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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

11 de abril de 2013

Como Deus pôde ordenar um genocídio?


 
Por Justin Taylor
Essa é uma boa e difícil questão. A maneira como respondemos tanto refletirá quanto informará qual o nosso entendimento de justiça e misericórdia.
A pergunta é sobre o que acontece no livro de Josué, quando Deus ordena a Israel que massacre os cananeus, a fim de que a Terra Prometida seja ocupada. Foi uma guerra sangrenta, com destruição total, onde Deus usou seu povo para executar seu julgamento moral contra seus inimigos perversos. Para avançarmos numa resposta será útil pensar cuidadosamente sobre os tijolos que constroem uma cosmovisão cristã em relação à justiça e misericórdia de Deus.
1. Como criador de todas as coisas e regente de todos os povos, Deus tem os direitos absolutos de propriedade sobre todas as pessoas e lugares.
“No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1), “o mar e tudo o que neles há.” (At 14.15). Isto significa que “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem” (Sl 24.1). Como Deus diz: “a terra toda é minha” (Ex 19.5) e “todos os animais da floresta são meus” (Sl 50.10). O fato de Deus ser dono de tudo significa que ele é livre para fazer o que desejar sobre todas as coisas. “O nosso Deus está nos céus, e pode fazer tudo o que lhe agrada” (Sl 115.3). Dentro desta livre soberania, Deus “determinou os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que [cada nação] deveria habitar” (At 17.26). Deus tem direitos de Criador, e ninguém pode lhe dizer: “O que fazes?” (Jó 9.12).
2. Deus não é apenas o criador, regente e proprietário final de tudo, mas ele é justo e reto em tudo o que faz.
Abraão perguntou a Deus a mesma questão que fazemos: “Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). A resposta implícita é: “Claro que sim!”. Este é o outro lado da pergunta de Paulo em Romanos 9.14: “Acaso Deus é injusto?”. A resposta de Paulo: “De maneira nenhuma!”. Moisés proclamará: “Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é” (Dt 32.4).
É um lugar-comum em nossa cultura perguntar se foi correto ou justo algo que Deus fez. Mas se você parar para pensar, essa questão é, na verdade, ilegítima. Simplesmente pressupõe que nós somos os juízes; nós colocamos “Deus no banco dos réus” e o examinamos; Deus deve se conformar ao nosso senso de justiça e retidão e equidade – se Deus passar no teste, muito bom, mas se não, ficamos chateados e nos tornamos o acusador. Esqueça essa ideia! Como diz Deuteronômio 32.4: “todos os seus caminhos são justos” – por definição. Se Deus faz algo, então é justo. Pensar de outra maneira é o ato definitivo de arrogância: usar nossa mente e opiniões e concepções como o padrão supremo do universo.
Isto, entretanto, não impossibilita o questionamento e a busca para se conseguir um entendimento maior. Enquanto é definitivamente ilegítimo perguntar se os caminhos de Deus são justos ao assegurar a Terra Prometida, é perfeitamente apropriado e edificante procurar entender como os caminhos de Deus são justos – seja em ordenado a destruição dos cananeus, seja em outra ação. Essa é a tarefa da teologia – ver como os vários aspectos da verdade e revelação de Deus se combinam.
3. Todos nós merecemos a justiça de Deus; nenhum de nós merece a misericórdia de Deus.
Como vimos acima, Deus é absolutamente justo em tudo o que faz. A única coisa que cada um de nós merece de Deus é sua justiça. Nós quebramos sua lei, nos rebelamos contra ele e seus caminhos, e a divina justiça exige que recebamos o castigo divino na proporção da nossa traiçoeira e desleal rebelião. Está totalmente dentro dos direitos de Deus trazer misericórdia, mas ele não precisa trazer a todos – ou a alguém. É também útil perceber que, na história bíblica, um ato de julgamento sobre alguém é frequentemente um ato de misericórdia sobre outro (por exemplo, o dilúvio foi julgamento sobre o mundo, mas um meio de salvar Noé; as pragas foram julgamento sobre Faraó mas um meio de libertar Israel). Da mesma forma, a destruição dos cananeus foi um ato de misericórdia sobre Israel.
4. Os cananeus eram inimigos de Deus que mereciam ser punidos.
“Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” – “Não há um justo, nenhum sequer” – e “o salário do pecado é a morte” (Rm 3.23, 3.10, 6.23). Portanto, se Deus destruísse Adão e Eva após a queda ele teria sido inteiramente justo. Quando ele apagou mais de 99,99% da raça humana durante o tempo de Noé, ele estava sendo justo.
Algumas vezes nós pensamos erroneamente que Deus apenas queria dar a terra a seu povo  e chutou fora as pessoas inocentes que estavam lá. Mas, na realidade, os cananeus estavam cheios de iniquidade e impiedade, e, por essa razão, Deus fala da terra os vomitando (cf. Gn 15.6; Lv 18.24-30; Dt 9.5). Tudo isto é consistente com o fato de que Deus “vingará o sangue dos seus servos; retribuirá com vingança aos seus adversários e fará propiciação por sua terra e por seu povo” (Dt 32.43).
É também importante perceber que Dt 9.5 diz que a posse de Israel sobre a terra e a expulsão dos cananeus não se baseava na retidão de Israel, mas seria por conta da pecaminosidade dos cananeus. Deus deixa muito claro a Israel que, se eles não seguissem ao Senhor e sua Lei, eles sofreriam o mesmo destino das nações vomitadas de sua terra (cf. Lv 18.28; Dt 28.25-68; cf. também Ex 22.20; Js 7.11-12; Ml 4.6). Deus deu seu amor eletivo especial a Israel (cf. Dt 7.6-9), mas suas ameaças e promessas de castigo pela infidelidade demonstram sua retidão e seu comprometimento com a justiça.
5. As ações de Deus não são um exemplo de limpeza étnica.
O Pentateuco (Gênesis-Deuteronômio) provê leis para dois tipos de guerra: (1) batalhas contra cidades fora da Terra Prometida (ver Dt 20.10-15), e (2) batalhas contra cidades dentro da Terra Prometida (Dt 20.16-18). O primeiro tipo permitia que Israel poupasse pessoas; o segundo tipo não. Essa prática, chamada herem (o segundo tipo de guerra), significava “devoção/consagração pela destruição”. Como um ato sagrado que cumpria o julgamento, está fora das categorias que usamos para pensar sobre a guerra.
Mesmo que a destruição tenha sido ordenada em termos de totalidade, parece haver uma exceção para aqueles que se arrependem, voltando-se para o único Deus vivo (por exemplo, Raabe e sua família [Js 2.9] e os gibeonitas [Js 11.19]). Isto significa que a razão para a destruição dos inimigos ímpios de Deus era precisamente por causa de sua rebelião, e de acordo com os propósitos de Deus – não por causa de sua etnia. “Limpeza étnica” e genocídio referem-se à destruição de pessoas por sua etnia, e portanto, é uma categoria inapropriada para a destruição dos cananeus.
6. Por que foi necessário remover os cananeus da terra?
Nos EUA, falamos sobre a separação entre “igreja” e “estado”. Mas Israel era uma “teocracia”, onde igreja e estado estão inseparavelmente juntos e indistintos, de forma que os membros do povo de Deus tinham obrigações políticas e religiosas. Ser um cidadão de Israel requeria ser fiel à Aliança com Deus e vice-versa.
A comunidade da aliança exigia pureza, e violações abomináveis significavam eliminação (por exemplo, Dt 13.5; 17.7, etc.). Isto também implicava na pureza da terra onde eles estavam vivendo como povo de Deus, e a falha em remover os impenitentes desta terra significava que a nação inteira seria derrubada com os rebeldes, resultando em idolatria, injustiça e mal (por exemplo Dt 7.4, 12.29-31) – o que, infelizmente, provou, muitas vezes, ser o caso na velha aliança.
Cristãos hoje não vivem em uma teocracia. Nessa era, somos “estrangeiros e peregrinos” (1Pe 2.11) sem terra sagrada. Vivemos no encontro da antiga era e a era porvir – “entre dois lugares” (na criação que geme – após a Terra Prometida santa-mas-temporária, e aguardando os santos-e-permanentes Novos Céus e Nova Terra). Nesta era e lugar devemos respeitar e nos submeter às autoridades governantes, constituídas sobre nós por Deus (Rm 13.1-5) – mas que não são, nem deveriam ser, uma parte da igreja (o povo de Deus, chamado e reunido para a Palavra e os sacramentos). Portanto, o dom de Deus da revelação específica e especial para a igreja inteira agora terminou (cf. Hb 1.1,2: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho”). Esses fatores combinados nos dão garantia de que nada como a destruição dos cananeus – necessária para a teocracia de Israel possuir a terra física – seja ordenada por Deus ou permissível para seu povo hoje.
7. A destruição dos cananeus é uma figura do julgamento final.
Ao fim desta era, Cristo virá para julgar vivos e mortos (At 10.42; 2Tm 4.1; 1Pe 4.5), expulsando-os da terra (da Terra inteira). Este julgamento será justo e será completo. Este é o dia em que “o Senhor Jesus será revelado lá dos céus, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes. Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder” (2Ts 1.7-9). Surpreendentemente, Paulo pergunta aos coríntios algo que eles pareciam ter esquecido, se é que sabiam: “Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo?” (1Co 6.2).
Como isso vai funcionar? Como se parecerá? Eu realmente não sei. Mas a Palavra de Deus nos diz que o povo de Deus será parte do julgamento de Deus contra seus inimigos. Neste sentido, a ordem de Deus para que os israelitas levassem seu julgamento moral contra os cananeus se torna uma sombra – uma previsão, se você quiser – do julgamento final.
À luz disso, a terrível destruição registrada nas páginas de Josué não se torna um “problema para resolver”, mas um chamado para todos acordarmos – permanecermos “puros e imaculados diante de Deus” (Tiago 1.27), buscarmos a ele e seus caminhos, e fielmente compartilharmos o Evangelho com nosso próximo e com as nações não-alcançadas. Como Jó, devemos desistir de colocar a bondade e justiça de Deus em dúvida, colocando a mão sobre nossa boca (Jó 40.4) e, ao invés disso, nos maravilhar com as riquezas e o mistério da grande e inescrutável misericórdia de Deus (Ef 2.4). No final, nos uniremos a Moisés e ao Cordeiro cantando esta canção de louvor:
“Grandes e maravilhosas são as tuas obras,
Senhor Deus todo-poderoso!
Justos e verdadeiros são os teus caminhos,
ó Rei das nações.
Quem não te temerá, ó Senhor?
Quem não glorificará o teu nome?
Pois tu somente és santo.
Todas as nações virão à tua presença
e te adorarão,
pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos”.
(Ap 15.3,4)


