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12 de agosto de 2013

Crescimento das igrejas: três armadilhas

A preocupação com o crescimento é legítima e necessária, mas os riscos dessa expansão são muito grandes.



Por Ricardo Barbosa de Sousa em Cristianismo Hoje

Para mim não é fácil escrever um artigo sobre os perigos do crescimento das igrejas. Primeiro, porque nunca fui pastor de uma igreja numerosa. Não sei o que isso significa. Segundo, porque a realidade que envolve o crescimento de uma igreja é sempre muito complexa. Espera-se que uma igreja saudável, que ensina a Palavra de Deus, evangeliza e faz discípulos de Cristo, cresça numericamente.

Porém, a saúde e a fidelidade de uma igreja podem levá-la a crescer e ser relevante, bem como a sofrer e ser marginalizada. No entanto, como o crescimento e a visibilidade das igrejas despertam grande interesse e o status decorrente é muito sedutor, o que não acontece quando o que está em jogo é o sofrimento, a marginalidade e o martírio, gostaria de refletir sobre os riscos, ou quem sabe, sobre os ídolos, que o crescimento numérico das igrejas pode apresentar.


A preocupação com o crescimento da igreja é legítima e necessária. Sempre foi. O desafio dessa expansão envolve afirmar a prioridade da missão, a centralidade do evangelho, a necessidade de falar para os de fora, bem como o esforço para ser relevante no contexto social e cultural, no estabelecimento de alvos objetivos, na importância de estratégias e no uso correto das ferramentas sociais e tecnológicas.

Embora esta preocupação com o crescimento seja percebida em toda a história cristã, as mudanças sociais das últimas décadas trouxeram novas realidades, que precisam ser analisadas criticamente. Há três décadas, a preocupação dos evangélicos era com a missão integral e a luta por transformação política e social. A preocupação hoje é com a igreja local, seu crescimento, e sua presença na sociedade. Antes o foco estava na esfera pública; agora, na esfera privada da vida comunitária. Antes a palavra de ordem era "revolução", hoje é "relevância".

A busca por uma igreja relevante abre portas para um novo mundo, trazendo novos desafios e possibilidades. Por outro lado, abre brechas para o risco de a igreja se comprometer, muitas vezes sem perceber, com o espírito desta era. Modernizar e inovar não são um problema em si. Porém, é preciso olhar criticamente para a forma como se faz a busca por relevância e de que maneira se lança mão dos recursos modernos de crescimento. É necessário discernir os riscos que tais ações representam para o futuro do cristianismo.

A expressão "crescimento" pode ser compreendida em termos quantitativos (número de membros, orçamento, projetos) e qualitativo (maturidade, caráter, profundidade). Ambos são importantes, e um não exclui, necessariamente, o outro. No entanto, o crescimento quantitativo nem sempre promove um crescimento qualitativo, mas sempre desperta um fascínio em função da visibilidade e do prestígio que uma grande igreja proporciona para seus líderes e membros. É aqui que enfrentamos um grave risco: o de se construir a casa (igreja) sobre a areia e não sobre a rocha, segundo a parábola de Jesus.

CARACTERÍSTICAS DAS IGREJAS QUE CRESCEM

As igrejas que mais crescem possuem, pelo menos, três características comuns: uso intenso de modernas ferramentas tecnológicas, forte liderança pessoal e uma poderosa marca institucional. É claro que existem outras características, mas quero me deter nestas três e refletir sobre os riscos que elas representam para o futuro da igreja.

A revolução tecnológica da segunda metade do século 20 e deste início de século 21 mudou o cenário religioso. A busca pela excelência funcional e por uma comunicação eficiente ocupa o topo das prioridades de muitas igrejas. Possuímos tecnologia para um bom planejamento estratégico, música de excelente qualidade, projetos de crescimento eficientes.

O problema é que a tecnologia tem o poder de substituir aquilo que Deus faz por aquilo que é feito pelo homem. Vivemos o risco de um perigo semelhante ao que Paulo percebeu na igreja de Éfeso, cujos crentes, segundo o apóstolo, tinham aparência de piedade e no entanto lhe negavam o poder. Ter uma boa música, não nos torna, necessariamente, adoradores. Um bom planejamento estratégico não tem o poder de transformar mentes e corações. Projetos eficientes não fazem de nós verdadeiros discípulos de Cristo.

