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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
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20 de dezembro de 2013

PERIGO: Pastores Psicopatas






Por Hermes C. Fernandes


Uma das profissões que mais atraem psicopatas é a de pastor. Pelo menos, segundo os estudos do psicólogo Kevin Dutton, autor do livro “A Sabedoria dos Psicopadas: O que santos, espiões e assassinos em série podem nos ensinar sobre o sucesso”. Dutton conta que psicopatas nem sempre são pessoas conturbadas como muitos acreditam. “Quando psicólogos falam sobre o termo psicopatia, eles se referem às pessoas que têm um conjunto distinto de características de personalidade, que incluem itens como destemor, crueldade, capacidade de persuasão e falta de consciência e empatia”.


Geralmente, os psicopatas são dotados de charme, simpatia, carisma, capazes de impressionar e cativar qualquer pessoa com invejável destreza. Ninguém imagina que por trás de seu jeito educado, inofensivo e gentil se esconde alguém desprovido de consciência, capaz de atitudes cruéis e desumanas.


Um pastor psicopata assume uma personagem performática quando sobe ao púlpito. É capaz de encenar os papéis mais dramáticos como se estivesse num teatro. Em questão de segundos, transita entre a tragédia e a comédia, provocando lágrimas e gargalhadas com a mesma desenvoltura. Mas tudo não passa de fachada para disfarçar sua astúcia.


Não se trata de um louco varrido, mas de alguém que vive na fronteira entre a sanidade e a loucura, mas sem perder o controle.


Suas maiores habilidades são mentir, enganar, ludibriar, trair, sem sequer sentir-se culpado ou envergonhado. Trapaceiam, difamam, traem, abusam de autoridade, roubam, e sentem-se confortáveis com isso. A única coisa que não admitem é serem desmascarados. Não pela vergonha que passariam, mas porque isso os impediria de continuar enganando.



Cinicamente, se aproveitam da dor alheia para se locupletar. São verdadeiros predadores soltos na

sociedade à procura de pessoas vulneráveis que caiam em sua lábia.



Psicopatas gostam de ser o centro das atenções. Por isso, sempre buscam oportunidade para roubar a cena. Querem estar em evidência a qualquer custo. Ainda que isso custe o sofrimento de outros.


Algumas das principais características do psicopata são:


1 – Carisma : Tem facilidade em lidar com as palavras e convencer pessoas vulneráveis. Por isso, torna-se líder com frequência. Seja na política, na igreja, no trabalho ou até na cadeia.


2 – Inteligência : O QI costuma ser maior que o da média: alguns conseguem passar por médico ou advogado sem nunca ter acabado estudado para isso.


3 – Ausência de culpa : Não se arrepende nem tem dor na consciência. É mestre em botar a culpa nos outros por qualquer coisa. Tem certeza que nunca erra.


4 – Vanglória: Vive com a cabeça nas nuvens. Mesmo que a sua situação seja de total miséria, ele só fala de suas supostas glórias. É do tipo que come sardinha e arrota caviar.


5 – Habilidade para mentir : Não vê diferença entre sinceridade e falsidade. É capaz de contar qualquer lorota como se fosse a verdade mais cristalina. Algumas vezes acredita em sua própria mentira.


6 – Egoísmo : Faz suas próprias leis. Não entende o que significa “bem comum”. Se estiver tudo bem para ele, não interessa como está o resto do mundo.


7 – Frieza : Não reage com sinceridade ao ver alguém chorando ou sofrendo.


8 – Parasitismo : Quando consegue a amizade de alguém, suga até a medula.


Infelizmente, algumas destas características têm sido fartamente encontradas em líderes religiosos, vitimando milhares de pessoas com suas artimanhas.


Os pastores psicopatas se apresentam como líderes atenciosos, polidos, cheios de amor, porém, sua intenção é a pior possível. Por fora, sempre impecavelmente vestidos, beirando ao narcisismo. Por dentro, um trapo imundo. Por trás de seu carisma sedutor, um mentiroso contumaz, um manipulador calculista. Sempre agem prevendo a reação de quem pretendem vitimar. Para eles, a vida não passa de um tabuleiro de xadrez. Se alguém se puser em seu caminho, passam como rolo compressor, sem dó nem piedade.


Quem os vê chorar em suas performances de púlpito, não imaginam o ser frio que se esconde por trás daquela capa. Se flagrados, jogam com as palavras e os gestos para tentar inverter o jogo a seu favor. Sabem como se passar de vítima sem deixar rastro. Estão sempre cercados de cúmplices que se deixam ludibriar por seus convincentes argumentos, sendo capazes de colocar sua mão no fogo por seus líderes.


Cerque-se de todos os cuidados necessários. E não seja negligente com a sua família e aqueles a quem você ama. Todos podem estar correndo perigo. Ninguém jamais imaginou que Jim Jones fosse um psicopata que levaria mais de 900 fiéis ao suicídio de uma só vez. Portanto, antes de submeter-se a uma liderança, verifique seu histórico. Veja se tem o respaldo de sua família. Se não é adepto do emocionalismo barato e manipulador.


Uma palavra aos líderes: seja prudente e não se precipite em ordenar alguém ao ministério. Observe-o exaustivamente. Verifique sua conduta em casa e fora da igreja. Cuidado para não colocar uma bomba relógio em posição de liderança na igreja. As estatísticas dizem que um em cada 25 brasileiros se enquadra neste perfil psicológico. Então, não custa nada redobrar a vigilância.


Aviso aos pais: adolescentes são sempre mais vulneráveis a este tipo de liderança extremamente carismática, mas sem escrúpulo e compromisso com a ética. Procure saber a quem seus filhos estão seguindo. Há casos em que pastores jogam os filhos contra os pais, exigindo deles absoluta obediência.


Não seja cúmplice de um pastor psicopata. Se verdadeiramente se importar com ele e seu séquito, tente convencê-lo a buscar ajuda psicológica. Se ele se recusar, denuncie-o. Antes que seja tarde demais...

Fonte: http://www.hermesfernandes.com/2013/12/perigo-pastores-psicopatas.html

17 de novembro de 2013

Sou pastor...



Sou pastor.

Realizo atos pastorais. Batizo, caso, oro pelos enfermos, visito pessoas, compartilho a Bíblia, celebro a eucaristia, faço velórios e ofícios fúnebres.

Sou um ser ser socialmente “irrelevante” que participo dos momentos mais relevantes das pessoas. Valho pouco para o mercado e para as macro estruturas, mas tenho um valor insubstituível para o cotidiano das gentes.

Gosto muito do que faço, especialmente porque não me acostumei a nada disso. Apesar de fazer geralmente a mesma coisa, cada ato tem vida e importância próprias, que têm o poder de me assustar e alumbrar.

