 e 16, “Aquele que é amor é luz e fogo também”.

“Fogo” e “luz” são metáforas, é verdade. Mas, metáforas apontam para realidades. No caso, elas querem simplesmente dizer: “Deus é santo, verdadeiro, ele se ira contra o pecado e não vai tolerar a mentira. Ele punirá os pecadores impenitentes”. Basta ler o contexto das passagens citadas acima para que se verifique o que estou dizendo.

Portanto, não sendo a única passagem que se refere a Deus usando o verbo ser, “Deus é amor” não pode ser entendida como uma definição exclusiva da essência de Deus, enquanto que tudo o mais que é dito sobre Deus usando-se o mesmo verbo ser é entendido como atributos secundários. Isto é exegese preconceituosa.

2 – Na revelação que fez de si mesmo, Deus sempre manifesta o equilíbrio perfeito entre os seus atributos, entre amor, misericórdia e compaixão, de um lado, e justiça, retidão e santidade, de outro. Há várias listas destas qualidades de Deus no Antigo Testamento, mas tomo apenas uma, bem representativa. Moisés desejou ver a Deus e Deus se fez revelar pela proclamação de seus atributos:
E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! (Ex 34:6-7).
Impossível não notar o equilíbrio entre amor e justiça, misericórdia e ira.

3 – Alguns querem fazer a diferença entre amor e atributos, dizendo que Deus é amor em sua essência e que seus atributos estão subordinados ao amor. Os pontos 1 e 2 acima já são suficientes para mostrar que não podemos dizer que Deus é somente amor. Mas, tudo bem. Vamos conceder, apenas para argumentarmos, que o amor de Deus, por ser a sua própria natureza, prevalece sobre seus atributos, como justiça e santidade, por exemplo. O que isto quer dizer? Que em determinadas situações Deus deixa de ser santo, justo, reto e verdadeiro para mostrar amor? Alguém pode me mostrar uma única passagem na Bíblia onde Deus agiu de maneira injusta, desleal, mentirosa e preconceituosa em nome de sua natureza amorosa?

A maior manifestação do amor de Deus foi enviar seu Filho Jesus Cristo para morrer por pecadores para satisfazer a sua justiça e as demandas de sua santidade. Se Deus fosse amor do jeito que esse pessoal diz, ele teria simplesmente deixado sem castigo os pecados e perdoado todo mundo, sem precisar castigar seu Filho amado em lugar de pecadores. Mas, não é isto que a Bíblia diz. Portanto, o fato de que Deus é amor em momento algum anula o outro fato, que ele é santo, justo e reto.

4 – Basta olharmos a história bíblica para percebermos que este Deus que é amor não deixou de mandar o dilúvio para destruir o mundo dos ímpios e nem fogo do céu para destruir Sodoma e Gomorra e nem ainda de castigar os anjos que se rebelaram contra ele. Na verdade, o apóstolo Pedro usa todos estes episódios narrados no Antigo Testamento como tipo ou figura do castigo eterno que Deus tem preparado para os libertinos, ímpios e pecadores impenitentes:
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo (2Pe 2:4-10). 
Comentando os mesmos episódios, Judas diz que eles são “exemplo do fogo eterno” (Judas 7).

5 – Outro ponto: será que Deus só ama os pecadores e ímpios? Não ama ele aqueles de seu povo que foram injustiçados, violentados, torturados e mortos pelo nome de Cristo? O Deus que é amor é o mesmo Deus que tomará vingança daqueles que maltrataram, perseguiram e mataram seu povo. É assim que Paulo conforta os crentes da cidade de Tessalônica, que estavam passando por severa perseguição:
É justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam; e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder (2Tess 1:6-10).
Este conforto que Paulo oferece na passagem acima é bem vazio se todos serão salvos, inclusive os torturadores, assassinos e perseguidores do povo de Deus através da história. Paulo não conforta os crentes perseguidos dizendo que no final todos serão salvos, inclusive os seus perseguidores. Ao contrário, Paulo emprega a justiça de Deus e a condenação eterna deles como consolo para os atribulados.

E onde ficam as palavras de Deus dada aos mártires, que nos céus clamavam por vingança?
Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram (Ap 6:9-11).
Esses mártires conheciam a Deus tão bem a ponto de darem suas vidas por ele. Será que pediriam o castigo de seus verdugos a Deus se acreditassem que, sendo amor, Deus iria salvar a todos no final? E por que Deus, caso pretendesse salvar tais ímpios da condenação eterna, consolou os mártires dizendo que aguardassem mais um pouco e então seu pedido seria atendido - é só ler o resto do livro de Apocalipse para ver que estes ímpios, junto com Satanás e seus anjos, serão atormentados para sempre no lago de fogo e enxofre, a segunda morte (Ap 20:10; 21:8).