Fonte: Ipródigo

Pelo Direito de Discordar!




Ariovaldo Ramos

Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa.

Discordo!

Eu respeito o irmão e oro por ele, mas, discordo da forma como o Deputado está conduzindo o mandato que recebeu de seus eleitores.

Eu respeito os seres humanos que optaram pela homossexualidade, mas, entendo que os direitos que estão a reivindicar já estão contemplados nos direitos da pessoa humana, cobertos por nossa constituição, e que o que passa disso constitui reclamos por privilégios, o que não é passível de ser concedido numa democracia, sob pena de contradize-la.

Eu respeito o direito das uniões homossexuais terem garantida, pelo Estado, a preservação do patrimônio,  por eles construídos, quando da separação ou do falecimento de um dos membros da união. Entretanto, discordo que seja possível transformar uma união voluntária de duas pessoas do mesmo sexo, a partir de opção comum e particular, em casamento, pois isso insinua haver um terceiro gênero na humanidade, o que não se explicita na constituição do ser humano. Assim como não entendo que a conjunção da  maternidade e da paternidade, necessária para um desenvolvimento funcional do infante humano, seja substituível por mera boa vontade.

Eu respeito e exerço direito de pregar o que se crê, mas discordo do pregador, quando diz que Deus matou John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, por terem desacatado o Altíssimo, como se o pecado humano não o fizesse desde sempre. A Trindade matou a todos os que a desacatam, em todo o tempo, no sacrifício do Filho, manifesto por Jesus de Nazaré (1Pe 1.18-20), na Cruz do Calvário, oferecendo a todos o perdão e a ressurreição.

Eu respeito o direito de ter religião e o reivindico sempre, mas, discordo de tachar como agentes do inferno quem não concorda com o que penso, como se Deus, por sua graça, não estivesse, desde sempre, cuidando que a raça humana não sucumbisse à rebeldia inerente à sua natureza, o que explica o triunfo do bem frente a maldade explícita. Por isso discordo do pregador quando afirma que o sucesso de um artista, a quem Deus, por sua graça, cumulou de talentos, como Caetano Veloso, só se explique por ter feito pacto com o diabo. Como se ao adversário de nossas almas interessasse qualquer manifestação do Belo.

Eu respeito e pratico o direito ao livre exame das Escrituras Sagradas, conquistado pela Reforma Protestante, e, por isso, enquanto respeito o direito do teólogo expressar suas conclusões, discordo do teólogo quando suas considerações sobre o significado de profecias do texto que amo e reverencio, não corresponderem ao que entendo ser uma conclusão pautada pelas regras da interpretação bíblica,  assim como, no meu parecer, ferirem a uma das maiores revelações desse Livro dos livros: Deus é Pai de todos, está em todos e age por meio de todos (Ef 4.6).