Cada casamento que celebro, me lembra a mística cristã, onde um mais um é um. Um casamento é o primeiro passo na direção da formação de uma família e a família é a expressão mais característica da trindade, pessoas coexistindo de forma tão hamônica a ponto de parecerem um.

Maravilho-me ao batizar alguém. A primeira pessoa que batizei foi um jovem chamado Téo. Téo, Deus. O Deus que me batizou, convidando-me a batizá-lo. Ver alguém professando sua fé no Mestre, descendo às aguás e ressurgindo, como símbolo de morte e ressurreição, faz-me continuar crendo na possibilidade de qualquer pessoa, pela graça do Pai, ser transformada pela ação do Espírito.

Dividir o pão da ceia, servir o cálice, celebrar morte e vida, relembrar o sacrifício com alegria contida pela reverência diante de algo tão grandioso, apesar de singelo, renova minha fé naquele que se deu por mim sendo pão amassado e vinho derramado.

Visitar pessoas, orar com enfermos, compartilhar as Escrituras são o alimento de cada dia. As visitas presenteiam-me com as histórias que estão por detrás dos rostos. A oração pelo que sofre gera a compaixão que me aproxima ao ponto de dividir a dor. O compartilhar, alimenta ao que ouve e ao que fala enquanto a mesa está posta das Sagradas Letras.

“Encomendar” alguém que parte nos põe diante do mistério da morte, algo que nos assusta, nos violenta, tira de nós sem aviso prévio ou licensa àquele(a) que amamos. Sem a consciência da morte, não se dá o valor devido à vida. Sem a certeza de que ela, morte, não é detentora da última palavra, não se vive a esperança do porvir. Poder lembrar as pessoas disso, enquanto choramos juntos, é um privilégio sem igual em meio à dor.

É, sou pastor. A matéria prima de meu ofício é o solo sagrado dos corações das pessoas. Piso descalço, com extremo cuidado. Minhas ferramentas de trabalho são as Escrituras, as orações, os abraços, os ouvidos e a boca de vez em quando.

Sim, sou pastor. Um árduo ofício, tão árduo, quanto belo. Já pensei em desistir meia dúzia de vezes, mas não consegui. No começo, achei que tinha um chamado. Estava enganado. Não tenho um chamado, ele é que me tem.

Sou pastor.

Fabricio Cunha
vi aqui, no blog pessoal do autor do texto



Leia mais http://crentassos.com.br/blog/2011/04/sou-pastor.html#ixzz2kudyjj1b
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15 de novembro de 2013

Para PSC, Feliciano pode ser novo Tiririca



Entusiasmados com a notoriedade conquistada pelo deputado federal Marco Feliciano (SP) desde sua eleição para a presidência Comissão de Direitos Humanos da Câmara, os dirigentes de seu partido, o PSC, acreditam que o polêmico parlamentar poderá ser o Tiririca de 2014.

Em 2010, Tiririca (PR-SP) foi o candidato a deputado mais votado do país com 1,35 milhão de votos, 4,3 vezes o quociente eleitoral do Estado. Com isso, garantiu a própria vaga e outras três cadeiras para colegas de sua coligação.

O PSC-SP elegeu dois federais em 2010. Nas contas do presidente do diretório regional da sigla, Gilberto Nascimento, o partido, agora puxado por Feliciano, deverá saltar para até cinco eleitos no Estado em 2014.

"Feliciano virou um pop star", afirma Nascimento, que também é pastor evangélico. "É o deputado mais citado do país, acho que é o cantor evangélico que mais tem CDs rodando por aí e já deve ser o mais procurado [por candidatos a deputado estadual] para fazer dobradinhas", diz.

Estima-se que o salto da bancada projetado por Nascimento ocorrerá se Feliciano passar de 1,2 milhão de votos. A conta leva em consideração um quociente eleitoral igual ao de 2010, quando ele teve 212 mil votos.

Protagonista dos anúncios publicitários que o PSC começou a divulgar na TV dias atrás, Feliciano tenta evitar dar mostras de empolgação. "Não acredito nesse número alto, espero o suficiente mais um", disse à Folha.

Mas a modéstia desaparece em seguida. "A mídia acabou me colocando em destaque e o efeito esperado foi o contrário: acharam que eu iria morrer politicamente, mas agora eu venho com força total", afirma.

MÉTODO

Quociente eleitoral é o mínimo de votos que o conjunto dos candidatos de uma sigla precisa ter para ganhar uma vaga no Legislativo. Ele é calculado pela divisão dos votos válidos da eleição sobre o total de cadeiras em disputa.

Quando alguém tem votação bem acima do quociente, acaba "carregando" para o parlamento colegas do partido ou da coligação, como ocorreu com Tiririca em 2010.

Para infelicidade do PR, porém, os três beneficiados pela votação de Tiririca naquele ano não foram políticos do próprio PR, mas de siglas com quem estava coligado: Otoniel Lima (PRB), Protógenes Queiroz (PC do B) e Vanderlei Siraque (PT).

Foi fazendo essas contas que o PSC optou por não fazer coligação para a eleição proporcional em São Paulo no ano que vem. Assim, se Feliciano repetir o feito de Tiririca, os beneficiados serão todos do próprio PSC.

Na eleição majoritária, o partido irá apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na nacional, o plano oficial é disputar com candidato próprio, o pastor Everaldo Pereira, do Rio.

PARADOXO EVANGÉLICO

Pode parecer estranho, mas líderes da Assembleia de Deus temem que uma eventual votação maciça em Feliciano acabe prejudicando a bancada da igreja na Câmara dos Deputados.

Isso ocorreria se os eleitores fiéis que costumam votar de forma pulverizada nos candidatos da igreja resolverem concentrar a votação nele.

Nessa hipótese, Feliciano ajudaria a eleger candidatos do PSC --não necessariamente evangélicos--, mas prejudicaria outros nome da própria igreja em outras siglas.



