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3 de janeiro de 2017

A IGREJA DENTRO DA LEI - Legitimidade das Doações do Fiéis

Por Adiel Teófilo.

Requisitos legais de validade das doações dos fiéis e os vícios que podem causar a anulação dessas doações.

É de conhecimento geral que as igrejas evangélicas costumeiramente pedem aos seus fiéis que contribuam com dízimos e ofertas, além de outras formas de doação. O principal argumento que se utilizam para justificar esses pedidos é a necessidade de manter o funcionamento das atividades regulares da igreja, custeando as despesas de manutenção, limpeza e conservação, bem como a remuneração dos seus líderes e de funcionários contratados, dentre vários outros encargos eclesiásticos.

Não obstante ser muito comum essa prática, a reflexão sobre a legitimidade dessas doações conduz inevitavelmente a alguns questionamentos, tais como:será que todas as doações efetuadas pelos fiéis são juridicamente válidas? As igrejas podem empregar quaisquer meios para pedir doações? As entidades religiosas podem se utilizar livremente dos bens e valores doados para qualquer finalidade, inclusive para fins diferentes daquele que foi apresentado quando se pediu os dízimos e as ofertas? Essas indagações serão respondidas mediante uma abordagem eminentemente jurídica, e não teológica, pois o presente estudo enfoca o cumprimento da lei por parte das igrejas evangélicas.
  
Desse modo, importante considerar que as ofertas, dízimos e demais contribuições, sejam em dinheiro, bens móveis ou imóveis, que os fiéis doam para as igrejas, caracterizam-se juridicamente como contrato de doação. Essa espécie contratual está conceituada no art.538, do Código Civil - Lei nº 10.406, de 10/01/2002, que assim preconiza: “Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.”. Ressalta-se que todos os artigos doravante mencionados são do Código Civil de 2002.

Diante disso, essa relação contratual no âmbito das igrejas precisa ser analisada sob dois ângulos diferentes: de um lado, a conduta da entidade religiosa que pede e aplica as doações, e, de outro, a condição da pessoa que faz a doação e a natureza dos seus bens e valores que serão doados. É bem verdade que sem as duas partes, doador e donatário (pessoa que recebe a doação), o processo não se completa, porém há aspectos relevantes que precisam ser considerados separadamente, visando compreender melhor a regularidade das doações destinadas às igrejas.

Iniciemos pela condição do doador. Indaga-se: toda pessoa pode doar o que bem quiser? A resposta mais comum é sim. Dizem que a pessoa pode doar tudo, desde que esteja doando aquilo que lhe pertence. No entanto, do ponto de vista legal, para que a doação tenha validade como negócio jurídico é necessário que atenda aos requisitos previstos em lei. O primeiro desses requisitos é a capacidade civil, prevista no art. 104, inciso I. Significa dizer que a pessoa do doador deve ter pelo menos 18 anos completos, quando então fica habilitada para a prática de todos os atos da vida civil, conforme art. 5º, podendo figurar normalmente como doador dos seus bens.

Surge então a seguinte pergunta: como ficam as ofertas em dinheiro entregues nas igrejas por crianças, adolescentes e jovens menores de 18 anos? A resposta requer a análise da capacidade civil do doador. Vejamos. Os menores de 16 anos são considerados absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil, de acordo com o art. 3º. Qualquer negócio jurídico por eles eventualmente celebrado é considerado nulo, de nenhuma validade, consoante art. 166, inc. I. Logo, não podem agir sozinhos como doadores. Precisam da figura do representante para atuar em nome deles.


Quanto aos maiores de 16 e menores de 18 anos, ainda não emancipados, são considerados relativamente incapazes no tocante a certos atos da vida civil ou à maneira de exercer esses atos, segundo regra do art. 4º, inc. I. O negócio por eles praticado é anulável, pode ser anulado, conforme art. 171, inc. I. Isto é, o negócio permanece válido a partir de sua celebração, contudo pode ser anulado em razão da falta da capacidade civil plena. Por isso, não podem igualmente atuar sozinhos como doadores. Devem ser assistidos por alguém que seja civilmente capaz.

A fim de proteger o interesse dos menores, o art. 1.630 estabelece que os filhos estão sujeitos ao poder familiar exercido pelos pais enquanto menores de 18 anos de idade. Por essa razão, o art. 1.534, inc. VII, confere aos pais plenos poderes, tanto para representar os filhos menores 16 anos, quanto para assistir os maiores de 16 e menores de 18 anos. Isso, em todos os atos da vida civil que se fizerem necessários, a fim de suprir o consentimento que esses menores não podem validamente expressar na celebração de qualquer contrato.

Aplicando esses conceitos ao cotidiano das igrejas, podemos constatar o seguinte. Os pais ou responsáveis, via de regra, presenciam as liturgias nas igrejas e têm não apenas o conhecimento, mas também manifestam o consentimento, ainda que de forma tácita, quanto às doações efetuadas por seus filhos menores. Não raras vezes, os próprios pais lhes fornecem esses recursos financeiros, ensinando-os na prática da liberalidade, generosidade e amor ao próximo. Assim sendo, inevitável é concluir que as pequenas ofertas e contribuições em dinheiro, apresentadas nas igrejas por crianças e adolescentes, são doações juridicamente válidas. O cuidado que se deve ter é quando a doação é notoriamente de grande valor e o menor não se faz acompanhar do seu representante ou assistente legal.

Ainda sob o ângulo do doador está a apreciação referente à natureza dos bens e valores que são doados. E aqui entra o segundo requisito para que o negócio jurídico seja realmente válido: o objeto da doação deve ser lícito, possível, determinado ou determinável, conforme art. 104, inc. II. O ato negocial que não cumprir esse requisito será consequentemente nulo, sem validade jurídica, consoante art. 166, inc. II. Assim sendo, objeto lícito é aquele que está de acordo com a lei, a moral e os bons costumes. Decorre disso que o bem ou valor a ser doado não pode ser de origem ilícita, a exemplo de dinheiro proveniente de furto, roubo ou tráfico de drogas. Obviamente que não se questiona a origem das pequenas importâncias em dinheiro ofertadas nas igrejas, entretanto não se pode aceitar ofertas vultosas sem questionar sua procedência, sob pena de estar concorrer para a prática de crime.

