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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

8 de dezembro de 2013

Os templos-espetáculo


Os evangélicos celebram a expansão de sua fé
com a construção de santuários gigantes nos quais
o culto é um show e o pastor, seu astro principal

Rafael Corrêa

Divulgação
Parece um Maracanã
Nos Estados Unidos, o pastor Joel Osteen, da Igreja Lakewood, prega para uma multidão de 16 000 fiéis num ginásio esportivo convertido em templo ao custo de 95 milhões de dólares
A religião cristã que mais cresce no mundo é a evangélica. No Brasil, seus adeptos representam hoje 18% da população – há duas décadas, essa cifra era de 7%. O crescimento do rebanho evangélico é igualmente expressivo em países da Ásia, como Coréia do Sul, Indonésia e Cingapura, na América Central e até mesmo no Leste Europeu. A evidência mais pujante do avanço dos evangélicos são os megatemplos construídos nos últimos anos para sediar seus cultos. Com o objetivo de atender aos ritos animadíssimos comandados pelos pastores, os novos templos são verdadeiras casas de espetáculos, com sistemas de som e luz semelhantes aos dos shows de rock e telões que garantem uma visão perfeita de tudo o que acontece nos cultos. A maioria delas tem assentos estofados para acomodar todos os fiéis. Como aponta a historiadora americana Jeanne Halgren Kilde no livroWhen Church Became Theatre (Quando a Igreja se Transformou em Teatro, inédito no Brasil), com o passar dos anos as igrejas evangélicas começaram a privilegiar o formato de anfiteatro em detrimento da arquitetura das igrejas tradicionais. Primeiro, porque a organização em auditório permite que os fiéis vejam melhor o pastor, a estrela do show. Segundo, porque se amplifica a atmosfera de comoção e envolvimento dos fiéis quando entoam hinos religiosos.
A impressionante fotografia que abre esta reportagem, nas duas páginas anteriores, foi tirada durante um culto na Igreja Lakewood, em Houston, no Texas. O santuário tem capacidade para abrigar 16 000 pessoas e recebe uma média de 40 000 fiéis por semana. Originalmente, o prédio da La-kewood era o ginásio esportivo do time de basquete Houston Rockets. A congregação gastou 95 milhões de dólares na conversão do imóvel. O teto conta com um sistema de iluminação que muda de cor conforme o culto se desenvolve: o azul invade o ambiente durante os sermões, e o amarelo, quando são executadas músicas ao som de guitarras. Estima-se que somente em equipamentos a igreja tenha gasto 4 milhões de dólares. Tudo para garantir que o pastor seja ouvido e visto por todos. "É necessário muito dinheiro para espalhar a palavra de Deus pelo mundo, e as grandes igrejas estão em melhor posição para cumprir essa tarefa", disse a VEJA o americano Joel Osteen, pastor-chefe da Igreja Lakewood.
Damon Winter/The New York Times
Campo sagrado
A Igreja ChangePoint, no Alasca, acaba de inaugurar um centro esportivo que inclui um campo de futebol coberto. Serve aos fiéis e é alugado nas horas vagas. É comum que as igrejas evangélicas invistam em negócios imobiliários
Nos Estados Unidos, as correntes evangélicas com templos gigantes, como o de La-kewood, foram as que mais cresceram nos últimos cinco anos. Hoje, existem 55 santuários semelhantes ao de La-kewood no país. Para Scott Thumma, sociólogo do Instituto Hartford de Pesquisa Religiosa, sediado em Connecticut, grande parte desse crescimento pode ser atribuída à atmosfera de grandiosidade que os megatemplos proporcionam. "Os americanos gostam de pensar grande e projetar em larga escala. É justamente esse tipo de estilo de vida que eles encontram nos megatemplos", disse Thumma a VEJA. A tendência dos santuários gigantes também tomou conta de outros países. Na Guatemala, foi inaugurado recentemente o templo Mega Fráter, com capacidade para 12 000 pessoas. Em El Salvador, a Igreja de Cristo Elim Central possui um templo gigante instalado na capital do país. As congregações evangélicas brasileiras não ficam atrás. A sede da Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro, abriga 12 000 fiéis, enquanto o Templo da Glória, da Igreja Pentecostal Deus É Amor, em São Paulo, pode receber 60 000 fiéis sentados ou em pé.
Divulgação
O impacto da luz
Por fora, a Catedral de Cristal, na Califórnia, lembra um prédio de escritórios. Por dentro, as 10 000 placas de vidro proporcionam uma iluminação natural destinada a elevar os espíritos
Os megatemplos evidenciam a intenção das congregações de fazer do local de oração parte do dia-a-dia das pessoas, e não apenas um lugar para freqüentar aos domingos. Além das escolas religiosas infantis, tradicionais nas igrejas evangélicas, os santuários gigantes oferecem infra-estrutura que mais se parece com a de um câmpus universitário. Prédios anexos ao auditório principal abrigam lanchonetes, livrarias, academias de ginástica e lojas que vendem desde roupas até bíblias. A Igreja ChangePoint, em Anchorage, no Alasca, se destaca no quesito inovação. Recentemente, a congregação inaugurou uma arena esportiva coberta onde se ministram aulas de futebol para as crianças e que serve de pista de corrida para os adultos. Nos horários em que não é ocupada pelas atividades da igreja, a arena é alugada para particulares. "Essas atrações não religiosas servem para atrair o público jovem, que encontra na igreja os elementos de seu dia-a-dia", explica o sociólogo Thumma. Há igrejas que expandem seus negócios para além das lojas e atividades de recreação. Envolvem-se na construção de condomínios residenciais, shopping centers e na oferta de crédito bancário para os fiéis.
Wang Jun-Young/AFP
A fé dos coreanos
A Igreja Yoido Full Gospel, na Coréia do Sul, e sua imensa mesa de som e iluminação. Os sermões são transmitidos em coreano, árabe, inglês, japonês e mais cinco idiomas
Entre as correntes evangélicas, a que mais cresce no mundo é a pentecostal. Na Coréia do Sul, um em cada vinte moradores da capital, Seul, pertence à pentecostal Yoido Full Gospel. A igreja, cujos primeiros cultos foram realizados numa simples tenda em 1958, hoje possui mais de 830 000 membros e um megatemplo com capacidade para 12 000 pessoas. Boa parte desse crescimento pode ser atribuída à transmissão dos cultos pela TV, recurso recorrente das igrejas pentecostais. Em Seul, a pregação do pastor David Yonggi Cho, líder da Yoido, é transmitida para dezenas de milhões de pessoas no mundo todo pela TV e pela internet, com tradução simultânea em oito idiomas. "O apelo emocional da imagem de um lugar lotado de pessoas rezando e cantando é muito forte", diz o sociólogo Ricardo Mariano, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. "A televisão permite levar à casa das pessoas essa sensação de bem-estar coletivo característica do megatemplo, atraindo mais fiéis para a igreja", ele completa. São recursos como esse que empurram a expansão dos evangélicos.
Orlando Sierra/AFP
Dá para chegar de helicóptero
O templo Mega Fráter, na Guatemala, possui heliporto e uma torre de estacionamento com sete andares. Seu nome significa Grande Irmão. É o maior templo da congregação Fraternidade Cristã, com capacidade para 12 000 pessoas