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/11/1369262-para-psc-feliciano-pode-ser-novo-tiririca.shtml

11 de novembro de 2013

Características dos Pastores e Lobos

 PREGADOR LOBOHoje em dia está assim: pastores e lobos estão todos misturados e se parecem muito; porém vamos tentar esclarecer as diferenças para que você não seja devorado por um “lobo-pastor”… Veja se na igreja onde você faz parte existem pastores ou lobos e deixe no comentários sua opinião. Caso tenha interesse também visite o blog Rebanho Marginal
Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos.
No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.
Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.
Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.
Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.
Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.
Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.
Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são devoradores (Mateus 7:15).
Este artigo foi baseado em um texto de Osmar Ludovico da Silva, publicado pela revista Enfoque Gospel, edição 54

2 de novembro de 2013

Lanna e Rosania: Alices no país das maravilhas

O casal em 2011, quando as duas fundaram a igreja, em retrato de Eduardo Anizelli

O pedido já estava fazendo bodas de cobre: faz dez anos que Lanna Holder, 38, perguntou se Rosania Rocha, 40, se casaria com ela. É que à época a lei brasileira não deixava pessoas do mesmo sexo se casarem e as duas faziam parte de uma igreja que nada simpatizava com a ideia.
Mas agora sai. Em 19 de dezembro as duas pastoras que fundaram a igreja evangélica Comunidade Cidade de Refúgio, no centro de São Paulo, sobem ao altar.
Em grande estilo: elas vão se casar num bufê em formato de castelo em Mauá, cidade no interior de São Paulo. “Minha mulher é uma rainha, então nada mais adequado”, justifica Lanna, que teve a ideia de cenário quando voltava do aeroporto e viu um outdoor perguntando “Você já pensou em se casar num castelo?”. Ela levou como um sinal. E essa história é cheia deles.
Rosania, à esquerda, e Lanna, em foto feita para ensaio de casamento
A começar pelo momento em que as duas se viram pela primeira vez. Rosania era uma cantora gospel radicada nos EUA que se vestia com roupas descoladas e não tinha medo de maquiagem. Já Lanna era uma missionária em ascenção no Brasil que foi convidada a propagar sua fé em solo americano. “Ela chegou com uma saia rodada, jeans, e um cabelão preso no coque. Achei estranho”, diz Rosania, “mas senti vontade de me aproximar”.
A vontade se concretizou e as duas ficaram amigas. “Ensinei ela a usar um pouco de maquiagem, usar uns terninhos em vez das roupas muito conservadoras de então”, diz Rosania, que era casada, tinha um filho e nunca se sentira atraída por outra mulher.
Já Lanna sabia bem o que sentia. “Sempre tive esse desejo, e tentava lutar contra. Por isso, tinha um discurso ainda mais anti-gay do que o Silas Malafaia tem hoje em dia.”
A atração pela amiga venceu. Seis meses depois de se conhecerem, durante uma viagem a Nova York, Lanna aproveitou que as irmãs de igreja estavam dormindo ou no banho e roubou uma bitoca de Rosania.

Rosania se casará com um vestido de luxo, enquanto Lanna optará “por algo simples, sem ser masculinizado” 
E começou um namoro escondido e cheio de culpa. “Era duro. Pedíamos para Deus nos matar durante esse período”, diz Rosania. Não matou. Então as duas acharam por bem se sentarem com os dois maridos e, juntas, pôr às claras o que acontecia. Três meses depois, Lanna estava divorciada.
Já Rosania lutou para salvar seu matrimônio. “Passamos quatro meses em batalha contra nosso amor”, conta ela. Durante esse período, chegaram a ficar nove meses sem se falar.
O silêncio foi rompido por uma notícia triste: Lanna havia sofrido um acidente de carro e estava na UTI, com quatro costelas quebradas e um coração que mal batia. “Foi nessa hora que me dei conta: o que seria de mim se perdesse ela?”, lembra Rosania, que passou a fazer visitas contra os conselhos dos pares da igreja. “Eles diziam que o acidente tinha sido providência divina, que cada vez que eu fosse vê-la ela ia piorar um pouco, até morrer.”
“Diziam que o acidente era a providência de Deus, para mostrar que estávamos errando. Mas Ele falou comigo, para eu ir. E eu ia”, relembra Rosania. “E a cada vez que ela ia, eu melhorava”, diz Lanna.
Decidiram ficar juntas de vez quando Lanna recebeu alta, mesmo que isso significasse se afastar da igreja. “A gente só se aproximou mais e mais.”
Durante o namoro, outro sinal brilhou. Um dia, conversando, Rosania disse que adorava margaridas. Na mesma semana, as duas viajavam por uma auto-estrada quando Lanna Viu um campo de margaridas sobre o morro, no acostamento. Parou o carro sem pensar duas vezes, subiu a ladeira e voltou com os braços cheios de margaridas, que entregou de joelhos. “Foi o começo do pedido”, diz.
A proposta em si foi durante uma conversa séria sobre como havia impedimentos ao amor. “Perguntei se ela queria superar todas elas comigo”, diz Lanna. A resposta foi sim.
O castelo em Mauá (SP) onde as pastoras se casarão em 19 de dezembro
Desde então, tornaram ao Brasil e construíram sua própria igreja, que chega em 2014 ao quarto templo. “É uma igreja para Jesus, não só para gays”, explica Lanna. Têm hoje 500 seguidores e celebraram mais de dez casamentos homossexuais de maio para cá.

E como duas pastoras com o dom da oratória definiriam seu amor? “É sair do preto e branco e ir para o colorido, como a Alice no país das maravilhas, sabe?”, diz Lanna. Uma terceira pastora amiga casa as duas em 19 de dezembro, com 500 membros da comunidade assistindo.
A lua de mel será em Paris, como previu um outro sinal, diz Lanna: “Fui convidada a ministrar na França uns anos atrás. Comprei uma torre Eiffel de cristal e dei para ela, com a promessa de que iríamos juntas depois de nos casar, o que era impossível na época. Foi um ato profético”. Felicidade às noivas.
Fonte: http://digosim.blogfolha.uol.com.br/2013/11/01/lanna-e-rosania-alices-no-pais-das-maravilhas/

1 de novembro de 2013

Vídeo polêmico de reunião secreta da Igreja Universal vaza e mostra líder xingando e ameaçando outros pastores; Assista


