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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
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22 de maio de 2015

A "IGREJA PERFEITA" E A DESCULPA DE NOSSA GERAÇÃO



Por Josemar Bessa

Muitas pessoas, num mundo que prega abertamente o individualismo,  e cada homem como medida do que é bom e correto para si mesmo, tentam encontrar desculpas que racionalizem o problema nascido no Éden, o homem sendo “deus” de si mesmo.

Uma das desculpas é sempre tirar a responsabilidade pessoal pelo meu fracasso e colocá-lo em grupos maiores que não tem uma cara específica. Gostamos e abraçamos como desculpa os pecados institucionais, tão condenados diariamente, e pouco falamos dos pecados pessoais, que em última análise, são o nosso verdadeiro problema.


Muitos falam da imperfeição da igreja apenas como uma desculpa para sua vida vivida em torno de si mesmo.

Por exemplo, a unidade da igreja – A unidade da igreja ( olhe para a igreja local) não significa a ausência de conflitos. Quando Cristo orou pela unidade, ele também orou pela santificação de sua igreja ( João 17.17). A necessidade de santificação pressupõe a presença do pecado, e presença do pecado resulta muitas vezes, como não podia deixar de ser, em desunião.

Cristo sabia disso, ele não ora de forma ingênua, ele orou por igreja verdadeiras num mundo real e caído, orou por igrejas imaturas, por igrejas perseguidas que lutariam com o medo..., igrejas que teriam problema com o orgulho, igrejas com membros pecadores... Ou seja, igrejas como as que o apóstolo Paulo fundou e dirigiu, e Pedro, e João... e tiveram que escrever cartas, admoestar, repreender... Igrejas como as que Jesus repreende através de João em Apocalipse 1-3. Mas a oração de Jesus ainda é que esses pecadores justificados, regenerados... estejam juntos, se mantenham juntos... Por quê? O plano de muitos hoje seria cada um ficar em sua casa até que todos fossem perfeitos para se juntarem. Mas Jesus os quer juntos e ora para que sejam santificados pela Palavra... pecadores que muitas vezes tem conflitos juntos? Por que? Porque Jesus uso os pecados irritantes dos outros para expor nossos próprios pecados, criando oportunidades de tolerar, desenvolver a paciência, orar por transformação, aprender a perdoar... cumprindo assim uma instrução fundamental: “amar uns aos outros” ( Jo 13.34-35). Como Ele nos amou, como Ele amou os discípulos... se havia algo longe de qualquer perfeição era o grupo de discípulos que andou com Jesus naqueles três anos: Pedro, Tiago e João, Tomé... Quanto orgulho e disputa por primeiro lugar houve entre eles, quanto medo, quanta incredulidade... Tudo isso levou a desunião muitas vezes, mas a contenda que naturalmente leva a desunião traz consigo a possibilidade de refinar a igreja quando o pecado é confrontado, confessado... e o evangelho da graça é aplicado (Mt 18.21-35).

O crescimento na unidade da igreja não depende de faixa etária, música... Você cria tribos, “igrejas tribais” – Em torno da juventude, estilos musicais, vestes... Não é Cristo o ponto focal dessa união – ela é humana e carnal. Sempre é a isso que nossas estratégias levam.

A unidade da igreja depende da Palavra de Deus. Logo antes de Cristo orar pela unidade da igreja nos versos 20,21 de João 17, ele ora para que Deus santifique o seu povo. A sua oração deixa claro que a unidade tem uma base, a santificação. E ele afirma que a santificação flui da Verdade: “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade!”

Apenas quando nos humilhamos de fato sob a Palavra, não sobre partes, mas toda a Palavra, toda a Verdade. Quando abandonamos a ideia de determinar o que é relevante ou não nela, o que sempre é forjado na arrogância de um coração que não ama a Verdade, sempre que nos reunimos em torno de sua mensagem integral, mudanças espirituais verdadeira produzem unidade espiritual verdadeira.

Unidade construída em qualquer outra base, quer seja a personalidade do líder, o estilo, o ministério específico que se molda ao gosto natural de um grupo... está destinado ao fracasso aos olhos de Deus. Só quando a Palavra é central, os membros podem de fato ser reconciliados uns com os outros, aprender a perdoar uns aos outros, amar uns aos outros... a unidade da igreja depende de empenho de todos juntos crescerem na prática na compreensão da Palavra de Deus: “Santifica-os na Verdade!”

Muitos esperam o que nunca foi prometido por Cristo. Muitos esperam o que nunca foi experimentado por nenhuma das igrejas fundadas por Paulo, Pedro, João... A unidade da igreja não será plenamente realizada neste mundo. Portanto, muitos usam esse tema, como outros, apenas para disfarçarem sua recusa em viver o evangelho e crescer como povo e rebanho de Deus juntos. O que leva a compromisso, obediência, sujeição... e tantas outras coisas que apesar de ser o claro ensino bíblico, a mente desta geração detesta. Nesta geração um dos deuses  mais cultuados é o individualismo. E muitos usam de várias desculpas para cristianizarem esse deus em suas vidas.

Muitos esperam hoje o que não está prometido até a volta de Cristo, o que o torna a pessoa inútil agora, no único tempo que ela tem neste mundo no trabalho de Deus na edificação da Sua igreja. Como Paulo poderia se manter útil e motivado em escrever cartas para as igrejas locais, pessoalmente lutar pela verdade de Deus nelas, pelo crescimento espiritual das pessoas... se pensasse assim?