6 – Deus é amor. E se tem uma coisa que ele ama acima de tudo é o seu Filho Jesus Cristo, várias vezes chamado na Bíblia de “o Amado” (Mt 3:17; 17:5; Ef 1:6; Col 1:13; etc.). Contudo, submeteu-o ao sofrimento do inferno eterno durante aquelas poucas horas na cruz, a ponto de, antes, Jesus ter pedido três vezes para ser poupado (Getsêmani) e de gritar na cruz, “por que me desamparastes?” O que Deus fará, pergunta o escritor de Hebreus, aos que desprezam Jesus Cristo?
De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10:29-31).
As Escrituras deixam claro que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Não há um único justo. Todos merecemos a condenação eterna. O amor de Deus consiste em resgatar os que ele quis da justa condenação, não sem antes ter providenciado a satisfação requerida por sua santidade. Mesmo que somente um fosse salvo da condenação eterna pelo sacrifício de Cristo, o amor de Deus já teria triunfado sobre o pecado e a morte.

Não tenho prazer na realidade do sofrimento eterno. Não prego sobre o inferno com satisfação. Tento fazê-lo com lágrimas nos olhos. Mas confesso que não consigo perceber no conceito da punição eterna qualquer injustiça, crueldade, maldade, ou falta de amor em Deus.


Fonte:http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/12/deus-e-amor.html

19 de novembro de 2012

PARA CONHECER O AMOR DE DEUS?