Roberto Setton
O maior do Brasil
Nos cultos mais disputados, o Templo da Glória, da Igreja Pentecostal Deus É Amor, em São Paulo, é tomado pelas vozes de 60 000 fiéis. Uma equipe de 450 pessoas administra a multidão, que tem à disposição 600 banheiros

Jorge Junqueira/divulga��o
Arquibancada do Senhor
A sede mundial da igreja do bispo Edir Macedo, a Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro, abriga 12 000 fiéis. O dono da TV Record também possui megatemplos em São Paulo e Salvador

Os templos são pop, mas não
são maiores que as catedrais
AFP
Basílica de São Pedro, no Vaticano: 60 000 fiéis entre tesouros

Apesar de seu gigantismo, os megatemplos evangélicos não comportam mais fiéis do que as grandes basílicas e catedrais católicas. A Basílica de São Pedro, no Vaticano, um dos tesouros da humanidade, pode abrigar 60 000 pessoas. O santuário de Aparecida, no estado de São Paulo, para o qual fiéis de todo o Brasil afluem no mês de outubro, comporta 45 000 pessoas. Além das proporções, o que diferencia os templos evangélicos dos católicos é a atmosfera que se respira em seu interior. Como os protestantes abandonaram a maior parte da simbologia cristã depois da Reforma, no século XVI, os templos evangélicos não têm a mesma riqueza de imagens e obras de arte das igrejas católicas. A arquitetura, os adereços, as estátuas e os afrescos das catedrais, representando os santos e o reino celeste, evocam uma aura de transcendência e majestade. A Basílica de São Pedro exibe obras de artistas do Renascimento como Rafael e Michelangelo. O altar, usado pelo papa para celebrar missas nas datas tradicionais católicas, é ornado pelo requintado baldaquino de Gianlorenzo Bernini. A ornamentação dos templos evangélicos, por sua vez, tende a ser simples e reducionista, em razão da economia radical de símbolos e imagens que a religião prega. Em seu lugar, entra a estrutura necessária para grandes espetáculos pop.

Um miserável pelos miseráveis.


Dois empregados de um importante homem da Cesareia, romanos, amigos de muito tempo, conversando por uma estrada, enquanto vão ao encontro de um homem, a pedido de seu patrão.