A esperança do futuro não pode distorcer a percepção do presente. Todos nós devíamos saber, pelo claro ensino bíblico e pela nossa luta pessoal, que vivemos em um momento em que o Espírito e a carne coexistem numa guerra. Que o mundo é um inimigo poderoso, que Satanás engana e trabalha também em nosso meio. Devemos então, de modo realista, como Jesus, orar pela paz e união da igreja, buscar “se possível estar em paz com todos” – ou seja, no que depender de nós. Sermos filhos de Deus, ou seja, pacificadores no meio da igreja (Mt 5.9)... mas não ficarmos surpresos quando a desunião mostrar sua feia face. Devemos em momentos assim avaliar a nossa própria contribuição tanto na quebra da união, como na responsabilidade pela paz. Este é um assunto, como muitos outros, que nós temos o já, e temos também o “ainda não”.

Devemos avaliar a nossa própria contribuição para a luta, é preciso remover o registro do nosso próprio olho, e devemos esperar de novo no evangelho de Jesus Cristo. Sua paz é já, mas ainda não!

Exercer o perdão, a paciência, a longanimidade, a benignidade, a mansidão, o amor... é estar vivendo exatamente isso. Num perfeito ambiente de paz, esses frutos não estariam sendo desenvolvidos. Um dia esse tempo chegará.

Se tua aspiração fixa agora está no que ainda está no futuro, e com isso a tua desculpa está na imperfeição da igreja, sua motivação não pode ser a mesma dos apóstolos... nem mesmo a de igreja ao orar por sua igreja (João 17), mas não passa disso, desculpa e racionalização. No entanto, paz perfeita está prometida, e está prometida por um Deus soberano que não pode falhar e não falhará. Hoje já estamos em paz com Ele (Rm 5.1). Agora oramos pela união, temos nos tornado pacificadores, estamos sendo santificados pela Palavra... estamos engajados na batalha, e não procurando desculpas para fugir dela.

***

8 de dezembro de 2013

Os templos-espetáculo


Os evangélicos celebram a expansão de sua fé
com a construção de santuários gigantes nos quais
o culto é um show e o pastor, seu astro principal

Rafael Corrêa

Divulgação
Parece um Maracanã
Nos Estados Unidos, o pastor Joel Osteen, da Igreja Lakewood, prega para uma multidão de 16 000 fiéis num ginásio esportivo convertido em templo ao custo de 95 milhões de dólares
A religião cristã que mais cresce no mundo é a evangélica. No Brasil, seus adeptos representam hoje 18% da população – há duas décadas, essa cifra era de 7%. O crescimento do rebanho evangélico é igualmente expressivo em países da Ásia, como Coréia do Sul, Indonésia e Cingapura, na América Central e até mesmo no Leste Europeu. A evidência mais pujante do avanço dos evangélicos são os megatemplos construídos nos últimos anos para sediar seus cultos. Com o objetivo de atender aos ritos animadíssimos comandados pelos pastores, os novos templos são verdadeiras casas de espetáculos, com sistemas de som e luz semelhantes aos dos shows de rock e telões que garantem uma visão perfeita de tudo o que acontece nos cultos. A maioria delas tem assentos estofados para acomodar todos os fiéis. Como aponta a historiadora americana Jeanne Halgren Kilde no livroWhen Church Became Theatre (Quando a Igreja se Transformou em Teatro, inédito no Brasil), com o passar dos anos as igrejas evangélicas começaram a privilegiar o formato de anfiteatro em detrimento da arquitetura das igrejas tradicionais. Primeiro, porque a organização em auditório permite que os fiéis vejam melhor o pastor, a estrela do show. Segundo, porque se amplifica a atmosfera de comoção e envolvimento dos fiéis quando entoam hinos religiosos.
A impressionante fotografia que abre esta reportagem, nas duas páginas anteriores, foi tirada durante um culto na Igreja Lakewood, em Houston, no Texas. O santuário tem capacidade para abrigar 16 000 pessoas e recebe uma média de 40 000 fiéis por semana. Originalmente, o prédio da La-kewood era o ginásio esportivo do time de basquete Houston Rockets. A congregação gastou 95 milhões de dólares na conversão do imóvel. O teto conta com um sistema de iluminação que muda de cor conforme o culto se desenvolve: o azul invade o ambiente durante os sermões, e o amarelo, quando são executadas músicas ao som de guitarras. Estima-se que somente em equipamentos a igreja tenha gasto 4 milhões de dólares. Tudo para garantir que o pastor seja ouvido e visto por todos. "É necessário muito dinheiro para espalhar a palavra de Deus pelo mundo, e as grandes igrejas estão em melhor posição para cumprir essa tarefa", disse a VEJA o americano Joel Osteen, pastor-chefe da Igreja Lakewood.
Damon Winter/The New York Times
Campo sagrado
A Igreja ChangePoint, no Alasca, acaba de inaugurar um centro esportivo que inclui um campo de futebol coberto. Serve aos fiéis e é alugado nas horas vagas. É comum que as igrejas evangélicas invistam em negócios imobiliários
Nos Estados Unidos, as correntes evangélicas com templos gigantes, como o de La-kewood, foram as que mais cresceram nos últimos cinco anos. Hoje, existem 55 santuários semelhantes ao de La-kewood no país. Para Scott Thumma, sociólogo do Instituto Hartford de Pesquisa Religiosa, sediado em Connecticut, grande parte desse crescimento pode ser atribuída à atmosfera de grandiosidade que os megatemplos proporcionam. "Os americanos gostam de pensar grande e projetar em larga escala. É justamente esse tipo de estilo de vida que eles encontram nos megatemplos", disse Thumma a VEJA. A tendência dos santuários gigantes também tomou conta de outros países. Na Guatemala, foi inaugurado recentemente o templo Mega Fráter, com capacidade para 12 000 pessoas. Em El Salvador, a Igreja de Cristo Elim Central possui um templo gigante instalado na capital do país. As congregações evangélicas brasileiras não ficam atrás. A sede da Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro, abriga 12 000 fiéis, enquanto o Templo da Glória, da Igreja Pentecostal Deus É Amor, em São Paulo, pode receber 60 000 fiéis sentados ou em pé.
Divulgação
O impacto da luz
Por fora, a Catedral de Cristal, na Califórnia, lembra um prédio de escritórios. Por dentro, as 10 000 placas de vidro proporcionam uma iluminação natural destinada a elevar os espíritos
Os megatemplos evidenciam a intenção das congregações de fazer do local de oração parte do dia-a-dia das pessoas, e não apenas um lugar para freqüentar aos domingos. Além das escolas religiosas infantis, tradicionais nas igrejas evangélicas, os santuários gigantes oferecem infra-estrutura que mais se parece com a de um câmpus universitário. Prédios anexos ao auditório principal abrigam lanchonetes, livrarias, academias de ginástica e lojas que vendem desde roupas até bíblias. A Igreja ChangePoint, em Anchorage, no Alasca, se destaca no quesito inovação. Recentemente, a congregação inaugurou uma arena esportiva coberta onde se ministram aulas de futebol para as crianças e que serve de pista de corrida para os adultos. Nos horários em que não é ocupada pelas atividades da igreja, a arena é alugada para particulares. "Essas atrações não religiosas servem para atrair o público jovem, que encontra na igreja os elementos de seu dia-a-dia", explica o sociólogo Thumma. Há igrejas que expandem seus negócios para além das lojas e atividades de recreação. Envolvem-se na construção de condomínios residenciais, shopping centers e na oferta de crédito bancário para os fiéis.
Wang Jun-Young/AFP
A fé dos coreanos
A Igreja Yoido Full Gospel, na Coréia do Sul, e sua imensa mesa de som e iluminação. Os sermões são transmitidos em coreano, árabe, inglês, japonês e mais cinco idiomas
Entre as correntes evangélicas, a que mais cresce no mundo é a pentecostal. Na Coréia do Sul, um em cada vinte moradores da capital, Seul, pertence à pentecostal Yoido Full Gospel. A igreja, cujos primeiros cultos foram realizados numa simples tenda em 1958, hoje possui mais de 830 000 membros e um megatemplo com capacidade para 12 000 pessoas. Boa parte desse crescimento pode ser atribuída à transmissão dos cultos pela TV, recurso recorrente das igrejas pentecostais. Em Seul, a pregação do pastor David Yonggi Cho, líder da Yoido, é transmitida para dezenas de milhões de pessoas no mundo todo pela TV e pela internet, com tradução simultânea em oito idiomas. "O apelo emocional da imagem de um lugar lotado de pessoas rezando e cantando é muito forte", diz o sociólogo Ricardo Mariano, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. "A televisão permite levar à casa das pessoas essa sensação de bem-estar coletivo característica do megatemplo, atraindo mais fiéis para a igreja", ele completa. São recursos como esse que empurram a expansão dos evangélicos.
Orlando Sierra/AFP
Dá para chegar de helicóptero
O templo Mega Fráter, na Guatemala, possui heliporto e uma torre de estacionamento com sete andares. Seu nome significa Grande Irmão. É o maior templo da congregação Fraternidade Cristã, com capacidade para 12 000 pessoas