Algumas vezes, ouço alguém questionar o amor de Deus. Se para mim o amor de Deus parece óbvio deve ser porque em minha caminhada de vida – desde a infância até os meus dias atuais – sempre estive cercado de amor. Tive uma mãe e um pai amorosos, tias que devotaram carinho, amor e atenção e, irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas que cresceram comigo em um clima de fraternidade, afeto e amor.
Reconheço, no entanto, que há muitos que não experimentaram esse grau de amor, cumplicidade e fraternidade em suas vidas, bem como o fato de que estar cercado de amor não nos impede de errar e tomar certos caminhos que parecem bons, mas que conduzem a morte e ao engano. Ser cercado desse tipo de amor não impede de que possamos nos envolver em drogas, prostituição, bebedeiras e em outras formas de sentir-se livre quando se está aprisionado.
E nessas prisões que estamos inseridos a nossa visão se turva e não conseguimos enxergar ou compreender o amor de Deus. Alguns me dizem: “Deus mandou dizimar povos inteiros e matar crianças e animais, que amor é esse?”. Outros, como um comediante ateu norte-americano, acredita que Deus é um manipulador. Para alguns, Deus é uma ideia! E há outros que fazem de Deus um incômodo, afirmam que Ele não existe, mas vive remoendo e atacando a igreja arguindo que é uma força opressora, sem enxergar que a sua própria maneira de agir com violência verborrágica é ainda mais opressora. São muitas imagens que o homem construiu para o Deus que escolheu não ser representado por nenhuma delas.
Para eles é difícil compreender o amor de Deus. Deus não é um facínora, nem um genocida, Deus é simplesmente Deus. Dentre os seus muitos atributos, nós o entendemos como justo e como santo. Pois bem, em sua santidade, Deus não se obriga para como nenhum de nós e quando o faz, decide assim fazê-lo em amor. Decide fazê-lo demonstrando o seu amor por aqueles a quem escolheu. Mas essa escolha não é injusta!?!? Se você me apontar um ser humano que não tenha defeitos, que não seja capaz de fazer o mal, que nunca tenha se corrompido com seus próprios prazeres, certamente te diria que Deus é injusto! Mas se não existe tal pessoa, Deus é justo e, assim sendo, está acima de nossa natureza transgressora e decadente.
Em verdade, sou tentado a afirmar que o mundo de hoje está tão carente, tão vazio de amor que se tornou incapaz de compreender o amor de Deus. Estamos tão cercado de atrocidades, de crimes inacreditáveis, da banalização da vida, dos sentimentos, da família, da beleza, da moralidade. Essa geração é uma geração estética, que aprecia mais a superfície que a profundidade, que proclama o carpe diem e não o projet de la vie (de Jean-Paul Sartre). Não pensamos no amanhã, mas apenas no agora, no imediato. Queremos viver tudo de uma só vez, ao invés de planejarmos viver uma vida inteira. Como afirmou Renato Russo, somos a geração do “o pra sempre sempre acaba”.
Não se pode pedir a um mundo imerso na violência, na impunidade, nas mais diversas formas de corrupção que compreenda o sublime amor de Deus. 
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24;12), muitos já esfriaram e, com isso, perderam a fé. Acusam Deus de ser indiferente por permitir tais atrocidades e concluem, sem a solidez da argumentação científica, que por essa razão Deus não existe. É mais fácil ignorar as próprias culpas e encontrar um bode expiatório. Mas como nos permite concluir, a partir das leituras do polonês Zigmunt Bauman, somos uma geração de imediatistas, de uma crítica desdentada, incapaz de tomar uma atitude para transformar a realidade social pela qual todos somos responsáveis. Entretanto, como cobrar daqueles que se escondem por trás de uma imagem de inteligentes, intelectuais, mas esbarram que é mais correto encher a cara, fumar um baseado e se afirmam mais livres que aqueles que buscam em Deus a sua satisfação e liberdade? Quem está a enganar quem?
Procuramos em Deus o amor que nos liberta e aqueles que realmente mergulham com intensidade nesta busca é verdadeiramente livre. Não me refiro aos que mergulham na institucionalização, na religiosidade, no formalismo, no dualismo ignorante e sectário pautado no dualismo pode/não pode. Deus não tem nada com isso! Deus é gracioso e a graça é a expressão maior de Seu amor e foi manifesta na ousadia e extremismo da crucificação.
Culturalmente, a cruz no século I era a pior humilhação a que um homem poderia ser submetido, mas Deus não poupou a si mesmo ao entregar Seu único filho e lançar sobre toda a ira reservada para nós que somos falhos, pecadores e merecedores de Sua ira. Jesus foi humilhado, torturado e morto por uma culpa que não tinha, condenado por um pecado que era meu e seu. Ele é nosso redentor, nosso salvador, nosso libertador.
A redenção é o pagamento feito para libertação de um escravo. Na antiguidade, quando alguém era tomado por escravo, poderia livrar-se de sua condição se um parente pagasse a sua dívida. Esse parente ou benfeitor era conhecido como resgatador ou redentor. Tomando por referência o direito romano, sabemos que o escravo é res, é instrumenta vocalia (uma coisa que fala) e não persona (pessoa), ou seja, não há como o escravo que é uma coisa, possa voltar a ser pessoa. Por isso, o redentor comprava o escravo para um deus, o que significa que a sua liberdade era sinônimo de servidão a um determinado deus. Se Jesus é nosso redentor, isso significa dizer que ele nos resgatou da escravidão do pecado para sermos escravos do Deus Todo-Poderoso (Romanos 6:18), e não há liberdade real fora dEle.
A nossa salvação se opera no plano interior, pois somos salvos de nós mesmos, somos salvos de uma natureza frívola e entregue as próprias paixões, inflamada e desejosa pelo mal. Nunca vi ninguém morrer de oração, mas vejo todos os anos muitos morrerem por causa do cigarro. Nunca vi famílias serem destruídas pelo amor, mas já vi e vejo muitas destruídas pelas drogas e pelo álcool. Nunca vi acidentes provocados por alguém estava indo ou voltando para igreja, mas vi e vejo muitos provocados por pessoas embriagadas voltando de farras e festas. Vemos famílias e pessoas inocentes sendo mortas pelos erros e pelas inconsequências de uma vida distante da Verdade, mergulhada na ilusão e na alienação de uma liberdade irresponsável, inconsequente e imediatista.
As pessoas nunca se sentiram tão livres para amar. O sexo é coisa fácil. Uma vez perguntaram a um morador de uma cidade no sertão nordestino se havia por ali algum bordel e o morador respondeu: “Tem mais não... as ‘menina’ num deixa! Elas tão dando tudo de graça!”.  Ninguém preserva mais o seu corpo, pois isso é retrógado, é caretice! Coisa ultrapassada! E para que muitos não acreditam que isso não é generalizado, ouço pessoas na igreja pensar do mesmo modo. Se eu amo, eu quero e se eu quero, eu faço. Não há freios, não há limites. E o que nós encontramos, pessoas decepcionadas, que algumas vezes se sentem desvalorizadas. Encontramos pessoas descartáveis, vivendo relacionamentos descartáveis e proclamando e perpetuando a seus filhos e filhas a irresponsabilidade, a inconsequência, a ausência de moralidade e ética, e a ideia de que ser livre é fazer o que se quer, mesmo que isso implique em destruir lares, em destruir seu corpo, em ferir pessoas, em frustrar expectativas.
