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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
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7 de maio de 2013

o evangelho pró-jesus, mas anti-ruz.



“Daí em diante, Jesus começou a dizer claramente aos discípulos: — Eu preciso ir para Jerusalém, e ali os líderes judeus, os chefes dos sacerdotes e os mestres da Lei farão com que eu sofra muito. Eu serei morto e, no terceiro dia, serei ressuscitado. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” (Mt 16:21-23)
CROSS

Eis uma lição essencial para quem denomina-se cristão. O texto nos mostra que Pedro, assim como todos os discípulos, se chocaram com o anúncio da crueldade da cruz feita pelo seu mestre. Realmente eles gostavam de estar na presença de Jesus, ainda mais depois de tudo que haviam visto ele fazer, mas será que entendiam que Jesus era o Cristo? Dentre os judeus, sempre houve uma espera por aquele chamado “Messias”, que era o ungido de Deus para redimir a humanidade e depois de ter feito uma série de curas, ficou evidente que Jesus era esse Messias que eles tanto esperavam. Mas porque o espanto de Pedro quando o próprio Jesus revelou o que estava para enfrentar?



Após Jesus expor a que veio, Pedro imediatamente começou a sentir prejuízo pela morte do seu mestre, chamou de canto e começou a repreender Jesus tentando convencer a ele que se poupasse desse sofrimento. Pedro duvidou da necessidade da cruz. Qualquer um de nós teríamos ficado comovido com a sensibilidade e cuidado de Pedro em relação a seu mestre. Mas Jesus, com severidade exorta Pedro dizendo: “Para trás de mim, Satanás!” (como já havia feito em Mateus 4:10). Isso comprova que nem toda compaixão é proveniente de Deus. O diabo quer nos poupar a vida oferecendo confortos e evitando que encaremos a cruz. Alem disso, talvez no coração de Pedro já houvesse um sentimento de que aceitar a cruz de Cristo era também aceitar a sua própria cruz, isso é, a morte de Cristo era a sua morte.

No nosso contexto cristão, ter o nome atrelado a Jesus é algo bom, pois afinal de contas todos nós queremos ter os valores cristãos, a ética cristã, a moralidade cristã, amigos cristãos, mas quando Jesus nos convida para assumir a cruz com ele, isto é negar-se a si mesmo, se fazer o menor, ser difamado, esta sujeito a violências, ser cuspido, nem todos estão dispostos a morrer pela verdade do evangelho. No ocidente principalmente gostamos da figura de Jesus, porque no fundo, gostamos do poder dele. O acesso a Cristo é o acesso ao poder. Por exemplo, se tirarmos toda a divindade de Cristo, ninguém iria querer andar com Ele.

Um exemplo prático: Se alguém tem uma doença terminal da qual foi diagnosticada como irreversível, Cristo dá acesso, pelo seu poder, a cura. Mas para muitos de nós cristãos, se ele não tiver esse atributo, não teria porque desejá-lo. O que há de estranho na mensagem da igreja de hoje? Nós estamos presos a uma realidade de ênfase no tamanho, onde aceitamos ser os maiores, os mais importantes, o mais expressivos em tudo, enquanto Cristo esta nos chamando para a Cruz. Alguns professam que vivem a cruz, mas quando se deparam com a realidade dela, percebem-se fracos e desistem no caminho.

Qual é a proposta de Cristo para seus discípulos?

Se alguém quer vir após mim
Ninguém crê simplesmente porque quer crer ou porque é obrigado a crer, mas se há crença nele, é porque o Espírito Santo quem revelou. Tendo feito essa revelação, voluntariamente iremos.

A si mesmo se negue
Ter em mente o constante desafio da autonegação, do ponto de vista da vontade, sem sentir prejuízos, mas entendendo estar na mão do mestre.

Dia a dia tome a sua cruz
A experiência cristã é testificada com a real morte do pecador juntamente com Cristo, andando sempre por onde Jesus andou.

E siga-me
Jesus não é um local, é uma caminhada. A jornada ao lado de Cristo não é um desfile, mas uma caminhada rumo a vida. Seguir não exige GPS, mas exige confiança. Quem dirige este trem é o maquinista da alma, Jesus.

Você já pensou porque é que você é cristão?

Nossas igrejas estão em crises de identidade. Querem o reconhecimento do seu nome do hall dos “Apaixonados por Jesus”, mas nunca desejam atrelar seu nome topo de uma cruz. Esse evangelho do conforto financeiro, familiar, profissional, ministerial, material, pode até ser pró-jesus, mas é anti-cruz, pois, em sua plenitude, rejeita a proposta de seguir a Cristo até a morte, apesar de reconhecer as benfeitorias de sua obra. O evangelho sem cruz, é um evangelho sem redenção, e está fora do propósito de Deus, é apenas uma anestesia para a mente culpada, orgulhosa e amedrontada. É um pão para o corpo, mas não para a Alma.

Desejo a cada dia não perder de vista a Cruz para não cair somente numa igreja que é um ajuntamento de pessoas pró-Jesus, mas sem a obra da Cruz. Que Deus nos ajude. Amém.

Murillo Leal é Jornalista e também escreve no Blog crerpensando.tumblr.com

22 de agosto de 2012

Eu [não] vou viver uma virada em minha vida, eu creio.

“Sem percebermos, a Teologia da Prosperidade fisgou muitos, pelo menos em parte. A partir do momento em que reclamamos contra Deus por não vivermos de bem com a vida, já partilhamos do espírito neopentecostal. Antigamente, os cristãos sabiam o que era sofrer com fé num Deus que no fim resgataria toda a sua criação. Hoje, qualquer privação ou mal-estar é visto como uma falha da nossa fé. É uma mentira neopentecostal e deve ser identificada como tal.” 