Roberto Setton
O maior do Brasil
Nos cultos mais disputados, o Templo da Glória, da Igreja Pentecostal Deus É Amor, em São Paulo, é tomado pelas vozes de 60 000 fiéis. Uma equipe de 450 pessoas administra a multidão, que tem à disposição 600 banheiros

Jorge Junqueira/divulga��o
Arquibancada do Senhor
A sede mundial da igreja do bispo Edir Macedo, a Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro, abriga 12 000 fiéis. O dono da TV Record também possui megatemplos em São Paulo e Salvador

Os templos são pop, mas não
são maiores que as catedrais
AFP
Basílica de São Pedro, no Vaticano: 60 000 fiéis entre tesouros

Apesar de seu gigantismo, os megatemplos evangélicos não comportam mais fiéis do que as grandes basílicas e catedrais católicas. A Basílica de São Pedro, no Vaticano, um dos tesouros da humanidade, pode abrigar 60 000 pessoas. O santuário de Aparecida, no estado de São Paulo, para o qual fiéis de todo o Brasil afluem no mês de outubro, comporta 45 000 pessoas. Além das proporções, o que diferencia os templos evangélicos dos católicos é a atmosfera que se respira em seu interior. Como os protestantes abandonaram a maior parte da simbologia cristã depois da Reforma, no século XVI, os templos evangélicos não têm a mesma riqueza de imagens e obras de arte das igrejas católicas. A arquitetura, os adereços, as estátuas e os afrescos das catedrais, representando os santos e o reino celeste, evocam uma aura de transcendência e majestade. A Basílica de São Pedro exibe obras de artistas do Renascimento como Rafael e Michelangelo. O altar, usado pelo papa para celebrar missas nas datas tradicionais católicas, é ornado pelo requintado baldaquino de Gianlorenzo Bernini. A ornamentação dos templos evangélicos, por sua vez, tende a ser simples e reducionista, em razão da economia radical de símbolos e imagens que a religião prega. Em seu lugar, entra a estrutura necessária para grandes espetáculos pop.

29 de novembro de 2013

Igreja Anglicana causa polêmica ao estudar cerimônia de casamento gay

Na Inglaterra, grupo de estudos formado por bispos quer inovar e permitir bênção a casais homossexuais numa celebração religiosa.