É triste constatar que a igreja não está livre de tais coisas. Há muitos na igreja que não compreendem o amor de Deus. Pessoas que se tornaram tão religiosas a ponto de se acharem boas. Pessoas que estão tão feridas que são incapazes de perdoar. Em muitos aspectos são diferentes daqueles que estão no mundo. Vivem uma religiosidade superficial e moralista, que enfatiza um conjunto de regras, a perceber ou mergulhar na graça de Deus. Pessoas que afastam, que destroem as pontes, ao invés de servir como pontes para que as pessoas atravessem o abismo que as separam do Senhor. Pessoas que pensam o mal e que em seus corações estão ocultas as paixões e desejos carnais. Pessoas para quem o profeta falou: “Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os pensamentos da tua iniquidade?” (Jeremias 4:14).
Não raro vemos pessoas que buscam a igreja ou ao Senhor para aliviar as suas tenções e não para mudar as suas vidas. Se apegam ao conforto que uma boa igreja causa a sua consciência pesada, mas quer em suas atitudes, quer em seus valores apregoam e se dedicam as mesmas transgressões. Não mudança sincero, não há entrega, mas tão somente uma presença vazia, um número a mais, um corpo presente. São os cristãos comedores de fast food, experimentam, mas não se saciam. Comem, mas permanecem desnutridos. A. W. Tozer escreveu: “Ninguém pode ‘experimentar’ Jesus. Ele não está à disposição de ninguém para ser testado. Cristo não está sob teste. Você está. Eu estou. Ele não!”. Muitos não compreendem essa verdade e continuam acreditando que estão com Deus, mesmo quando é apenas Deus quem deseja estar com eles.
Não há cristianismo sem mudança, sem conhecimento ou sem profundidade. E a ignorância nos faz envergonhar o evangelho de Cristo e nos faz viver e sofrer a perseguição – que muitos precipitados acreditam ser um sinal de um caminho certo – pelos nossos desvios e devaneios que pela verdadeira pregação do Evangelho de Jesus Cristo. A esse respeito, são contundentes e esclarecedoras as palavras de Nicodemus: “O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios que a palavra da cruz é loucura para a mente carnal e natural, para aqueles que estão perecendo (1Co 1:18, 21, 23; 2.14; 3.19). Ele mesmo foi chamado de louco por Festo quando lhe anunciava esta palavra (Atos 26.24). Pouco antes, ao passar por Atenas, havia sido motivo de escárnio dos filósofos epicureus e estóicos por lhes anunciar a cruz e a ressurreição (Atos 17:18-32). O Evangelho sempre parecerá loucura para o homem não regenerado. Todavia, não há de que nos envergonharmos se formos considerados loucos por anunciar a cruz e a ressurreição. Como Pedro escreveu, se formos sofrer, que seja por sermos cristãos e não como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outros (1Pedro 4.15-16). [...]Infelizmente os evangélicos - ou uma parte deles - não deu ouvidos às palavras de Paulo, de que é válido tentarmos não parecer loucos. Existe no meio evangélico tanta insensatez, falta de sabedoria, superstição, coisas ridículas, que acabamos dando aos inimigos de Cristo um pau para nos baterem. Somos ridicularizados, desprezados, nos tornamos motivo de escárnio, não por que pregamos a Cristo, e este, crucificado, mas pelas sandices, tolices, bobagens, todas feitas em nome de Jesus Cristo. [...] Infelizmente os evangélicos - ou uma parte deles - não deu ouvidos às palavras de Paulo, de que é válido tentarmos não parecer loucos. Existe no meio evangélico tanta insensatez, falta de sabedoria, superstição, coisas ridículas, que acabamos dando aos inimigos de Cristo um pau para nos baterem. Somos ridicularizados, desprezados, nos tornamos motivo de escárnio, não por que pregamos a Cristo, e este, crucificado, mas pelas sandices, tolices, bobagens, todas feitas em nome de Jesus Cristo.”
Talvez por essa razão, Charles Swindoll escreveu A Igreja Desviada, exortando a igreja a reencontrar o caminho da Palavra de Deus. Precisamos de um reforma para assim reformarmos o mundo. Precisamos compreender as verdades mais básicas do Evangelho, como a graça, o perdão e o amor de Deus.
Mas mesmo dentro da igreja, muitos não tem se deixado conduzir pelo amor de Deus e tem deixado de amar o perdido a ponto de conhecer a Palavra de Deus para anuncia-la, de amar a igreja – não a denominação ou a instituição assim chamada – a ponto de lutar por ela. Não tem sido grato pela cruz e se entregado totalmente ao Senhor, mas tem frequentemente aberto concessões que tornam demasiadamente perigosa a caminhada.
Somos, em muitos momentos, uma igreja que ilumina caminhos tortuosos, enlameados e inseguros, ao invés de que indicar, sinalizar e apontar o caminho íngreme, mas seguro ao Trono do Rei dos Reis. Em Cartas do diabo ao aprendiz, C. S. Lewis escreveu: “Com efeito, a estrada mais segura para o inferno é aquela ladeira gradual e suave de chão macio, sem curvas acentuadas, sem marcos de quilometragem e sem placas de sinalização.” Uma estrada que não indica nada, que não alerta para os perigos, que não mostra as curvas acentuadas, os desvios ou a direção a ser tomadas em suas muitas bifurcações, mas parece sempre agradável, retilínea, rápida e segura.
A igreja precisa acordar da letargia e despertar para a necessidade que nós e o mundo tem de ser amado e de viver – não experimentar – o profundo amor de Deus que se materializou no caminho ao Calvário e que se consolidou na cruz de Cristo. Precisamos ter a ousadia de orar poderosamente com o apóstolo Paulo: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome,
Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;
Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,
A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” (Efésios 3:14-21).
O meu convite a você é de refletir sobre quem você é diante de Deus, sobre o que você tem feito com a sua vocação (a de ser santo) e, acima de tudo e ante de tudo, se você tem compreendido, abraçado, vivido e transmitido o amor de Deus sobre ti e sobre o mundo que vos cerca. Mais uma vez afirmo, o mundo está tão carente de amor que se tornou incapaz de compreender o amor de Cristo. O mundo nos olha e não ver esse amor, porque muitos ainda têm vivido em suas próprias redomas e para seus próprios desejos que se esqueceram que o mundo espera e anseia por aqueles que o amem e que façam diferença em suas vidas. O mundo espera por mim, o mundo espera por você!