No que concerne ao objeto ser possível, trata-se daquele que é realizável, praticável, pois não se pode doar aquilo que é impossível de se transferir para o patrimônio de outra pessoa. Exemplo disso é doar um terreno no céu. Objeto determinado é aquele que pode ser estipulado, especificado, pelo gênero, quantidade e qualidade, como a doação de certo veículo. Determinável é o objeto incerto, descrito apenas por elementos mínimos quanto ao gênero e quantidade, para individualização no futuro, como doar parte de uma safra de cereais sem saber da qualidade do grão.

Além desses requisitos referentes ao objeto da doação, existem normas que limitam o volume total de bens ou valores a serem doados. É o caso do art. 548, que considera nula a doação de todos os bens do doador, sem que reserve para si uma parte de bens ou renda que sejam suficientes para a sua própria subsistência. Por isso não terá validade a doação integral de salário ou aposentadoria se o doador depender disso para sobreviver, podendo ser exigida a restituição dos valores. 

Outra limitação é a do art. 2.007, que estabelece a possibilidade de reduzir as doações quando constatar que o doador se excedeu quanto aos bens que realmente poderia dispor. Esse preceito tem por finalidade proteger inclusive o direito dos herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge), pois a eles pertence de pleno direito a metade dos bens da herança, conforme preceituam os art. 1.845 e 1.846. Nota-se, em face dessas normas legais, que o doador não pode simplesmente doar tudo o que possui, atitude que não deve ser aceita nem incentivada pelas igrejas por ser contrária à lei.

O terceiro requisito para a doação ter validade como negócio jurídico é que obedeça a forma que a lei prescreve ou a forma que a lei não proíbe para a sua realização, segundo o art. 104, inc. III. O art. 541 determina que a doação será feita por meio de escritura pública, como é o caso dos imóveis, ou instrumento particular, no caso de bens móveis. O Parágrafo único do art. 541 assegura que a doação verbal será válida, quando se tratar de bens móveis de pequeno valor e o doador entregar de imediato o bem doado para o donatário. Por essa razão são perfeitamente válidas as doações de objetos, utensílios e outros bens móveis de pequeno valor que os fieis fazem em favor das igrejas sem qualquer documento escrito.   

Vamos analisar agora a conduta da entidade religiosa que pede e aplica as doações. As igrejas possuem ampla liberdade para estabelecer a sua forma de organização, sua estruturação interna e o seu modo de funcionamento, conforme art. 44, § 1o. Com suporte nesse dispositivo, as igrejas são livres também para definir a maneira mais conveniente e oportuna de pedir as doações, seja em dinheiro, bens ou valores. Todavia, por se estabelecer na doação um contrato, os participantes dessa relação contratual (o fiel como doador e a igreja como donatária) estão obrigados a guardar, tanto no momento da celebração do contrato quanto na sua execução, os princípios de probidade e boa-fé, por força do art. 422.  Lembrando que probidade é honestidade, retidão ou integridade de caráter, e, boa-fé é sinceridade, lisura e confiança recíproca entre as partes.

Percebe-se em vista desses princípios que não basta a simples manifestação de vontade do doador, no sentido de doar um bem ou valor para a igreja, para que a doação se torne definitivamente válida. É necessário que não ocorram vícios que afetam a livre declaração de vontade nem a boa-fé do doador.Porquanto, esses vícios constituem defeitos do negócio jurídico e podem acarretar a anulação e o consequente desfazimento da doação, além de gerar para a igreja a obrigação de reparar eventuais perdas e danos.

Dentre os vícios que maculam a livre manifestação de vontade, o que mais ocorre em determinadas igrejas é a coação. De acordo com o art. 151, acoação capaz de viciar a declaração de vontade é a que chega ao ponto de incutir o fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. Não é difícil entender essa regra jurídica quando confrontada com os rituais de certas organizações religiosas, que frequentemente se utilizam de meios de coação para angariar mais contribuições. 

Lamentavelmente, existem nos vários tribunais em nosso país diversas ações judiciais condenando essas igrejas ao pagamento de indenizações ou obrigando-as a restituir os bens e valores doados. Isso, por terem coagido seguidores a doarem seus bens em troca de bênçãos ou de proteção espiritual. Nesses locais as pessoas podem ser coagidas a doar dinheiro e bens mediante violência psicológica tão ampla e profunda, inclusive sob a pena de padecer doenças, sofrimentos e perdas materiais, que anula completamente a sensatez e o bom-senso na manifestação de vontade do doador. Resta apenas pleitear judicialmente a anulação da doação efetuada nessas circunstâncias.

Outro problema grave é a destinação dos bens que foram doados, pois nem sempre as igrejas utilizam o dinheiro exatamente nos fins para os quais pediram as doações. Os fiéis em alguns casos são enganados e iludidos pelas falsas necessidades de manutenção da igreja, quando na verdade seus líderes desviam recursos, formam patrimônio pessoal invejável, constroem obras faraônicas incompatíveis com os fins da igreja, compram emissoras de televisão, realimentando desse modo a máquina de pedir doações por meio do marketing televiso. Uma investigação apurada pode comprovar até mesmo a prática de crimes, como já ocorreu antes em nosso país. 

Diante de todo o exposto, cabe aos doadores o bom senso e o discernimento necessários para avaliar a imparcialidade dos métodos utilizados na coleta de ofertas e contribuições, bem como analisar se a igreja aplica adequadamente os recursos financeiros que são doados. Quanto às igrejas, cabe adotar alguns cuidados ao pedir as doações, além de observar os requisitos legais exigidos no contrato de doação, conforme explanados acima, visando não incorrer em práticas que podem ocasionar a invalidade das doações e consequentemente a sua anulação. Todas essas observações são importantes, para evitar os pavorosos escândalos que ecoam quando as igrejas são chamadas a responder por demandas judiciais que pleiteiam a devolução de bens ou valores que foram doados por fiéis. Enfim, a igreja precisa atuar dentro da lei.