Na Inglaterra, a Igreja Anglicana levantou um debate polêmico e estuda permitir uma cerimônia religiosa para celebrar a união de casais homossexuais. Veja na reportagem de Roberto Kovalick.
"Eu os declaro casados" é algo que homossexuais ouvem cada vez com mais frequência. O casamento entre pessoas do mesmo sexo, no civil, já é oficial em vários estados americanos, em países como a França e, na Inglaterra, entra em vigor no ano que vem.
A Igreja Anglicana, porém, quer inovar e permitir que a benção seja dada também numa cerimônia religiosa. A proposta é de um grupo de estudos formado por bispos. Ainda não é um casamento. Os bispos mantêm essa palavra apenas para a união entre homem e mulher, mas eles querem autorizar os párocos a fazerem uma cerimônia especial para marcar a formação de um casal do mesmo sexo.
A Igreja Anglicana, que se separou da católica há quase 500 anos, tem 80 milhões de seguidores no mundo. O líder, Justin Welby, é um exemplo da mudança de atitude em relação aos gays. Ele foi abertamente contra a legalização da união entre homossexuais. Mas, depois que foi aprovada, alertou que a igreja precisava fazer uma revolução nas suas ideias sobre sexualidade.
A recomendação dos bispos enfrenta muita resistência. Um dos integrantes do grupo de estudos se recusou a assinar o documento final. A igreja é acusada de mudar o que prega há séculos. E muitos temem que a novidade provoque uma cisão na igreja anglicana.
A maioria dos integrantes do grupo de estudos, porém, defendeu a mudança dizendo que a Bíblia é inconclusiva em relação à homossexualidade.
O líder da Igreja Anglicana, Justin Welby, – assim como o Papa Francisco – é um crítico ferrenho do sistema econômico, que gera um abismo entre ricos e pobres. Sendo que Welby, Arcebispo de Cantuária, é um ex-executivo do mercado financeiro.
Na manhã desta sexta-feira (29), a autoridade bancária europeia informou que banqueiros aumentaram seus ganhos em 11% em 2012.
Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/11/deputado-admite-saber-de-voo-mas-nao-de-drogas-levadas-em-helicoptero.html

1 de novembro de 2013

Vídeo polêmico de reunião secreta da Igreja Universal vaza e mostra líder xingando e ameaçando outros pastores; Assista


Vídeo polêmico de reunião secreta da Igreja Universal vaza e mostra líder xingando e ameaçando outros pastores; Assista
O pastor Walber Barboza, líder da Igreja Universal do Reino de Deus no Equador, protagonizou cenas constrangedoras durante uma reunião de trabalho com líderes de filiais da denominação no país.
Usando termos chulos e um tom de cobrança bastante ríspido, Barboza ameaça os pastores que participam da reunião com desligamento das funções em suas igrejas.
“Minha paciência esta esgotada aqui no Equador”, introduz o pastor. “Se os pastores não estão contentes pega cada um a sua mala e pode sair, porque a porta é a serventia da casa”, afirma.
Na sequência, o pastor reclama dos templos vazios, e afirma que os responsáveis pelas filias só se preocupam em atrair o povo em épocas da “quinzena”, dando a entender que se trata das datas de pagamento.
“[As igrejas estão vazias] porque os obreiros não tiram o rabo da cadeira e ficam só esperando entrar a quinzena, só tão esperando a hora do almoço, só esta esperando o dia de férias para viajar para ver a família, fica lá todo mundo coçando o saco na esquina da parede. Ora, eu quero que vocês saibam que a Igreja paga você, que a igreja te dá uma casa, que a igreja paga seu salário em dia é pra você trabalhar vagabundo. A catedral está vazia porque vocês ficam cozinhando o galo, vocês vão me pagar, vocês vão sair daqui e vão para última igreja do país, eu não estou ameaçando não, eu estou comunicando, porque eu não sou palhaço de vocês não”, esbraveja o pastor.
Na sequência, Barboza se queixa de questões da vida pessoal dos obreiros da igreja, falando sobre questões como casamento, sexo, planos familiares e sugere preguiça dos colaboradores: “Vocês auxiliares que só pensam em casar, porque você só pensam em sexo, só pensa no seu prazer… Eu vou te dizer que dia você vai casar…  Então seu tarado toma banho de água fria e afoga tua paixão, porque vocês solteiros só tem pensado em mulher… Vinte anos na obra, a igreja sustentando, igual a um aposentado, porque aposentado não produz nada, só come da Segurança Social. E tá assim cheio de pastor no espírito de aposentado… Você que tem filho, eu não quero saber se você tem filho, a igreja não tem obrigação de sustentar teu filho, a igreja não tem obrigação de dar um quarto exclusivo para seu filho. As equatorianas tem um método, um modo que amarra os meninos com um negocio nas costas, até os macacos sabem carregar o filhote nas costas, a macaca fica pulando de árvore em árvore e o macaquinho ta lá agarrado. Você também vai fazer isso, quem mandou ter filho, quem mandou você ser carnal e sentimental e ter uma criança?”
Assista:
Repercussão
O Gospel+ procurou a Igreja Universal para comentar sobre o vídeo. As declarações do pastor repercutiram negativamente em toda a internet, e a direção da Universal no Equador se posicionou repudiando a postura de Walber Barboza, que terminou publicando um vídeo com pedido de desculpas públicas.
“Reconheço que me excedi, proferi frases estúpidas. Minha intenção era positiva, de ensinar e motivar os pastores. Mas sei que, no calor do momento, fui infeliz na escolha e tom das palavras. Peço perdão a todos os que ofendi e constrangi. A Universal tem pressa de ajudar o povo do Equador e essa intenção não foi bem comunicada por mim”, afirmou o pastor.
Veja o vídeo publicado por Barboza:
Leia a íntegra da nota da Igreja Universal sobre o assunto:
A Igreja Universal do Reino de Deus do Equador tomou conhecimento de episódio ocorrido em 25/9/2013, durante reunião de trabalho entre o pastor Walber Barboza e outros pastores.
A Universal do Equador lamenta a conduta do pastor Barboza, que dirigiu frases infelizes e agressivas aos presentes, e repudia suas afirmações, ditas por ele em nome próprio, jamais pela instituição.
No Equador, assim como nos quase 100 países onde está presente de modo formal, a Universal preza e exige de seus bispos, pastores e obreiros o comportamento respeitoso e cordial que cada qual merece.
Em sintonia com as orientações da Direção Espiritual da Universal, a igreja do Equador já tomou as providências cabíveis para que acontecimento como esse nunca mais se repita.
O pastor Barboza encaminhou pedidos de desculpas formais a todos os presentes e à Universal.
Perguntada sobre o porque está retirando do ar as cópias do vídeo no Youtube, a denominação afirmou que “a igreja não se manifesta sobre procedimentos judiciais e administrativos em curso”.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