-Que te parece esse tal CRISTO de q os Judeus tanto nos importunam?!
-O carpinteiro Jesus? Ouvi falar dele sim, mas parece q no dia da festa dos Judeus, este povinho preferiu libertar aquele maníaco no lugar dele.
-Sim sim, mas oq vc acha dele?
-Sei q alguns dizem q ele é mágico, levanta mortos, cura doentes,essas besteiras q os Judeus acreditam… Sei também q foi morto, eu estava lá quando ele morreu, mas não presenciei… alguns disseram q ele apanhou pra valer antes de ser pendurado
-É eu sei, eu estava lá
-Então oq me perguntas?
-Não pergunto sobre oq aconteceu com ele, mas oq vc acha dele… do agitador Jesus.
-Hum… Como disse, sei q ele era um pregador como tantos outros por ai, mas a pregação dele falava de alimentar os pobres, proteger adulteras, amar inimigos, alguma coisa sobre dar a outra face, não entendi direito oq quer dizer, e sei também q ele era um miserável, não tinha onde cair morto… Ao q dizem, foi permitido à família q arrancassem a carcaça da cruz antes apodrecesse por intermédio de alguém importante, não sei quem…
-Dizem q até alguns centuriões aderiram a causa do Galileu Jesus
-O que? Vc só pode estar brincando comigo… Nós, cidadãos romanos vamos nos rebaixar a defender esses Judeus? Qual o motivo? eles são inferiores e não é nossa culpa, foram os deuses q preferiram assim…
-É sempre os deuses…
-Você está duvidando dos deuses? Quer q um raio caia aqui e nos consuma!?
-Não… jamais duvidaria dos deuses, mas e se nossa interpretação da vontade dos deuses estiver errada…
-Temos os sacerdotes para nos orientar… temos o imperador q jamaisse equivocará, e se eles não se importam com essa ralé q só nos causa problemas, pq nós, cidadãos desta causa nobre q é defender o império e expandi-lo até o limite da terra, iremos nos preocupar?
-Talvez você esteja certo… somos apenas cidadãos destinados a entregar a vida ao imperador e a tudo q ele representa e representará para toda a eternidade, enquanto desse carpinteiro, deve ter sobrado apenas os osso agora.
-É isso mesmo meu amigo… Mesmo q esse povinho merecesse algum crédito nosso oq poderíamos fazer? Deixar nossa crença de gerações para trás e abraçar a causa de um miserável pelos miseráveis?! Impossível, nenhum homem sensato faria isso
-É… acho q vc está certo… Um miserável pelos miseráveis…Impossível
-E de mais a mais, acho q é até perigoso ficarmos conversando sobre este assunto por aqui, por mais caridoso q nosso senhor Cornélios seja, acredito q ele não gostaria nada dessa conversa…
-Tudo bem, vc está certo, acho q essa longa caminhada até aqui em Jope durante horas não fez bem para minhas ideias. Já estou sentindo o cheiro do mar, e a casa desse tal Simão Curtidor deve ser essa, grite pelo nome desse tal Simão Pedro, outro miserável…
-O que será q nosso senhor quer tanto com esse pescador?!
-Não sei oq é, mas ele me disse que na presença desse homem, nossos olhos começariam a se abrir… não entendi, mas não questionei!