É muito complicado conciliar a Palavra de Deus com muito do que se tem pregado e cantado hoje em dia. Sempre que me deparo com mais um livro que fala sobre os tesouros que Deus têm para mim hoje ou mais um CD cuja faixa tema fala do dia da minha grande vitória, eu travo. Travo mesmo. Dá um tilt na cabeça, daqueles do tipo de tirar o cartucho do console e soprar pra ver se volta a funcionar (Quem nunca, né?). Onde é que está esse grande dia que nunca chega? Será mesmo que esse dia chega?
Abro as mãos e olho para elas. Meus dedos são tomados por manchas da vitiligo que me aflige desde pequeno. Não tem cura, mas tem tratamento. No caso da minha vitiligo (são sete tipos diferentes), é por meio de aplicação diária de loções que queimam assim como sessões mensais de injeções locais. Imagina tomar umas quarenta agulhadas nos dedos, ao redor do olho, no canto da boca, joelho, pé… Em resumo: dói. Muito. E eu odeio agulha. Mesmo.
Há pouco menos de dois anos descobri que sofro de hipotireoidismo. Lembra daquilo que o Ronaldo Fofômeno falou que tinha e por isso engordou muito? Pois é. Eu tenho isso mesmo, de verdade. Também não tem cura, só tratamento. Esse não é tão ruim. Fora os exames de sangue de rotina (já mencionei que odeio agulhas?), basta tomar um remédio toda manhã com um copo d’água e esperar trinta minutos pra comer. Esse aí é colher de chá. Mas basta parar de tomar o remédio que engordo rápido a beça, fico cansadíssimo, corro risco de ter ataque cardíaco e outras coisas mais.
Tenho algumas tendinites que volta e meia me lembram que sou pó e uma gastrite nervosa que adora aparecer quando estou com muita coisa na cabeça. Ah, e tem dias que tenho crises alérgicas absurdas. Mais alguém conhece todas as fórmulas de Celestamine, Polaramine, Allegra, Claritin, Claritin D, Loralerg e por aí vai? Ou só eu mesmo?
Na adolescência, minha mãe sofreu um acidente de carro do qual ela teve complicações que ainda a afligem. Já falei sobre isso no post (This is not the end… Isso não é o fim), então quem quiser saber detalhes, dá uma olhadinha lá. Além das dores, sofre de depressão. Quem já lidou com depressão, seja própria ou de alguém da família, sabe o quanto é difícil lidar. É uma luta diária para não se deixar abater com isso, e não é uma luta que vencemos todos os dias. Há dias em que o silêncio dentro de casa é ensurdecedor e qualquer tentativa de falar é de partir o coração. Ela está se tratando, mas cada médico faz uma nova promessa de que ela melhorará. Mas até agora nenhuma se cumpriu.
Vários amigos meus estão casando ou ficando noivos, quase todos mais novos que eu. E eu… continuo solteiro. Sim, Deus está preparando minha noiva e quando chegar será maravilhoso… mas com toda a alegria que tenho ao ver um amigo “se resolvendo”, dá uma pontada de inveja, confesso. Feliz por eles… triste por ouvir aquela voz sussurrando: “E a tua? Cadê?”
Minha vida não é das mais fáceis. Mas também não posso reclamar tanto assim, afinal, tem gente que na minha idade já não tem mais nem pai nem mãe… ou saúde. Outros perderam um irmão. Do outro lado do mundo, há igrejas inteiras que são queimadas com seus membros dentro. Há centenas de milhares de mães cristãs cujos filhos estão no fundo de um caixão, pois não renunciaram a sua fé em Cristo. Na mesma proporção, vários filhos vão dormir sem ter o calor de um abraço paterno, pois o pai foi seqüestrado por servir a Cristo.
Nas próximas eleições, tenho certeza que mais uma quadrilha será eleita. No ano seguinte, um talvez irá preso, mas outro logo se levantará no seu lugar. O Neymar vai continuar dizendo que é crente enquanto as fotos dele num iate com outra modelo nada modesta aparecerão na capa de sei lá qual revista. E mais um pastor abandonará seu ministério por desgosto, pois não acredita mais na Igreja.
E a tal da grande virada? E o dia da vitória? Daí vem o profeta Habacuque e diz:
“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação.” (Hb 3.17,18)
E lembro-me do “Deus de aliança, Deus de promessas, Deus que não é homem pra mentir…”:
“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16.33
Mais um…
“Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 8.36-39
Qual é a grande virada que sou capaz de viver na minha vida? Somente uma. Um dia, eu não conhecia Cristo. No outro, Deus abriu meus olhos para que eu enxergasse que sou um miserável pecador, merecedor da ira divina. Mas Ele me amou e me salvou para que eu pudesse viver com Ele eternamente. E que vida eterna é essa?
“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17.3
O que mais vemos hoje nos blogs, programas de televisão e afins é uma discussão continua e violenta a cerca da Teologia da Prosperidade, o neopentecostalismo e toda sorte de aberrações que são atribuídas a Cristo. Não vou juntar minha voz a tamanha agressividade e briga. Mas também não posso ficar calado.
Meu coração rasga, parte, de verdade. Isso não é o verdadeiro Evangelho. Isso não é a razão pela qual Cristo se deu por nós como sacrifício perfeito. Meu coração chora ao pensar que isso é o melhor que nossa geração tem a oferecer. Pior ainda é pensar que pessoas depositam suas vidas e esperanças em coisas que não são dignas de tal investimento. Se decepcionarão e talvez nunca mais entrem numa igreja tal o nível de desapontamento quando a tão esperada “virada” não chegar. Nunca mais darão ouvidos a Cristo, pois o Jesus que lhes foi apresentado não satisfaz tal esperança.
Com tanta coisa ruim que acontece na minha vida e na vida de tantos ao redor do planeta, a tentação é cair na auto comiseração, sentindo pena de mim e de tantos outros. Não faça isso. Nós não precisamos da sua pena. Tenho pena, sim, daqueles que depositam a sua fé em coisas que certamente as desapontarão.
Não há quantidade suficiente de dinheiro que traga felicidade ou segurança. Sua saúde pode desaparecer em uma questão de minutos. Aqueles mais queridos podem ser vítimas de um acidente. Qualquer esperança fundada em coisas físicas deste mundo equivale a nada, pois um dia tudo e todos retornarão ao pó de onde viemos. Mas a minha esperança foi pendurada numa cruz, moída e traspassada pelos meus pecados. Por amor a mim. E isso, ninguém pode tirar.
Não sou “apenas mais um” criticando a Teologia da Prosperidade e suas canções divertidas. Não o faço para ser agressivo ou debochado. Faço isso para que pessoas possam buscar a verdadeira vida eterna, o verdadeiro conhecimento do “único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
E quando enfim Jesus vier em Glória
E ao Lar Celeste então me transportar
O adorarei, prostrado e para sempre
“Grandioso és Tu, meu Deus!”, hei de cantar
Então minh’alma canta a Ti, Senhor:
“Grandioso és Tu, Grandioso és Tu!”     2x

Fonte: http://oblogdoandrew.wordpress.com/2012/08/21/eu-nao-vou-viver-uma-virada-em-minha-vida-eu-creio/

9 de agosto de 2012

Como a Igreja deveria ser.