Vídeo polêmico de reunião secreta da Igreja Universal vaza e mostra líder xingando e ameaçando outros pastores; Assista
O pastor Walber Barboza, líder da Igreja Universal do Reino de Deus no Equador, protagonizou cenas constrangedoras durante uma reunião de trabalho com líderes de filiais da denominação no país.
Usando termos chulos e um tom de cobrança bastante ríspido, Barboza ameaça os pastores que participam da reunião com desligamento das funções em suas igrejas.
“Minha paciência esta esgotada aqui no Equador”, introduz o pastor. “Se os pastores não estão contentes pega cada um a sua mala e pode sair, porque a porta é a serventia da casa”, afirma.
Na sequência, o pastor reclama dos templos vazios, e afirma que os responsáveis pelas filias só se preocupam em atrair o povo em épocas da “quinzena”, dando a entender que se trata das datas de pagamento.
“[As igrejas estão vazias] porque os obreiros não tiram o rabo da cadeira e ficam só esperando entrar a quinzena, só tão esperando a hora do almoço, só esta esperando o dia de férias para viajar para ver a família, fica lá todo mundo coçando o saco na esquina da parede. Ora, eu quero que vocês saibam que a Igreja paga você, que a igreja te dá uma casa, que a igreja paga seu salário em dia é pra você trabalhar vagabundo. A catedral está vazia porque vocês ficam cozinhando o galo, vocês vão me pagar, vocês vão sair daqui e vão para última igreja do país, eu não estou ameaçando não, eu estou comunicando, porque eu não sou palhaço de vocês não”, esbraveja o pastor.
Na sequência, Barboza se queixa de questões da vida pessoal dos obreiros da igreja, falando sobre questões como casamento, sexo, planos familiares e sugere preguiça dos colaboradores: “Vocês auxiliares que só pensam em casar, porque você só pensam em sexo, só pensa no seu prazer… Eu vou te dizer que dia você vai casar…  Então seu tarado toma banho de água fria e afoga tua paixão, porque vocês solteiros só tem pensado em mulher… Vinte anos na obra, a igreja sustentando, igual a um aposentado, porque aposentado não produz nada, só come da Segurança Social. E tá assim cheio de pastor no espírito de aposentado… Você que tem filho, eu não quero saber se você tem filho, a igreja não tem obrigação de sustentar teu filho, a igreja não tem obrigação de dar um quarto exclusivo para seu filho. As equatorianas tem um método, um modo que amarra os meninos com um negocio nas costas, até os macacos sabem carregar o filhote nas costas, a macaca fica pulando de árvore em árvore e o macaquinho ta lá agarrado. Você também vai fazer isso, quem mandou ter filho, quem mandou você ser carnal e sentimental e ter uma criança?”
Assista:
Repercussão
Gospel+ procurou a Igreja Universal para comentar sobre o vídeo. As declarações do pastor repercutiram negativamente em toda a internet, e a direção da Universal no Equador se posicionou repudiando a postura de Walber Barboza, que terminou publicando um vídeo com pedido de desculpas públicas.
“Reconheço que me excedi, proferi frases estúpidas. Minha intenção era positiva, de ensinar e motivar os pastores. Mas sei que, no calor do momento, fui infeliz na escolha e tom das palavras. Peço perdão a todos os que ofendi e constrangi. A Universal tem pressa de ajudar o povo do Equador e essa intenção não foi bem comunicada por mim”, afirmou o pastor.
Veja o vídeo publicado por Barboza:
Leia a íntegra da nota da Igreja Universal sobre o assunto:
A Igreja Universal do Reino de Deus do Equador tomou conhecimento de episódio ocorrido em 25/9/2013, durante reunião de trabalho entre o pastor Walber Barboza e outros pastores.
A Universal do Equador lamenta a conduta do pastor Barboza, que dirigiu frases infelizes e agressivas aos presentes, e repudia suas afirmações, ditas por ele em nome próprio, jamais pela instituição.
No Equador, assim como nos quase 100 países onde está presente de modo formal, a Universal preza e exige de seus bispos, pastores e obreiros o comportamento respeitoso e cordial que cada qual merece.
Em sintonia com as orientações da Direção Espiritual da Universal, a igreja do Equador já tomou as providências cabíveis para que acontecimento como esse nunca mais se repita.
O pastor Barboza encaminhou pedidos de desculpas formais a todos os presentes e à Universal.
Perguntada sobre o porque está retirando do ar as cópias do vídeo no Youtube, a denominação afirmou que “a igreja não se manifesta sobre procedimentos judiciais e administrativos em curso”.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

8 de outubro de 2013

As quatro perguntas que Silas Malafaia não quis responder

O livro “Entre a Cruz e o Arco-íris” conversou com dezenas de líderes do Brasil e do mundo, mas não com o “defensor da fé cristã”
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A autora Marília Camargo César, o pastor Silas Malafaia e o livro “Entre a cruz e o arco-íris”: agenda disputadíssima impediu entrevista, alegadamente
Ricardo Alexandre
Gostaria de recomendar imensamente a leitura do livro Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a homoafetividade (Editora Gutenberg), mas não vou fazê-lo. É que Marília Camargo César, editora no Valor Econômico e também autora dos livrosFeridos em nome de Deus e Marina: A vida por uma causa, é minha amiga e, mais comprometedor ainda, eu editei de muito perto os originais, acompanhei todo o trabalho de apuração, dei vários pitacos e, de quebra, escrevi o prefácio que pode ser lido aqui.
Então, não acredite em nada do que eu disser sobre o livro-reportagem. Faça o seguinte: vá até a noite de autógrafos (nesta segunda-feira, dia 07 de outubro, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional), compre seu exemplar, leia e envie um comentário aqui mesmo dando a sua opinião isenta.
O que eu gostaria de dividir com você é, como de costume neste blog, um pouco do “making of”. Mais especificamente, os meses de tentativas de entrevistas com o pastor Silas Malafaia, autodenominado “defensor da fé cristã e dos valores éticos, morais e espirituais da igreja de Cristo”. Marília entrevistou dezenas de pessoas durante o período de reportagem, incluindo pastores e leigos de diversas tradições cristãs, das chamadas igrejas “inclusivas” às mais tradicionais, no Brasil e no exterior, alguns inflexíveis diante da ortodoxia outros com casos de homossexualidade na própria família. Enfim. Por meio de sua assessoria, Malafaia primeiro disse que não poderia receber a jornalista, dada a agenda disputadíssima dele. Diante da insistência de Marília, o pastor disse que aceitaria responder apenas por e-mail. Claro que um encontro olhos-nos-olhos – como ele concederia logo depois a Sabrina Sato noPânico na TV ou a Luciana Gimenez no Super Pop – sempre renderia mais ao leitor, mas era a opção que tínhamos, então concordamos. Marília me pediu algumas sugestões de perguntas e eu enviei as quatro abaixo.
Depois de receber e ler as perguntas, entretanto, Silas Malafaia disse que não teria tempo de responder. Foi uma pena. Como Marília teve a elegância de não publicar o questionário que o pastor preferiu não responder, pedi a ela que me deixasse divulgá-lo aqui no blog. Quais seriam as respostas de Malafaia às perguntas abaixo, caso ele tivesse tempo de respondê-las? Jamais saberemos:
1. O teólogo Justino Mártir (100-165) dizia que uma das marcas da igreja cristã primitiva era o fato de os santos terem passado a “conviver com outros povos” com os quais antes não conviviam “por causa de seus costumes diferentes”. Ou seja, segundo ele, a mensagem de Jesus mudou sua maneira de relacionarem-se com os diferentes. O senhor enxerga esse mesmo espírito em seus discurso acerca dos ativistas homossexuais? Em caso negativo, como o senhor justifica essa aparente diferença de postura entre Justino Mártir e Silas Malafaia?
2. Pelo que entendo, boa parte do seu discurso contra a PL122 baseia-se no que ela fere dos direitos dos cristãos. Biblicamente, o cristão teria outro direito além de servir o próximo e ser, como diria Charles Spurgeon, “a bigorna do mundo”?
3. Os evangelhos mostram Jesus amoroso e misericordioso com os marginalizados e pecadores. O episódio da casa de Levi, por exemplo, mostra-o comendo e bebendo com prostitutas e alcoólatras. Os únicos registros da Bíblia de Jesus desqualificando e confrontando publicamente eram dirigidos aos líderes religiosos (“sepulcros caiados”, “raça de víboras”, “cegos que guiam cegos” etc.). O senhor, nos últimos anos, tem feito aparições públicas ao lado de líderes religiosos muito controvertidos no meio protestante, alguns com complicações até na justiça comum (Sônia e Estevam Hernandes, Morris Cerullo). Por outro lado, em seu debate sobre homossexualidade, já chamou ativistas gays de “parasitas”, uma premiada jornalista de “vagabunda”, políticos de “idiota”, “frouxo” e “bandido”. Como o senhor harmoniza esses comportamentos aparentemente opostos entre Jesus Cristo e um de seus representantes brasileiros mais expostos na mídia?
4. O apóstolo Paulo, em Romanos 1, afirma que a homossexualidade é decorrência do fato de os homens não terem rendido graças devidas a Deus e terem, como efeito, glorificado a imagens feitas à semelhança do homem. Gostaria de fazer duas perguntas ao senhor: a) digamos que os cristãos consigam proibir legalmente não apenas o casamento, mas toda relação ou manifestação homossexual em todos os países do mundo. O senhor acha que isso reverteria em glória para Deus? b) o senhor afirmaria que a sua luta contra o comportamento homossexual equipara-se em tempo e energia à sua luta contra outras “disposições mentais reprováveis” citadas por Paulo no texto, como a ganância, a injustiça, a rivalidade e a arrogância? Em caso negativo, porque a preferência por um assunto que, se entendo bem, é apenas uma entre várias manifestações de um mal maior (o rompimento do homem com Deus)?