Reconheço a qualquer ser humano o direito de protestar contra o que não concorda, mas, nunca em detrimento do direito do outro, o que inclui o direito ao culto. Uma coisa é discordar do político outra coisa é cercear o direito do religioso, e de quem o convide para participar de um culto da fé que pratica. Uma coisa é denunciar o político por suas posturas, outra, e inadmissível, é atentar contra a integridade física ou emocional dele e dos seus.

Não admito, contudo, como cristão, ser sequestrado no direito de discordar, ou ser tratado como se fosse refém das circunstâncias, sejam elas quais forem. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5.1).

Lamento que haja, entre os cristãos, quem trate a nossa fé como se fosse frágil e necessitada de proteção. Nossa fé foi preponderante na construção do Ocidente, e resistiu às mais atrozes perseguições.

Nós sempre propugnamos pela liberdade. Nós impusemos a Carta Magna ao Principe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito. Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos. Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão. Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.

Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos. Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Nossa fé foi construída por gente que foi a toda luta que entendeu justa, pondo em risco a própria vida, e por mártires, por gente que se recusou a matar, por gente que não capitulou diante do assassínio, pois nós cremos que Deus é amor, e que o amor de Deus é mais forte do que a morte (Rm 8.38). E por amor a Deus e ao seu Cristo lutamos pela unidade e pela liberdade da humanidade.

9 de abril de 2013

Fé cega, faca amolada.


“Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35
Quando Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a uma mulher branca, nos Estados Unidos dos anos 1950, havia um pastor ao seu lado para protestar contra segregação racial. Ele liderou esse movimento por anos. Enfrentou ameaças e ataques. Seu nome era Martin Luther King. E sua participação foi decisiva na luta contra a discriminação não só nos transportes, mas em toda a sociedade norte-americana. Foi assassinado brutalmente. Mas virou herói em seu país, e, hoje, não é possível falar de Direitos Humanos ou minorias sem citar sua enorme contribuição.
Esse movimento de mais de 60 anos atrás me lembra de que, quando a fé encontra a ação política profética, não precisa necessariamente se transformar em acusações, falso moralismo ou hipocrisia. Antes, pode ser traduzida em ação contra a injustiça, a favor da inclusão e pela paz. Infelizmente, porém, parece que o modelo capaz de combinar atuação pública relevante e cristianismo genuíno está sendo ignorado por alguns daqueles que resolveram se dizer porta-vozes da Igreja brasileira.
Tenho acompanhado com perplexidade – e, tenho de dizer, com constrangimento – o noticiário dos últimos dias. A conclusão é óbvia: a plataforma dos Direitos Humanos virou palanque predileto de um certo povo lá de Brasília… Usar tema dessa importância só pra se promover já não seria coisa boa. Porém, se ao menos estivessem batendo bumbo contra a corrupção, a violência e a injustiça vá lá… Mas não. O que estão fazendo é acentuar preconceitos e rancores, estimular a exclusão e o racismo, e defender a intolerância. E o pior: tudo isso em nome de Deus (e no meu e no seu nome também!).
É evidente que, num país democrático, ninguém pode impedir quem quer que seja de expressar suas opiniões, valores e crenças. E o princípio vale também para nós, evangélicos, que temos de ter liberdade para dizer o que pensamos. Não se combate intolerância com intolerância, nem fundamentalismo com mais fundamentalismo. Sem dúvida, repudio qualquer tentativa de cerceamento desse direito. Porém, não podemos nos esquecer de que Jesus veio a esse mundo com a missão de salvá-lo e não de acusá-lo.
Quem me conhece, sabe da minha militância de quase 20 anos pelos Direitos Humanos. Sabe de minha luta e da luta do grupo que represento para garantia de direitos aos pobres, aos injustiçados, aos mais fracos, aos escravizados… E, na semana que passou, fui ao plenário e me posicionei contra essa redução da agenda bíblica de transformação social a questões de sexualidade. No entanto, não protestei como ativista do tema: discursei como cristão.
Fui ao microfone e critiquei esse modelo de política e púlpito que explora questões étnicas ou de sexualidade em troca de lucro eleitoral (ou seja, voto). Mas, sobretudo, usei meu pronunciamento para pedir perdão. Sim, dirigi-me aos não-crentes, àqueles que não professam a mesma fé que eu e você, e pedi que nos perdoassem se, de alguma forma, o barulho que está sendo feito os estiver impedindo de entender a verdadeira mensagem de Jesus.
Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. No entanto, não se vê nenhum projeto para atender a quem sofre. Pergunto: Quantas vezes Jesus falou sobre homossexualidade? Respondo: Nenhuma… No topo da lista dos confrontados pelo Mestre estavam os homossexuais? Ou eram os hipócritas religiosos de Sua época? Por que, então, super explorar alguns temas de forte apelo eleitoral e desvalorizar outros, claramente enfatizados pela Bíblia e por Jesus? A quem interessa reduzir a essência amorosa e transformadora da mensagem de Jesus à agenda moralista? Será que esses que fecham os olhinhos diante das câmeras da imprensa, parecendo muito espirituais, não os mantêm bem abertos, fixos nos votos que podem tirar de todo esse teatro?
“Errais não conhecendo as Escrituras”, diz a Palavra. E o problema fica ainda mais agudo quando esse discurso sem amor ou sabedoria contamina algumas igrejas. Aí, é mesmo como na velha música: fé cega, faca amolada. Crentes sinceros têm aderido a essa ideologia esdrúxula, sem saber que estão assumindo uma agenda que nada tem a ver com os reais desejos do coração do Pai.
Atenção, caro leitor. Não estou propondo que essa ou aquela prática seja, agora, legitimada. Há questões que são específicas da Igreja. E outras que são de Estado. Não apoio aqueles que tratam a nós, evangélicos, como ignorantes. Minha fé e minha consciência cristã não estão alinhadas a esses que querem impor no grito sua condição como regra. Defendo que respeitem a nós, evangélicos, com o mesmo respeito que têm exigido.
Porém, o que acontece é, no meio de todo esse barulho, a ideia de cristianismo transmitida está errada. O testemunho público está ruim. Pesquisa recente, realizada pelo Barna Group, nos Estados Unidos, questionou jovens não-cristãos sobre sua percepção sobre os cristãos. O resultado? Para eles, a principal característica dos crentes é a de ser anti-homossexual. Triste conclusão a de que cristãos estejam se tornando mais conhecidos pelo que são contra do que pelo que são a favor. Vale a reflexão. Essa com certeza não era a impressão que as pessoas tinham ao encontrar Jesus ou os irmãos da primeira Igreja.
Perde-se tempo com discussão de modos e costumes, quando uma agenda cristã contemporânea, biblicamente fundamentada, conduzida com honestidade e humildade, poderia diminuir a violência, lutar por melhores condições de saúde, erradicar a pobreza e a escravidão moderna, cuidar da Criação, fortalecer as famílias, promover o respeito à sacralidade da vida humana e sua dignidade intrínseca – bem ao contrário dos absurdos que temos visto.
A esses pastores ou políticos que se autodenominam defensores dos evangélicos, lembro que a Igreja já tem em Cristo o seu maior e suficiente defensor. As vozes cristãs que mais foram ouvidas e mais transformaram a história da Humanidade não foram essas que se apressam em julgar e condenar. Foram aquelas que pregaram e viveram a essência da mensagem de Jesus: o amor, a paz, a justiça, o perdão, a tolerância, a não violência, a defesa dos mais frágeis, a vida com integridade. Foram vozes que se levantaram contra o racismo e a hipocrisia religiosa. Salve Mandela, salve Desmond Tutu, salve Martin Luther King, Bonhoeffer, Wilberforce, Jaime Wright, Robinson Cavalcanti! Com esses, estou alinhado, hoje e sempre.
CARLOS BEZERRA JR., é pastor, médico e deputado estadual. É líder do PSDB na Assembleia Legislativa-SP e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Estado de São Paulo. Autor da lei que criou o Programa Mãe Paulistana e da nova lei paulista contra o trabalho escravo. Acredita que a missão do cristão na política seja a definida pelo texto de Salmo 82, nos versículos três e quatro: “Vocês estão aqui para defender os indefesos, para assegurar que os prejudicados tenham uma chance de justiça. O trabalho de vocês é proteger os fracos, perseguir os que os exploram”.