Mamanguape, 12 de novembro de 2012.
 
Fonte: http://ivandromenezes.blogspot.com.br/

25 de abril de 2012

QUANDO DEUS ERROU...



É comum procurarmos sempre um responsável para algo de ruim que esteja acontecendo em nossa vida. Tendemos sempre a olhar para os lados e perceber que alguém, mas não eu, têm culpa no cartório. Alguém fez bobagem.



Fazemos assim também com Deus. Diária e costumeiramente acusamos Deus de culpado quando algo não sai necessariamente como esperava.


E vou concordar com você – realmente existem situações difíceis de aceitar na vida. Como lidar com determinados fatos ou acontecimentos sem culpar Deus em sua Soberania?


Gosto sempre de olhar para uma advertência de Jesus em João 16:33 –


"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo".


Costumo dizer que Jesus sempre jogou limpo com a gente. Nunca nos iludiu com falsas promessas. Ele afirmou que a vida, muito embora com Ele, não seria nada fácil.


Mas existe outro fator que rege nossas vidas – nossa vontade. Vivemos, na maioria das vezes, de acordo com nossa conceituação de certo. Fazemos aquilo que achamos ser correto, agimos da forma que achamos ser a melhor para as nossas vidas, tomamos decisões pautadas apenas na nossa consciência... Tudo isso sem sequer consultar a Deus. Sempre achamos que estamos certos, que vamos acertar...


Adão e Eva resolveram, por si só, comer daquele fruto. Embora tivessem recebido um mau conselho, a decisão final foi do casal. Acharam, sei lá, que de repente não haveria problema em comer só “um frutinho” daqueles... Pensaram estar fazendo o certo, como eu e você.


Mas no fim, quando tudo dá errado, o jogo de acusação começa. Em outras palavras, Deus era o errado. A culpa era Sua, segundo Adão.


Não houve uma análise de suas escolhas, ou mesmo das de Eva. Deus havia errado...


Isso te lembra de alguma coisa? Todas aquelas vezes que você jogou na conta de Deus consequências de atos que, ao longo da sua vida, você mesmo construiu?


Pare de culpar Deus ou o diabo. Assuma as consequências de suas escolhas erradas, peça perdão a Deus, aprenda com Ele, entenda que a vontade Dele sempre é a melhor e comece de novo.


E, se a vida, parece ser injusta com você, lembre-se também parece ser para tantos outros. Aceite que, nesse mundo destruído pelo pecado, as aflições são inevitáveis. Mas apegue-se em Cristo. Ele te dará paz, em meio às aflições e dores dessa vida. Você será feliz e terá uma alma em paz mesmo em meio a dor e sofrimento.


Mas pare de culpar a Deus. Ou você ainda acha que Deus errou?


20 de março de 2012

Deus odeia pecadores?