24 de setembro de 2013

O que um pastor foi fazer no Rock in Rio?



Hermes C. Fernandes

Depois de dois cultos para lá de especiais, antes da bênção apostólica anuncio ao povo que eu, meu filho e um grupo de pastores da Reina (Pr. Cecílio, meu irmão, Pr. Rodrigo e Pr. Bruno) estaríamos no último show do Rock in Rio, prestigiando a um irmão em Cristo, Nicko Mcbrain, baterista da maior banda de Heavy Metal do mundo, o Iron Maiden. Pedi que os irmãos orassem por nós, já que estaríamos expostos a todo tipo de críticas. Nem precisei me dar o trabalho de ficar explicando o que faríamos lá. Graças a Deus, os irmãos da Reina já estão acostumados comigo e sabem que eu seria incapaz de me esconder atrás de uma justificativa mentirosa.

Confesso que estava muito cansado. O domingo foi, como sempre, de muito trabalho pastoral. Todavia, eu não poderia deixar de aproveitar os ingressos que um grande amigo nos conseguiu de graça. Afinal, esperei quase trinta anos para assistir à banda responsável pela trilha sonora da minha juventude.

Assim que chegamos ao local do show, surpreendi-me com o clima familiar. Tratava-se de um encontro de gerações. Avôs, pais e filhos se reuniam para ouvir sua banda predileta. Alguém disse que o Iron não tem fãs, mas fiéis. Não é uma modinha passageira, mas algo que se passa de pai para filho. Não encontrei um clima devasso, como alguns poderiam supor. Havia quem se exacerbasse um pouco, bebendo além da medida. Mas não precisa estar num show de rock para assistir a isso.

Quando vi aquela multidão, o primeiro comentário que fiz ao meu amigo Pr. Bruno foi que pareciam ovelhas sem pastor. Antes de começar o show, perguntava-me a mim mesmo o que fazer para alcançar aquela gente com o evangelho. A primeira coisa que me ocorreu foi que precisaríamos remover de nossa abordagem todo tipo de caretice.

Enquanto transitava por entre a multidão, pensei: - Como posso estar aqui sem julgar quem quer que seja? Como posso enxergar-me como um deles, tão carente quanto qualquer outro da graça divina?

Das várias cenas que assisti, talvez a que mais me chamou a atenção foi a de um senhor cadeirante que não conseguia ficar parado durante as apresentações, fazendo manobras com sua cadeira de rodas, celebrando o fato de estar vivo.

Pr. Bruno Jardim, Pr. Cecílio, bispo Hermes, Rhuan e Pr. Rodrigo

Resolvi, então, partilhar com meus amigos do facebook aquele momento tão importante para mim. Bastou que postasse duas fotos para que surgissem as mais inusitadas reações. Houve quem me acusasse de estar levando para o inferno todos que me seguem. Em pouco tempo, perdi vários seguidores (ao menos oito, num universo de cinco mil).

Alguém me perguntou se minha presença ali tinha objetivo evangelístico. Para muitos, esta seria a única razão que justificaria que um ministro do evangelho estivesse num show de rock. A verdade é que eu estava ali para me divertir ao lado do meu filho e dos meus companheiros de ministério. Curti cada canção do Iron. Foi como tomar um elixir da juventude.

Como me arrependo de ter quebrado todos os meus discos do Iron assim que ingressei no ministério. Que mal faz o legalismo! Mas pelo menos, minha esposa se libertou dos Menudos...rs

Tenho sérias dificuldades para entender as razões pelas quais alguns cristãos abominam o tipo de performance do Iron. Será que não percebem tratar-se de dramatização? Então, por que assistem a filmes de terror? Por que conceder licença poética ao cinema, ao teatro, aos livros, mas não à música?

A maioria sequer se deu o trabalho de examinar as letras bem trabalhadas da banda. Algumas falam de demônios, 666, mas sempre em tom irônico ou crítico. O Iron é uma das poucas bandas de rock que não fazem apologia às drogas e ao sexo livre. Bruce Dickinson, seu vocalista e principal compositor é professor de história e, nas horas vagas, piloto de avião.

Eu poderia ter levado folhetos evangelísticos para distribuir ali, mas será que funcionaria? Talvez eu pudesse usar isso como álibi ou mesmo para driblar minha consciência. Mas, sinceramente, seria inútil. Em momento algum minha consciência se viu violada.

Para mim, o ponto alto do show foi quando os Irons tocaram “I’m running free”. Ali estava a graça de Deus revelada numa canção de Heavy Metal. Ocorreu-me, imediatamente, a passagem em que Paulo declara: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.”

Ao decidir escrever este post, pensei em apresentar razões teológicas para estar naquele show. Lembrei-me, por exemplo, de Mesaque, Sadraque e Abedenego que estavam presentes naquela convocação do rei, e ao ouvirem a música, não se prostraram diante daquela escultura. Apesar de ter sido uma convocação, Daniel parece não ter atendido. Ou então, teremos que admitir que ele se prostrou. Todavia, cheguei à conclusão que seria um desperdício de tempo tentar me justificar. Parafraseando Paulo, que não iria a um show de rock, não julgue quem o faça, e quem foi, como eu, não julgue que jamais iria. O que autentifica nossa fé não são os ambientes que frequentamos, mas o amor que revelamos em qualquer lugar.