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3 de dezembro de 2013

Fugindo do Legalismo de Muitos “Neo-Reformados” Brasileiros

Legalismo gera tudo de ruim no coração, tanto dos legalistas, como nas vítimas deles.
Legalismo gera tudo de ruim no coração, tanto dos legalistas, como nas vítimas deles.
Quando eu deixei de ser pentecostal, a coisa que mais me apaixonei no protestantismo histórico (na época descobrindo o “calvinismo” e hoje sendo adepto do luteranismo, o qual abraço atualmente como forma de expressão cristã onde mais me identifico) foram os 5 solas, que prometiam acesso direto a Deus através de Jesus Cristo, totalmente de graça, sem as exigências legalistas que eu vivia, sendo salvo somente pela fé, sendo reconhecida a minha incapacidade de cumprir a Lei de Deus sendo perdoado meus pecados, recebendo essa fé salvadora.
Eu tinha uma incompatibilidade com os “padrões” de santidade que me deprimia muito, eu achava que iria para o inferno por não conseguir seguir os rígidos padrões do pentecostalismo que eu abraçava. Eu não queria ser “superior” aos “do mundo”, não entendia porque ser uma “pessoa normal” me tornava tão “ímpio”, porque não poderia seguir as escrituras em qualquer cultura, rejeitando apenas o que é pecado, ao invés de “jogar a banheira com o bebê e tudo, porque a água está suja”, ou seja, ao invés de rejeitar a cultura toda para aderir a outra outra cheia de usos e costumes quenão me adaptava, por mais que tentasse e fosse infeliz tentando, buscava usar roupas que não gosto, ouvir músicas que detesto, usar linguagem que não expressa o que sinto, etc.. Eram muitas as regras e eu não conseguia seguir boa parte delas, porque não as via na Bíblia, e mesmo sobre as que via na Bíblia eu falhava, sendo pecador e não conseguindo cumprir a Lei de Deus.
Eu aprendi no protestantismo sobre o pecado original, sobre a queda total da humanidade, sobre o perdão dos pecados.. Aprendi que pecado é somente aquilo que as Escrituras dizem que é, não o que interpretações subjetivas e culturais dizem. Aprendi que a santificação é progressiva e é feita pelo Espírito Santo, sendo as boas obras que identificam um salvo instruídas somente por Ele, através somente das Escrituras, não “interpretações culturais” e aprendi que esse processo de santificação é gradual, com muitas quedas, aprendizado, imperfeições, mas muito amor, paciência, disciplina e cuidado por parte dEle. (A Bíblia informa que obras não são responsáveis pela salvação do eleito, mas um processo progressivo totalmente controlado por Deus, não pelo estudo do puritanismo – Ef 2:8-10). No Brasil, muita gente que se orgulha do título “reformado” acrescentam regras extra-bíblicas principalmente da cultura “anglo-americana”, atual e antiga, na maneira de se vestir, no ritmo musical a ouvir, na maneira de namorar, como ser marido/esposa, muitos se identificam com o que alguns puritanos fizeram séculos atrás e aqui imitam, achando que esse padrão ascético cultural deles é o padrão “bíblico de santificação”, seguindo a “Metrópole”, como bons colonizados, elevando a cultura legada pelo puritanismo anglo-americano a algo divino e demonizando as outras.
Eu aprendi com a Bíblia e desenvolvi essa fé no protestantismo de que a salvação já está garantida, que quando Jesus disse “Está Consumado”, Ele estava falando sério, não era um equívoco dEle, então a salvação que Ele proporcionou era completa e irrevogável, que poderia estar seguro na obra dEle, não nas minhas obras.
Foi assim que entrei de cabeça no chamado “calvinismo”, logo após descobrir essas doutrinas na Bíblia e ser informado que tudo isso era ensinado no Protestantismo calvinista, isso em 2005 ainda. Na época começavam a falar de “Nova Reforma” que a igreja Evangélica brasileira deveria passar, pois é visível a situação calamitosa de corrupção e decadência doutrinária e moral de boa parte (talvez a maioria) das denominações evangélicas no Brasil. Essa “Nova Reforma”, segundo defendiam, deveria ser influenciada pela Reforma que aconteceu no século 16, com Martinho Lutero, Jan Huss, Savonarola, Zwinglio, Calvino, etc. A maioria ignora o fato que não houve uma só Reforma, porém acham que a reforma foi uma coisa só e atingiu seu “ápice” com o calvinismo, por isso o entedimento do que foi o calvinismo (principalmente por vindo do puritanismo dos EUA, que acreditam ser a expressão mais evoluída do calvinismo e do protestantismo em geral) deve ser a principal fonte de estudos e recursos teológicos, políticos e morais para a tal “Nova Reforma” que almejam tanto.
De lá para cá, tenho lido vários escritores protestantes do passado, confissões de fé, catecismos, a princípio reformados, hoje me dedico mais ao material luterano e do início da Igreja, para entender melhor como Deus cuidou de seu povo nos séculos e me inspirar em como evoluir como cristão. Tenho também me esforçado com muito afinco em espalhar conhecimento e defender esta vertente do cristianismo protestante, o calvinismo, que posso não achar mais a forma mais evoluída da cristandade, como antes, mas creio ainda que há muito que se extrair disto para melhorar a Igreja Evangélica Brasileira; inclusive aqui neste meu blog pessoal vocês encontram defesas minhas disso, como vocês podem conferir aqui, aqui, aqui e em vários outros textos antigos deste meu blog pessoal.
Maaassss.. Através da internet conheci mais, participei de comunidades, fóruns e grupos onde pude encontrar mais “calvinistas” e, na época, aprendi muito com a verdade das Escrituras nessa vertente, o Calvinismo, e fui muito feliz, mas vejo hoje em dia que a tal “Nova Reforma” que hoje parece que virou moda na internet, é extremamente apoiado nas asas no colonialismo estadounidense e muitos agora têm desenvolvido no Brasil, talvez, uma “Nova Reforma”, ou  um “Novo Calvinismo”, estranho às doutrinas da graça, com mais aspiracões temporais, auto-afirmativas, ou mesmo políticas, do que espirituais, mais preocupado com obras, mais exigente de ascetismo, enfim, mais legalista, não tão gracioso como o que conheci e vejo nas Confissões de fé reformadas, ou mesmo nas Institutas de Calvino, antes do advento do puritanismo na Inglaterra e nos EUA.