22 de janeiro de 2014

Existe mesmo o demônio devorador?





Por Leonardo Dâmaso


O devorador, segundo os pastores neopentecostais e pentecostais afirmam, e também muitos cristãos influenciados e ensinados por estes pastores, é um tipo de "demônio" que devora as finanças e causa os mais variados tipos de prejuízos em diversas áreas da vida do cristão que não dizima ou é infiel nos dízimos e ofertas. Este tipo de demônio, dizem eles, nem a oração têm o poder de repreendê-lo, porém, somente o dízimo pode neutralizar o seu poder contra os cristãos. Os que creem no “demônio devorador” utilizam como base para a existência destes um texto muito conhecido de todos, a saber, Malaquias 3.10-12 em paralelo com Joel 2.25-27. Senão vejamos: 

Malaquias 3.10-12 – "Trazei todos os dízimos ao tesouro do templo, para que haja mantimento “na minha casa” [“no templo” ênfase minha], e provai-me nisto, diz o Senhor dos exércitos, e vede se não vos abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós tantas bênçãos, que não conseguireis guardá-las. Por vossa causa também repreenderei “a praga devoradora” [ou o devorador ARA], e ela [ou o devorador ARA] não destruirá os frutos da vossa terra, nem as vossas videiras no campo perderão o seu fruto, diz o Senhor dos exércitos. E todas as nações vos chamarão bem aventuradas; pois a vossa terra será aprazível, diz o Senhor dos exércitos." (Almeida Século 21) 

Joel 2.25-27 – "Assim vos restituirei os anos consumidos pelo “gafanhoto” migrador, pelo assolador, pelo destruidor e pelo cortador, meu grande exército que enviei contra vós. Comereis à vontade e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que agiu em favor de vós de maneira maravilhosa; e o meu povo nunca será envergonhado. Vós sabereis que eu estou no meio de Israel e que eu sou o Senhor vosso Deus, e não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado." (Almeida Século 21) 

Antes, porém, de analisarmos exegeticamente estes dois textos em pauta e chegarmos celeremente à conclusão, é essencial e de suma importância para obtermos uma logre compreensão do tema entendermos, ainda que em um breve resumo, o contexto do livro de Malaquias e Joel. 

O profeta Malaquias surgiu no cenário de Israel num tempo em que imperava a tepidez espiritual. Israel estava desmotivado e em profundo desânimo. E por que? Acerca disso, Augustus Nicodemus Lopes, escreve:

"Fazia cerca de 100 anos que os judeus tinham regressado do cativeiro. Deus havia mandado o povo de Israel para o exílio, por volta de 600 ou 500 a.C, em razão reiterada idolatria e falta de arrependimento. (...) Parte do povo foi para o Egito, outra se dispersou e muitos outros morreram. Durante 70 anos, o povo permaneceu cativo na Babilônia.
Tempos depois Deus trouxe de volta [o povo] à terra prometida. Esse período está registrado nos livros de Esdras e Neemias, dois homens levantados por Deus para liderar o retorno da nação à terra prometida. Porém, nem todos regressaram; parte do povo ficou na Babilônia; outra permaneceu no Egito. Mas um grande contingente voltou para a terra de Israel...
Quando regressaram, os judeus pensavam ter chegado o tempo do cumprimento das grandes promessas que os profetas de Israel haviam feito. Isaías, Ezequiel e Jeremias profetizaram um tempo maravilhoso para o povo de Deus após a restauração, e o povo acreditava que aquele seria o tempo em que essas promessas se cumpririam.
Só que cem anos se passaram desde a volta do cativeiro, e as coisas não estavam acontecendo conforme a expectativa. Promessas tinha sido feitas, mas a realidade não estava de acordo com elas. (...) Por meio dos profetas o Senhor prometera uma grande restauração de seu povo na terra, mas somente parte dele retornou da Babilônia. Os profetas haviam mencionado um período de paz, mas eles ainda estavam cercados por inimigos".[1]

Sendo assim, a dedicação e o amor para com Deus havia se esvaído do coração do povo (1.1-5). Os sacerdotes estavam corrompidos (1.6 – 2.9). O povo havia se casado com mulheres estrangeiras que cultuavam deuses pagãos (2.10-15; Ed 9 – 10; Ne 13.23-27). Estavam cometendo injustiças sociais (3.5; Ne 5.1-13). E, finalmente, vemos a infidelidade do povo para com Deus retendo os dízimos e as ofertas (3.6-12; Ne 13.10-14). Augustus Nicodemus Lopes ainda diz que os cultos a Deus viraram mero formalismo, rituais mecânicos e sem vida. O coração do povo não estava mais neles. Cada um dava prioridade a seus assuntos pessoais, em vez de se dedicar a terminar a reconstrução do templo e prestar culto a Deus.[2] 

Não obstante, Joel, por sua vez, um dos mais antigos profetas do Antigo Testamento, aparece em meio a um período de seca prolongada em Judá durante o reinado do rei Joás, provavelmente por volta do ano 835-796 a.C,. Todavia, uma grande invasão de gafanhotos destruiu quase toda a plantação que havia na Terra Prometida, afetando toda a terra, resultando, assim, numa grave crise econômica (1.7-20), o que afetou o Reino do Sul deixando-o muito enfraquecido economicamente. Entretanto, esse desastre natural enviado por Deus e executado pelos gafanhotos, serviu para Joel de ilustração a despeito do cerne de sua mensagem, ou seja, o castigo de Deus em virtude dos pecados dos sacerdotes e do povo (2.1-17). Contudo, é bem possível que, assim como o povo de Israel na época de Malaquias, a causa do castigo de Deus ao povo de Judá foi também devido à tepidez espiritual. O profeta Joel convoca este povo que havia deixado de amar a Deus acima de tudo para um sincero arrependimento descrito em (2.13). 