30 de outubro de 2013

Até que ponto uma religião pode interferir na vida de um adepto.


por Johnny Bernardo


O paralelo entre o espiritual e o material (ou social) há séculos é interpretado de diversas maneiras. A grande dificuldade é em saber quais os limites entre a vida espiritual de um adepto, e sua realidade social. De forma geral, todas as religiões interferem de alguma forma no cotidiano de seus seguidores.

Questões associadas à vestimenta, à alimentação, ao entretenimento são discutíveis em grupos religiosos pertencentes, por exemplo, ao cristianismo e ao islamismo. Outras restrições, como a do acesso aos meios de comunicação (televisão, rádio, revistas) e a publicação de listas de “livros proibidos” aos membros ou cidadãos de um país confessional, também são interferências diretas na forma de vida dos indivíduos.

No Irã – e em outros países islâmicos confessionais, dirigidos com base na Sharia – a religião não é simplesmente um elemento social, parte de um contexto geral da sociedade, mas permeia todos os aspectos sociais dos iranianos, com restrições e punições igualmente severas. A execução de 16 rebeldes opositores, neste sábado (26), no Irã, e a postagem de vídeos por uma muçulmana dirigindo, na Arábia Saudita - é proibido às mulheres dirigirem -, são dois exemplos recentes. De forma semelhante, a religião também é usada em alguns países ocidentais como um mecanismo de controle, de influência política.

Mesmo com o avanço da democracia, da laicidade do Estado, a religião ainda é um elemento que exerce forte influência em governos, em discussões de abrangência universais. Há séculos o Catolicismo Romano se utiliza de mecanismos de submissão, seja quando das cruzadas, das inquisições, dos cerceamentos científicos, da indução ao belicismo e aos conflitos étnicos.


Aspectos constitucionais, das leis, em muitas ocasiões são desrespeitados por denominações religiosas, como os que praticam a poligamia nos EUA (ver Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), ou que induzem seus membros a doarem mais do que o necessário para à manutenção de sua estrutura organizacional. Neste segundo aspecto, o neopentecostalismo brasileiro se destaca pelo o fato de que exerce forte domínio psicológico sobre seus adeptos.

O fanatismo religioso – particularmente no que se refere às igrejas pentecostais extremistas, a exemplo da Igreja Deus é Amor, Sinos de Belém Missão das Primícias e Congregação Cristã no Brasil, para citar algumas igrejas – se traduz pelo o que o membro pode ou não fazer ou ser. Por exemplo, a persistência da IPDA em proibir o acesso à televisão, à vestimenta já adotada por outras igrejas, à prática esportiva e ao entretenimento, interfere de forma radical na vida de seus membros.

Apesar das restrições impostas pela IPDA, a tendência é de que, futuramente – como em uma eventual ausência de seu líder máximo, David Miranda -, ocorram mudanças semelhantes as que vêm ocorrendo nas Assembleias de Deus – particularmente desde que a televisão e os usos e costumes foram liberados aos membros. A dificuldade de assimilação dos limites entre o espiritual e o social é um sério problema porque gera transtornos dificilmente irreparáveis na medida em que a capacidade crítica, de vivência social, de um fiel é seriamente prejudicada e limitada.



Há questões econômicas, de controle, por trás do fanatismo religioso que ultrapassa os limites pentecostais, cristãos, e que são perceptíveis na forma como organizações com forte atuação no Brasil (como as Testemunhas de Jeová) se articulam no cenário religioso. Nas TJ, a maneira quase militarizada como seus membros são organizados, e a influência exercida sobre as famílias (inclusive com proibições de contato com membros disciplinados – a preguiça também é tida como aspecto passível de disciplina) são retratados em filmes como To Verdener (Mundos Separados).

Produzido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, em 2008, To Verdener retrata a história de Sara (Rosalinde Mynster), uma jovem de 17 anos que foi criada com base nos ensinos das Testemunhas de Jeová, e que se vê em situação de conflito após iniciar um relacionamento com o ateu Teis (Johan Philip Asbaek). Disciplinada pelos anciões de sua congregação, Sara passa a ser rejeitada por sua própria família. O enredo, baseado em uma história verídica, é algo comum nas TJ.