Através da Cruz 2 - O Pecado


Neste segundo episódio, falo sobre o pecado, sua universalidade e como o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. Deixe seu comentário e sua opinião.


Os testemunhos que você NÃO vai ouvir naquela igreja evangélica

Como é sabido, não basta pregar Teologia da Prosperidade: tem-se que ter testemunhos poderosos de como o deus-mordomo deles é poderoso para realizar todos os desejos de quem dá os dízimos e ofertas, sendo quase um gênio da lâmpada gospel. Assim, nessas igrejas os testemunhos são todos de grandes vitórias, do fulano que morava na rua e agora tem 3 casas, 2 carros e um iate, do sicrano que conseguiu restituir o casamento e ficar milionário (não necessariamente nessa ordem), do outro que foi curado das doenças mais incríveis.

É claro que Deus tem poder para fazer tudo isso e muito mais, mas e Sua vontade soberana onde fica?

Abaixo alguns testemunhos que você nunca ouvirá nas "igrejas da prosperidade", mas que glorificam e exaltam verdadeiramente o Senhor, não os falhos seres humanos.

"Antes de aceitar a Jesus eu tinha um certo prestígio e um bom emprego. Mas depois de conhecer a Jesus minha vida melhorou inexplicavelmente! Perdi o emprego, perdi os amigos do templo, fui açoitado, apedrejado, ameaçado de morte, passei por naufrágios, ganhei um 'espinho na carne' e tive passagem até por prisões. Glória a Deus, aleluias!!!" – Paulo de Tarso

"Eu era muito rico, tinha tudo do bom e do melhor mas algo faltava na minha vida. Mas aí Jesus tocou no meu coração e minha vida melhorou completamente! Abri mão de toda a minha fortuna e fui trabalhar com os pobres e humildes. Passei por muitas dificuldades, mas glória a Deus!!!" – São Francisco de Assis

"Irmãos, na semana passada pedi oração pelo filho do meu vizinho que tinha sido preso por pregar o Evangelho. Hoje soube do que lhe aconteceu: foi apedrejado e morreu por amor a Jesus Cristo. Glória e louvor ao Único Digno!!!" – vizinha da família de Estêvão

"Deus finalmente trouxe a resposta à nossa campanha de jejum e oração por nosso irmão. Nessa tarde ele foi morto na fogueira por defender o Evangelho de Jesus. Enquanto era consumido pelas chamas, quem assistiu disse que ele cantava 'Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo, tem piedade de mim'. Seu coração, encontrado entre as vísceras, foi espetado numa estaca e assado até se consumir por completo, numa morte humanamente humilhante. O Senhor seja louvado, glórias a Deus!!!" – amigo de John Huss

"Nosso irmão Policarpo se recusou a adorar ao César, e Deus lhe deu uma grande vitória. Foi levado ao tribunal, e continuou rejeitando adorar o César e se dizer cristão. Aí foi condenado à fogueira, mas não deixou que o pregassem e disse: 'Deixem-me como estou. Não é preciso prender-me com pregos, pois Aquele que me dá forças para suportar o fogo também me fará permanecer na fogueira sem eu querer fugir. Ó Pai, eu te bendigo por me teres considerado digno de receber o meu prêmio entre os mártires'. Aí acenderam a fogueira, mas o fogo ficou ao redor do Policarpo e não o queimava, e então o carrasco lhe enterrou uma espada e saiu tanto sangue que apagou a fogueira. Aleluias!!!" – cristão que prefere manter o anonimato

"Soubemos que Deus completou a obra na vida dos irmãos Maturo, Santo, Blandina e Átalo. Após passarem a noite sofrendo as piores torturas, continuaram a se dizer cristãos. Os carrascos ficaram extenuados de tanto tortura-los, e mesmo assim não negaram sua fé. No dia seguinte foram jogados na arena, para serem comidos pelas feras. A irmã Blandina foi colocada numa cruz, e as feras não lhe tocaram, e foi jogada novamente na masmorra, onde foi executada dias depois. Com certeza receberam o maior dos tesouros: o galardão no Reino dos Céus. O Senhor seja louvado sempre!!!" – membro da igreja primitiva

E você? Seria capaz de dar glórias a Deus se algum dia um testemunho desses fosse dado em sua igreja? E você glorificaria a Deus se, ao invés das vitórias humanas, Ele lhe presenteasse com um testemunho desses?

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!


Em homenagem aos missionários José Dílson e Zenaide, que hoje receberam o habeas corpus e já devem ter deixado a prisão no Senegal, e em homenagem aos milhares de cristãos verdadeiramente perseguidos neste mundo. Que Deus os ampare e fortaleça, e que seus testemunhos não sejam jogados na lama pelos falsos profetas da Teologia da Prosperidade (se você ainda não assinou a petição pela libertação dos missionários José Dílson e Zenaide, clique aqui e assine).