Portanto, entendido um pouco do contexto da mensagem de Malaquias e Joel, resta-nos saber, então, o que é o devorador, se é uma espécie de “demônio” que atua causando prejuízos na vida daquele que não dizima e se existe mesmo este “demônio”. O “devorador” (ARA, ARC), ou a “praga devoradora” (Almeida Século 21), ou ainda as “pragas” (NVI), é simplesmente a descrição de um inseto chamado gafanhoto! Existem alguns tipos de gafanhotos nos quais o profeta Joel descreve. Senão vejamos:

1) O Cortador (gazam) é um tipo de gafanhoto que se instala ou habita na plantação. Ele destrói uma parte dos frutos apenas. Sendo assim, o agricultor na época da colheita sofre certo prejuízo financeiro perdendo uma parte dela que fica imprópria para o consumo alimentar. 

2) O Migrador (arbeh), diferente do cortador que habita nas plantações, é um tipo de gafanhoto que voa em bando por diferentes lugares e que aparece de repente na plantação destruindo mais a colheita aumentando mais o prejuízo do agricultor. 

3) O Devorador ou Infestante (jelek), por sua vez, é o tipo mais devastador de gafanhoto que, assim como o migrador, voa também em bando que chega a cobrir o céu dando o aspecto de tempo fechado. Esta nuvem, contudo, é composta de muitos gafanhotos que, quando pousa sobre uma plantação, infesta e a destrói quase que por completo em cerca de meia hora, apenas, levando o agricultor a ter mais prejuízos, pois não se dá para aproveitar muita da colheita. 

4) O Destruidor (chasel), por fim, é o tipo de gafanhoto que possui o maior poder de destruição. Quando uma plantação sofre o ataque destes insetos, ela é completamente destruída levando o agricultor praticamente ou quase à falência.

O ataque de gafanhotos literais que Judá sofreu na época do profeta Joel foi o castigo de Deus! Conforme vimos anteriormente, esta nação havia pecado gravemente contra o Senhor, e o castigo que resultou numa assoladora crise econômica de toda a nação era o meio de Deus levar o povo ao arrependimento de seus pecados e a se voltar para ele. Este mesmo entendimento se aplica também no caso de Malaquias, onde o povo de Israel que sobrevivia da agricultura, pois era a profissão de praticamente todos eles, também sofreu financeiramente com a praga de gafanhotos devoradores. Portanto, a ideia de que existe um demônio chamado devorador é uma falácia criada no laboratório das heresias! Infelizmente, um pregador do quilate de Hernandes Dias Lopes disse no seu comentário bíblico expositivo de Malaquias, numa aplicação equivocada, que o devorador não é um demônio conforme alegam os neopentencostais e pentecostais, mas afirmou, cometendo, assim, um erro de aplicação que o devorador pode ser tudo aquilo que subtrai os nossos bens, que conspira contra o nosso orçamento e que mina as nossas finanças.[3]

Embora não vemos nenhuma menção que o devorador seja um demônio nos evangelhos por Jesus e nas cartas por Paulo, Pedro, João, Tiago, Judas e Hebreus, todavia, o pastor ou pregador equivocado que ensina sobre o devorador, além de ser ganancioso e um tipo de estelionatário religioso, também engana o povo de Deus ensinando eles a contribuírem financeiramente na igreja por medo do devorador e por ganância (o que é pecado) de receber de Deus bênçãos financeiras duplicadas ou outras bênçãos quaisquer (1Tm 6.6-11; Mt 6.19-21). O devorador não é um demônio que causa prejuízos financeiros na vida daquele que é infiel nos dízimos e nas ofertas, mas, simplesmente, um inseto [gafanhotos] de acordo com as Escrituras que Deus utilizou para executar o seu juízo disciplinador sobre o seu povo que estava vivendo em pecado. Deus, indubitavelmente, utiliza meios para nos disciplinar e nos levar ao arrependimento ainda hoje quando não estamos vivendo a vida que ele requer de nós, quer seja uma doença, uma crise financeira ou no casamento, a morte de um ente querido dentre outras coisas. A disciplina é simplesmente o cuidado e o amor de Deus para com os seus filhos (veja Hb 12.4-14). Portanto, não existe o devorador, mas, sim, o falso pastor enganador que é o próprio devorador financeiro dos incautos!

Mateus 7.15 - "Cuidado com os falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em pele de ovelha, mas interiormente são lobos DEVORADORES!" (Almeida Século 21) 

_____________________
Notas:

[1] Augustus Nicodemus Lopes. O Culto Espiritual, pág 11-12.
[2] Ibid, pág 13-14.
[3] Hernandes Dias Lopes. Malaquias, pág 103.

Divulgação: Bereianos
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5 de outubro de 2013

Posso processar a igreja para receber de volta o que dei de dízimo e oferta?




As denominações neopentecostais com ênfase na teologia da prosperidade (e tantas outras que disfarçam não agir assim) vem, ano após ano, causando polêmicas e indignação em fiéis que, depois de muito contribuir, se frustram com a falta de concretização das promessas de enriquecimento feitas dos púlpitos.

O doutor Ademar Volanski afirmou durante o programa Advogado ao Vivo, publicado em seu canal no YouTube, que é possível cobrar na Justiça os valores ofertados ou entregues em forma de dízimos em casos de conquistas não alcançadas.

A afirmação foi feita em resposta a uma pergunta enviada por uma fiel da Igreja Universal do Reino de Deus, que alegou ter dado à denominação cerca de R$ 190 mil ao longo do tempo em que frequentou a igreja liderada por Edir Macedo.

Segundo Volanski, já existem precedentes na justiça brasileira, que decidiu a favor de fiéis que buscaram reaver os valores ofertados por não terem ficado ricos como a mensagem de prosperidade sugeria.

O advogado, no entanto, frisou que há uma séria dificuldade em provar que os valores reclamados foram realmente entregues às denominações, mas que é possível conseguir o reembolso.


Site: advogadoaovivo.adv.br 

1 de outubro de 2013

A farsa do dízimo.


Acreditamos que todo crente é responsável pela manutenção da Obra, sustentando as congregações, os seus pastores e mestres, os missionários no campo e a promoção da justiça. 