Manipulação, restrições, cerceamentos, mortificações, são mecanismos de controle psicológico, característico de grupos destrutivos, e que visam explorar financeiramente adeptos. Novamente, todas as religiões possuem algum nível de influência no cotidiano de seus membros, mesmo que em alguns casos de forma não perceptível ou racional. Neopentecostais, pseudocristãos, são citados como exemplos, mas há inúmeros outros que se enquadram na proposta de análise da matéria.

Resumindo, o ponto principal a ser tomado como foco de análise é até que ponto uma religião pode interferir na vida de um adepto? Restrições como a de acesso a livros, a da ingestão de certos alimentos (como café e chá preto, no caso do Mormonismo), à participação em eventos festivos, recreativos ou de entretenimento (como no caso de algumas igrejas pentecostais, a exemplo da IPDA), de inserção em cursos universitários (como no caso das Testemunhas de Jeová), e aos direitos da mulher (como no caso do islamismo), são questões a serem investigadas mais de perto.





Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da 
religiosidade brasileira e colaborador do Genizah 


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz2jG7tpX6j
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31/10 - Reforma Protestante para alguns e halloween gospel para outros!


Nesse mundo gospel neopentecostal não é à toa que muitos não saibam o que significou ( e o que significa) a Reforma Protestante, sem falar que ao menos na minha época esse assunto foi abordado nas aulas de história no oitavo ano.
Para quem quer começar a compreender sobre o assunto segue um breve vídeo do Ariovaldo Jr.



Igreja reformada sempre se reformando!

26 de outubro de 2013

Pesquisa revela 4 motivos por que “ninguém quer mais ir à igreja”


Por Jarbas Aragão ►

Os autores Thom e Joani Schultz dedicam-se a fazer estudos constantes sobre como ajudar as igrejas a se fortalecerem. Afirmam serem consultores e já escreveram um livro polêmico anos atrás chamado“Why Nobody Learns Much of Anything in Church Anymore” [Por que ninguém mais aprende muita coisa na igreja]. Eles afirmam terem ficado muito preocupados após uma pesquisa conduzida por eles indicar que:
  • 12% dos presentes afirmam lembrar o conteúdo do sermão no dia seguinte
  • 90% afirmam que pensam em outras coisas durante o sermão
  • 33% acham os sermões “longos demais”
  • 11% dos homens e 5% das mulheres afirmam que o sermão dominical é a principal maneira como eles aprendem sobre Deus

Seu novo livro, “Why Nobody Wants to Go to Church Anymore” [Por que Ninguém mais quer ir à Igreja] promete ser igualmente polêmico. Assim como no primeiro, lideranças cristãs afirmam que a Igreja não é um esforço puramente humano e, por isso, as conclusões não podem ser aceitas sem questionamentos.

O fato é que em muitos países historicamente cristãos, principalmente na Europa e nos EUA, a frequência aos cultos diminui a cada ano. Cada vez mais, os bancos vazios aos domingos refletem-se no número recorde de igrejas fechadas ou vendidas para a abertura de templos para muçulmanos ou lojas.

No livro lançado este mês, os autores procuram fornecer algumas respostas, com destaque para as“quatro soluções possíveis” para o problema. Thom Schultz e sua esposa dizem que algumas das causas estão relacionadas com tendências sociais e culturais, mas para ele o problema pode ser identificado no mundo todo, especialmente entre os mais jovens.

Schultz disse que é uma questão complexa, pois a cultura atual questiona como nunca as crenças e o estilo de vida dos cristãos. Afirma ainda que as pessoas não querem simplesmente ser ministradas em um sistema de comunicação unidirecional, pois estão acostumadas a fazer parte de um debate constante nas redes sociais.

Os quatro aspectos principais de seu estudo, considerado por ele os “motivos” são:

1) As pessoas sentem-se julgadas na igreja. Como solução, ele propõe a “hospitalidade radical”. Isso significa aceitar a pessoa como ela é, mas sem concordar com o que ela faz. “Essa nada mais é que uma abordagem semelhante à que Cristo usava”, garante.

2) Falta de diálogo no que se refere ao ensino. Para Schultz é necessário existir uma “conversa sem medo”, que significa considerar os vários pontos de vista, ao invés de simplesmente oferecer palestras com o assunto já decidido. “As pessoas querem ser envolvidas na conversa sobre a fé”, por isso incentiva que as igrejas estejam mais abertas para ouvir opiniões.

3) Para a maioria dos não-crentes, “os cristãos são hipócritas” e essa percepção só aumenta com os casos de escândalo financeiros e sexuais em alguns meios. Por isso, o autor está pedindo “humildade genuína”. Defende que as igrejas não devem querer estar acima desses problemas sem oferecer soluções e mostrar na prática que isso é uma generalização.

4) É enorme o número de críticos argumentando que Deus está distante ou morto e por isso o mundo está nesse estado atual. Schultz acredita que as igrejas precisam voltar a sintonizar suas mensagens na pessoa de Deus. “Muitas igrejas já se esqueceram de falar sobre Deus, falam apenas sobre o que ele fazia nos tempos bíblicos”, afirma. A ênfase exagerada nos benefícios materiais que a fé pode trazer também contribui para que as pessoas percam a noção de elementos como graça e pecado, vendo sua relação com Deus como apenas uma troca de ofertas por bênçãos.

O Centro Pew de Pesquisa sobre Religião e Vida Pública, realizou um estudo demográfico abrangente em grande parte dos países do mundo. A pesquisa incluía estatísticas e análise de tendências para as próximas décadas. Uma de suas principais conclusões é o rápido crescimentos dos “sem religião”, especialmente em países tradicionalmente cristãos. Eles já são o terceiro maior grupo “religioso” do mundo, atrás de cristãos e muçulmanos. Cerca de uma em cada seis pessoas do mundo (16,3%) afirma ser “sem religião”. A maioria deles afirma que, embora tenha suas crenças particulares, não se identifica com nenhuma religião “oficial”.