Eu reconheço o puritanismo como movimento que fez muito em favor do protestantismo na Inglaterra e EUA, mas lembremos que o protestantismo não aconteceu apenas nesses 2 países, mas aconteceu na Alemanha, Holanda, Suiça, França, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, e ainda acontece no mundo inteiro, geográfica e numericamente, com características diversas e diferentes. Esses dois países não servem como vitrines do protestantismo mundial, há muito mais para se buscar na história e atualmente do que nesses dois países ou apenas no puritanismo.
Nos EUA há um movimento chamado “novo-calvinismo” que está bastante popular por la, mas, diferente do Brasil, nos EUA, o “novo calvinismo” busca contextualizar o calvinismo histórico aos dias de hoje e resgatar escritos de grandes autores calvinistas do passado, incluindo os puritanos (que é legado deles, nada mais mais natural que aproveitar esse legado entre eles) como fonte de inspiração de pensamento cristão para os dias de hoje.. Só que aqui, no Brasil, a tal “nova Reforma”, ou “novo Calvinismo” se tornou mais uma moda religiosa que não traz nada novo do que já temos aqui, senão apenas uma expressão diferente de tentativas humanas para a auto-salvação, auto-afirmação, “elitização/supremacia espiritual” e marginalização do próximo.
Percebo que parte dos “reformados” atuais SÃO EXATAMENTE IGUAIS aos pentecostais extremados em legalismo, e a tal “Nova Reforma” brasileira é igual ao pentecostalismo ascético e legalista (acho que por herdar muita coisa do legalismo puritano) que me vi tão feliz em me livrar, por causa das exigências extra-bíblicas hipócritas e impossíveis de se cumprir que vivia lá e tive que viver de novo no calvinismo, o que me provocava mais medo de Deus do que amor a Ele. O legalismo dessa “nova reforma tupiniquim” é terrível! Acrescentam muitas regras às Escrituras, regras de roupas, estilos musicais, adesão intelectual a sub-vertentes calvinistas, palavras e gírias do nosso vocabulário, comportamento dentro de um relacionamento amoroso (geralmente inferiorizando as mulheres), em quem ou votar ou não votar, enfim, elevam questões periféricas a principais e ignoram as fundamentais, como fé, graça, perdão dos pecados, justificação, etc, então acabam exigindo obras impossíveis para a salvação, com desculpa de “santidade”, e ai de quem não cumprir, então revogam a salvação das pessoas (como se tivessem esse poder) que não conseguem seguir essas regras, na maioria das vezes extra-bíblicas, com uma facilidade impressionante, dizendo que quem não segue suas doutrinas corporativas (dos grupos, geralmente exclusivistas, que participam) é apóstata ou nunca foi salvo.
Antes que digam, não estou saindo deste meio por mágoa ou pelos problemas que tive com calvinistas que exageram muito no legalismo, pois são minoria, mas saio por me identificar mais com a Fórmula de Concórdia do que com as formas de unidade do calvinismo, ou confissão de fé de Westminster, por me identificar mais com a visão da separação de Lei e Evangelho e dos reinos da mão direita e da mão esquerda de Deus do que com a teologia do pacto ou a “aristocracia espiritual”, por isso estou entrando de cabeça no luteranismo, mas talvez eu ainda possa comentar essa minha frustração com os mais radicais que hoje dão a cara desse movimento brasileiro de “Nova Reforma”, principalmente os que usam termos como “reformados”, “neo puritanismo”, “teonomia”, “reconstrucionismo”, e outros movimentos, para se diferenciar e excluir a maioria, em nome dessa tal “supremacia”, ou “santidade” que nunca vi na Bíblia apresentada da forma como eles acham que podem atingir e exigem dos outros..
O teólogo luterano Paulo Buss sintetiza a percepção que tenho deste grupo legalista que é muito presente nos foruns de internet calvinistas brasileiros:
“Transformar a fé em obediência, por exemplo, é fazer do evangelho uma nova lei.
Quando a lei toma o lugar do evangelho e a justificação deixa de ser a doutrina central do cristianismo, a igreja é transformada de uma congregação de crentes numa congregação de crentes e obedientes, e Cristo se torna um novo Moisés. (Sasse, 1987, 137; Boehme, 2002, 21a).
Ulrich Asendorf —um destacado teólogo luterano da Alemanha— salienta que Lutero ensina o uso predominante da Lei como espelho. A Lei destrói, conduz à morte e revela o pecado.
Em Calvino, se predomina o “terceiro uso da Lei” (no Livro de Concordia, o terceiro uso da lei se refere ao uso da lei como orientação para a vida cristã). O resultado disso, no em geral, é uma tendência ao legalismo. Isso conduz ao sistema puritano de vida.
A partir daí, [muitos] não conseguem distinguir Lei e Evangelho. Em consequência, o Evangelho se torna uma nova Lei.”
A Bíblia sintetiza divinamente essa frustração:
Vocês receberam o Espírito de Deus por terem feito o que a lei manda ou por terem ouvido a mensagem do evangelho e terem crido nela?
Como é que vocês podem ter tão pouco juízo? Vocês começaram a sua vida cristã pelo poder do Espírito de Deus e agora querem ir até o fim pelas suas próprias forças?
Será que as coisas pelas quais vocês passaram não serviram para nada? Não é possível!
Será que, quando Deus dá o seu Espírito e faz milagres entre vocês, é porque vocês fazem o que a lei manda? Não será que é porque vocês ouvem a mensagem e crêem nela?
Lembrem do que as Escrituras Sagradas dizem a respeito de Abraão: “Ele creu em Deus, e por isso Deus o aceitou. ”
Portanto, vocês devem saber que os verdadeiros descendentes de Abraão são os que têm fé.
Antes que isso acontecesse, as Escrituras viram que Deus ia aceitar os não-judeus por meio da fé. Por isso, antes de chegar o tempo, elas anunciaram a boa notícia a Abraão, dizendo: “Por meio de você, Deus abençoará todos os povos. ”
Abraão creu e foi abençoado; portanto, todos os que crêem são abençoados como ele foi.
Os que confiam na sua obediência à lei estão debaixo da maldição de Deus. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Quem não obedece sempre a tudo o que está escrito no Livro da Lei está debaixo da maldição de Deus. ”
É claro que ninguém é aceito por Deus por meio da lei, pois as Escrituras dizem: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus. ”
Mas a lei não tem nada a ver com a fé. Pelo contrário, como dizem as Escrituras: “Viverá aquele que fizer o que a lei manda. ”
Porém Cristo, tornando-se maldição por nós, nos livrou da maldição imposta pela lei. Como dizem as Escrituras: “Maldito todo aquele que for pendurado numa cruz! ”
