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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18
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7 de maio de 2015

Amizades verdadeiras e falsos amigos


by Mauricio Zágari
amigo 1Quantos melhores amigos você já teve na vida? Eu já tive alguns. Na primeira escola tinha um; na segunda tinha outro; na faculdade tive uma grande amiga; na época do primeiro emprego um ex-professor da faculdade tornou-se meu companheirão; após a minha conversão, as afinidades me aproximaram de pessoas completamente diferentes... e assim seguiu minha jornada. A cada fase da vida mudamos de círculos de amizades e aquelas pessoas que eram nossas confidentes, companheiras inseparáveis, confessoras íntimas, até mesmo heróis e modelos... simplesmente seguem outros rumos, se distanciam, perdem a conexão. Muitas nunca mais vemos. Outras encontramos esporadicamente. E há ainda aquelas que até mesmo vemos eventualmente, mas parece que a antiga química sumiu. Como lidar com amizades que revelam não ser tão sólidas e eternas como você imaginava?
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Confesso que por muitos anos isso me incomodou. Eu sempre fui muito apegado a quem amo e me afrontava bastante a ideia de que fulano não sentia mais o mesmo desejo de estar em minha companhia. O tempo passou, eu cresci, amadureci e descobri que essa dinâmica é absolutamente natural e faz parte da vida de todo ser humano. Não foi fácil, mas, enfim, a ficha caiu. A razão de nossos amigos mudarem e se afastarem é simples: todo mundo muda. Faz parte da natureza humana. Faz parte da vida. E, quando digo que todo mundo muda, me refiro a mudanças em diferentes aspectos: interesses, valores, projetos de vida, visão de mundo, espiritualidade e por aí vai. Por isso, enquanto você compartilha similaridades com certa pessoa, isso vai aproximá-los; no dia em que esses pontos de atração deixarem de existir, será um milagre sustentar uma amizade próxima. E, aí, quem andava mais próximo de você vai partir para outras pastagens.
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amigo 2Na minha adolescência, por exemplo, eu era um roqueiro que gostava de vida noturna e livros. Naturalmente, meus amigos tinham esse perfil: ou eram leitores compulsivos que gostavam de debater literatura ou gente que apreciava ir a shows de rock. Quando comecei a trabalhar, como um repórter de assuntos internacionais do Jornal do Brasil, passei a conviver com jornalistas mais maduros, que falavam sobre temas mais sérios e densos. Meu foco foi mudando, meus assuntos preferidos tornaram-se outros. Em pouco tempo, os roqueiros já não me convidavam mais para sair.
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Veio minha conversão, e meus antigos melhores amigos passaram a me ver como um religioso fanático e louco - e se afastaram. Naturalmente, ganhei novos amigos, pessoas comprometidas com o evangelho que eu agora abraçava. E, com minha caminhada na fé, percebi que o fenômeno continuava, pois até mesmo dentro da igreja seus relacionamentos mudam, dependendo de como enxerga as coisas: se você se dedica mais à oração vai se aproximar de gente de joelhos calejados; se torna-se um crente agressivo, vai passar a andar com os adeptos da jihad cristã; se é reformado vai se aproximar de reformados; se segue a Missão Integral vai buscar quem compartilha da sua visão... e por aí vai.
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Acredito que o grande segredo é compreender que isso é natural e não se decepcionar porque seus melhores amigos partiram. Daí em diante, devemos viver em paz com todos, sendo os melhores amigos que pudermos, mesmo daqueles que não nos desejam mais como amigos. Esse é o principio até mesmo do amor pelos inimigos: dar o melhor de nós por quem não dá muito por nós.
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Talvez este não pareça ser um assunto muito espiritual. Mas é. Amizades são importantes. Aliás, são fundamentais. Eclesiastes 4.9 mostra que "Melhor é serem dois do que um". Jesus cercava-se de amigos. Ele gostava de estar perto dos doze, de Maria, Marta e Lázaro. Amizades nos fortalecem e nos edificam. Bons amigos ajudam a nos exortar, ouvem nossos desabafos, oram por nós, passam as madrugadas ao nosso lado se for preciso. Amigos verdadeiros fazem falta.
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Quer testar uma amizade? Deixe vir o vendaval ou, principalmente, torne-se alguém que não pode mais oferecer benefícios para essa pessoa. Se o amor e a presença dela por você permanecerem, mesmo quando não houver mais nada que você possa lhe proporcionar, mais nenhuma vantagem, nenhum benefício... então esse é um amigo real, autêntico, legítimo. "O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos" (Pv 14.20). Busque as melhores amizades. As que passam, deixe ir, é normal que isso aconteça. Mudam os interesses, ou, às vezes, o que havia era só interesse.
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amigo 3Acima de tudo, mais do que se preocupar com os que são amigos verdadeiros ou não, procure ser um amigo real para os seus amigos. O que tem valor de fato no reino de Deus é você ser o melhor amigo que puder, a despeito de como os outros são com você. Siga o exemplo do bom samaritano: ele, sim, foi amigo do homem à beira da estrada, a quem devotou-se sem ter nada a ganhar com isso. Faça tudo por seus amigos. Sirva-os, entregue-se e não espere nada em troca. Provavelmente, você não terá muita coisa em troca mesmo. Uns vão passar, outros mostrarão não ser tão amigos assim, outros te decepcionarão. Mas tudo bem, não importa: lembre-se de que, na cruz, apenas um dos amigos de Cristo permaneceu ao seu lado. Os demais? Bem... Jesus deixou o exemplo do que fazer por eles: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos" (Jo 15.13).
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Entregue sua vida pelo próximo: o verdadeiro amigo, o não tão verdadeiro assim, o que vai e o que fica. Isso é o amor maior. É o amor incondicional. É dar sem receber. Ao pôr em prática essa forma tão dura é difícil de amar, você simplesmente estará amando como Deus nos amou.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