Tá, eu exagerei um pouco no título. Dizer como é o modelo “perfeito” de Igreja é a coisa mais idiota que alguém pode fazer. A diversidade cultural refletida nas mais diversas formas litúrgicas, são uma das coisas mais belas que há no Corpo de Cristo. Na verdade pretendo apontar como a observância dos fundamentos nos guia para longe do ativismo e da paranóia por resultados.

O maior patrimônio da Igreja deve ser a Palavra. Ela é o centro de tudo. O grande espetáculo deve sempre ser sua explanação através das mais diversas formas. Ninguém está acima das Escrituras. Nenhuma experiência deve ser considerada se não estiver em conformidade com a revelação SUFICIENTE que a Bíblia nos traz. Como afirmou Lutero, “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias“.

O Governo da Igreja deve ser exercido por pessoas dignas, maduras e capazes de aplicar os princípios bíblicos à vida da comunidade. Direção profética é discernir o que a própria Escritura nos dá como direção. Não é ficar correndo atrás de profecias anencéfalas, de adivinhações ou de promessas de crescimento. A Igreja também não é uma democracia. O que importa é a fidelidade aos fundamentos bíblicos. A voz do povo não é a voz de Deus. Porém é importante que o governo seja exercido na pluralidade. A Igreja é de Cristo. Nós somos apenas mordomos.

Ministérios (ou departamentos) nunca devem estar acima das pessoas. Os dons devem ser valorizados e cada um deve encontrar o lugar onde pode exercer tais dons de maneira efetiva no Reino de Deus. A idade não é um fator determinante para nenhum tipo de trabalho. O que importa é a vocação, dedicação e experiência. Também não há ministério “melhor” que outro. Por isso é aconselhável que os que ensinam colaborem também com o transporte do som ou a limpeza do local. De vez em quando faz bem, pra não se esquecerem que somos todos iguais.

Levita é o judeu que nasceu na tribo de Levi. Você não é um. Aceite isto.

Adoração é tudo que o cristão faz com excelência. Música é apenas uma ínfima parte do que utilizamos para adorar a Deus. Dá perfeitamente pra vivermos sem bandas de louvor. Não seria tão legal, mas ainda sim seria possível.

A agenda da Igreja deve ser leve. Não precisamos ocupar o tempo das pessoas com programações infinitas. Esse papo furado de que “antigamente os cultos tinham 4 horas” não é uma justificativa racional. Se a razão pela qual estamos reunidos for adequada, tenha certeza que as pessoas irão ficar voluntariamente as mesmas 4 horas. Mas isto jamais poderá ser conseguido com imposição.

Cultura é o meio ideal para a tradução das verdades eternas do Evangelho de Cristo. Desprezar a cultura contemporânea é o mesmo que enterrar dons. Não importa o que você pensa. O que importa é se as pessoas estão recebendo um ensino claro e coerente sobre quem é Jesus e sobre o que Ele fez por nós.

Não existe separação entre o santo e o profano. “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.” (Tito 1:15). Todas as coisas foram criadas por Deus. O uso de tais coisas é que as faz serem boas ou ruins.

O propósito do Evangelho é libertar pessoas. Ou seja, os pastores devem trabalhar para se tornarem inúteis. Manter pessoas debaixo de controle é mutilar a GRAÇA. Cristo não necessita deste tipo de pseudo-ajuda. Mais atrapalha do que ajuda quem tenta resolver problemas com regras e imposições.

Não precisamos esfolar pessoas por causa de dízimos e ofertas. É claro que Deus é generoso de maneiras inimagináveis. Mas não podemos nos esquecer que o favor de Deus não está condicionado à nossa fidelidade. Se estivesse, estaríamos todos ferrados. Se envolver financeiramente na vida da Comunidade (Igreja) é um dever do cristão. Mas se não houver uma motivação adequada, tal pessoa estará apenas cumprindo mais um rito religioso oco e sem poder algum. O propósito de todo ensino é sempre a transformação do entendimento. Afirmar que dar dinheiro é mais importante que “entender” porque o faz, é exatamente o que sustenta o sistema corrupto administrado por falsos pastores inescrupulosos.

Unidade é a coisa mais importante na vida da Igreja. O amor é o vínculo dessa unidade. Não precisamos pensar igual. Não precisamos padronizar formas, pensamentos, condutas ou ideias. Apenas precisamos exercitar o amor, de modo a encontrarmos acordo em todas as circunstâncias.

A Igreja é a comunidade que está acima das questões políticas. Erramos ou acertamos juntos. Sempre. E se alguém militar algum partidarismo, não compreendeu ainda os fundamentos da fé.

Fácil, né?



Fonte: http://www.ariovaldo.com.br/2012/como-a-igreja-deveria-ser/#more-1332

6 de agosto de 2012

Por que não gosto da obsessão das Igrejas por Ministérios/Departamentos.