Em pleno Rock in Rio, eu e meus pares não fizemos proselitismo, não exibimos camisetas com dizeres evangelísticos, mas buscamos encarnar o evangelho, amando cada pessoa, sem julgá-la ou enxergá-la de cima para baixo.


Hermes Fernandes é chapa do Genizah apesar de não gostar dos menudos...




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21 de setembro de 2013

A força das pastoras.



As mulheres ganham espaço nos altares evangélicos do Brasil, conquistando cada vez mais fiéis para essas denominações. Em algumas igrejas, quase metade do corpo pastoral é feminino

Rodrigo Cardoso, na IstoÉ

O papa Francisco voltou a surpreender o mundo na quinta-feira 19, quando, durante longa entrevista, de 29 páginas, publicada no jornal jesuíta italiano “La Civiltà Cattolica”, não se furtou a falar sobre assuntos indigestos para a Igreja Católica, como aborto, gays e o papel das mulheres. “É necessário ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. O gênio feminino é necessário nos locais onde se tomam decisões importantes”, afirmou, num discurso que, à primeira vista, pode soar progressista, mas continua tão engessado quanto as colunas da Praça de São Pedro. Em seu comentário, o pontífice enaltece o gênero, mas o coloca como apêndice dos homens na estrutura da Santa Madre Igreja. Ou seja, nada mudou desde sua visita ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude, há dois meses, quando, na volta para o Vaticano, foi questionado por um jornalista durante o voo, sobre o direito das religiosas. Francisco, assim como fizeram seus antecessores, deixou claro que as mulheres são semelhantes aos homens – mas não iguais; são importantes para o crescimento do catolicismo – mas jamais irão atingir o status de sacerdotes. “Sobre a ordenação das mulheres, a Igreja falou e disse: não! Esta porta está fechada”, sentenciou. Enquanto a Igreja Católica segue acorrentada a essa tradição milenar, o grupo dos evangélicos, aquele que mais cresce e faz frente aos católicos no País, anda em sintonia com as mudanças em relação ao lugar das mulheres na sociedade. Transformações essas que vêm fazendo com que elas ocupem cada vez mais postos de liderança e atraiam milhares de fiéis para os templos cristãos.

O mais novo e fulgurante exemplo de liderança feminina religiosa é Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A jovem acaba de superar a marca de um milhão de cópias vendidas de seu livro “Casamento Blindado” e faz sucesso na tevê à frente do programa “Escola do Amor”, na Record, que apresenta junto com o marido, Renato. “Entendemos que a liderança da mulher é uma necessidade da igreja e vai muito além do título ou cargo que ela exerce”, afirma Cristiane. “Temos pastoras consagradas no Brasil e ao redor do mundo.” Quem abriu caminho para Cristiane e tantas outras foi Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Apesar de Estevam Hernandes, seu marido, ter o título de apóstolo, é atribuído à bispa Sônia o papel de protagonista. É ela quem arrebata multidões na Marcha para Jesus e reúne milhares de evangélicos nas ruas de São Paulo todos os anos. “Sem o viés feminino que Sônia trouxe à igreja, por certo a denominação não teria tido tanto avanço como houve no Brasil, sobretudo em São Paulo”, afirma Rogério Rodrigues da Silva, pesquisador da Universidade de Brasília.


LIDERANÇA
Apresentadora da Rede Record, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo,
da Universal do Reino de Deus, vendeu mais de um milhão de exemplares de seu último livro

Para a professora Sandra Duarte de Souza, de ciências sociais e religião da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), em muitas instituições religiosas as mulheres conseguem criar uma empatia muito mais sólida com a comunidade do que os homens. Na Igreja Batista da Lagoinha, fundada em Belo Horizonte (MG), 44,6% do corpo pastoral é do sexo feminino – a cultuada cantora gospel Ana Paula Valadão é uma delas. Entre os metodistas, as mulheres representam aproximadamente 30% dos pastores – a mesma porcentagem é verificada entre os presbíteros da Igreja Anglicana. Até mesmo uma das mais conservadoras denominações pentecostais brasileiras, a Assembleia de Deus, tem aberto caminhos para as fiéis ocuparem altos postos na sua hierarquia. No mês passado, a denominação permitiu pela primeira vez em sua história que mulheres assumissem o cargo de evangelistas. Para essa posição, que permite, por exemplo, que a eleita dirija um templo, duas jovens foram consagradas no ministério do Brás, em São Paulo. “Já não dá mais para negar a importância da mulher dentro das nossas igrejas”, diz Samuel Ferreira, pastor da Assembleia. “Eu não tenho o direito de negar a elas a prerrogativa de exercerem essa liderança.” Especialistas no tema ouvidos por ISTOÉ têm notado um aumento no número de ordenações de mulheres, principalmente daquelas que estudam para atingir um alto posto na instituição. Ainda é bem maior o contingente de religiosas escaladas para tarefas como limpar e ornamentar a igreja, cozinhar e assessorar pastores em visitas externas. Mas vê-las pregando em púlpitos, batizando, realizando casamentos e celebrando a ceia são cenas vistas já com normalidade e frequência em muitos templos.


PROTAGONISTA
O carisma, na Renascer em Cristo, está em poder
da bispa Sônia Hernandes: referência para as fiéis

Aos 48 anos, a gaúcha Margarida Ribeiro é reverenda da Igreja Metodista, que possui uma bispa entre as oito pessoas que ocupam esse posto no Brasil. Para tanto, ela encarou seis anos de preparação por meio de estudos teológicos e experiências em comunidades. Hoje, em 27 anos de pastorado, já foi titular em 20 igrejas. Mas o início não foi fácil. Quando pisava em alguma comunidade para pregar a palavra, Margarida ouvia o seguinte questionamento: “Você quem vai fazer o culto? Onde está o seu pai ou marido?” Hoje, no entanto, conta com orgulho que, ao ser convidada a dirigir cultos em igrejas pentecostais que possuem dois púlpitos, é frequentemente instada a pregar no principal, local costumeiramente ocupado por um homem. A reverenda, hoje, cuida da criação da primeira comunidade em Santa Isabel, interior de São Paulo. No Rio Grande do Sul, já esteve à frente de templos em zonas rurais, atuou na pastoral do agricultor, desenvolveu atividades sociais, ecumênicas e com mulheres, além de ter supervisionado trabalhos de outros pastores.