Igreja bem estruturada não é sinônimo de comunhão. A crítica à Igreja de Laodicéia é de que ela era rica e abastada e não precisava de coisa alguma. Inclusive de Deus. A tecnologia vem se tornando um substituto para a fé. Mas essa eficiência não substitui o poder transformador do evangelho. Precisamos perguntar: é possível discernir o que Deus está fazendo? O primeiro risco que a igreja enfrenta hoje é o da negação de Deus. Não a negação de sua existência, mas do seu poder.

Uma segunda característica comum é a forte liderança pessoal. A liderança forte, bem como a tecnologia, em si, não constitui um problema. O risco está naquilo que nem sempre é percebido. Se a tecnologia traz o risco de uma igreja sem Deus, a liderança forte traz o risco de uma igreja sem netos ou bisnetos. Hoje, o que mais atrai os fiéis a uma igreja, além de sua funcionalidade, é o carisma de seu líder.

Ao ser perguntado pela igreja que frequenta, a resposta mais comum é "a igreja de fulano de tal". Essa liderança confere uma posição de destaque ao membro desta igreja. A pergunta é: igrejas assim sobreviverão à uma segunda ou terceira geração? Sobreviverão depois que seus grandes líderes saírem de cena? Sabemos que algumas megaigrejas na América do Norte entraram em rápido declínio na segunda geração de líderes.

O velho problema da igreja de Corinto se repete: uns são de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e alguns chegam a dizer que são de Cristo. O personalismo intensifica o narcisismo, que muda o objeto da adoração. Tanto na política como na igreja, a figura forte de um líder compromete o futuro. Vive-se um apogeu glorioso seguido por um rápido vazio e declínio.

A terceira característica é a forte marca institucional, que a torna atraente. Aqui vejo dois perigos. O primeiro diz respeito à busca por relevância. Porém, o que precisa ser relevante, a igreja (instituição) ou o evangelho de Cristo? É possível ser relevante e, ao mesmo tempo, comprometido com a verdade? Sem o evangelho e sem a verdade, qualquer esforço para ser relevante se mostrará, cedo ou tarde, totalmente irrelevante. A imagem que Paulo usa é a do tesouro em vasos de barro.

Não é o evangelho de Cristo que desperta o interesse de muitos para a igreja hoje, mas a própria igreja com seus métodos, programas, música e tecnologia. Isso não é necessariamente ruim. Nem sempre as pessoas serão atraídas pelos motivos mais nobres. O problema é que o vaso vai se transformando não só na porta de entrada, mas num fim em si mesmo. Quanto mais atenção se dá ao vaso, menor valor terá o evangelho.

O outro perigo é a perda da consciência de ser povo de Deus, Corpo de Jesus Cristo. Algumas igrejas que crescem rapidamente atraem uma quantidade considerável de cristãos frustrados com suas igrejas de origem, que ali chegam como a última alternativa institucional de sua jornada cristã. Envolvem-se com paixão, adquirindo uma forte identidade com aquele grupo em particular. O problema é que não são mais capazes de se verem como parte do povo de Deus em uma determinada região ou cidade, mas apenas como povo de Deus de uma igreja particular. É a negação do "povo de Deus" e a afirmação perigosa de uma elite religiosa superior.

CUIDADOS NO CRESCIMENTO

O desafio do movimento moderno de crescimento de igrejas requer alguns cuidados. O primeiro é o de preservar Deus como Deus na igreja. A tecnologia pode nos ajudar em muitas coisas, mas não transforma o coração e a mente caída do ser humano. Só seremos relevantes enquanto permanecermos envolvidos pelo que é eterno. Podemos usar os recursos modernos, mas precisamos nos assegurar que o que virá pela frente serão vidas transformadas pelo poder do evangelho de Jesus Cristo e não consumidores de programas e entretenimento religiosos.

O segundo cuidado é reconhecer a virtude da humildade. O testemunho de João Batista era: convém que ele cresça e que eu diminua. Este deve ser o espírito de qualquer líder. Jesus advertiu seus discípulos em relação ao risco do poder quando disse que entre os grandes e poderosos deste mundo, o maior manda nos menores. No entanto, disse ele, entre vocês não será assim. Quando a admiração por um líder diminui a devoção a Cristo, é sinal de que o espírito desta era já nos capturou.