Por Ariovaldo Jr.
Penso ser esta paranoia da Igreja em trabalhar com departamentos/ministérios algo preocupante. Prefiro ser conservador no que a Palavra aponta em Efésios 4:11, quando diz que “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. No que se refere a “ministérios”, menos é mais.
Mas hoje mutilamos famílias e a agenda das pessoas nessa obsessão de desenvolvemos as áreas de funcionamento da parte institucional da Igreja. Além, é claro, de haver um absurdo “plano de carreira” implacável para a vida dos cristãos.
Quando você era criança, havia o Ministério Infantil pra que você não atrapalhasse a ordem do culto.
Virou Adolescente? Ministério de Adolescentes (ou juniores) pra que não pense em namoro tão cedo. Nos tornamos especialistas em mutilar a sexualidade das pessoas através do isolamento. Como as crianças se tornarão adultos se não tiverem referências de HOMEM e MULHER? Lembrando que não existe na Bíblia sequer o conceito de “adolescente”. Isto foi algo inventado no século XX.
Jovens? Ministério que faz cultos aos sábados pra tentar impedir que você viva “no mundo”. Se aliviar demais a programação, pode acontecer de alguém aparecer grávida. Aí haverão pais e mães lamentando coisas do tipo “Ai meu Deus! Onde foi que eu errei???”.
Casou? Agora você foi transferido pro Ministério de Casais, que promovem jantares pra fazer DR coletivo, de preferência em lugares exóticos (e caros). De vez em quando rola um “beije sua esposa na frente de todo mundo”, pra fazer de conta que está tudo bem. Importante é os homens entenderem que a responsabilidade financeira é deles. E que a mulher deve se dedicar a ser uma esposa virtuosa e submissa (e que se dane a correta interpretação do que vem a ser virtuosidade e submissão no Reino de Deus).
Chegou aos 35 anos? Ou você é um bem sucedido membro do Ministério de Ensino (parabéns jovem pastor/presbítero), ou você é um pobre coitado que virou Diácono. Dizem que não há hierarquia, mas a prática não é beeeem assim. Se você não for nem diácono (ah, coitadinho… é só “membro” mesmo), então lhe resta ser aquele mané que é cobrado todo domingo com a pressão fora de contexto de Malaquias 3:10, sobre a responsabilidade que tem de sustentar as despesas financeiras dos templos, dos pastores e dos missionários que estão na Europa pregando pra jogadores de futebol que jogam no exterior. Repita comigo: DEUS ME DEU O DOM DE GANHAR DINHEIRO PRA OFERTAR E SUSTENTAR ESSA PALHAÇADA TODA.
Passou dos 50? Só lhe resta o Ministério de Oração. Afinal, que se dane os dons que Deus lhe deu e a experiência em outras áreas que  obteve a vida toda servindo ao Reino. Afinal, você é velho e agora tem tempo pra ficar “intercedendo” pelas coisas que outros mais novos que você irão fazer. Velho que não ora de madrugada? Poser!
Liberta-nos Senhor deste sistema opressivo que criamos!

Fonte: http://www.ariovaldo.com.br/2012/por-que-nao-gosto-da-obsessao-das-igrejas-por-ministeriosdepartamentos/#more-1327

9 de maio de 2012

Pastores Feridos.