Alguns testemunhos foram adaptados d' O Livro dos Mártires, de John Foxe, Editora Mundo Cristão – essa leitura não será recomendada nas igrejas da demoníaca Teologia da Prosperidade.

PUBLICADO POR ESTRANGEIRA

MORRE DAVE HUNT, MEU AUTOR FAVORITO


 

Dave Hunt, meu autor favorito, sempre foi muito responsável no que se refere a dividir corretamente a Palavra da Verdade, apresentando fatos totalmente embasados na Escritura. Ele teve muitas controvérsias com os inimigos do Evangelho, tendo exposto, honesta e ousadamente , os fatos, sem se preocupar com o "politicamente correto",  usando todo o vigor de sua fé genuína e do seu conhecimento da irrefutável Palavra de Deus.

Dave nasceu em 1926, de pais cristãos, o que lhe facilitou o conhecimento da verdade bíblica, por ter crescido num ambiente genuinamente cristão. Ele sempre teve colegas e amigos cristãos e fez parte do grupo conhecido como Irmãos Plymouth, o qual sempre ensinou e praticou o legítimo evangelho do Senhor Jesus Cristo.

(www.plymouthbrethren.com).

Dave recebeu o mestrado em Matemática. Casou-se com Ruth, teve 4 filhos e foi consultor em uma empresa conhecida como CPA e, depois, em algumas outras de alto nível.

Ele participou de muitos ministérios evangélicos, tendo pregado em  vários encontros de jovens. Seu desejo maior era servir ao Senhor em tempo integral. Por isso, começou a se dedicar à pesquisa bíblica  e à Apologética em 1973, tendo escrito vários livros sobre o assunto.

Ele escreveu sobre o engodo das religiões orientais, que têm penetrado, sorrateiramente, no Ocidente, mostrando o perigo da Psicologia e das seitas da Nova Era, bem como do Ecumenismo, ou seja, da  união entre católicos e protestantes. Ele se dedicou a denunciar qualquer religião ou seita que se afastasse da verdade bíblica.

Dave apontou os erros da seita mórmon e, principalmente, do Catolicismo Romano. Seu livro - "A Woman Rides the Beast" (A Mulher Montada na Besta), que tive a felicidade de traduzir, há mais de dez anos,  é o melhor depoimento que li, entre tantos outros, sobre os erros da Igreja de Roma. Este livro vendeu uns 4 milhões de cópias, tendo sido traduzido em mais de 40 idiomas.  

"The God Makers" (Os Fabricantes de Deuses) mostra os erros do Mormonismo e sua ligação com a Maçonaria, com farta documentação.

Seus livros "A Sedução do Cristianismo", "Escapando da Sedução" e "A Invasão do Ocultismo" não devem faltar em nenhuma biblioteca do cristão realmente interessado em conhecer os perigos das seitas orientais. Outros livros dele são "A Paz Global" e"Ascensão do Anticristo".

Seus livros têm sido criticados e rejeitados pelos protestantes liberais e pelos "cristãos acomodados", que mantém um namoro com a ICAR.  Ele mostra o perigo da ligação católica/protestante na programação de ganhar o mundo para Cristo. Por isso, é considerado pelos protestantes liberais e os "acomodados" como um especialista em dividir os cristãos.

Convidado a falar em muitos países, Dave se desdobrou em atender aos convites, com um grau de humildade que me deixou edificada, quando o conheci pessoalmente, há alguns anos, em um dos congressos da Chamada da Meia Noite.

Tive a bênção de traduzir mais de mil páginas escritas por Dave Hunt (um livro e muitos artigos) e coloco à disposição dos irmãos alguns dos seus melhores textos.

Estou chorando a perda de Dave Hunt, desde ontem, e como sou apenas quatro anos mais nova do que ele, espero que o Senhor não demore a me convocar. Imagino a beleza celestial de um encontro com o apóstolo Paulo, Dave Hunt, o destemido Dr. Peter Ruckman, muitos outros santos e, lá num cantinho do Céu,também eu,  a mais ínfima entre todos os santos em Cristo, todos nós louvando e glorificando o Glorioso Nome do SENHOR JESUS CRISTO!

 

Mary Schultze, 06/04/2013.

8 de abril de 2013

Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição sobre Negros e Africanos.

Ministério Sal da Terra

Como parte do Conselho Geral da Aliança Evangélica Brasileira, segue nota oficial da Aliança.

Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição
sobre Negros e Africanos

A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.

Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.

O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.

Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.

O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.

Queremos salientar enfática e categoricamente:

Primeiro, Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.

Segundo, embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do sec. III, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.

Terceiro, Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!

Quarto, é de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.

Quinto, a maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.

Sexto, não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.

Sétimo, o texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.

Oitavo, Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.

Nono, a alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.

Décimo, toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.

Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.

Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.