“Uma liderança feminina dá credibilidade à igreja evangélica.
Mulher não é vista como exploradora da fé”
Bispo Hermes C. Fernandes, da Igreja Reina

Para Margarida e outras lideranças femininas de origem protestante histórica, a ascensão dentro da hierarquia está muito atrelada à formação teológica, o que facilita o acesso delas a posições de destaque. É o que aponta a professora Sandra, da Umesp. No universo pentecostal e neopentecostal, no entanto, fazer parte do corpo sacerdotal depende em muitos casos do apadrinhamento de personalidades da instituição. Recentemente, só para citar um exemplo, um ministério da Assembleia de Deus consagrou compulsoriamente todas as mulheres de pastores presidentes no Brasil. “Ordenar ou não mulheres não classifica uma igreja como mais ou menos patriarcal. Ter mais mulheres na hierarquia pode significar apenas um dado”, alerta a professora Sandra.


BELAS DA FÉ
Em Vila Velha, no Espírito Santo, três amigas fundaram e administram
uma igreja desde 2011: únicas pastoras de um templo

Sarah Sheeva é alvo de preconceito até hoje simplesmente por ser uma mulher que constrói sua trajetória no meio evangélico sem ser referendada por alguém do sexo masculino. Filha de Baby Consuelo e ex-membro da Igreja Celular Internacional, ela se tornou pastora aspirante aos 38 anos, depois de 16 dedicados à denominação. Hoje, aos 40, ela acaba de se mudar do Rio de Janeiro para Goiânia. Deixou de ser pastora da igreja local e, em vez de administrar uma igreja, preferiu ser pastora missionária e viajar pelo Brasil para realizar palestras e conferências em diferentes denominações evangélicas. “Pessoas ficam com um pé atrás quando chego. Pensam: ‘Mas é essa jovem que vai trazer a palavra, ministrar um congresso?’”, diz. “Temos de nos esforçar duas vezes mais para ganhar a confiança.” A missionária Sarah, ex-ninfomaníaca assumida e mãe de uma jovem de 21 anos, tem um canal no YouTube que já foi visto por dois milhões de pessoas. Alguns vídeos nos quais comanda o culto das princesas, uma espécie de pregação misturada à autoajuda, somam 150 mil visualizações. O que ela fala tem ressonância também no Twitter, onde é seguida por 120 mil pessoas, e no Facebook – sua página já recebeu 325 mil curtidas. Muitas são as confissões evangélicas que reconhecem o dom espiritual das mulheres, mas lhes negam um título, como o de pastora. “Dizem que não há respaldo na Bíblia”, afirma a pastora Simone Saiter, 40 anos, da Igreja Viva Praia da Costa. Uma passagem do apóstolo Paulo é frequentemente usada por lideranças evangélicas que excluem as mulheres de seus quadros: “As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei” (1Coríntios 14:34).


PREPARO
A gaúcha Margarida tornou-se uma referência na Igreja Metodista
depois de estudar seis anos antes de ser consagrada

O silêncio exigido naquela época, porém, fazia parte de um contexto cultural. Os cristãos se reuniam em sinagogas, onde as mulheres não podiam se manifestar. Para evitar atrito com os judeus, eram orientadas a apresentar seus questionamentos em casa, junto dos maridos. Hoje, a realidade é outra. A pastora Simone e duas amigas, casadas e formadas em teologia, resolveram dar voz à palavra que aprofundavam em núcleos de estudo. Decidiram abrir uma igreja evangélica, a Viva Praia da Costa, em Vila Velha, no Espírito Santo, em 2011. As três são as únicas pastoras da denominação, hoje frequentada por cerca de 100 membros. “Uma liderança feminina dá credibilidade. Mulher não é vista como exploradora da fé, como ocorre com os homens”, diz o bispo Hermes C. Fernandes, da Igreja Reina. Instituição com cerca de 120 templos, a Reina tem 40 mulheres entre seus 160 pastores. Uma delas, a carioca Miriam de Lourdes Silva, realiza uma próspera obra à frente de um templo na comunidade de Acari, no Rio de Janeiro. Naquela área dominada pelo tráfico de drogas, Miriam, 48 anos, já converteu cerca de 20 pessoas, segundo suas contas, todas ex-traficantes. Detalhe: nenhum de seus antecessores do sexo masculino conseguiu tal feito. “Teve um pastor que gastou R$ 20 mil para blindar a igreja dele. A nossa é blindada pelo Espírito Santo”, diz ela.




CORAGEM
Em Acari, uma comunidade dominada por traficantes, a pastora
Miriam já ficou no fogo cruzado entre bandidos e a polícia:
cerca de 20 ex-traficantes foram convertidos por ela

Um dos motivos para o aumento do número de mulheres no corpo pastoral, segundo o sociólogo Ricardo Mariano, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio Grande do Sul, é o crescente sucesso do movimento gospel, onde as estrelas são as cantoras. Aos 37 anos, Ana Paula Valadão é um dos maiores expoentes do gênero no País. “O movimento gospel colocou não somente homens, mas também mulheres em evidência”, diz Ana Paula, que estudou em um seminário para poder ser consagrada. “Algumas cantoras começaram a se destacar nos grupos de louvor e um dos desdobramentos disso foi o reconhecimento da capacidade que a mulher tem para exercer a função de liderança, inclusive em outras frentes.” Não é um diploma que faz uma pastora. Esse título se ganha na prática, com a comprovação da vocação e dos dons espirituais. Mesmo assim, a presença de fiéis do sexo feminino em seminários evangélicos é crescente já há duas décadas. A porta para o exercício do pastorado pode não se abrir para boa parte delas. Mas a busca por conhecimento é a melhor forma de forçar a maçaneta.


PRESENÇA
Na Igreja Batista da Lagoinha, onde a cantora Ana Paula Valadão
é pastora, 44,6% do corpo pastoral é composto por mulheres


Fonte: http://www.pavablog.com/2013/09/21/a-forca-das-pastoras/

15 de julho de 2013

Silas Malafaia justifica participação no programa Na Moral da Globo



A participação do pastor Silas Malafaia no programa Na Moral que estava marcada para a última quinta-feira (11) foi cancelada e remarcada para o próximo dia 1º de agosto. A gravação aconteceu neste sábado (13) e o religioso comentou pelas redes sociais sobre sua participação.

“Já estou nos estúdios da Globo para gravação do programa do Bial. Orem por mim para que eu seja boca de Deus. O programa será exibido dia 1/ 8”, escreveu Malafaia no Twitter.

O tema do programa será Estado laico e terá a participação de um ateu, de um padre e de um representante das religiões afro. “Pena que é pouco tempo”, lamentou.

Foi também pelo microblog que Silas Malafaia discursou sobre a importância de usar esses espaços oferecidos pela mídia. “Já falei outras vezes, só não prego no inferno porque não tem salvação para o diabo. Onde me chamarem, viu. É no mundo que manifestamos a fé”.