Cristo fez isso para que a bênção que Deus prometeu a Abraão seja dada, por meio de Cristo Jesus, aos não-judeus e para que todos nós recebamos por meio da fé o Espírito que Deus prometeu.
Gálatas 3:2-14
Ou seja, legalismo não é bíblico, não é cristão, não é protestante, muito pelo contrário..
E já me adiantando aos mais radicais que acusam com calúnias, esclareço aqui que não estou me referindo aos milhões de calvinistas pelo mundo, não virei anti-calvinista, pelo contrário, quero continuar a colaborar de braços dados com meus irmãos calvinistas que acreditam nas doutrinas da graça, mesmo com diferenças de pensamento em coisas menores, nem abri mão de nenhum pensamento essencial que tinha antes, pelo contrário, só confirmo esta fé a cada dia mais, pois encontro também no luteranismo, exceto em alguns termos e coisas menores, não nego absolutamente nada dos fundamentos da fé que Deus me deu e que expressava antes mesmo de ter sido calvinista e continuei expressando como calvinista, subscrever aos símbolos de fé do luteranismo não alterou nada minha fé monergista, como alguns me acusaram, o luteranismo é monergista. E por ser monergista quero manter uma distância saudável de ascetismo rigoroso, seja sob desculpa de “reconstrucionismo”, “puritanismo”, “pietismo”, “princípios reguladores” ou qualquer outro argumento transformado em legalismo pelos mais radicais (legalismo = salvação por obras, ou se sentir melhor que o próximo por causa de obras). Continuo incentivando o conhecimento e apego às confissões de fé e catecismos Calvinistas como fontes de conhecimento e fé, desde que usado o filtro das Escrituras, como em qualquer outra coisa, mesmos os documentos puritanos históricos, que foi um movimento anglófono rico e com um legado proveitoso, mas desde que não se saia do Sola Fide (salvação somente pela fé) e se tome cuidado para não se colocar nenhuma dessas confissões como complemento à Bíblia, como fazem os legalistas.
É claro que muitas outras coisas me levaram ao luteranismo, esclarecimentos doutrinários e estudos teológicos que me colocaram aonde estou, mas este texto aqui não é para fazer um paralelo entre as duas vertentes ou diferenciar os dois pensamentos teológicos. Não pretendo aqui pronunciar uma palavra contra o calvinismo, ou fazer proselitismo em prol do luteranismo a calvinistas, considero tradições protestantes cooperadoras e não desejo fazer mais uma “guerra santa”, antes meu desejo é que cooperemos em amor a Jesus e comunhão entre nós..
Mas complemento que essas exigências para ser um “reformado” que se fazem atualmente entre os “neo-reformados” eu não consegui nunca cumprir (nem eles conseguem. Demagogia pura!), é uma pseudo-perfeição que não tive a mínima condição e hoje não tenho a mínima pretensão de alcançar (porque sei que é impossível) e nem vejo tal perfeição nestes que arrogam isto de si mesmos e cobram tanto de mim e outras pessoas, eles demonstram algo muito diferente da “santidade” ou “perfeição” que exigem tanto dos outros.
Eu não quero mais esse modelo “anglo-americano” de produtividade religiosa e perfeição não. Não queria de volta o que vivi no pentecostalismo, mas acabei vivendo de novo no calvinismo, por isso fiquei muito tempo em oração, buscando orientação, conversando com pastores e amigos, querendo saber como resolver esse problema de relacionamento com muitos calvinistas por eu não ter posições políticas, sociais e de usos e costumes distintas deles. No meio desses estudos e oração me aprofundei na leitura do Livro de Concórdia e de materiais luteranos e vi que meu pensamento como cristão é realmente mais próximo do luteranismo, não do calvinismo. A consequência foi natural. Então não é por mágoa ou atritos pessoais que me tornei um luterano e me desvinculo agora do Calvinismo, sim por fé, oração e Concórdia teológica mesmo..
Sei que esta crítica dificilmente será bem recebida, mas achei por bem registrar, quem sabe faça algum eco e toque no coração de algum calvinista que tenha deixado a maldade e a soberba entrar em seu coração e reveja seus passos e sentimentos como calvinista, por Deus e pelo próximo. O próprio Calvino já alertava:
Ninguém possui coisa alguma, em seus próprios recursos, que o faça superior; portanto, quem quer que se ponha num nível mais elevado não passa de imbecil e impertinente.
- João Calvino / Institutas Vol 2
Aos que estão entrando agora no protestantismo histórico, através das igrejas e grupos de estudos reformados, fiquem espertos com os legalistas, que, graças a Deus, são minoria entre os calvinistas, apesar de muito barulhentos, mas eles se espalharam por toda parte e são pessoas egoístas que só te tratarão bem enquanto você estiver a favor deles, assim como no neopentecostalismo, eles tratarão mal e qualquer “amor” demagogo que eles pregam vai acabar quando você começar a questionar o que eles dizem.
Para identificar essas pessoas, veja se os discursos políticos, eclesiásticos, sociais, teológicos são de menosprezo ao próximo, enfim, se o discurso deles é egoísta, se visa apenas o bem próprio deles, ou o benefício do grupo social/econômico/político/teológico/etc que eles fazem parte, se eles desprezam o bem comum em nome de seus interesses próprios. Fujam destes, por mais sejam versados em teologia, saiba citar escritores reformados/puritanos de cor e salteado. Jesus falou sobre como andam os verdadeiros discípulos:
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35
Todo mundo falha em amar, mas ser deliberadamente egoísta e sentir prazer em maltratar o próximo, principalmente da parte de um cristão, não é algo que é fácil de tolerar, o melhor é se afastar de gente assim, antes que eles se virem contra você e você sofra com eles até que eles sejam disciplinados pelo Senhor, ou seja manifestado que eles não são trigo, mas joio entre nós.
Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomai cuidado para que não caiais da vossa firmeza, levados pelo erro destes homens ímpios.
Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele a glória agora e eternamente.
2 Pedro 3:17-18
Esclarecido isso, agradeço a leitura e espero ter sido edificante para você de alguma forma.
* Nota de Rodapé: O termo “reformado” se aplica somente a calvinistas e zwinglianos. Os que são adeptos da Reforma Luterana são conhecido como “luteranos”, não como “reformados”, isso por iniciativa dos calvinistas e zwinglianos que não aceitavam o termo “reformado” para luteranos.