Deus iradoPor Hermes C. Fernandes
Desde que me entendo por gente, ouço a frase: Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. Jamais ousei questionar isso, pois sempre fez muito sentido pra mim. Deus odeia o pecado por conta do mal que ele nos faz. Portanto, o ódio divino pelo pecado está diretamente ligado ao Seu amor por nós, pecadores.
Apesar disso, deparo-me com passagens bíblicas que afirmam que Deus não odeia apenas o pecado, mas também o pecador.
Tomemos como exemplo Provérbios 6:16-19, onde lemos:
“Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.”
Fica claro que Deus não odeia apenas a mentira, mas também que a profere. Assim como também odeia o que engendra pensamentos malignos, quem promove contendas entre irmãos, quem possui olhar arrogante, entre outros mais. O salmista é ainda mais abrangente ao declarar que Deus odeia “a todos os que praticam a maldade”  (Sl.5:5). Ele odeia ao “ímpio e ao que ama a violência” (Sl.11:5). Basicamente, estas são as passagens mais usadas para respaldar o ódio que Deus nutre pelos pecadores.
Para alguns, jamais deveríamos afirmar que Deus ama igualmente a todos os homens, posto que alguns seriam alvos exclusivamente de Sua ira. Deus não poderia amá-los e odiá-los ao mesmo tempo.
Em cima desta compreensão, a meu ver equivocada, manifestações têm sido promovidas por cristãos ultraconservadores, ostentando placas que trazem inscrições do tipo “Deus odeia os gays”, “Deus odeia Lady Gaga”, e pasmem, “Deus odeia o Brasil”.
Somente os eleitos seriam alvo do amor de Deus. O resto da criação estaria sob a Sua ira por toda a eternidade.
Será que é isso que encontramos nas Escrituras?
De acordo com Paulo, “todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef.2:3). Portanto, mesmo os eleitos já estiveram um dia sob a ira justa de Deus. Será que neste tempo, Deus deixou de amá-los? Claro que não!
Deus não passou a amar-nos quando fomos atraídos a Cristo. Pelo contrário, Ele nos amou mesmo quando estávemos mortos em nossos delitos e pecados. Ele mesmo afirma: “…com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jer.31:3). Ele nos atraiu por nos amar desde a eternidade. Mesmo quando estávamos sob Sua ira, Ele não retirou de nós o Seu amor.
O próprio Jesus declara que “aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (Jo.3:36). Ora, se sobre uns a ira de Deus permanece, é porque sobre outros ela é retirada.
O ponto que quero enfatizar é a possibilidade de Deus amar, mesmo enquanto odeia. Ele odeia aquilo em que nos tornamos, por causa do pecado, mas ama aquilo que Ele nos criou para ser. Apesar de odiosos, somos amados.
Mesmo os répobros são alvo do amor de Deus. Repare no que diz o salmista: “Piedoso e benigno é o Senhor, tardio em irar-se e grande amor. O Senhor é bom para todos tem compaixão de todas as suas obras” (Sl.145:8-9). Ora, se é verdade que o Senhor fez todas as coisas, “até o ímpio” (Pv.16:4), logo, Deus também o ama. Caso o contrário, não poderíamos afirmar que Ele tem compaixão de todas as suas obras.
Um exemplo disso pode ser encontrado no episódio em que Jesus é abordado por um jovem rico. O texto diz que “Jesus, olhando para ele o amou” (Mc.10:21). Não obstante, ele recusou a oferta de Jesus, e saiu triste por não querer abrir mão de suas riquezas pela vida eterna. Portanto, sobre ele permaneceu a ira de Deus.
Quando um filho meu apronta, naquele instante sinto ódio dele, mas nem por isso perco o meu amor. A diferença é que a ira é momentânea, mas o amor é eterno. O salmista diz que a ira de Deus dura só um instante, mas no seu favor está a vida (Sl.30:5).
Até quando está irado, Deus não desiste de amar. É Seu amor teimoso a razão de sobrevivermos à Sua justa ira. O profeta Habacuque conclui que mesmo na ira, Deus lembra-se da misericórdia (Hc.3:2). Só por isso não somos consumidos. Enquanto Sua ira, além de tardar, dura um momento, Suas misericórdias se renovam a cada manhã.
A ira de Deus é a Sua reação ao pecado. Porém, o amor é aquilo de quê é constituído o Seu ser. Deus pode eventualmente irar-se, mas jamais deixa de ser amor. Deixar de amar seria aniquilar-se, deixar de ser Deus, negar Sua própria natureza. E a todos quanto ama, Ele os ama eternamente.

Fonte: http://www.hermesfernandes.com/2012/03/deus-odeia-pecadores.html

16 de fevereiro de 2012

FEITOS DE BARRO...



A maioria das pessoas, ainda que não acreditem, conhece e sabe que a Bíblia nos relata no Gênesis que o homem foi formado do pó da terra. Talvez tenha sido de propósito, não apenas para nos mostrar que ele mesmo nos projetou e nos fez, mas também para nos evidenciar nossa fragilidade.

Na narrativa de Genesis, o homem é moldado pelo próprio Deus do pó da terra, recebendo do próprio Deus o sopro da vida. O texto no original hebraico quer dizer que o homem foi “feito pelo próprio Deus do zero, ou seja, Ele moldou-o em todos os detalhes”.

Em Jó 33:6 – O amigo de Jó admite também sua fragilidade por ser humano:

“Para Deus você e eu somos iguais; eu também fui formado do barro”.

Agora, no texto de Jeremias 18, Deus precisava mandar um recado ao Seu povo. Queria falar-lhes um pouco da Sua Soberania em fazer o que acha melhor. Então Ele manda o profeta fazer uma visita à casa do oleiro. O Senhor estava prestes a permitir que o povo fosse levado cativo como forma de purificação e restauração. 

Antecessor de Jeremias, o profeta Isaías muitos anos antes já havia declarado:

“Mas tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, 

tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por ti”. Is. 64:8




Que interessante! Nossa vida nas mãos de Deus é tão frágil como um vaso de barro. Ele tem poder de moldar e quebrar quando lhe é necessário. No texto que lemos, percebemos que, em algum momento, o vaso que estava sendo formado pelo oleiro se desfez em suas mãos. Então ele precisou reiniciar o processo. Refazer o vaso.