Cerca de 1,5 mil pastores desistem do ministério todos os meses
Desânimo, solidão, insegurança, medo e dúvida. Uma estranha combinação de sensações passou a atormentar José Nilton Lima Fernandes, hoje com 41 anos, a certa altura da vida. Pastor evangélico, ele chegou ao púlpito depois de uma longa vivência religiosa, que se confunde com a de sua trajetória. Criado numa igreja pentecostal, Nilton exerceu a liderança da mocidade já aos 16 anos, e logo sentiria o chamado – expressão que, no jargão evangélico, designa aquele momento em que o indivíduo percebe-se vocacionado por Deus para o ministério da Palavra. Mas foi numa denominação do ramo protestante histórico, a Igreja Presbiteriana Independente (IPI), na cidade de São Paulo, que ele se estabeleceu como pastor. Graduado em Direito, Teologia e Filosofia, tinha tudo para ser um excelente ministro do Evangelho, aliando a erudição ao conhecimento das Sagradas Escrituras. Contudo, ele chegou diante de uma encruzilhada. Passou a duvidar se valeria mesmo a pena ser um pastor evangélico. Afinal, a vida não seria melhor sem o tal “chamado pastoral”?
As razões para sua inquietação eram enormes. Ordenado pastor desde 1995, foi justamente na igreja que experimentou seus piores dissabores. Conheceu a intriga, lutou contra conchavos, desgastou-se para desmantelar o que chama de “estrutura de corrupção” dentro de uma das igrejas que pastoreou. Mas, no fim de tudo isso, percebeu que a luta fora inglória. José Nilton se enfraqueceu emocionalmente e viu o casamento ir por água abaixo. Mesmo vencendo o braço-de-ferro para sanar a administração de sua igreja, perdeu o controle da vida. A mulher não foi capaz de suportar o que o ministério pastoral fez com ele. “Eu entrei num processo de morte. Adoeci e tive que procurar ajuda médica para me restabelecer”, conta. Com o fim do casamento, perdeu também a companhia permanente da filha pequena, uma das maiores dores de sua vida.
Foi preciso parar. No fim de 2010, José Nilton protocolou uma carta à direção de sua igreja requisitando a “disponibilidade ativa”, uma licença concedida aos pastores da denominação. Passou todo o ano de 2011 longe das funções ministeriais. No período, foi exercer outras funções, como advogado e professor de escola pública e de seminário. “Acho possível servir a Jesus, independentemente de ser pastor ou não”, raciocina, analisando a vida em perspectiva. “Não acredito mais que um ministério pastoral só possa ser exercido dentro da igreja, que o chamado se aplica apenas dentro do templo. Quebrei essa visão clerical”. Reconstruindo-se das cicatrizes, Nilton casou-se novamente. E, este ano retornou ao púlpito, assumindo o pastoreio de uma igreja na zona leste de São Paulo. Todavia, não descarta outro freio de arrumação. “Acho que a vida útil de um líder é de três anos”, raciocina. “É o período em que ele mantém toda a força e disposição. Depois, é bom que esse processo seja renovado”. É assim que ele pretende caminhar daqui para frente: sem fazer do pastorado o centro ou a razão da sua vida.
Encontrar o equilíbrio no ministério não é tarefa fácil. Que o digam os ex-pastores ou pastores afastados do púlpito que passam a exercer outras atividades ou profissões depois de um período servindo à igreja. Uma das maiores denominações pentecostais do país, a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), com seus 30 mil pastores filiados – entre homens e mulheres –, registra uma deserção de cerca de 70 pastores por mês desde o ano passado. Os números estão nas circulares da própria igreja. Não é gente que abandona a fé em Cristo, naturalmente; em sua maioria, os religiosos que pedem licença ou desligamento das atividades pastorais continuam vivendo sua vida cristã, como fez José Nilton no período em que esteve afastado do púlpito. É que as pressões espirituais e as demandas familiares e pessoais dos pastores, nem sempre supridas, constituem uma carga difícil de suportar ao longo doa anos. Some-se a isso os problemas enfrentados na própria igreja, as cobranças da liderança, a necessidade de administrar a obra sob o ponto de vista financeiro e – não raro – as disputas por poder e se terá uma ideia do conjunto de fatores que podem levar mesmo aquele abençoado homem de Deus a chutar tudo para o alto.
A própria IPI, onde José Nilton militou, embora muito menor que a Quadrangular – conta com cerca de 500 igrejas no país e 690 pastores registrados –, teria hoje algo em torno de 50 ministros licenciados, número registrado em relatório de 2009. Pode parecer pouco, mas representa quase dez por cento do corpo de pastores ativos. Caso se projete esse percentual à dimensão da já gigantesca Igreja Evangélica brasileira, com seus aproximadamente 40 milhões de fiéis, dá para estimar que a defecção dos púlpitos é mesmo numerosa. De acordo com números da Fundação Getúlio Vargas, o número de pastores evangélicos no país é cinco vezes maior do que a de padres católicos, que em 2006 era de 18,6 mil segundo o levantamento Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais. Porém, devido à informalidade da atividade pastoral no país, é certo que os números sejam bem maiores.
FERIDOS QUE FEREM
O chamado pastoral sempre foi o mais valorizado no segmento evangélico. Por essa razão, é de se estranhar quando alguém que se diz escolhido por Deus para apascentar suas ovelhas resolva abandonar esse caminho. Nos Estados Unidos, algumas pesquisas tentam explicar os principais motivos que levam os pastores a deixar de lado a tarefa que um dia abraçaram. Uma delas foi realizada pelo ministério LifeWay, que, por telefone, contatou mil pastores que exerciam liderança em suas comunidades eclesiásticas. E o resultado foi que, apesar de se sentirem privilegiados pelo cargo que ocupavam (item expresso por 98% dos entrevistados), mais da metade, ou 55%, afirmaram que se sentiam solitários em seus ministérios e concordavam com a afirmação “acho que é fácil ficar desanimado”. Curiosamente, foram os veteranos, com mais 65 anos, os menos desanimados. Já os dirigentes das megaigrejas foram os que mais reclamaram de problemas. De acordo com o presidente da área de pesquisas da Life Way, Ed Stetzer – que já pastoreou diversas igrejas –, a principal razão para o desânimo pode vir de expectativas irreais. “Líderes influenciados por uma mentalidade consumista cristã ferem todos os envolvidos”, aponta. “Precisamos muito menos de clientes e muito mais de cooperadores”, diz, em seu blog pessoal.
Outras pesquisas nos EUA vão além. O Instituto Francis Schaeffer, por exemplo, revelou que, no último ano, cerca de 1,5 mil pastores têm abandonado seus ministérios todos os meses por conta de desvios morais, esgotamento espiritual ou algum tipo de desavença na igreja. Numa pesquisa da entidade, 57% dos pastores ouvidos admitiram que deixariam suas igrejas locais, mesmo se fosse para um trabalho secular, caso tivessem oportunidade. E cerca de 70% afirmam sofrer depressão e admitem só ler a Bíblia quando preparam suas pregações. Do lado de cá do Equador, o nível de desistência também é elevado, ainda mais levando-se em conta as grandes expectativas apresentadas no início da caminhada pastoral pelos calouros dos seminários. “No começo do curso, percebemos que uma boa parte dos alunos possui um positivo encantamento pelo ministério. Mais adiante, já demonstram preocupação com alguns dilemas”, observa o diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, o pastor batista Lourenço Stélio Rega. Ele estima que 40% dos alunos que iniciam a faculdade de teologia desistem no meio do caminho. Os que chegam à ordenação, contudo, percebem que a luta será uma constante ao longo da vida ministerial – como, aliás, a própria Bíblia antecipa.
E, se é bom que o ministro seja alguém equilibrado, que viva no Espírito e não na carne, que governa bem a própria casa, seja marido de uma só mulher (ou vice-versa, já que, nos tempos do apóstolo Paulo não se praticava a ordenação feminina) e tantos outros requisitos, forçoso é reconhecer que muita gente fica pelo caminho pelos próprios erros. “O ministério é algo muito sério” lembra Gedimar de Araújo, pastor da Igreja Evangélica Ágape em Santo Antonio (ES) e líder nacional do Ministério de Apoio aos Pastores e Igrejas, o Mapi. “Se um médico, um advogado ou um contador erram, esse erro tem apenas implicação terrena. Mas, quando um ministro do Evangelho erra, isso pode ter implicações eternas.”
Desde que foi criado, há 20 anos, em Belo Horizonte (MG), como um braço do ministério Servindo Pastores e Líderes (Sepal), o Mapi já atendeu milhares de pastores pelo país. Dessa experiência, Gedimar traça quatro principais razões que podem ser cruciais para a desmotivação e o abandono do ministério. “Ativismo exagerado, que não deixa tempo para a família ou o descanso; vida moral vacilante, que abre espaço para a tentação na área sexual; feridas emocionais e conflitos não resolvidos; e desgaste com a liderança, enfrentando líderes autoritários e que não cooperam”, enumera. Para ele, é preciso que tanto os membros das igrejas quanto as lideranças denominacionais tenham um cuidado especial com os pastores. “Muitos sofrem feridas, como também, muitas vezes, chegam para o ministério já machucados. E, infelizmente, pastor ferido acaba ferindo”.
Quanto à responsabilidade do próprio pastor com o zelo ministerial, Gedimar é taxativo: “É melhor declinar do ministério do que fazê-lo de qualquer jeito ou por simples necessidade”. A rede de apoio oferecida pelo Mapi supre uma lacuna fundamental até mesmo entre os pastores – a do pastoreio. “É preciso criar em torno do ministro algumas estruturas protetoras. É muito bom que o líder conte com um grupo de outros pastores onde possa se abrir e compartilhar suas lutas; um mentor que possa ajudá-lo a crescer e acompanhamento para seu casamento e família e, por fim, ter companheiros com quem possa desenvolver amizades e relacionamentos saudáveis e sólidos”, enumera.
EXPECTATIVAS
Juracy Carlos Bahia, pastor e diretor-executivo da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), sediada no Rio de Janeiro, conhece bem o dilema dos colegas que, a certa altura do ministério, sentem-se questionados não só pelos outros, mas, sobretudo, por si mesmos. Ele lida com isso na prática e sabe que o preço acaba sendo caro demais. “Toda atividade que envolve vocação, como a do professor, a do médico ou a do pastor, é vista com muita expectativa. Quando se abandona esse caminho, é natural um sentimento de inadequação”. Para Bahia, o desencantamento com o ministério pastoral é fruto também do que entende como frustrações no contexto eclesiástico. Há pastores, por exemplo, que julgam não ter todo seu potencial intelectual utilizado pela comunidade. “Às vezes, o ministro acha que a igreja que pastoreia é pequena demais para seus projetos pessoais”, opina. Isso, acredita Bahia, estimula muitos a acumularem diversas funções, além das pastorais. “Eu defendo que os pastores atuem integralmente em seus ministérios. Porém, o que temos visto são pastores-advogados, pastores-professores, enfim, pastores que exercem outras profissões paralelas ao púlpito”, observa.
No entender do dirigente da OPBB, esse acúmulo de funções mina a energia e o potencial do obreiro para o serviço de Deus. A associação reúne aproximadamente dez mil pastores batistas e Bahia observa isso no seio da própria entidade: “Creio que metade deles sofra com a fuga das atividades pastorais para as seculares”. Contudo, ele acredita que deixar o ministério não é algo necessariamente negativo. “A pessoa pode ter se sentido vocacionada e, mais adiante na vida, por meio da experiência, das orações e interação com outros pastores, é perfeitamente possível chegar à conclusão que a interpretação que fez sobre seu chamado não foi adequada e sim emotiva”.
Quando, já na meia idade, casado e com dois filhos, ingressou no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), na capital pernambucana, Recife, Francisco das Chagas dos Santos parecia um menino de tanto entusiasmo. Nem mesmo as críticas de parentes para que buscasse uma colocação social que lhe desse mais status e dinheiro o desmotivou. “A igreja, para mim, é a melhor das oportunidades de buscar e conhecer meu Criador para que, pela graça, eu continue com firmeza a abrir espaço em meu coração para que ele cumpra sua vontade em mim, inclusive no ministério pastoral”, anotou em sua redação para o ingresso no SPN, em 1998. Ele formou-se no curso, foi ordenado pastor em 2003 e dirigiu igrejas nas cidades de Garanhuns e Saloá.
Hoje, aos 54 anos, Francisco trabalha como servidor público no Instituto Agronômico de Pernambuco. Ainda não curou todas as feridas e ressentimentos desde que, em 2010, entregou seu pedido de desligamento da denominação. Ele lamenta o tratamento recebido pelos seus superiores enquanto foi pastor. “Minha opinião sobre igreja não mudou. Nunca planejei um dia pedir licença ou despojamento do ministério. Mas entendo que somos o Corpo de Cristo, e, se uma unha dói, todos nós estamos doentes”, pondera. “Não é possível ser pastor sem pensar em restaurar vidas – e existem muitas vidas precisando de conserto, inclusive entre nós, pastores”.
A vida longe dos púlpitos ainda não foi totalmente sublimada e Francisco sabe bem que será constantemente indagado sobre sua decisão de deixar o ministério. “A impressão é que você deixou um desfalque, que adulterou ou algo parecido”, observa. Ele não considera voltar a pastorear pela denominação na qual se formou, porém não consegue deixar de imaginar-se como pastor. “Uma vez pastor, pastor para sempre”, recita, “muito embora as pessoas, em geral, acreditem que seja necessário um púlpito.”