O terceiro cuidado é compreender que fomos batizados num corpo. Somos o povo de propriedade exclusiva de Deus. Adoramos a Deus em uma comunidade local, grande ou pequena, mas o Deus que adoramos fez uma aliança com seu povo do qual somos parte. O precioso tesouro foi confiado a um vaso de barro. Seja este vaso grande e inovador, ou pequeno e discreto, o que importa é o tesouro confiado a ele, sempre. Se a relevância pertencer ao vaso, o tesouro será negado à humanidade. É o Corpo de Cristo, todo ele, que revela a glória do cabeça da Igreja.

Os riscos do crescimento são invisíveis, mas muito grandes. Construir uma casa sobre a areia sempre foi uma opção atraente e sedutora. Mas formar discípulos fiéis e obedientes de Jesus Cristo, ensiná-los a guardarem seus mandamentos e obedecê-los, integrá-los em uma comunidade de adoração e serviço sacrificial, sempre foi uma tarefa difícil, lenta e trabalhosa.

Porém, quando vierem as tempestades e os vendavais testando o valor da fé, esta igreja, edificada sobre a rocha, testemunhará a glória da verdade redentora de Jesus Cristo.

Fonte:http://blogdopcamaral.blogspot.com.br/2013/08/crescimento-das-igrejas-tres-armadilhas.html#more

15 de março de 2012

ENCONTRAMOS O MESSIAS!






“Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido a Jesus. Ele achou primeiro ao seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias, e o levou a Jesus.” João 1:40-42
"Achamos o Messias!", disse André a primeira pessoa que encontrou: Pedro, seu irmão. E, imediatamente o levou até Jesus.
A mesma reação encontramos na mulher de Samaria, em João 4, quando após um encontro com Jesus no poço, ela com pressa, deixa o seu cântaro, e corre para seu vilarejo anunciar: vejam! Encontrei um homem que me disse tudo que tenho feito! Será este porventura o Cristo?
No mesmo sentido é a parábola do tesouro escondido: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai vende tudoo que tem, e compra aquele campo.” Mateus 13.44
Como essas pessoas ficaram maravilhadas, e “transbordantes de alegria”, em encontrar com o Messias, ou em descobrir o Reino dos céus!  Elas não conseguiam se conter, tamanha a alegria e entusiasmo que tal realidade causara em suas vidas. Simplesmente tinham que compartilhar, tinham que contar para alguém.
Fico a me perguntar, para onde foi a minha empolgação, por ter encontrado o Messias? Para quem eu tenho compartilhado dessa maravilhosa notícia de que Deus se reconciliou com o homem? Para quem tenho falado com alegria, dessa graça, dessa salvação? 
Infelizmente, vejo que nós, como cristãos, passados alguns anos na igreja, já não temos mais aquela empolgação, aquela vontade de falar para o mundo todo acerca do que Jesus representa para nós, ou daquilo que Ele tem feito em nossas vidas.
A gente parece que se ‘acostuma’ com o fato de que temos a vida eterna, temos paz em meio a tribulação, temos um sumo sacerdote que se compadece de nós, temos um trono de graça para recorrermos, a fim de acharmos misericórdia em tempo oportuno! 
Nós nunca deveríamos nos ‘acostumar’ com essas realidades. Antes, deveríamos celebrá-las todos os dias, e nunca perder uma oportunidade de espalhar as boas novas para aqueles que ainda não ouviram.
Nos últimos dias, tive contato com pessoas que me desafiaram nesse sentido.
Outro dia estava na casa de um pastor muito amigo, que já está na casa dos seus 70 anos, e já fez muito pelo reino de Deus. Esse homem realmente é uma pessoa frutífera, sempre trabalhando na obra do Senhor, com muito ânimo e afinco. Mas mesmo tendo feito muitas coisas, ele até hoje, não perde oportunidade de falar sobre o Senhor. 
Este pastor me contou que recentemente estava em uma livraria secular, e achou um livro muito interessante do Pr. Billy Graham. Quando chegou com o livro no Caixa, para pagar, ele leu em voz alta o título, que era sobre a volta de Jesus, e aí perguntou para a pessoa que estava no Caixa, e para o cliente a quem ela estava atendendo, se eles acreditavam na volta de Jesus.
O funcionário respondeu que sinceramente, nunca havia pensado sobre esse assunto. O cliente, que estava à sua frente, na fila para pagamento, revelou-se um ateu, e disse que não acreditava em nada daquilo. De repente, seguiu-se ali uma conversa, onde o pastor, com muita educação, ouviu vários argumentos do ateu sobre Deus, até que este lhe disse: Eu sou uma pessoa mais feliz que você. Eu não tenho essa necessidade de ficar evangelizando todo mundo. Eu sou livre. 
Então, meu amigo pastor lhe contou a parábola do tesouro escondido, e aí arrematou a conversa dizendo que ele havia achado um tesouro muito precioso, e por isso, queria que todos ao seu redor achassem também.
E assim, ele evangelizou um estranho, em um lugar comum, como uma fila de caixa em uma livraria.
Outro exemplo que ouvi esta semana, foi sobre a mãe de um irmãozinho aqui da igreja, que faleceu ano passado.
Essa mulher estava em seus últimos dias de vida, sentindo dores e desconfortos, e sempre que as pessoas iam visitá-la em casa ou no hospital, ela sempre lhes falava do poder de Deus, da obra de Jesus, e lhes apresentava o plano da salvação. Morreu em paz, na certeza de que se encontraria com seu Senhor, e deixando um legado de fé poderoso para sua família.
Por fim, um testemunho que muito me tocou recentemente, foi o de Jakylene,  esposa do cantor Mauro, do grupo de músca evangélico, Oficina G3. Jakylene estava com câncer, e já lutava com a doença há algum tempo. 
Em uma de suas úlitmas passagens pelo hospital, ela pediu que seu esposo fosse lá com o violão, para louvarem ao Senhor. Esse vídeo foi divulgado no You Tube, e seu conteúdo é tremendo. Ali, vemos Jakylene louvando ao Senhor, apesar de estar ali, naquela cama, debaixo de muitos medicamentos, e também debaixo de uma sentença de morte. Mas ela aproveitou aquela oportunidade para falar do amor de Deus, e de dizer como Ele era o Senhor de sua vida, e que Ele estava com ela naquele momento. Claramente podíamos ver que o coração dela estava em paz, mesmo no meio daquela situação dificílima. Alguns dias mais tarde, ela partiu para estar com o Senhor, e deixou-nos um grande exemplo de fé a ser seguido.
Quando foi a última vez que você compartilhou com alguém o fato de você ter encontrado o Messias?
Vocé tem aproveitado as oportunidades?
Ou será que é tempo de orarmos: senhor, renova em mim a alegria da tua salvação! (Salmo 51.12)
O simples fato de termos todos os nossos pecados perdoados, de termos a certeza de onde vamos passar a eternidade, de termos Jesus como nosso amigo verdadeiro, que compreende todas as nossas fraquezas e lutas, que é nosso Salvador, Intercessor, companheiro, já deveria causar em nós todos os dias, um bater mais forte no nosso coração. 
Lembro-me nesse momento do texto de Ezequiel 33 que fala sobre o atalaia, e nossa responsabilidade de falarmos de Jesus para aquelas pessoas que estão ao nosso redor, pois um dia a vida delas será cobrada de nós.
Mas acima de tudo, devemos falar para as pessoas de Jesus, do amor de Deus, do plano de salvação, não por obrigação, não como um fardo, não como uma imposição.  Antes, compartilhar acerca de Jesus, é algo que deve ser feito com alegria, de todo o coração, pois grandes coisas tem feito o Senhor por nós.
Compartilhe as boas novas. Não precisa ser uma pregação de três pontos, nem um sermão eloquente. Apenas fale daquilo que Deus fez e está fazendo na sua vida. 
Que Deus renove em nós a alegria de sermos salvos, e de pertencermos a Deus, pois afinal, nós encontramos o Messias! Encontramos o Cristo! Encontramos o Pastor das nossas almas, Aquele que dá vista aos cegos, que liberta da opressão do inimigo, que acalma as tempestades da nossa vida, apenas com uma palavra de sua boca! Encontramos Aquele que nos livrou do poder da morte e do inferno! Encontramos o Príncipe da Paz!
Alegremo-nos cada dia no Senhor!
Seja abençoado, em nome de Jesus!