Schultz acredita que essa tendência pode ser revertida caso as igrejas sejam mais relevantes em suas mensagens, especialmente se posicionando biblicamente sobre questões como desigualdade social, cuidado com o meio-ambiente, e tantas outras “perguntas que todos estão se fazendo”.

O autor mencionou a homossexualidade como um exemplo de assunto que rapidamente é abordado pelos pastores, que se esquecem que existem muitos outros tipos de imoralidades que eles parecem não ver.

“Eu acredito que a igreja pode prosperar de novo”, disse ele, observando que para isso é necessário mudar a metodologia, não a mensagem. 

Com informações The Blaze.

Li no Gospel Prime

25 de outubro de 2013

O novo ateu


Por Ricardo Barbosa de Souza em Monergismo

Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador.

Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não creem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano.


Outros não creem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.

Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.

No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.

Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

Os cristãos modernos creem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, frequentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e leem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.

Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.

A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.

A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

20 de outubro de 2013

Seriam as igrejas neopentecostais as principais responsáveis pelo crescimento dos desigrejados?




Este é o terceiro artigo da série “Desigrejados”. No último artigo apresentamos uma breve analise das tabelas dos censos 2000 e 2010 apresentando os dados acerca da população residente segundo a religião. Ali, tecemos algumas considerações acerca da impressionante variação do grupo “religião evangélica não determinada” ou “evangélicos sem vínculo denominacional” entre os dois censos. Um grupo formado por 9.218.129 evangélicos que experimentou crescimento de 780% no decênio.

Entre estes nove milhões de evangélicos sem vínculo denominacional estão incluídos diversos grupos. Entre os principais, o formado pelos evangélicos que decidiram abandonar o modelo tradicional denominacional – as chamadas igrejas com CNPJ- e buscar formas alternativas de comunhão (Ver discussão AQUI) e o grupo dos chamados desigrejados, o foco do nosso interesse. Sobre estes, no segundo artigo da série, tecemos algumas considerações e, com base nos números disponíveis, terminamos por arriscar uma estimativa para o número de evangélicos brasileiros desigrejados: Quatro milhões.

Believing without belonging

Estamos, portanto, diante de uma multidão de mais de quatro milhões de irmãos de fé que durante algum tempo congregou em igrejas evangélicas, não se desviou do caminho do Senhor, segue vivendo a sua fé, mas decidiu fazê-lo sem manter vínculo com nenhuma denominação evangélica e, tão pouco, aderir a nenhuma alternativa disponível para congregar, entre outras: igreja nas casas, células, comunidades alternativas, emergentes ou movimentos de qualquer tipo envolvendo comunhão presencial. A estes chamamos de desigrejados. Ou como dizem os ingleses, “believing without belonging” (crer sem pertencer).

O que houve com esta gente toda? Que denominações elas deixaram? O que as motivou a se “desigrejar”? Muita gente acredita que a maior parte da decepção com a igreja motivando o “desigrejamento” tem origem no crescimento das igrejas de modelo neopentecostal e a propagação de suas doutrinas adoecidas. Neste artigo, vamos levantar alguns pontos e propor algumas discussões, pois, cremos, a resposta não é tão simples assim.

Não se discute que a construção doutrinária das organizações neopentecostais esta ali para atender a uma cultura predominantemente hedonista onde o “cristo” é materializado nestes locais pelo sacrifício pessoal, não o vicário do Senhor. O fiel oferece sacrifícios na forma de ofertas em dinheiro, promessas, jejuns... E, em troca, espera a ação sobrenatural sobre a sua vida. Ou melhor, investimento feito, “semente plantada” ele DETERMINA a sua própria vitória (em Cristo?)! Estas pessoas, em geral, estão fadadas a ser reclamantes no PROCON da fé, mas não são, necessariamente, os futuros desigrejados.

A maioria dos que saem pela porta dos fundos dos templos neopentecostais é composta por aqueles que, de fato, ampliando a metáfora, nunca buscaram a porta estreita. É preciso ter em mente que boa parte dos que adentram nestes supermercados de milagres, se encontra esvaziada do menor resquício de transcendentalidade. Os seus olhos esperançosos estão apontados para o “grande apóstolo” de carne e osso que tem “moral” com Deus. Os frequentadores não buscam a face de Deus, mas o milagre negociado pelo super-ungido a seu favor. O exercício da fé, a disciplina e o envolvimento estão nitidamente vinculados a uma sucessão de campanhas e desafios e pouco, ou quase nada, a uma legítima vivência devocional e de adoração. De maneira que, sem que tenham sido –de fato- separados, nascidos de novo, os que se decepcionam com este cambalacho religioso, dificilmente, seguem buscando a Cristo, até porque nunca o fizeram. Não O conhecem.

Diferentemente, o desigrejado foi ferido pelo corpo, mas está em Cristo. O perfil do desigrejado produzido nas corporações neopentecostais é aquele de uma minoria que, de fato, foi alcançada de alguma forma, apesar de todos os pesares. É o nascido de novo, o que busca o caminho do obreiro, se envolve com o ministério, assume liderança, mas que, em algum momento, entra na máquina de moer gente e é esmagado pela indústria da fé.