Brasil, 07 de abril de 2013

Aliança Cristã Evangélica

Subvertendo o Domínio de Jesus Cristo em Nome do Direito de Pecar


alfred
Por Frank Brito
“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal”. (Romanos 13:1-4)
Em outra postagem respondi aos argumentos do Rev. Helder Nozima em seu artigo, “O direito de Salomão e a União Homoafetiva”. Neste artigo que ele defende que a união de homossexuais deve ser oficialmente reconhecida pelo estado para que, com base neste reconhecimento, homossexuais possam reivindicar direitos derivados da relação. Como eu demonstrei em minha resposta a este artigo anterior, os argumentos do Rev. Helder Nozima são baseados numa análise equivocada das decisões do rei Salomão que, por sua vez, é baseada em ideias equivocadas sobre a Lei. Meu objetivo agora é responder ao segundo artigo que o Rev. Helder Nozima escreveu sobre este mesmo assim, “O Estado e o Direito de Pecar”. Neste segundo artigo ele demonstra que tem ideias equivocadas, não somente sobre a Lei, mas também sobre o significado do Reino de Deus e sobre sua relação com o Estado.
Seu argumento começa com um comentário das palavras de Jesus a Pôncio Pilatos:
“A primeira coisa que precisamos entender é que os cristãos jamais verão “o reino de Deus” implantado na Terra até a vinda de Jesus. Na atual fase da História, não será comum vermos uma sociedade proclamando o Cristo como seu verdadeiro Rei e vivendo de acordo com a vontade de Deus revelada na Bíblia.
Quando Jesus ensinava sobre o “reino de Deus”, Ele não se referia a um governo terreno. Ele não imaginava o Império Romano se curvando diante da Igreja e deixando que suas leis sejam julgadas pelos fiéis. Ele não vislumbrava um Estado punindo todo tipo de pecado e empregando seus exércitos e funcionários em defesa da fé bíblica.
Ao contrário, Jesus rechaçou esse tipo de reino quando ele estava diante de Pôncio Pilatos:
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. (João 18:36)
O reino de Deus é espiritual e não temporal. A visão católica das duas espadas e as aspirações de um Estado confessional puritano não batem com essa fala de Jesus a Pilatos. O Senhor é Rei e possui sim ministros, embaixadores e soldados…espirituais.”
A pergunta crucial que o Rev. Helder Nozima precisa responder é a seguinte:Estas palavras de Jesus significam que o Seu Reino não tem jurisdição sobre os regimes políticos? Regimes políticos não devem satisfações a Ele? Regimes políticos anti-cristãos são moralmente aceitáveis diante de Deus? Os líderes judaicos do primeiro século não pecaram quando perseguiram os primeiros cristãos? O Império Romano não pecou quando afligiu a Igreja do Senhor por trezentos anos? Brasília tem o direito moral de autorizar que as mulheres assassinem seus filhos no ventre? Brasília tem o direito moral de legalizar o roubo, o assassinato e o estrupo? Deus não abomina essas coisas e não julga as nações que não reprime esses crimes? Se Deus abomina todas estas coisas e trás juízo sobre elas, segue-se que o Reino de Cristo tem jurisdição sobre os regimes políticos. Salomão escreveu: “Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono”. (Pv 16.12) “O rei que julga os pobres conforme a verdade firmará o seu trono para sempre”.(Pv 29.14) Isso deixou de ser verdade com a vinda de Jesus Cristo? Se o Reino de Cristo não tivesse jurisdição sobre os regimes políticos, então não haveria problema nenhum com cada uma destas coisas, pois os governantes não seriam moralmente responsáveis diante de Deus. Se os governantes são moralmente responsáveis diante de Deus pela maneira com que governam, segue-se que os regimes políticos não podem ser anti-cristãos, mas devem ser conformar aos mandamentos de Jesus Cristo em tudo o que fizerem. Não há neutralidade.
Como então entender as palavras de Jesus a Pôncio Pilatos?
Entendendo que suas palavras não se referem aos limites de Seu Reino. Ao ressuscitar, Jesus deixou claro que Ele reina sobre todas as coisas na terra e não somente sobre o céu: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28.18). “De” e “do” indicam origem e não localização ou extensão espacial. Eu estou no Rio de Janeiro, mas eu não sou do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro não é o meu estado deorigem. Da mesma forma, o Reino dos Céus indica a origem deste Reino. O Reino tem origem nos Céus, isto é, em Deus. Mas ele não está confinado ao Céu como se Deus não reinasse sobre o universo inteiro e sobre a terra. O Reino de Deus, o Reino dos Céus não se estão restritos a um único lugar, mas é a uma realidade que abrange todas as coisas sobre porque Deus domina sobre todas as coisas e, portanto, é uma realidade presente na terra e que nós já experimentamos aqui e agora. É por isso que Jesus mandou orar dizendo: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. (Mt 6:10) O Reino de Jesus Cristo era superior ao reino de Pôncio Pilatos, pois enquanto Pilatos estava fundamentado no poder e autoridade de Roma, Jesus Cristo derivava Seu poder e autoridade de Deus. Quando Jesus disse que Seu Reino não era deste mundo, Seu objetivo não era o de negar Sua autoridade sobre a terra. Seu objetivo era enfatizar a origem de Seu reino. O Reino de Jesus Cristo é superior ao reino de Pôncio Pilatos, pois enquanto Pilatos estava fundamentado no poder e autoridade de Roma, Jesus Cristo derivava Seu poder e autoridade de Deus.
Aqui devemos nos perguntar: Qual o objetivo do Rev. Helder Nozima negar que Jesus Cristo tem “toda a autoridade no céu e na terra” (Mt 28:18)?
Seu objetivo é negar que o estado tenha a obrigação de obedecer a Jesus Cristo. Se o estado não tem a obrigação de obedecer a Jesus Cristo, segue-se que o estado está livre para defender os direitos gays.
Mas a Bíblia é clara quanto a isso:
“Por que se amotinam as nações, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará. Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam“. (Salmo 2.1-12)
“Sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu Servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra. Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, e o seu Santo, ao que é desprezado dos homens, ao que é aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão e se levantarão, como também os príncipes, e eles te adorarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu. Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi, e no dia da salvação te ajudei; e te guardarei, e te darei por pacto do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas”. (Isaías 49.6-8)
“Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o Soberano dos reis da terra“. (Apocalipse 1:5)
“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e`vingador para castigar o que faz o mal”. (Romanos 13:1-4)
Romanos 13:4 diz que o estado é ministro de Deus com uma espada físicapara punir malfeitores fisicamente. Isso condiz com o Salmo 2 que diz que os governantes têm a obrigação de servir ao Senhor e de receber instruções de Jesus Cristo sobre a maneira correta de governar. O Rev. Helder Nozima, para defender direitos gays, nega o que Romanos, Salmos, Isaías e Apocalipse dizem claramente: “O Senhor é Rei e possui sim ministros, embaixadores e soldados…espirituais“. O Rev. Helder Nozima parece não entender o significado de “espiritual” na Bíblia. “Espiritual” na Bíblia não é aquilo que não é físico. Um homem espiritual não é um fantasma. “Espiritual” na Bíblia é aquilo que está em conformidade com o Espírito de Deus, isto é, que está em conformidade com os mandamentos que o Espírito de Deus inspirou e nos capacita a cumprir. O ministro de Deus, conforme Romanos 13:4, pode ser espiritual ou não. Ele é espiritual quando ele usa a espada física em conformidade com os mandamantos do Espírito de Deus:
“E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:12-14)