Malafaia diz ainda que não tem medo dos programas da Globo. “Quem não quer correr riscos também não está habilitado a conquistas maiores. Ter medo de programa da Globo, nunca. Maior é o que está conosco”.O deputado federal pastor Marco Feliciano (PSC-SP) também foi convidado para participar do programa, mas recusou. O apresentador Pedro Bial foi até Brasília para acompanhar uma sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e gravou alguns trechos para a atração

10 de julho de 2013

A CHAMADA PARA O MINISTÉRIO

A CHAMADA PARA O MINISTÉRIO


Por Pr. Silas Figueira

Creio que a vida do pastor começa com o seu chamado. Muitos pensam que é o seminário que faz o pastor, mas não é. O papel do seminário é a formação acadêmica do vocacionado. Erwin Lutzer define o chamado pastoral assim: “O chamado de Deus é uma convicção interior, dada pelo Espírito Santo e confirmada pela Palavra e pelo corpo de Cristo”.1 Agora é bom deixar claro que existe o pastor chamado e o chamado pastor. O primeiro é vocacionado por Deus, já o segundo se auto vocaciona.

A vocação para o pastorado é a mais sublime de todas as vocações. O Rev. Hernandes Dias Lopes citando John Jowett diz que vocação pastoral não acontece quando você busca fazer medicina, e não consegue passar no vestibular; corre para engenharia, e não logra êxito; bate à porta de outro curso universitário, e também fracassa; então, conclui que Deus está abrindo a porta do ministério. Ao contrário, vocação pastoral é quando todas as outras portas estão abertas, mas você só anseia entrar pela porta do ministério. O chamado de Deus é irrevogável e intransferível. Quando ele chama, chama eficazmente.2 Os vocacionados não são profissionais, frutos de uma decisão meramente humana nem são sacerdotes separados por uma herança familiar. São homens separados com um propósito divino.

CARACTERÍSTICAS DO CHAMADO

Certamente nem todos são chamados por Deus da mesma maneira. Deus chama pessoas diferentes, em circunstâncias diferentes, em idades diferentes, para ministérios diferentes. Ao olharmos para os homens de Deus, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, encontramos pessoas com diversos chamados. O chamado de Deus é intransferível, irrevogável e é uma chamada eficaz. Com ele obtemos a firmeza de propósito para o ministério sem olhar para trás.

Como já falamos o chamado não ocorre da mesma maneira com todos os vocacionados. Para algumas pessoas a chamada pode ser repentina; para outras, pode ser gradativa. Uma pessoa pode não sentir nenhum chamado até ser incentivada por outras pessoas. Veja o exemplo de Eliseu:

“Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; ele estava com a duodécima. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. Então, deixou este os bois, correu após Elias e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. Elias respondeu-lhe: Vai e volta; pois já sabes o que fiz contigo. Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e os imolou, e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se dispôs, e seguiu a Elias, e o servia” (1Rs 19.19-21).

O exemplo da vida de Elizeu se repetiu na vida do jovem teólogo João Calvino. Diz a história que João Calvino passou a noite em Genebra depois que o inflamado pregador Ferrel lhe apontou o dedo e disse: “Se você não ficar aqui em Genebra e não ajudar o movimento da Reforma, Deus o amaldiçoará!”. É certo que foi algo incomum, mas será que alguém discorda de que Calvino fora chamado por Deus para ministrar em Genebra? Pergunta Lutzer.3

Outro exemplo que temos é o chamado de Jeremias, que foi chamado por Deus ainda criança.

“A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança” (Jr 1.4-6).

O apóstolo Paulo teve um chamado direto apesar de ser perseguidor da Igreja.

“Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém. Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (At 9.1-6).

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2).      

“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento” (At 26.19,20).

No entanto, vemos algo comum em todos eles, foi o Senhor quem os comissionou. Com isso podemos aprender algumas lições:

O Senhor é quem dá pastores à Sua Igreja. Ao olharmos para a vida dos comissionados pelo Senhor através da lente das Escrituras Sagradas, nós encontramos pessoas que questionaram o seu chamado, pois não se viam capazes para realizar tão grande obra. Eram pessoas que, humanamente falando, não tinham condições de exercer o chamado divino. Mas com isso aprendemos que quem comissiona também capacita. Vejamos alguns exemplos bíblicos. Moisés era pesado de língua - gago (Êx 4.10); Jeremias não passava de uma criança (Jr 1.6); Paulo se considerava o menor dos apóstolos e o maior dos pecadores, no entanto o Senhor o colocou no lugar de maior honra na história da Igreja. Pedro se via como um homem pecador (Lc 5.8-10). Aprendemos com esses exemplos que nenhum pastor pode fazer a obra do Senhor de forma eficaz com altivez e orgulho. A soberba precede a ruína. A vaidade é a antessala do fracasso. Toda glória que não é dada a Deus é glória vazia. Não estamos no ministério porque somos alguém, estamos para anunciar o único que é digno de receber toda honra, glória e louvor.4  Estamos no ministério mediante a graça de Deus e não por capacidade humana.

Deus dá Pastores à Sua Igreja. Em Efésios 4.11, nós encontramos a relação de cinco ministérios específicos, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. A maioria dos teólogos entende que pastores e mestres constituem um só ofício com dupla função. O pastor ensina e exorta. A sua função é alimentar, cuidar, proteger, vigiar e consolar as ovelhas (At 20.28-30).  Embora todo pastor deva ser mestre, nem todo mestre é pastor.  Atualmente nós temos visto uma distorção em relação ao que realmente seja ser pastor e pastorear.

Para muitos o pastorado é simplesmente um status. Um título que foi alcançado através do estudo em um seminário. Por isso que encontramos muitos pastores incrédulos; e por não ter fé, o pastor incrédulo tem que direcionar seu ministério e seu culto para áreas onde sua incredulidade passe mais despercebida. Daí, a liturgia formalista, o ritual litúrgico elaborado, as recitações, as fórmulas, os paramentos, as cores, os símbolos, tudo voltado para ocupar os sentidos de maneira que a fé não faça falta. Não estou afirmando que toda igreja com liturgia formalista seja necessariamente liderada por um pastor sem fé; apenas que é mais fácil disfarçar a incredulidade em custos assim.5

Mas se existe o infiel, existem também os fiéis. Os que levam Deus a sério e o seu chamado para o ministério. São homens que deixaram seus projetos para realizar o projeto de Deus. Que abraçaram a causa do Mestre sabendo que o que estavam fazendo era para glória, honra e louvor do Senhor dos senhores apenas. Homens que podem falar como o apóstolo Paulo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

Notas:
1 – Lutzer, Erwin. De Pastor Para Pastor. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2001: p. 14.
2 – Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 35.
3 – Lutzer, Erwin. De Pastor Para Pastor. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2001: p. 16.
4 - Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 38.
5 – Lopes, Augustus Nicodemus. O Que Estão Fazendo Com a Igreja. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 5ª Reimpressão, 2010: p. 76.

Fonte: http://ministeriobbereia.blogspot.com.br/2013/07/a-chamada-para-o-ministerio.html