Acreditamos que a pratica do dízimo, tal como apresentada no contexto da antiga aliança não encontra qualquer respaldo bíblico na nova aliança e a defesa desta doutrina, tanto mais baseada no medo do gafanhoto devorador, é mentirosa e vergonhosa, pois propõe  ao crente uma relação mesquinha  entre o seu  dinheiro e o compromisso com a Obra.

Na nova aliança, sob a Graça, não somos convidados a ser menos generosos do que os irmãos na antiga aliança, mas ao contrário! Nosso comprometimento é total. Consagramos tudo o que temos e somos à Glória de Deus e não estamos mais sujeitos ao peso da lei e nem ao medo. 

Rejeitem os aproveitadores explorando o evangelho. Denunciem os que se locupletam com o dinheiro dos fiéis desfrutando de mansões, carros de luxo e mordomias. Recusem as suas ameaças. Deus não precisa do seu dinheiro. Contudo, tenham em mente que a mensagem do evangelho chegou até as nossas vidas e a nossa missão, dada por Jesus, é percorrer todos os cantos da terra levando as boas-novas, guardando e defendendo a fé. Somos o luzeiro do mundo e temos a missão de sinalizar o Reino de Deus e a sua justiça aqui e agora. Isto exige recursos, mas o que orienta a nossa vida quanto a este aspecto é:

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. 2 Coríntios 9:7





O texto a seguir,  publicado no perfil do Facebook do Nilton Oliveira oferece uma refutação muito boa aos defensores da contemporaneidade do dízimo.  




Nilton A Oliveira 


Entendendo o Dízimo... 

Antes da lei - Abraão

Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo.... E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo. Gênesis 14:18-20

Abraão deu o dízimo a Melquisedeque que era sacerdote de Deus em Jerusalém.

Na Bíblia, dízimo sempre deve ser entregue ao sacerdote e em Jerusalém (desde Abrão) ....

Se Abraão serve de exemplo para o cristão dar 10% a Deus, que exemplo estaria dando entregando os 90% restantes ao Rei de Sodoma, que era tão maligno que Deus destruiu a sua cidade ainda nos tempos do patriarca?

O que ocorre é que Abrão dizimou do despojo de guerra, não tendo nenhuma relação com o dízimo instituído por Moisés. "Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos." (Hebreus 7.4).

Era um costume da maioria dos povos, dizimar dos despojos de guerra aos seus deuses pagãos. Heródoto 1.89 - "...exijam de tuas tropas os despojos, sob o pretexto de que é preciso consagrar a décima parte a Júpiter."

Abraão tomou esse costume pagão para honrar o Deus verdadeiro e para que os futuros levitas que não poderiam dizimar, mas o fizessem através de Abrão, conforme Hebreus 7:9-10.

A bíblia nos mostra que Abraão deu o dízimo dos despojos de guerra e não ficou com nada para si, ou seja, dizimou daquilo que não era dele (era do rei de Sodoma). Não existe qualquer outro relato de Abraão dizimando.

Interessante é que o dízimo foi introduzido na bíblia por Abrão antes da Lei, e para alguns, isso dá respaldo à cobrança dos dízimos hoje. Mas, ignoram que, também por ele (Abraão), e antes da Lei, foi introduzida a CIRCUNCISÃO. Por que não vemos ninguém ensinado a circuncisão na igreja. A lógica é a mesma (mas o retorno não).



Antes da lei - Isaque e Jacó


A Bíblia nos mostra que Abraão deu o dízimo apenas uma vez ao sacerdote Melquisedeque.

Sobre o próximo patriarca Isaque, não existe qualquer relato sobre dízimo.

Com relação a Jacó existe apenas uma promessa, um voto, mas não há nenhum relato dele dizimando, bem porque não havia a quem entregar o dízimo, Não se tem mais notícias de Melquisedeque ou de qualquer outro sacerdote para receber seu dízimo. Apenas com a lei de Moisés, séculos depois, é estabelecido o sacerdócio de Arão e seus filhos.

Então Jacó fez um voto, dizendo: "Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa, e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus. E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo". Gênesis 28:20-22.

A lição de Jacó é que os dízimos devem ser entregues como gratidão pelas bênçãos recebidas e não como condição para se receber bênçãos...

Entendendo o Dízimo... 

Na Lei

“Trazei todos os DÍZIMOS à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...” Malaquias 3:10a.

Creio que esse é o texto mais conhecido como ordenança, como mandamento à prática do dízimo. Quando lemos esse texto já nos vem à mente a obrigação de dar 10% do nosso salário, ganho, lucro ou rendimento ao pastor. Mas será que era isso que Malaquias estava dizendo ou, era isso que o profeta chamava de dízimo?

A regulamentação do dízimo começa com Moisés, no Pentateuco, vejamos:

"Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas das árvores, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor.... O dízimo dos seus rebanhos, um de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será consagrado ao Senhor. Levítico 27:30-32. (NVI)

Nesse texto, entre outros, fica claro do que se daria o dízimo: Da produção da terra e da criação de animais, ou seja: alimento.

Não existe qualquer texto que mencione o dízimo de dinheiro, isso não existe. Quem pede dízimo de dinheiro, está se referindo a um mandamento próprio, não de Deus.

O dízimo na Lei era limitado aos alimentos produzidos pelos agricultores e pecuaristas. É simples assim.

Os demais trabalhadores, como artesãos, ourives, músicos, padeiros, copeiros, comerciantes, etc.., não dizimavam, posto que não existe dízimo de dinheiro e mesmo que recebessem seu salário em produtos da terra esses já haviam sido dizimados pelos produtores e a bíblia nada fala sobre dizimar de algo já dizimado. Deus repudia a usura. É a décima parte da produção de alimento e ponto.

Nesse texto ainda se desmistifica outra falácia, a que dízimo tem que ser o primeiro, a primícia. Veja que o dízimo é de um animal em cada dez que passar debaixo da vara. Assim se o pecuarista produzir 30 animais, supondo que o primeiro seja consagrado como dízimo será o 1º, o 11º e o 21º animal que serão dizimados e não o 1º, o 2º e o 3º. Interessante que se produzir apenas 9, nem dízimo tem...