Aqui encontramos funcionarios do estado interrogando João Batista. João Batista deu diretrizes específicas para a função que exerciam no estado. Aos publicanos (cobrados de imposto) do estado, ele disse: “Não peçais mais do que o que vos está ordenado”. Aos soldados, ele disse: “A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”. Se João Batista exigiu que esses funcionários do estado cumprissem suas obrigações em obediência ao mandamento de Deus para o estado, isso significa que o estado não é autônomo, mas tem a obrigação de obedecer a Deus. Ou seja, o estado não é livre para usar o poder da espada como bem entende, mas, como ministro de Deus, tem a obrigação de governar conforme os mandamentos de Deus.
Os argumentos do Rev. Helder Nozima, que afirma ser calvinista, foram refutados nos escritos de João Calvino há cerca de 500 anos:
“Aqueles que desejariam induzir a anarquia objetam que, ainda que outrora reis e juízes governaram ao povo rude, no entanto hoje de modo algum, com a perfeição que Cristo trouxe com seu Evangelho, se enquadra esse gênero servil de governar. Nisto manifestam não só sua ignorância, mas também seu orgulho diabólico, ao arrogar para si uma perfeição da qual não poderiam mostrar sequer uma centésima parte. Mas, ainda que fossem os mais perfeitos que se pudesse imaginar, ainda seria possível refutá-los facilmente, porque, onde Davi exorta a todos os reis e governantes a beijarem o Filho de Deus [Sl 2.12], não ordena que rejeitem sua autoridade e se recolham à vida privada; pelo contrário, o poder de que foram investidos o sujeitam a Cristo, para que tão somente ele tenha sobre todos a preeminência. Semelhantemente, Isaías, quando promete que reis haverão de ser aios à Igreja e rainhas suas nutrizes [Is 49.23], não os priva de sua honra, senão que, antes, os constitui patronos com título dos piedosos cultores de Deus, uma vez que esse vaticínio diz respeito à vinda de Cristo [...] Também por este motivo os santos reis são na Escritura louvados ao máximo: que restauram o culto de Deus, corrompido ou subvertido, ou promovem o cuidado da religião, de sorte que sob eles ela sempre floresceu pura e incólume. Ao contrário disso, porém, a História Sagrada põe entre os vícios da anarquia o não haver rei em Israel, e por isso cada um fazia o que bem lhe agradava [Jz 21.25]. Do quê se demonstra a estultície daqueles que queriam, negligenciado o culto de Deus, ocupar-se de apenas em ditar o direito entre os homens. Como se Deus os constituísse governantes em seu nome só para decidir controvérsias terrenas, mas que deixaram de parte o que era de muito maior importância: que ele mesmo fosse cultuado de forma pura, conforme a determinação de sua Lei”. (João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro IV, Capítulo 20, “Do Governo Civil”)
“Para alguns homenens a nossa condição sob o Evangelho parece ser diferente daquela em que o povo se encontrava sob a Lei; não somente porque o Reino de Cristo não é deste mundo, mas também porque Cristo não quis que o Seu Reino fosse inaugurado com o auxílio da espada. Mas, quando juízes humanos consagram seu trabalho para a promoção do Reino de Cristo, eu nego que, por conta disto, sua natureza seja alterada. Ainda que tenha sido a vontade de Cristo que Seu Evangelho fosse proclamado por Seus discípulos em oposição aos poderes do mundo inteiro, e Ele os confrontou com a Palavra somente como ovelhas entre lobos, Ele não impôs uma lei eterna de que os reis nunca seriam sujeitos a Ele, ou que Ele nunca domaria a violência deles ou que Ele nunca transformaria estes cruéis perseguidores para que fossem patronos e protetores de Sua Igreja. Inicialmente, os magistrados exerceram tirania contra a Igreja porque ainda não havia chegado a hora deles “beijarem o Filho” de Deus (Sl 2.12) e, ao abandonar a violência, se tornarem os aios da Igreja que eles haviam atacado, conforme a profecia de Isaías que, sem dúvidas, se refere à vinda de Cristo (Is 49.6-23)… Cristo, eu reconheço, é verdadeiramente manso e quer que imitemos sua mansidão. Mas isso não impede magistrados piedosos de proporcionar tranquilidade e segurança para a Igreja ao defender a piedade. Negligenciar esta parte de sua função seria a maior perfídia e crueldade. E nada pode ser mais desprezível do que quando vemos almas miseráveis sendo levadas para a eterna destruição pela impunidade de ímpios, iníquos e impostores perversos; é agir como se a salvação das almas não significasse nada”. (João Calvino, Harmonia da Lei, Comentário de Deuteronômio 13)
Isso deve nos levar ao seguinte questionamento: Se, segundo o Salmo 2, os juízes da terra devem receber instruções de Jesus Cristo sobre como governar, onde, nas Escrituras, podemos encontrar instruções para o estado reconhecer a união civil de homossexuais?
Depois de negar, em linhas gerais, que o Reino de Deus domina sobre o estado, o Rev. Helder Nozima tenta aplicar isso em Romanos 13:
“Inicialmente, não podemos nos esquecer de que a carta de Paulo é dirigida a cristãos em Roma. Paulo não ensina aqui a submissão a um Estado ideal e cristianizado, mas sim a um império que determinava a adoração ao imperador e apoiava o paganismo. E o ensino apostólico é que este império era ministro de Deus para louvor dos que fazem o bem e para castigar os que praticam o mal.. O que é “bem” aqui? Certamente não é o apoio ao cristianismo e nem a valores cristãos”.
Segundo o Rev. Helder Nozima, quando Romanos 13 diz que o estado tem que castigar aqueles que fazem o “mal” e louvar aqueles que fazem o “bem”, o Apóstolo não estava se referindo ao mal e ao bem segundo valores cristãos, mas segundo aquilo que Roma definia que era. De fato, “Paulo não ensina aqui a submissão a um Estado ideal e cristianizado, mas sim a um império que determinava a adoração ao imperador e apoiava o paganismo”. Mas só porque era isso o que o Império Romano era não significa que era isso que o Império Romano deveria ser. O Rev. Helder Nozima ignora o Salmo 2 que diz que impérios pagãos tem a obrigação de deixar de serem pagãos. Como explicou João Calvino: “Ainda que tenha sido a vontade de Cristo que Seu Evangelho fosse proclamado por Seus discípulos em oposição aos poderes do mundo inteiro, e Ele os confrontou com a Palavra somente como ovelhas entre lobos, Ele não impôs uma lei eterna de que os reis nunca seriam sujeitos a Ele, ou que Ele nunca domaria a violência deles ou que Ele nunca transformaria estes cruéis perseguidores para que fossem patronos e protetores de Sua Igreja. Inicialmente, os magistrados exerceram tirania contra a Igreja porque ainda não havia chegado a hora deles ‘beijarem o Filho’ de Deus (Sl 2.12)” Paulo em Romanos 13, é verdade, fala de um estado pagão. Mas ele não fala somente daquilo que o estado era, mas também daquilo que o estado deveria ser. Os cristãos tem a obrigação de se submeter ao estado. Mas o estado também tem a obrigação de se submeter a Deus porque o estado é “ministro de Deus”.
Mas vamos supor, por um instante, que o estado realmente não tenha a obrigação de defender valores cristãos. “Não matarás”. Isso é um valor cristão. Mas, se o estado não tem que defender valores cristãos, segue-se que ele não tem que defender a vida. “Não roubarás”. Isso é um valor cristão. Mas, se o estado não tem que defender valores cristãos, segue-se que ele não tem que defender a propriedade das pessoas. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Isso é um valor cristão. Mas, se o estado não tem que defender valores cristãos, segue-se que ele não tem que zelar pela verdade e os políticos podem ser mentirosos a vontade.
Não há alternativa. Se o Rev. Helder Nozima defende que o estado não tem a obrigação de defender os valores cristãos, se ele defende que o estado não está subordinado a Jesus Cristo, ele, necessariamente tem que defeneder o direito do estado de matar, roubar e mentir. Evidentemente, o Rev. Helder Nozima não defende isso. Mas essa é a conclusão lógica do que ele diz. Se o estado não tem a obrigação de Cristianizar, então ele tem o direito de fazer qualquer coisa, pois não há alternativa moral entre uma coisa e outra. Não existe moral “neutra”. O Rev. Helder Nozima, como cristão, deveria saber que a ideia de uma moral religiosamente neutra é uma caracteterística do ateísmo. Não existe moral religiosamente neutra e é por isso que não existem estados religiosamente neutros.