27 de abril de 2013

Você daria a vida por um amigo?



Pítias, condenado à morte pelo tirano Dionísio, passava na prisão os seus últimos dias. Dizia não temer a morte, mas, como explicar que seus olhos se enchessem de lágrimas ao ver o caminho que se abria diante das grades da prisão? Sim, era a dura lembrança dos velhos pais! Era ele o arrimo e o consolo deles. Não mais suportando, um dia Pítias disse ao tirano:

- Permita-me ir à casa abraçar meus pais e resolver meus negócios.
Estarei de volta em quatro dias, sem acrescentar nem uma hora a mais.

- Como posso acreditar na sua promessa? Os caminhos são desertos. O que você quer mesmo é fugir - respondeu Dionísio, irônica e zombateiramente.

- Senhor, é preciso que eu vá. Meus pais estão velhinhos e só contam comigo para se defenderem - insistiu Pítias com o olhar nublado de lágrimas.

Vendo que o tirano se mantinha irredutível, Damon, jovem e amigo de Pítias, interveio propondo:

- Conceda a licença que meu amigo pede; conheço seus pais e sei que carecem da ajuda do filho. Deixe-o partir e garanto sua volta dentro dos dias previstos, sem faltar uma hora, para lhe entregar a cabeça.

A resposta foi um não categórico. Compreendendo o sofrimento do amigo, Damon propôs ficar na prisão em lugar de Pítias e morreria no lugar dele se necessário fosse. O tirano, surpreendido, aceitou a proposta e depois de um prolongado abraço no amigo, Pítias partiu.

O dia marcado para sua execução amanheceu ensolarado. As horas passavam céleres e a guarda já se mostrava inquieta. Entretanto, Damon procurava restabelecer a calma, garantindo que o amigo chegaria em tempo.

Finalmente chegara a hora da execução. Os guardas tiraram os grilhões dos pés de Damon e o conduziram à praça, onde a multidão acompanhava em silêncio a cada um dos seus passos.

Subiu, então, ao cadafalso. Uma estranha agitação levou a multidão a prorromper em gritos. Era Pítias que chegava exausto e quase sem fôlego.

Porém, rompendo a multidão, galgou os degraus do cadafalso, onde, abraçando o amigo, entregou-se ao carrasco sem o menor pavor.

Os soluços da multidão comovida chegaram aos ouvidos do tirano.

Este, pondo-se de pé em sua tribuna, para melhor se convencer da cena que acabava de acontecer na praça, levantou as mãos e bradou com firmeza:

- Parem imediatamente com a execução! Esses dois jovens são dignos do amor dos homens de bem, porque sabem o quanto custa a palavra. Eles provaram saber o quanto vale a honra e o bom nome!

Descendo imediatamente daquela tribuna, dirigiu-se a Pítias e a Damon. Dionísio estava perplexo, e os abraçando comovidamente, lhes falou:

- Eu daria tudo para ter amigos como vocês!

"Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a própria vida pelos seus amigos" (Jo.15:13).
"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos" (I Jo.3:16).
 
Fonte: http://www.hermesfernandes.com/2009/10/o-que-voce-faria-por-um-amigo.html

7 de novembro de 2009

Amigo é coisa pra se compartilhar - Parte 2





Hermes Fernandes


Mostramos na primeira parte desta reflexão o quanto Paulo confiava em seu discípulo e amigo Tito. Sua confiança era tamanha que incluía até mesmo o cuidado pela subsistência de outros.