“Trazei todos os dízimos à CASA DO TESOURO, para que haja mantimento na minha casa...” Malaquias 3:10a.

O que é  “CASA DO TESOURO” que muitos ensinam que é a igreja onde se congrega?

Então ordenou Ezequias que se preparassem câmaras na casa do SENHOR, e as prepararam. Ali recolheram fielmente as ofertas, e os dízimos, e as coisas consagradas. 2 Crônicas 31:11-12.

Ainda no mesmo dia, se nomearam homens para as câmaras dos tesouros, das ofertas, das primícias e dos dízimos, para ajuntarem nelas, das cidades, as porções designadas pela Lei... Neemias 12:44.

Como se verifica, Casa do Tesouro, eram câmaras, depósitos, onde eram armazenados os dízimos e ofertas trazidos pelo povo.

Essas câmaras eram vigiadas pelo levitas e administradas pelos sacerdotes, o povo não tinha acesso a elas. (Leia todo capítulo 12 de Neemias)

Onde na bíblia se diz que a Igreja é a Casa do Tesouro?

Onde na bíblia se diz que os pastores são os sacerdotes levitas?

Onde na bíblia se diz que o dízimo de alimentos virou de dinheiro?

Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei. Hebreus 7:12

Mudamos do sacerdócio levítico para o de Jesus, necessariamente mudamos da lei de Moisés para o Evangelho.

No evangelho não há distinção entre judeu e gentio...

No evangelho, cada cristão verdadeiro é sacerdote real (não apenas o pastor).

No evangelho, cada cristão verdadeiro é a casa de Deus (não o prédio da igreja). Guardem bem isso...

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja MANTIMENTO na minha casa...” Malaquias 3:10a.

Alguns dizem que mantimento, aqui, tem o sentido de manter, de manutenção, mas isso só tem sentido se dízimo for de dinheiro e casa do tesouro for um prédio a ser mantido, como já vimos, não é o caso.

O que o profeta chama de mantimento é mantimento mesmo, ou seja, alimento, comida...

Qual a finalidade de se ter comida, alimento estocado na Casa do Senhor?

“Para que os levitas, ... e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas (pobres) ... venham comer e saciar-se... Dt. 14:29.

É simples assim....

Na Lei - Regulamentação

O texto de regulamentação do dízimo mais abrangente é o de Deuteronômio, visto que é uma repetição sistematizada da Lei, vamos ver alguns versos do capítulo 14.

22 Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente.
- Quem disse que dízimo tem que ser mensal, quinzenal, semanal?

23 COMAM o DÍZIMO... na presença do Senhor... para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus.
- Isso mesmo, o dízimo não era simplesmente entregue, quem dizimava também participava dele...

24 Mas, se o local (templo/tabernáculo) for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo Senhor, o seu Deus, e não puderem carregar o dízimo... 25 troquem o dízimo por DINHEIRO...
- Quem diz que o dízimo era dos produtos da terra por ainda não existir o dinheiro está equivocado...

26 Com o dinheiro comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, o seu Deus.
- O momento da entrega do dízimo era de muita festa, custeada pelo próprio dízimo...

27 E nunca se esqueçam dos levitas que vivem em suas cidades, pois eles não possuem propriedade nem herança próprias. 28 Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos da colheita do terceiro ano, armazenando-os em sua própria cidade, 29 para que os levitas,... os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade venham comer e saciar-se, e para que o Senhor, o seu Deus, os abençoe em todo o trabalho das suas mãos.

- A cada três anos o dízimo ficava com o próprio dizimista para ele atender às necessidades dos levitas e necessitados mais próximos.

Todos já vimos pastores usando a lei para “pedirem” dízimos, mas alguém já viu algum deles dando o destino que a lei manda dar aos dízimos?

Que igreja faz festas para seus membros com o dinheiro dos dízimos?

Que igreja ensina seus membros a reterem seu dízimo para atender ao necessitado mais próximo deles?

Que igreja ajuda ao podre, necessitado da igreja com o dinheiro dos dízimos?

Quando existe alguma ajuda é praticada por alguns voluntários. A resposta da igreja para o necessitado que a procura, normalmente é: porque ele não é dizimista, se é dizimista é porque não tem fé, se tem fé é porque tem que dar um passo que demonstre sua fé, pondo mais dinheiro no gazofilácio, ou ainda pior, o necessitado está em pecado. Mas eles o ajudam em oração... recomendam jejuns... votos... correntes... tudo subjetivo, de prático nada.

São dois pesos e duas medidas. Usam a lei para pedir, mas usam o dinheiro arrecadado como melhor lhes convém. Usam o dinheiro dos dízimos para bancar estruturas, aluguéis, coisas, os próprios salários é claro, muitas vezes bem gordos.

A Bíblia só tem utilidade para pedir, para usar o que foi arrecadado eles mesmos resolvem. Misericórdia!

Entendendo o dízimo... 
Na Lei -  Roubando a Deus

"Pode um homem ROUBAR de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos?’ Nos dízimos e nas ofertas. Malaquias 3:8

Esse texto é muito usado para dizer que quem não dá o dízimo é ladrão... Chegam até a afirmar que se perde a salvação, pois o ladrão não entrará no reino de Deus.

Mas a quem Malaquias estava chamando de ladrão? 

Leia Malaquias inteiro e você verá claramente que o profeta falava diretamente aos Sacerdotes, e indiretamente ao povo e mesmo assim quando falava do pecado do povo, referia-se à displicência dos sacerdotes em ensinar o povo e na complacência em aceitar o pecado do povo, sempre em benefício próprio.

"E agora esta advertência é para vocês, ó sacerdotes. Malaquias 2:1

- Para quem era a advertência? Aos Sacerdotes...

Mas vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente... Malaquias 2:8

 - Quem se desviou e ensinou o erro e causou a queda de muita gente? 

Os Sacerdotes...

Ele (Deus) se sentará como... purificador ...e purificará os levitas.... Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça. Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao Senhor... Malaquias 3:3-4

- Quem tem que estar puro para que as ofertas do povo sejam aceitas por Deus?