De tudo o que ouvi, acompanhei e vivi com irmãos sinceros, gente de Deus, que saiu de denominações neopentecostais e retomou o caminho em congregações vibrantes, com boa doutrina, eu só posso explicar a travessia e o tempo desperdiçado nestas corporações da fé a partir da experiência do sapo cozido em fogo brando: O sapo entra na panela com a agua fria e não se dá conta que a mesma vai esquentando. Morre cozido, sem perceber. Assim é o crente que se encontra nestas comunidades que perdem o rumo e são levadas pela corrente da apostasia. Em geral, o incauto quando abre os olhos leva grande susto e se dá conta da extensão das feridas, das mentiras e das desilusões.

Felizmente, muitos reconhecem que na gerência da fabrica de desilusões estão homens e não abandonam o Caminho.

Seriam as igrejas neopentecostais as principais responsáveis pelo crescimento dos desigrejados?

Sim. As igrejas neopentecostais são as principais responsáveis pelo crescimento dos desigrejados.

Ademais, as denominações neopentecostais produzem mais desigrejados em termos absolutos do que qualquer outro grupo de origem, até porque, o fluxo de saída de fiéis é um reflexo da enorme afluência na entrada, do envolvimento e das motivações dos seus frequentadores. Contudo, apesar de serem muitos os que deixam estas hostes e seguem no caminho do Senhor, estes são a minoria entre todos os que abandonam as igrejas neopentecostais.

As igrejas históricas produzem, proporcionalmente, mais desigrejados

O que eu observo a partir do meu envolvimento com desigrejados e dos testemunhos deixados no Genizah é que são as igrejas históricas que produzem, proporcionalmente, mais desigrejados. Surpreso? Então, considere o seguinte: Sabemos que as principais causas do “desigrejamento” estão intimamente ligadas às deformações doutrinárias e às estruturas de governança corrompidas das seitas neopentecostais. Também sabemos que o desigrejado é um desiludido com a igreja, um ferido pelo Corpo, mas é, também, alguém que segue caminhando com Jesus. Portanto, é preciso que esta pessoa tenha, de fato, tido um encontro real com Jesus Cristo e vivido uma experiência efetiva e significativa de pertencimento em uma congregação evangélica. E, com isto em mente, é que ao se constatar o grande número de desigrejados originados de denominações históricas, logo se verifica que a maior parte é egressa de igrejas históricas que se neopentecostalizaram. É o fermento ruim levedando a massa boa.

As igrejas históricas sempre produziram os seus feridos. E, para além das chagas provocadas por incidentes isolados de má liderança, moléstia que nem os santos estão imunes, como a própria Palavra atesta, sempre sofremos de um mal endêmico associado aos nossos ambientes repletos de usos e costumes. Locais reunindo condições especialíssimas em que vicejam a hipocrisia, o bullying, os julgamentos impiedosos entre os irmãos, os abusos de liderança, a intromissão dos líderes na intimidade familiar dos fiéis, os escândalos sexuais, etc. Os crentes mais velhos guardam na memória as arbitrariedades disciplinares cometidas em nome de um deus pré-Graça. Portanto, as razões para o “desigrejamento” nas igrejas históricas são antigas. O que temos agora é uma invasão, de uma expressão sem precedentes, dos ventos de doutrina originados no meio neopentecostal no seio das igrejas protestantes.
A disseminação dos ventos de doutrina nas igrejas histórias ocorre de diversas formas, com destaque para os dois tipos mais deletérios de ataque: O primeiro é o ataque furtivo. Ocorre a partir da adoção das práticas do movimento G12 e os seus sucedâneos tupiniquins. As tentações do crescimento rápido, principalmente em face da “concorrência” do movimento neopentecostal têm levado comunidades históricas a capitular diante dos métodos da visão celular – um sistema benfazejo para a propagação de ventos de doutrina. E, como se não bastasse, um eficiente cavalo de Troia, para a tomada da congregação por parte de lideranças externas e suas doutrinas heterodoxas. Não são poucas as congregações batistas, metodistas e presbiterianas que cederam ao canto de sereia do MIR e do G12! Já a segunda grande frente de ataque dos “ventos neopentecostais” contra as igrejas históricas é mais franca e direta, mas não menos letal, e ocorre a partir de grandes movimentos de líderes poderosos abrindo cisma, como foi o caso de Silas Malafaia que promoveu a teologia da prosperidade nas Assembleias de Deus, além de outros modismos.

A herança neopentecostal

O que as igrejas neopentecostais produzem mais não são desigrejados, mas desviados. Gente que deixou de crer. Gente que ou se perdeu no caminho ou, dizem uns, gente que nunca pertenceu ao Corpo: Agregados circunstanciais, clientes da indústria do milagre. 

O alvitre principal das igrejas neopentecostais é a criação de barreiras fortes para a evangelização. O seu pendor mercantilista está evidenciado nos meios de comunicação e os escândalos promovidos por seus líderes geram a repulsa de parte da sociedade pelos evangélicos.

As doutrinas neopentecostais, em especial a confissão positiva e suas derivadas irão salgar os campos brasileiros assim como liberalismo teológico o fez na Europa. As denominações históricas e as comunidades sérias deste país irão pagar caro pelos anos de complacência, acobertamento e silencio diante dos excessos dos líderes neopentecostais e suas práticas mercantilistas. O crescente preconceito da sociedade, também insuflado pela mídia e formadores de opinião na classe artística e política, cobra a sua conta em toda e qualquer iniciativa evangelística da igreja. Sofremos com a crescente perda de credibilidade em todos os níveis e instâncias... Até na comercial! O próximo passo será dado nas esferas legal e fiscal. As movimentações no executivo e no legislativo não parecem muito auspiciosas para as igrejas com C.G.C. É aguardar para ver o circo pegar fogo.