Confira:

“Quando te enviar Ártemas, ou Tíquico, procura vir ter comigo a Nicópolis, porque resolvi passar o inverno ali. Faze tudo o que puderes para ajudar a Zenas, doutor da lei, e a Apolo, para que nada lhes falte” (Tt.3:12-13).

Alguém já ventilou que houvesse uma animosidade ou rivalidade entre Paulo e Apolo. Ledo engano. Se assim fosse, Paulo não teria se preocupado com sua subsistência. E ainda que houvesse, isso demonstraria o grau de maturidade do apóstolo, a ponto de preocupar-se com a subsistência de um desafeto.

Percebemos também que não havia qualquer tipo de ciúmes de Paulo para com Tito. Em momento algum ele receou enviá-lo a Apolo.

Este tem sido um problema sério em muitos ministérios hoje. Os pastores têm ciúme exacerbado de ‘suas’ ovelhas, de ‘seus’ obreiros. Insistem em mantê-los presos no redil, temendo que encontrem pastos mais verdes.

Se Paulo estivesse centrado em seu umbigo ministerial, jamais teria se preocupado com o bem-estar de Apolo. Há uma passagem que deixa bem patente esta característica nele:

“Além das coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas (...) Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2 Co.11:28; 12:15).

Como bom mentor, Paulo estava preocupado em trabalhar esta qualidade em seu pupilo. Jamais preocupou-se em puxar a brasa pra sua sardinha, mas preferiu espalhá-la para aquecer a todos à sua volta.

De onde provinha a confiança que Paulo tinha em Tito?

Tito o acompanhara desde o início. Foi seu companheiro quando desceu à Jerusalém para apresentar-se aos outros apóstolos. O fato de Tito não ter sido obrigado a circuncidar-se, por ser grego, comprovava que o cristianismo não era uma mera continuidade do judaísmo, mas algo totalmente revolucionário. Tito, portanto, era a prova e a testemunha da subversão provocada pela Graça.

Confira o texto:

“Depois, passados quatorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo a Tito. E subi por causa de uma revelação, e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios. Mas particularmente aos que pareciam ter maior destaque, para que de maneira alguma não corresse, ou não tivesse corrido em vão. Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se” (Gl.2:1-3).

E não só isso! Paulo o considerava um filho. Veja a forma carinhosa com que o apóstolo se refere a ele na abertura da epístola que lhe fora endereçada:

“A Tito, meu verdadeiro filho segundo a fé que nos é comum” (Tt.1:4a).

Apesar de todo o companheirismo entre eles, justamente na reta final de sua jornada, Paulo se vê sozinho. Onde está Tito, seu companheiro fiel? Não o traiu. Não lhe causou danos. Apenas o deixou na hora em que mais precisava. Paulo, então, apela a Timóteo, em busca de um ombro amigo.

“Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me abandonou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para a Galácia, Tito para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Toma a Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. Quanto a Tíquico, enviei-o a Éfeso. Quando vieres traze a capa que deixei em Trôade, na casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segunda as suas obras” (2 Tm.4:9-15).

O velho apóstolo, já prestes a ser executado, se sente só, abandonado por aqueles a quem ele dedicara sua vida. Demas nunca mais o procurara, trocando a causa de Cristo pelo apego às coisas do mundo. Crescente foi para a Galácia. Tíquico fora enviado por Paulo a Éfeso. Alexandre foi o que lhe causou mais dor de cabeça. Só lhe restou Lucas.

Mas de todos estes, quem mais lhe fazia falta, era, sem dúvida, Tito, seu filho amado. Quando não o encontrou em Trôade, saiu com tanta pressa de revê-lo, que acabou deixando pra trás sua capa e seus livros.

Acompanhado apenas de Lucas, o médico, Paulo pede que Timóteo venha, mas não venha só. Que traga consigo a Marcos, aquele mesmo que em outro episódio também lhe deixara, e contribuíra para o afastamento entre Paulo e Barnabé (At.15:36-39). Talvez o que Paulo realmente quisesse era evitar que Timóteo fizesse aquela longa viagem sozinho. Ele sabia o quanto doía estar só.

Como alguém que provocara o rompimento entre Paulo e Barnabé, poderia agora ser-lhe útil?
A esta altura da vida, Paulo já tinha experiência suficiente para entender mais da natureza humana. Por isso, se dispusera a perdoar a Marcos, possibilitando que retornasse ao seu convívio, e servisse de companhia a Timóteo.