Sofrimento – O legado de todo cristão


Sofrimento-01Por Antognoni Misael

Já nascemos com uma condição certa, o sofrimento. “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, disse o poeta Vinícius de Morais, e com sua parcela de razão.

O sofrimento é a humilhação que o pecado nos legou. Sofrimentos psicológicos, físicos e existenciais… Sofrer é algo que o tempo nos ensina, é algo que o corpo sente na pele, no cabelo, nas mãos, nas rugas, nas juntas, nos músculos, no coração…

Os mais estimados filósofos da história fizeram caso dele em busca de uma razão para o existir. Soren Kierkegaard (1813-1855) dizia que a “angústia era a vertigem da liberdade”, isto é, pensar a liberdade humana e a capacidade de fazer escolhas já traria consigo a penumbra do sofrimento presente no pensamento. Que coisa hein?! O fato de lidar com decisões, por mais simples fossem, já gerava um sofrimento para o pensador.

Renato Russo, poeta do rock nacional que marcou a década de 80, também fez caso da dor e contribuiu com a certeza de que todos nós sofremos, em níveis diferenciados, na caminhada do existir.

Mas o maior exemplo de sofrimento humano encontramos em Cristo! Ali temos o exemplo máximo de sofrimento psicológico, físico e espiritual. Psicológico porque ser carpinteiro desde pequeno lidando com pregos, martelo e madeira certamente gerou um drama para um jovem que sabia que iria morrer numa cruz; físico porque os açoites e a crucificação nos revelam um sofrimento sem tamanho para qualquer humano; e espiritual porque sobre ele estavam todos os pecados dos homens.

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” [Isaías 53:4-6]

O maior sofrimento que o homem pode ter nesta vida não está relacionado as suas emoções ou aspectos físicos, mas sim a sua condição espiritual. Estar desconectado de Deus é a pior sensação que o homem pode sentir.

Nos últimos dias de sua existência Renato Russo escreveu “Me fale do sagrado coração porque eu preciso de ajuda”. A sua alma implorava por alívio.

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“O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido.”
―C. S. Lewis

A realidade do século XXI nos apresenta esse quadro: pessoas supridas materialmente, abastecidas em seus laços afetivo-emocionais, porém vagando pelas vielas desta sociedade hedônica e consumista como zumbis existenciais. – “Eles precisam de ajuda; eles precisam saber da VERDADE”! Grita a minha alma em relação ao mundo que observo. Pessoas buscam constantemente fugas, seja nas drogas, no entretenimento e até na religião.

Mas, sofrimento não é só legado do mundo. É legado também da igreja! Se por um lado estamos aliviados das cargas do pecado, e reconciliados em Cristo, ainda temos um caminho estreito a trilhar, pois tomar a Cruz de Cristo significa estar disposto e disponível para andar os passos do mestre. Por isso nossos sofrimentos, sejam físicos, psicológicos, ou de qualquer ordem humana tem um objetivo central: nos identificarmos com Cristo. Glórias a Deus por isso!

A medida que perecemos em corpo, nos regozijamos em saber que teremos um corpo glorificado; a medida que nos frustramos com os nossos sonhos sabemos que nada se compara ao que Ele preparou para nós; a medida que perdemos a nossa vida em detrimento das glórias deste mundo, nos achamos em Jesus, sendo abraçados por Ele.

Definitivamente, os breves tempos de aflições não podem se comparar com a glória que há de ser em nós revelada!(Rm 8.18)

Pode até soar herético, mas não é querido leitor: “Sofrer também é nossa sina, pois até nele a glória de Deus é revelada!”

***

Antognoni Misael, vascaíno sofredor, que pilota o Arte de Chocar e Púlpito Cristão.

2 de dezembro de 2013

O declínio da pregação e a decadência da igreja


Por Pr. Judiclay Santos

No dia 18 de janeiro de 1548, na Cathedral of Saint Paul, no coração de Londres, um dos mais notáveis reformadores ingleses pregou uma poderosa mensagem que ecoa através dos séculos. O Sermão do Arado, pregado por Hugh Latimer, é uma trombeta do céu que ressoa sobre a igreja e exorta os pregadores.

"Quem dera nossos prelados fossem tão diligentes para semear os grãos de trigo da sã doutrina quanto satanás o é para semear as ervas daninhas e o joio! Onde o diabo está em residência e está com o seu arado em andamento, ali: fora os livros e vivam as velas!; fora as Bíblias e vivam os rosários!; fora a luz do evangelho e viva a luz das velas – até mesmo ao meio dia!; [...] vivam as tradições e as leis dos homens!; abaixo as tradições de Deus e sua santíssima Palavra[...]"[1]

A dura crítica de Latimer é verdadeira, consistente e terrivelmente atual. É impressionante considerar que a realidade da igreja na Inglaterra em meados do século 16 é muito similar à realidade da igreja no Brasil, no século 21. A situação nas igrejas cristãs, salvo as honrosas e raras exceções, é de extrema pobreza e mediocridade nos púlpitos. Dominicalmente são oferecidos sermões mortos, pregações vazias, discursos inócuos, preleções insossas. A igreja tem sido submetida a uma dieta terrível: uma sopa rala que não nutre a fé. Existe um contingente expressivo de pessoas sem maturidade e estatura espiritual, e Igrejas cheias de pessoas vazias. Há muita gente sofrendo o processo de infantilização por falta da pregação da Palavra.

Uma leitura cuidadosa da História cristã mostrará que existe uma estreita relação entre a pregação da Palavra e a vida da igreja. Todas as vezes que a pregação do evangelho floresce seu impacto se torna evidente na vitalidade da igreja e na subsequente transformação da cultura.

Se alguém gastasse uma semana lendo toda a Bíblia e, na semana seguinte, se familiarizasse com os principais acontecimentos da história da igreja, o que observaria? Que a obra de Deus no mundo e a pregação estão intimamente ligadas. Onde Deus age, ali a pregação floresce. Em todos os lugares em que a pregação é menosprezada ou está ausente, ali a causa de Deus passa por um tempo de improdutividade. O Reino de Deus e a pregação são irmãos siameses que não podem ser separados. Juntos, eles permanecem de pé ou caem.[2]

A igreja brasileira sofre por causa do declínio da pregação. A falência dos púlpitos é uma tragédia para o povo de Deus. Existem muitos palradores, mas poucos pregadores. Há uma enorme carência de homens que preguem o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.[3] Via de regra, o que se tem visto, de norte a sul do Brasil, são homens superficiais que oferecem um tipo de "alimento" incapaz de nutrir a fé. Boa parte dos cristãos não sabe o que significa o evangelho. Muitos não conhecem as verdades elementares da fé cristã. As implicações desta triste realidade são avassaladoras. O cenário evangélico brasileiro é constituído de igrejas teologicamente confusas, moralmente frouxas, socialmente inoperantes e espiritualmente decadentes.