Fonte:http://www.adiberj.org/portal/2012/05/09/pastores-feridos/

5 de maio de 2012

Quando o meu deus sou eu




Por Maurício Zágari

Sempre que lemos a passagem do bezerro de ouro em Êxodo 32 temos um sentimento ruim com relação ao povo de Israel. Deus o tinha livrado do Egito, fez aquele incrível milagre da abertura do Mar Vermelho (você consegue imaginar a experiência de ter visto e vivido aquilo?) e ainda assim aquelas pessoas tomaram as rédeas de sua vontade, passaram por cima da vontade do Senhor e fizeram o que lhes parecia mais conveniente. Dá para entender a decepção de Moisés ao ver aquilo, traduzida numa fúria que o fez quebrar as tábuas com os mandamentos. Sim, aquelas pessoas foram de uma falta de fé, de um imediatismo e de um egoísmo atroz. Mas... por que as condenamos? Já parou para pensar que se estivesse entre eles você faria parte da multidão idólatra? E a explicação é simples: faz parte da má natureza humana não ter paciência de esperar em Deus  e resolver tomar as rédeas de seu destino, sem aguardar por aquilo que o Senhor planejou fazer. Israel erigiu o bezerro de ouro simplesmente porque não teve fé suficiente para esperar o tempo de Deus. Só que o tempo chegou e Moisés desceu do monte. O resultado você sabe.