À medida que amadurecemos, damo-nos conta de que não adianta tentar monopolizar nossos relacionamentos. Aprendemos que nossos amigos necessitam outras companhias além da nossa. Porém, devo admitir que é mais fácil compartilhar bens materiais do que amizades.

Não confunda lealdade com exclusividade. Amizade é como o ar que respiramos; a gente jamais deve descartar, mas buscar reciclar constantemente, enquanto partilha com os demais.


6 de novembro de 2009

Amigo é coisa pra se compartilhar - Parte 1




Hermes Fernandes


Não basta estar no lugar certo, com a intenção correta, se não nos fizermos acompanhar das pessoas certas.

Paulo, o grande apóstolo dos gentios, jamais se deu o luxo de trabalhar sozinho. Sempre o encontramos acompanhado, ora por Barnabé, ora por Silas, ou por Timóteo ou Tito. Talvez por conhecer a instrução dada por Jesus a Seus primeiros discípulos, para que fossem de dois em dois. Isso não apenas dava peso ao seu testemunho acerca de Cristo, como também lhe servia de motivação adicional em suas longas e perigosas jornadas.

Em 2 Coríntios 2:12-13, encontramos seu desabafo num momento em que se viu sozinho:

“Ora, quando cheguei à Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, não tive descanso no meu espírito, porque não achei ali meu irmão Tito. De sorte que, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.”

Sem Tito para ajudá-lo, o apóstolo preferiu despedir-se dos irmãos de Trôade, e partir para a Macedônia. A pressa de Paulo em deixar Trôade foi tão grande, que acabou esquecendo lá sua capa e seus livros. Por isso, em sua epístola a Timóteo, pede que se lhe tragam tais coisas lá deixadas (2 Tm.4:13).

Chegando à Macedônia, Paulo reencontrou seu discípulo amado. Leia seu relatório, e perceba a alegria com que relata seu reencontro com Tito:

“Pois mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum, mas tudo fomos atribulados: por fora combates; por dentro, temores. Mas Deus, que consola os abatidos, consolou-nos com a vinda de Tito” (2 Co.7:5-6).

É interessante notar algo. Quando chegou à Trôade, devido à ausência de Tito, seu ESPÍRITO não teve descanso. Mas na Macedônia, com a vinda de Tito, mesmo com toda a tribulação, foi a sua CARNE que não teve repouso. Em outras palavras, seu espírito estava reanimado com a presença do amigo, ainda que “por fora” houvesse combates, e “por dentro temores”.

Pior do que a presença das lutas é a ausência de amigos. É melhor o cansaço da carne do que a exaustão do espírito. A amizade é uma espécie de elixir para a alma.

Será que se Paulo estivesse sozinho naquela prisão em Filipos, com as costas ensangüentadas, ele teria encontrado ânimo para cantar? Sua carne estava em frangalhos, mas seu espírito renovado, por ter ao seu lado Silas, outro dos seus fiéis companheiros.

Quando Tito ficou sabendo do desapontamento de Paulo por não encontrá-lo em Trôade, tratou de sair apressadamente ao seu encontro na Macedônia.

Entre Paulo e Tito havia uma afinidade de sentimento e de propósito. Confira as palavras do próprio Paulo acerca do seu pupilo:

“Por isso fomos consolados pela vossa consolação, e muito mais nos alegramos pela alegria de Tito, porque o seu espírito foi recreado por todos vós” (2 Co.7:13).

Repare bem nisso: Há uma recreação espiritual que só é possível pela presença de alguém com quem tenhamos afinidade de sentimento. Tem que ser algo recíproco. Qualquer bem que se fizesse a Tito, era como se fizesse ao próprio apóstolo. Recreá-lo era o mesmo que alegrar o coração do seu mentor.

Veja quanto apreço, confiança e expectativa foram investidos no jovem pastor. Possivelmente, Paulo o visse como quem daria continuidade ao seu ministério. Foi ele o enviado especial para recolher as ofertas enviadas pelos coríntios, o que comprova grande confiança.

“De maneira que exortamos a Tito que, como começou, assim também acabe esta graça entre vós”(2 Co.8:6)

Quanta confiança! Paulo sabia que Tito não se aproveitaria disso para explorar seus irmãos:

“Dou graças a Deus, que pôs a mesma solicitude por vós no coração de Tito” (v.16).

Definitivamente, seus corações batiam no mesmo compasso. O zelo pela obra de Deus lhes era comum. Ambos amavam as pessoas com a mesma intensidade, e a mesma disposição de servi-las.