Imagino que, pra isso, o oleiro precise quebra-lo ou amassá-lo como um todo. Amassa-lo, apertá-lo e reiniciar o processo do zero. Além disso, é necessário da parte do oleiro concentração no que faz.

Acredito que, com esse exemplo, Deus queria mostrar ao povo ao menos duas coisas:

Deus está preocupado em nos moldar nos seus padrões:

Para todo utensílio doméstico, acredito que deve haver um molde ou desenho, uma forma ideal pré-definida que se busca para todos os itens. Caso alguns no processo de fabricação não alcancem esse padrão, automaticamente não servem. Saem do lote. São descartados. Precisam ser quebrados e reciclados. Voltar a ser matéria prima.

É mais ou menos assim que Deus nos olha. Quando Ele nos fez, nos deu a capacidade de parecermos com Ele. Somos dotados de raciocínios, emoções e voluntariedade para agir. Só que o pecado estragou o molde. Perdemos a perfeição, o que nos colocava mais pertos ainda de Deus. Agora somos vasos feitos por Ele, mas trincados e rachados. 

Contudo Deus, quando nos olha, deseja nos fazer de acordo com o padrão correto. Mas, para isso há necessidade, de muita das vezes, iniciar um processo lento e demorado de remodelagem.

Deus não queria castigar o povo no cativeiro. O que Deus desejava era quebrá-los para tentar moldá-los novamente, nos Seus padrões eternos.

Deus está concentrado em nos fazer melhor, úteis e mais bonitos:

Como disse antes, a intenção de Deus nunca foi de castigar o povo, mas Ele precisava tentar ensiná-los de alguma forma. Deus não se conforma quando olha para nós e percebe que não alcançamos o padrão de perfeição que Ele mesmo criou para nós. Deus nos fez como coroa da criação, mas o pecado nos trincou, criou rachaduras, nos trouxe imperfeição.

Mas Deus está concentrado em você. E vai fazer o que for preciso para te fazer melhor. Se para isso for necessário quebra-lo, Ele o fará. 

Nenhum oleiro fabrica um vaso se não for com o desejo de que Ele seja o mais belo de toda a sua coleção. Nenhum oleiro fabricaria um vaso que não servisse para nada.

Assim Deus, nos criou para sermos para louvor da Sua Gloria. Sua obra prima. O mais belo e destacado de todos os seres. Por isso, fomos feito a Sua imagem e semelhança.

Aquele que é moldado por Deus, pode até sofrer nesse processo, mas sem dúvida sairá dele novo e belo, porque fora moldado pelo próprio Deus.




Para pensar:

Deus deseja sempre o melhor para mim e você. Ele te criou, ele te fez e sabe como você é. Contudo, como uma peça de barro que precisa de restauração, será necessário que em muitos momentos inicie-se na sua vida um processo de moldagem ou remodelagem.

Permita-se moldar por Deus.

Marcello Matias, pastor. Viste www.pastormatias.com



15 de fevereiro de 2012

Para Whitney, de sua fã, Juliana.