Os Levitas que incluem os sacerdotes.

Tragam o dízimo todo ao depósito do templo (casa do tesouro), para que haja alimento em minha casa. Malaquias 3:10

 - Quem tinha acesso à casa do tesouro e o dever de levar até lá todo o dízimo? 

Os sacerdotes...

Assim vemos que quem estava roubando a Deus não era o povo, mas os Sacerdotes que aceitavam qualquer coisa do povo como dízimo e ofertas, pois era para eles mesmos. Eles desviavam o que era arrecadado, em vez de levarem à casa do tesouro, e assim não havia alimento na casa de Deus, etc... 

Dízimo é obrigatório, oferta é voluntário, como roubar a Deus naquilo que dou se quiser?

Agora o sacerdote que recebia as ofertas era obrigado a dar o destino correto, não fazer isso é roubo.

Se pudéssemos trazer para os dias atuais, quem estaria roubando a Deus não seria o povo, mas sim os pastores que aceitam qualquer coisa como dízimo e oferta. Que dão a tudo que é arrecadado o destino que bem entendem e não o que a Palavra determina.

Ladrão, são os pastores que ensinam para proveito próprio e levam muitos à queda.

Ladrão, são os líderes que estão em pecado e por isso a oferta do povo não é aceita...

Ladrão são os pastores que arrecadam, mas não compartilham com o pobre e necessitado da igreja. 

Entendendo o dízimo...
No novo testamento -  Mas ainda na Lei


Disse Jesus:

"Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo.
E os ensinava, dizendo: "Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões".
Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo..." Marcos 11:15-18.

O coração do povo é generoso e por isso mesmo vira presa fácil desse líderes religiosos que transformam o que deveria ser "casa de oração" em local de comércio. Onde toda sorte de benção é obtida simplesmente fazendo-se um sacrifício de fé, que sempre se traduz em dinheiro no gazofilácio ou no bolso do líder...

Esses mercenários da fé é que são os ladrões que a bíblia se refere... 

Não você povo de Deus que dá muito mais do que deveria, e pior, a quem não devia.


Entendendo o dízimo...
Na Lei -  Fazendo prova de Deus
Com maldição sois amaldiçoados... Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois FAZEI PROVAS DE MIM nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu... Malaquias 3:9-10

Na velha aliança, a obediência à Lei gerava a bênção e a desobediência a maldição.

"E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar TODOS os seus mandamentos que eu hoje te ordeno... todas estas BÊNÇÃOS virão sobre ti e te alcançarão..." Deuteronômio 28:1-2

"Será, porém, que, se NÃO deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas MALDIÇÕES, e te alcançarão." Deuteronômio 28:15

O dízimo é parte da Lei e não escapa a essa regra, assim quem não obedece pode esperar a maldição e quem obedece pode esperar a benção. Nesse contexto, Deus está dizendo: façam a sua parte e provem-me se não farei a minha parte.

Na Nova Aliança, não existe nada que obrigue Deus a nos abençoar materialmente, para que possamos prová-lo. Na graça isso é tentar a Deus, veja que não é um bom negócio...

Aplicar esse princípio da Lei à Graça é "barganhar".

 Veja que ninguém conseguiu cumprir a Lei para estar em condições de barganhar com Deus. O único que cumpriu toda a Lei foi Jesus e não barganhou.

Na Graça já recebemos a mais excelente de todas as bênçãos, a SALVAÇÃO, de graça. Isso é motivo para nos gastarmos no evangelho, por pura gratidão. Qualquer coisa que vá além, é pura e transbordante graça e soberania de Deus, nunca por merecimento ou por troca.

"...Tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos." 1 Timóteo 6:8.


Entendendo o dízimo...
Na Lei -  Os 3 Tipos de Dízimo

TIPO 1 

- É o dízimo de Abraão, antes da Lei, dado do despojo de guerra, para um sacerdote de Jerusalém.

Base bíblica:

"Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo.... E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo." Gênesis 14:18-20
"Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos." (Hebreus 7.4)

TIPO 2

 - É o dízimo dos judeus, da Lei. Dízimo de ALIMENTOS, dados para o sustento dos levitas e sacerdotes que serviam no templo em Jerusalém, bem como dos pobres...

Base bíblica:

"Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas das árvores, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor.... O dízimo dos seus rebanhos, um de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será consagrado ao Senhor. Levítico 27:30-32.

TIPO 3

 - É o dízimo de hoje, dado nas “Igrejas” aos seus líderes em qualquer lugar do planeta. É o dízimo de DINHEIRO de qualquer renda do fiel, notadamente do salário.

Base bíblica:

 SAMBARILOVE

- Entendeu?


Entendendo o dízimo...
No novo testamento

No novo testamento só encontramos três referências diretas ao dízimo, mas nenhuma delas como regra à sua observância pela igreja. Também não existe nenhuma referência que demonstre que a igreja primitiva dizimava.

Tudo que praticamos como “dízimo” está baseado na lei.

O Novo Testamento sempre nos alerta que a lei caducou e que estamos debaixo de superior aliança em Cristo.

Ainda nos mostra que a Lei se cumpre por inteiro, não se pode extrair dela apenas as práticas convenientes e desprezar as que não interessam.

“Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente”. Tiago 2:10

“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em TODAS as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. Gálatas 3:10

“De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar (dizimar, sacrificar, guardar dias, comidas...) que está obrigado a cumprir toda a lei”. Gálatas 5:3.

Muitos avocam para si as bênçãos de Deuteronômio 28, esquecendo-se que a condição para recebê-las é guardar TODA a lei e não apenas o dízimo, e quem não guarda TODA a lei é amaldiçoado. Existe alguma pessoa capaz de cumprir TODA a lei? Não. Somente Jesus o fez e nos libertou da lei para nos estabelecer numa nova e superior aliança...

“Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de superior aliança, que está firmada em melhores promessas”. Hebreus 8:6

A escolha é sua...


Entendendo o dízimo...
No novo testamento 
- Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas

Como dissemos, existem apenas três referências diretas ao dízimo no Novo Testamento, mas nenhuma delas como instrução à sua prática pela igreja. Os textos são: Mateus 23:23 (repetido em Lucas 11:42), Lucas 18:12 e Hebreus 7:1-10.