Já no finalzinho de sua epístola, Paulo revela:

“Aproveitei-me de vós por intermédio de algum daqueles que vos enviei? Roguei a Tito, e enviei com ele um irmão. Aproveitou-se Tito de vós? Acaso não ANDAMOS NO MESMO ESPÍRITO? Não seguimos as mesmas pisadas?”( 2 Co. 12:17-18).

Afinidade de sentimento produz companheirismo, mas a afinidade de propósito produzcooperação. Ouça a veemência do seu testemunho:

“Quanto a Tito, é meu companheiro e cooperador para convosco” (v.23a).

Ser companheiro é caminhar junto, seguir as mesmas pisadas. Ser cooperador é trabalhar conjunto.Companhia e cooperação só são possíveis quando andamos no mesmo espírito.
Como podemos cooperar com alguém, sem que estejamos acompanhando-o? E como podemos acompanhar alguém de quem discordamos? Quando há discordância de propósito, a comunhão se torna impossível. Não me refiro aqui a pequenas discrepâncias de opinião. Nem sempre vamos concordar 100% em tudo. Mas no que tange ao propósito pelo qual estamos caminhando juntos, tem que haver concordância absoluta. “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”, é a questão levantada pelo Senhor pelos lábios do profeta (Amós 3:3).

Também deve haver uma relação de absoluta confiança e cumplicidade.

Era Tito o responsável por confirmar o trabalho apostólico de Paulo, estabelecendo presbíteros de cidade em cidade:

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem o que ainda resta, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tt.1:5).

Paulo jamais correria o risco de confiar uma tarefa tão importante a qualquer pessoa. O convívio entre eles era a garantia de que se podia confiar no outro sem ressalvas. Paulo sabia que Tito estava habilitado para terminar o que ele começara.

Cabia a Tito organizar, pôr em ordem, construir sobre as bases deixadas por Paulo. Imagine se Tito resolvesse lançar outro fundamento além do que Paulo já havia lançado. Seria um desastre. Mas esse risco sequer foi considerado. A confiança era absoluta.

Continua...

***
Hermes Fernandes é também culpado do que se faz aqui no Genizah

28 de agosto de 2009

Para meus amigos!


Amigos do Blog...
































E, acima de tudo




QUE... HOJE e SEMPRE


Origem: pps sem autoria

22 de agosto de 2009

Enquanto Houver Amizade



Um professor perguntou, certa vez, a um de seus alunos qual era o significado da palavra amigo.


O menino não soube, de pronto, responder. Ficou, por alguns momentos, em silêncio e, por fim, repetiu a palavra amigo separando devagar as sílabas .


O professor, porém, insistiu: Vamos! Responda-me. Que significa a palavra amigo? Ao fim de dois ou três minutos, então, o jovem respondeu:


- Penso que amigo é uma pessoa que nos conhece perfeitamente, sabe da nossa vida e, apesar de tudo, ainda nos quer muito bem!


- Bravo! – exclamou o mestre – eis uma resposta que me parece simples e perfeita! Um dos tesouros mais preciosos na vida é a boa amizade! – terminou dizendo ele com vibração. "A amizade redobra as alegrias e reparte as penas em duas metades. A amizade é um raio de sol que ilumina a vida.


Não há rosto por mais imperfeito, nem espírito por mais sofredor, que um relâmpago da verdadeira amizade não possa tornar encantador. A amizade é um sentimento raro; só são capazes de senti-lo aqueles que são capazes de inspirá-lo.


" Eis as palavras do escritor Malba Tahan, elevando à sublimidade este laço bendito que nos une ao próximo. Talvez apenas a arte, tocada pelo condão da espiritualidade, consiga trazer em versos pronunciáveis, o que a amizade significa para o espírito.


Eis um poema de autor desconhecido: "Pode ser que um dia deixemos de nos falar. Mas enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo. Pode ser que um dia o tempo passe. Mas, se a amizade permanecer, Um do outro há de se lembrar.


Pode ser que um dia nos afastemos. Mas, se formos amigos de verdade, A amizade nos reaproximará. Pode ser que um dia não mais existamos. Mas, se ainda sobrar amizade, Nasceremos de novo, um para o outro. Pode ser que um dia tudo acabe. Mas, com a amizade construiremos tudo novamente, Cada vez de uma forma diferente, Sendo único e inesquecível cada momento que juntos viveremos, e nos lembraremos para sempre." ...............


A dádiva de um coração amigo é sempre acolhida com benevolência.

Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida. A amizade pura é uma flor que nunca fenece.

Talvez tenha sido por isso que o filósofo francês Voltaire disse:


Todas as glórias deste mundo não valem um amigo fiel.