O Deus matador de Feliciano.

Mais uma perola da teologia tupiniquim.


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Tirem suas próprias conclusões!

Não gostaria que ele fosse gay.



Mt 19:12
Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.” (Mateus 19:12)
Pode-se compreender que eunucos “que pelos homens foram feitos tais” são aqueles que foram castrados. Aqueles que “a si mesmos se fizeram eunucos” seriam os castrados voluntários, podendo tomar-se isto no sentido da castidade. EUNUCOS HOJE

Eunuco não é sinônimo de homossexual, nem tampouco transexual. Os comportamentos sexuais diferidos raramente apresentam eunucoidismo ou alterações hormonais naturais. O uso exógeno de hormônios femininos e a conformação do corpo adquirida por adições de substâncias apropriadas nas clínicas de medicina estética podem dar a aparência eunucóide. Há transexuais em muitos países do mundo, embora poucos se submetam à Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS), preferindo viver como um terceiro sexo. A cirurgia para troca de sexo de indivíduos masculinos consta de emasculação e construção de neovagina perineal.

Não gostaria que ele fosse gay.

Mas ele e gay eu não gosto mas também não o descriminaria.

Eu o amo , pois afinal é meu filho.
Mas, meu filho, fez essa escolha (mesmo que não se trate exatamente de uma “escolha”), e mesmo sabendo tudo o que podem sofrer, que a sociedade não está pronta para aceita-lós como ele e , que ele vai precisar de uma coragem e determinação acima da média, a minha atitude seria estar ao lado dele…, apoia-ló como eu apoio meu filho hetero, ouse fosse “negro, ou latino, ou de qualquer grupo”, por que ele é meu filho um presente de Deus assim como DEUS AMA OS PECADORES MAS NÃO AO PECADO amo meu filho mas não seu pecado de ser gay se se pode chamar de pecado … Nosso salvado JESUS CRISTO pode ..

No Novo Testamento há algumas denúncias feitas aos efeminados e homossexuais, do mesmo modo que há contra os fofoqueiros, os facciosos, os inafetivos, os mentirosos, os feiticeiros, os falsos profetas, e os hipócritas. Ora, todas essas coisas, se absolutizadas como comportamentos e atitudes irredimíveis, colocam, virtualmente, todos sob condenação (até porque as listas são bem mais extensas, e vão de coisas comportamentais a realidades apenas interiores, como o espírito faccioso e inafetivo: “sem afeição natural pelos pais”, por exemplo).
Portanto, duas coisas devem ser ditas:

1. Todos pecaram, e todos, igualmente, carecem da glória de Deus. E isto é absoluto.

2. As referências que Paulo faz em Romanos 1 às praticas romanas não podem e não devem ser aplicadas ao contexto do

homossexual, mas apenas do “homossexualismo”, o qual, mais do que uma condição constitutiva (muitas vezes nem é), é uma escolha pela “putaria”, pela suruba, pela orgia, pelo bacanal (Baco), pela glutonaria, pelos swings, pela troca de casais, e por um estilo de existência no qual Sodoma e Gomorra haviam se tornado um “jardim da infância”. Acho uma perversidade fazer da análise “conjuntural” que Paulo fez de uma situação que se instalara como ideologia da perversão social e global, e aplicarem isto a um indivíduo simples, que não deseja a corrupção, nem ama a promiscuidade, desejando apenas um lugar ao sol.

Eu, todavia, creio que a Igreja tem que ser como uma Família cheia do Amor de Deus.

Nesse caso, pessoalmente, levando em consideração que o Projeto do Principio (Gênesis) tem a ver com a união de macho e fêmea, homem e mulher, julgo que a liderança da comunidade deve manter tal referência, embora, na igreja, deva haver lugar e espaço para todos, até porque não é papel da igreja se meter na vida de ninguém que não tenha pedido opinião, desejando apenas estar no lugar e ouvir a Palavra, como qualquer outro ser humano.

A Igreja não é o Espírito Santo, não é o Pai, nem o Filho, e nem a representante do Juízo de Deus na Terra; sendo seu

chamado apenas para ser a proclamadora da Boa Nova de que Deus já se reconciliou com o mundo, em Cristo.

Seja qual for o caminho de Deus para a vida humana, saiba: Ele nunca acontecerá em nenhum chão que não seja Verdade.

O que Jesus disse dos eunucos serve também para os gays: uns nascem, outros se fazem, e outros são feitos!

Também creio que uma das razoes pelas quais há mais gays no ocidente do que no oriente, assim como há mais gays

urbanos do que indígenas, revela que além de casos de “anomalias”, há, sobretudo, a favorabilidade do ambiente cristão ocidental, o qual, pela moral neurótica, e pela fixação também neurótica na questão sexual, acabou por se tornar no maior viveiro de gays da Terra; tanto de gays-gays, como também dos “produzidos”; e, sobretudo, dos que se entregaram à orgia; fato esse muito mais comum no ocidente cristão e sexualmente compulsivo do que em qualquer outro lugar da Terra.

( Repito)

{na igreja, deva haver lugar e espaço para todos, até porque não é papel da igreja se meter na vida de ninguém que não tenha pedido opinião, desejando apenas estar no lugar e ouvir a Palavra, como qualquer outro ser humano.}

{A Igreja não é o Espírito Santo, não é o Pai, nem o Filho, e nem a representante do Juízo de Deus na Terra; sendo seu

chamado apenas para ser a proclamadora da Boa Nova de que Deus já se reconciliou com o mundo, em Cristo.}

E QUE DEUS NOS ABENÇOE

Alvanir pequeno (cristão de alma e coração )





Fonte: http://alvanir2002.wordpress.com/2012/05/14/nao-gostaria-que-ele-fosse-gay/