Iniciamos com Mateus 23:23 (Lucas 11:42) “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, E DESPREZAIS O MAIS IMPORTANTE DA LEI, a justiça, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas”.

Nesse texto Jesus não está recomendando o dízimo à igreja. Os hipócritas do texto é que o estavam supervalorizando, dando o dízimo daquilo que a Lei não pedia, de coisas insignificantes, estavam indo além, Essa “fidelidade” ao dízimo era hipocrisia, pois o mais importante da Lei, e que de fato importava era a justiça, a misericórdia e a fé, e isso eles desprezavam.

Como já vimos a Lei se cumpre por inteiro e é isso que Jesus está afirmando. Cumprir ou exigir apenas o que interessa é hipocrisia.

Cumpre ainda salientar que Jesus era judeu estava falando com os principais do judaísmo e ainda estavam sob a Lei e deviam cumprir a Lei. A Igreja não existia nessa época. A Nova Aliança se inicia com a morte de Jesus e não com o seu nascimento, Jesus veio cumprir a Lei e não revogá-la, como visto na postagem anterior.

Assim vemos que esse texto não é uma orientação para a IGREJA dizimar, antes uma declaração clara do espírito da Lei que é o que de fato importa a nós, a saber: a justiça, a misericórdia e a fé.

Se formos entender tudo o que Jesus fez, como recomendação para a igreja, a igreja teria que cumprir toda a Lei, pois Jesus cumpriu toda a Lei, por exemplo: teríamos que nos circuncidar, Jesus foi circuncidado ao 8º dia como manda a Lei.

O interessante é que Jesus foi circuncidado, está registrado (lc.2:21-22), mas nunca dizimou. Se a circuncisão, que era praticada antes da lei, na lei, e por Jesus, está revogada para a igreja, por que o dízimo que percorre o mesmo caminho, mas não foi praticado por Jesus é “validado”? Alguns o validam por ignorância e a esses eu respeito. Mas outros por má fé, com o objetivo de obter vantagens indevidas dos fiéis...

Entendendo o dízimo...
No novo testamento 
- Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado


Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’"Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". Lucas 18:10-14.

Alguém consegue ver, nesse texto, alguma recomendação para a igreja dizimar?

O fariseu era um religioso judeu vivendo sob a lei e lhe era imposto o dízimo. E ele apenas cumprindo o que era sua obrigação se orgulhava disso, julgando-se melhor do que os outros.

Hoje, isso é até pior, pois muitos ensinam que “pagar” o dízimo é a única forma de chamar a atenção de Deus para a sua vida financeira, só dizimando você poderá “cobrar” de Deus a benção pretendida.

De Deus nós nunca cobramos nada, sempre agradecemos, pois tudo que tinha que fazer já fez na cruz e já é mais que motivo para passarmos a vida agradecendo. Se Ele quiser dar algo a mais é por pura, abundante, transbordante e imerecida graça.

Ao contrário, esse texto mostra que não há nada que você possa fazer para chamar a atenção de Deus.

Você só consegue chamar a atenção de Deus quando reconhece que é pecador e, arrependido, confia na graça de Jesus, manifestada na cruz.

Os sacrifícios que agradam a Deus, não são dízimos, jejuns ou qualquer outra obra humana, mas um espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito Deus não despreza, conforme diz o Salmo 51:17.

Esse texto foi escrito na vigência da Lei. Se na lei já era assim, quanto mais agora...




Entendendo o dízimo...
No novo testamento 
- A lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo...

O último texto que fala sobre dízimo no Novo Testamento é Hebreus 7:1-10

Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão... e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa "rei de justiça"; depois, "rei de Salém" quer dizer "rei de paz".... feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre. Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos! A lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo... Este homem, porém, que não pertencia à linhagem de Levi, recebeu os dízimos de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas. Sem dúvida alguma, o inferior é abençoado pelo superior. Pode-se até dizer que Levi, que recebe os dízimos, entregou-os por meio de Abraão, pois, quando Melquisedeque se encontrou com Abraão, Levi ainda estava no corpo do seu antepassado. Hebreus 7:1-10.

Alguém consegue ver alguma ordenança para a igreja dizimar, com base nesse texto?

A única lição que tiramos de dízimo aqui é que dízimo só é dizimo quando entregue ao sacerdote e em Jerusalém. Hoje, como não existe mais sacerdote, nem o templo, nem os judeus podem dizimar. Eles ofertam nas sinagogas para o sustento do judeus necessitados, por isso não encontramos judeus pobres. Pena que a igreja não faça o mesmo.

Aqui Paulo (entendo ser ele o autor de Hebreus) não está ensinando sobre dízimo, mas sim, sobre sacerdócio.

Hebreus é o nome antigo dos Israelitas/Judeus, Paulo aqui se dirige aos Hebreus convertidos.

Para nós, gentios, é fácil reconhecer Jesus como sumo sacerdote, mas para os judeus não era, o sacerdote tinha que ser levita e descendente de Arão e Jesus não era nem um nem outro, como poderia então ser sumo sacerdote?

Paulo, nesse capítulo de Hebreus mostra como: Voltando antes da Lei, onde já existia um sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque, que era maior que o próprio Abraão, e que o sacerdócio de Jesus é segundo a ordem desse Melquisedeque, que é livre e superior à Lei.

Na conclusão desse capítulo o autor diz:

...mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. E ele fez isso de uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu. Pois a Lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas; mas o juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho, perfeito para sempre. Hebreus 7:24-28
A exemplo de Melquisedeque, Jesus é sumo sacerdote e é rei, por isso, hoje, somos constituídos sacerdotes reais:

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 1Pedro 2:9

Aleluia!

Entendendo o dízimo...
No novo testamento 
- Deus ama quem dá com alegria

Com tudo que foi dito, não quero passar a ideia que é errado contribuir, de forma alguma, mas que a contribuição seja como deve ser e a “regra” para a contribuição na igreja é esta:

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. 2 Coríntios 9:7









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