Nas palavras de Deus, quem não tem fé para esperar por Sua ação e erra pela autossuficiência é "corrupto" e "desviado". Ouça o que Ele diz a Moisés:  "Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado".  O desagrado do Todo-Poderoso é claro. A partir do versículo 9, Ele deixa claro que não há como abençoar quem assim o faz: "Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma".

Duro. Uma leitura superficial nos leva a crer que a ira do Pai se acende apenas pela idolatria. Mas se formos fundo nessa passagem veremos o que havia no coração do povo, a origem dessa idolatria. Em Êxodo 1, as causas de todo o problema ficam bem claras: "Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós". Aí está. O povo queria respostas rápidas. Não soube esperar. Queria que Moisés já tivesse descido. Estava impaciente. Não teve fé de que a demora tinha uma razão divina. Como quem esperava "tardou", o povo decidiu resolver da sua forma, à sua maneira, com suas próprias mãos. Pecado. Aquele povo sem fé, sem paciência e sem esperança estava tão ávido por resolver logo as coisas - da sua maneira - que veja a hora em que a Bíblia revela que começaram a adorar o bezerro: "No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se". Repare a pressa: eles madrugaram.

A avidez daqueles que eram chamados de "povo de Deus" fez com que acordassem de madrugada para cometer seu pecado, tão impacientes que estavam. Se Deus não resolve, vamos nós mesmos tomar a frente! E logo! Esperar o sol nascer para quê?

A partir do versículo 21, temos a explicação ainda mais profunda da falta de fé, impaciência, autossuficiência e consequente idolatria do povo de Deus: "Perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que trouxeste sobre ele tamanho pecado? Respondeu-lhe Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que o povo é propenso para o mal". Eis aí, meu irmão, minha irmã. O mal que carregamos em nosso coração é o grande culpado. Somos maus e por isso não acreditamos que Deus pode fazer o melhor para nós se apenas esperarmos mais um pouco. Somos maus e por isso nos guiamos por vista e não por fé. Somos maus e por isso tomamos das mãos de Deus a solução para nossas dúvidas e questões. Somos maus e por isso praticamos a idolatria: seja a de um bezerro de ouro, seja a de nós mesmos, quando nos pomos no lugar de Deus, o atropelamos e dizemos "seja feita a MINHA vontade".

Tomamos as decisões no tempo que achamos conveniente de forma "desenfreada", como diz o versículo 25. Isto é, sem freios, sem nada que nos faça parar: a razão, conselhos, pregações, testemunhos, exortações, nada. Nada nos freia. Nada nos para. Queremos e por isso fazemos, mesmo que saibamos que deveríamos esperar o tempo de Deus. Moisés era a pessoa certa. Era por Moisés que deviam esperar. Mas, pela impaciência e falta de fé de que Moisés chegaria, o povo pegou um substituto, Arão, e com ele fez o bezerro de ouro. Pobres miseráveis.

A Bíblia nos revela o desfecho daquele pecado: desgraça.  Três mil homens foram mortos a espada. E mais: "Feriu, pois, o Senhor ao povo". Falta de fé. Impaciência. Autossuficiência. Idolatria. Pecado. Uma coisa leva à outra. A última etapa dessa sequência é morte e sofrimento.

Meu irmão, minha irmã. Se você deseja algo de Deus, não deixe que as aparências o enganem. Não se deixe conduzir pelas circunstâncias ou pelo que humanamente falando parece ser. Deus não trabalha segundo padrões humanos. Deus não age no tempo do homem. A lógica de Deus não é a nossa lógica. Deus cria situações aparentemente sem solução, verdadeiros becos sem saída, apenas para saber até onde vai a sua fé nEle. Você confia ou não? Crê no que parece impossível ou não? Na maioria das vezes o mal que há em nós nos leva a esquecer nossa fé e agir de modo que possamos "ver", "controlar". Mas sem fé é impossível agradar a Deus. E aí não esperamos Moisés. Pegamos um Arão qualquer e dizemos: "Você serve. Pois você estamos vendo e com você à vista temos como controlar nossas vidas. Agora faça o bezerro de ouro". Pronto. A desgraça está feita.

Tenha fé. Tenha paciência. Tenha confiança. Jesus não é só alguém em quem fingimos confiar quando cantamos "Rompendo em fé" nos cultos. Isso é mole de fazer. Cantar e não fazer é facílimo. Facílimo e mentiroso. Pois na hora que precisamos romper em fé mesmo... será que o fazemos? Ou assumimos o controle da situação, nos aliançamos com Arão e pecamos?

Deus não se interessa por um povo que não confia nele. Os que não souberam esperar acabaram mortos ou feridos. É assim que você quer acabar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: Apenas

17 de janeiro de 2012

VIVENDO SEM MÁSCARAS...




Vem chegando a época de carnaval. Nesse período, possivelmente você já foi ou ouviu falar de alguma festa a fantasia. Num encontro desse tipo, o que caracteriza seus participantes da festa são suas roupas e aparências diversas. O objetivo é esconder quem se é de verdade através da fantasia. Pode ser com uma máscara só ou com todo um traje. Mas fato é que, numa festa a fantasia, fica difícil reconhecer quem está por debaixo da máscara. Por isso me reporto a Caim. 

Havia algo de errado com ele. Sua relação com Deus não estava lá essas coisas. A princípio, ele e Abel haviam herdado dos pais o mesmo temor e amor por Deus, mas as atitudes de nosso personagem começam a nos mostrar o contrário. Havia algo de diferente no ar... 

A primeira vista, não dá pra entender o porquê Deus aceitou a oferta de um e rejeitou a de outro. Só na continuação, na leitura completa do texto, as coisas parecem se esclarecem um pouco mais. Deus conhecia tanto Abel como Caim. O verso 7 deixa a entender que, embora Caim houvesse trazido uma oferta ao Senhor, seu testemunho não era tão agradável assim a Deus. Em contrapartida, Abel não foi sequer questionado por Deus, que aceitou prontamente seu sacrifício. Assim sendo, usando a mesma linha de raciocínio, concluímos que o testemunho que precedia a oferta oferecida por Abel agradava ao Senhor. 