Mais uma vez, alguém famoso morre em virtude de abuso do uso de medicamentos. A lista é longa. Apenas alguns nomes recentes para lembrarmos: Heath Ledger, Michael Jackson, Amy Whinehouse, e agora, minha amada Whitney Houston.
Eu não sei o que acontece quando uma pessoa alcança a fama, como essas pessoas alcançaram, e como muitos outros alcançaram. Não sei porque a maioria delas se volta para a bebida e para o àlcool. Depressão, ansiedade, solidão, a pressão pelo sucesso...confesso que a causa para esse tipo de comportamento, para mim, ainda é incompreensível.
Essa semana, ouvi Celine Dion falando sobre isso, quando recebeu a notícia da morte de Whitney Houston. Ela disse que tem muito medo do que acontece no showbusiness. Medo. Foi essa a palvra que usou. Por isso ela evita participar de festas, de sair nas baladas, de ir a determinados lugares. Ela prefere ficar mais em casa, com a família, porque já viu muita tristeza acontecer. Achei muito interessante essa afirmação dela.
Quando Michael Jackson morreu, fiquei muito triste. Gostava muito dele, e acho que nunca mais vai existir um artista  assim. A música vibrava em seu ser. Como disse um de seus bailarinos, no documentário “This is It”, se você fosse surdo, e apenas visse Michael Jackson dançar, você sentiria a música no seu próprio corpo, mesmo sem poder ouvi-la fisicamente, tamanha era a  habilidade e o talento que Michael tinha para a música e para a dança.
Mas Michael tinha seus problemas, seus traumas, e não sei qual era seu relacionamento com Deus.
Já com Whitney Houston, as coisas são diferentes.
Senti profunda tristeza com a notícia de sua morte. Me emocionei no dia seguinte, ao ver imagens de sua carreira, e com o fato de que agora, não poderemos mais ouvir novas melodias cantadas por ela. 
Dona de um timbre de voz sem igual, além de cantar excepcionalmente bem, Whitney era linda. Foi também atriz, e chegou até a trilhar a carreira de modelo em sua juventude.
Whitney cresceu na igreja. Filha de pastor, ela foi descoberta pelos grandes produtores musiciais, quando cantava no coral de uma pequena igreja Batista em New Jersey, local onde seu funeral vai ter lugar nesse final de semana.
Li um trecho de uma entrevista dada por um dos pastores que conheceu Whitney em sua adolescência, antes da fama. 
Ele disse que desde aquela época, seu talento chocava as pessoas. Havia corais de outras cidades, profisisonais, que quando vinham até a sua igreja participar de algum evento, e ouviam Whitney cantar, ficavam ‘embasbacados’, com a voz que saía daquela adolescente.
Afirmou que todos sabiam que estavam ali presenciando o nascer de uma grande estrela, e até mencionou a preocupação dos pais, em deixá-la seguir uma carreira profisisonal, fora da igreja.
Esse mesmo pastor, falou que Whitney manteve contato com ele durante várias épocas da sua vida, orando com ela em algumas oportunidades, e que Whitney contribuía com várias obras sociais, na maioria das vezes, de forma anônima.
Outros amigos cristãos, afirmaram que após ter finalmente se separado de Bobby Brown, que diga-se de passagem, foi quem a levou para as drogas, Whitney estava se reerguendo, e sua fé estava renovada.
Alguns desses amigos, que falaram com ela por telefone nesses últimos dias, disseram que conseguiam ouvir, ao fundo, o som de música gospel tocando, enquanto ela falava. 
Ela estava sim buscando a Deus.
Assisti a entrevista que ela concedeu à Oprah Winfrey, há cerca de 2 anos atrás, e ela pareceu bem consciente de suas lutas contra o vício, e testemunhou como Deus a ajudou nesse período.
O último álbum que lançou antes de morrer, “I Look to You”, foi um reconhecimento daquilo que Deus estava fazendo em sua vida.
No BET Gospel Awards de 2011, um evento da música gospel americana, Whitney fez um dueto cantando essa música “I Look to You”, e realmente louvou ao Senhor. Quem assiste o vídeo dessa performance, pode ver claramente seu coração para com Deus.
Os jornais documentaram que a última música que ela cantou, foi “Jesus loves me, yes I Know, for the Bible tells me so”.
Whitney Houston conhecia a Deus, e conhecia sua palavra. 
Sim, ela teve um período conturbado em sua vida. Se envolveu com drogas, com bebidas. Chegou ao fundo do poço.
Mas como disse um de seus pastores, em uma entrevista, os demônios pessoais da vida de Whitney, com os quais ela lutava, sempre estavam à vista de todos, pois ela era uma pessoa pública. No entanto, muitos de nós, cristãos, temos as mesmas lutas, mas, diferente de Whitney, elas não vêm à tona, não são do conhecimento de todos. Por isso, é fácil usar uma máscara de ‘santo’ às vezes. E por isso é fácil julgá-la.
Muitos perguntam: será que a Whitney estava convertida, será que tinha se reconciliado com Deus?
A polícia não achou nenhum vestígio de drogas na suíte do hotel onde seu corpo foi encontrado. Também não havia sinais de suicídio. Ela tomava remédios para depressão e ansiedade, o que é muito comum hoje em dia. Ao que se sabe até agora, pois as investigações ainda não foram concluídas, pode ter sido a mistura desses remédios, com alguma bebida alcóolica, que fez com que Whitney desmaiasse na banheira em que estava tomando banho, e morresse por afogamento, ou alguma parada cardíaca.
Eu creio que Whitney tinha um relacionamento com Deus e creio que ela foi salva sim. Essa é a minha opinião.
Jesus disse que muitos ladrões e prostitutas vão preceder aqueles que se consideram justos e religiosos, na entrada do Reino dos Céus, e que nós iremos nos surpreender, pelas pessoas que lá veremos quando chegarmos. Creio que há um lugar também para os viciados em drogas, que estavam tentando voltar para o Senhor, que estavam com o coração correto, querendo se libertar.
Deus conheceu o coração de Whitney. Ele viu seu interior. Nós, porém, só vimos o exterior. Aquilo que a mídia nos repassou ao longo dos anos.
De uma coisa eu sei, eu tenho esperança, de ver Whitney no céu, cantando mais uma vez.
Por isso, fica aqui, amada Whitney, minha homenagem de fã para você.
Sua voz inigualável, emocionava à todos que a ouviam. Seu talento, seu sorriso e sua beleza, para sempre serão lembrados. Você foi a maior Diva da minha geração. Um ícone, uma referência para cantores de todos os tempos. A sua voz nos fez ter mais certeza de que Deus existe, pois só Ele seria capaz de abençoar alguém com um dom assim.
I will always love you.... Whitney.
Com carinho, da sua fã,
Juliana.