Não quero entrar no mérito das diferentes ofertas oferecidas, mas no que moveu os corações. Quais eram as reais motivações. O que levou tanto Abel como Caim a ofertarem. 

Sabemos que Deus conhece nossos corações. Portanto não adianta usar máscara. Diante Dele, somos desnudos, estamos descobertos. Não há como ludibriar ao Senhor. 

Os acontecimentos posteriores revelam claramente o estado em que se encontrava o coração de Abel. Na verdade, não era uma oferta voluntária e de amor. Era o cumprimento de um rito, uma obrigação. Parecia não ser espontâneo. 

Quanta gente hoje, crente ou não, trata Deus e sua Palavra assim. Escondidos debaixo de uma fantasia religiosa, uma máscara de cristão, acham que apenas o cumprimento de ritos e coisas do tipo podem agradar ao Senhor. 

Participam de todos os cultos (ou missas), levam seu dízimo, fazem parte de um coral, um conjunto, ministério de louvor... Porém tudo não passa de uma máscara. Contudo, agem como se isso bastasse. Como se o mesmo Senhor não conhecesse profundamente seus corações. Seja por hábito, tradição familiar, jogo de interesses (cura, prosperidade), fato é que muitos de nós estamos diante de Deus como Caim estava. Usando máscaras. 

A verdade é que a máscara da religiosidade cai diante de Deus. Muitos se surpreenderão diante Dele. Afinal Ele não procura pessoas religiosas, e sim pessoas tementes e fiéis a Ele. Pessoas que não só sabem o que aconteceu na cruz, mas que conseguem entender Seu plano salvífico. Pessoas que reconhecem sua condição pecadora e arrependem-se de seus pecados. Pessoas que recebem a Jesus, como única esperança para livrá-los da morte eterna, o inferno. Pessoas que andam com Ele porque o amam simplesmente. 

Você pode ser quem quiser diante dos outros, mas não diante do Pai. Diante dele, toda fantasia é transparente. Na presença Dele toda máscara cai. 

Portanto, apresente-se como você está diante do Senhor. Mostre-se a Ele da maneira que você é. Deixe que Ele cuide de você e de suas imperfeições. 


Mas que eu e você deixemos de usar MÁSCARAS diante DELE. 



Que Ele nos perdoe e abençoe; 



Marcello Matias, pastor. 

5 de agosto de 2011

As Melhores Coisas Demandam Esforço



Em nosso mundo distorcido, as coisas mais importantes muitas vezes são as mais difíceis de aprender; e inversamente, as coisas que vêm fácil são na maioria das vezes de pouco valores reais no longo prazo.

Isso se vê claramente na vida cristã, onde muitas vezes acontece que aquilo que aprendemos a fazer sem dificuldade são as atividades mais superficiais e menos importantes, e os exercícios verdadeiramente vitais tendem a ser omitidos devido à dificuldade de pô-los em prática. Isto é mais facilmente visto em nossas variadas formas de trabalho cristão, particularmente no ministério. Ali as atividades mais difíceis são as que produzem maior fruto, e os serviços menos frutíferos se desempenham com menor esforço. Esta é uma armadilha em que o ministro sábio não cairá, ou, se ele perceber que está preso nela, importunará céu e terra em sua luta para dela escapar. Orar com sucesso é a primeira lição que o pregador tem de aprender, se quiser pregar frutiferamente; embora a oração seja a tarefa mais difícil para a qual ele é chamado. Como homem será a atividade que será tentado a menos pôr em prática do que qualquer outra. Ele tem de determinar o coração para conquistar pela oração, e isso significa que primeiro tem de conquistar sua própria carne, porque é a carne que sempre atrapalha a oração.

Quase tudo que diz respeito ao ministério pode ser aprendido com uma porção média de esforço inteligente. Não é difícil pregar, ou gerenciar atividades da igreja ou atender compromissos sociais; casamentos e funerais podem ser dirigidos sem problemas com um pouco de ajuda de um Manual do Ministro. Pode-se aprender a fazer sermões tão facilmente como fazer sapatos — introdução, conclusão e só. E assim é com todo o trabalho do ministério como se tem levado na igreja normal de hoje. Mas orar — isso é outro assunto. Aqui de nada serve a ajuda de um Manual do Ministro. Aqui o solitário homem de Deus tem de combater sozinho, às vezes com jejuns e lágrimas e fadigas indizíveis. Ali cada homem tem de ser original, porque a verdadeira oração não pode ser imitada nem pode ser aprendida de outrem. Cada um tem de orar
como se só ele pudesse orar, e sua aproximação tem de ser individual e independente; independente de todos, menos do Espírito Santo.

Thomas à Kempis diz que o homem de Deus deve sentir-se mais à vontade em seu quarto de oração do que diante do público. Não é exagero dizer que o pregador que gosta de estar diante do público dificilmente se encontra espiritualmente preparado para estar diante dele. É mais provável que a oração correta torne o homem hesitante em aparecer diante de uma audiência. O homem que realmente se sente à vontade na presença de Deus se verá preso numa espécie de contradição interior. Ele provavelmente sentirá de forma tão aguda sua responsabilidade, que preferiria fazer qualquer outra coisa a encarar um auditório; e contudo a pressão sobre seu espírito pode ser tão grande que nem cavalos selvagens o poderiam arrancar do seu púlpito.

Nenhum homem deveria se colocar diante de uma audiência sem antes ter estado diante de Deus. Muitas horas de comunhão deveriam preceder uma hora no púlpito. O quarto de oração deveria ser mais familiar do que a plataforma pública. A oração deveria ser contínua; a pregação, intermitente.

É de notar que as escolas ensinam tudo sobre a pregação, exceto a parte
importante, a oração. Não se deve censurar as escolas por causa dessa fraqueza, pela razão que a oração não se pode ensinar; ela somente pode ser praticada. O melhor que qualquer escola ou qualquer livro (ou qualquer artigo) pode fazer é recomendar a oração e exortar a que seja praticado. A oração mesma tem de ser trabalho do indivíduo.

E é justamente o trabalho religioso que, feito com pouco entusiasmo, se torna
uma das grandes tragédias dos nossos dia.