I. Os resultados do fracasso da pregação na vida da igreja.

1) Empobrecimento do culto cristão.

Na estrutura do culto cristão, a exposição bíblica é o principal ato de adoração. Culto público de adoração sem a pregação do evangelho não é apenas pobre, é falso. "O que vemos hoje é a marginalização do púlpito. Há uma percepção de que o púlpito é apenas um móvel decorativo no santuário e que alguém tem que usá-lo para alguma coisa".[4] É triste e lamentável constatar a pobreza dos cultos. A falta de pregação bíblica e a quantidade de cânticos medíocres na musicalidade e heréticos no conteúdo é um escândalo. Quando a pregação não ocupa o centro no culto cristão e a Palavra perde a devida primazia na vida da igreja prevalecem o subjetivismo, o antropocentrismo, o sensacionalismo, o paganismo e todo tipo de excentricidades. Tais coisas, por sua natureza, não glorificam a Deus e não edificam a igreja de Jesus Cristo.  

2) Desfibramento moral da igreja. 

Se a pregação é o principal meio de graça, através do qual a igreja é santificada pela ação do Espírito Santo, onde não há pregação do evangelho a corrupção do coração é potencializada e se manifesta com maior força. Existem contundentes evidências da falta de integridade moral por parte de muitas pessoas que confessam ser cristãs. Valores e práticas incompatíveis com a Palavra de Deus se tornaram comuns no arraial evangélico. Se o profeta Oséias pregasse para essa geração de cristãos no Brasil, sua mensagem seria: "Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído".[5] A exortação do Cristo ressurreto à igreja em Sardes é bem adequada à igreja brasileira: "... não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus".[6] Uma das razões pelas quais a igreja padece de fraqueza moral é porque "há uma tendência dos púlpitos modernos a propagar uma mensagem que informa, mas não transforma, que diverte mas não converte" (Abgel).

3) Confusão doutrinária no seio da igreja. 

João Calvino, grande teólogo e experiente pastor, afirmou que "a ignorância é mãe de todas as heresias". Onde a verdade é negligenciada floresce o erro. O Brasil, conhecido por sua cultura mística de profundas raízes no paganismo, é terreno fértil para a proliferação de ensinos errados. As matizes, quer seja, a pajelança indígena, os  ídolos do catolicismo romano, os rituais afro-ameríndios, o kardecismo anglo-saxão ou as seitas "evangélicas", conspiram contra o genuíno evangelho. Nesse cenário de múltiplas divindades, variados cultos e tantos credos, o enfraquecimento do magistério da Palavra e a negligência da pregação tornam a igreja vulnerável e criam o ambiente para o sincretismo. Não seria essa a triste realidade da igreja evangélica no Brasil?

4) Decadência espiritual.

Um púlpito fraco é a maior tragédia da igreja. Spurgeon estava certo ao afirmar que "o mais maligno servo de Satanás que conheço é o ministro infiel do evangelho".[7] O fracasso da pregação é a causa primária da miséria espiritual da igreja. Sempre que a igreja é transformada em teatro da fé, o púlpito em vitrine de vaidades, o culto em serviço de entretenimento e o pastor em animador de auditório, a decadência espiritual é inevitável. À luz das Escrituras, a falta de santidade, devoção, misericórdia, sabedoria, compaixão, fervor, piedade, vida e amor são evidências do declínio espiritual. A igreja tem dado sinais de fraqueza espiritual e existem algumas razões pelas quais isso acontece. O notável João Crisóstomo indica uma delas. "Quando você vir uma árvore cujas folhas estejam secas e murchas, algo de errado está acontecendo com as suas raízes; quando você vir um povo indisciplinado, sem dúvida, os seus sacerdotes não são santos".[8] A igreja que tolera um pastor negligente no ministério da pregação comete suicídio. 

II. Fatores contribuintes para o declínio da pregação.

O declínio não foi súbito, mas gradual. Um estudo criterioso apontará as razões pelas quais a glória da pregação ter sido apagada. O renomado Dr. Albert Mohler[9] aponta alguns elementos significativos, dentre os quais, destacamos três:

1) A pregação contemporânea sofre de perda na confiança no poder da Palavra.

Muitos pregadores não creem na autoridade da Bíblia como Palavra de Deus. É impressionante constatar a quantidade de pastores que deveriam nutrir a fé da igreja a partir da pregação da Palavra, mas não o fazem porque não confiam que de fato a Bíblia é a Palavra de Deus. Se um homem nega a inspiração, autoridade e suficiência da Escritura, ele não está qualificado para pregar.  

2) A pregação contemporânea sofre de obsessão por tecnologia.

Vivemos em uma sociedade de forte apelo audiovisual. O emprego de novas tecnologias não deve ser descartado, mas avaliado criteriosamente. O risco não é usar esses recursos, mas se tornar escravo deles. Um pastor não pode gastar mais tempos preparando slides para apresentar o seu sermão do que estudando o texto bíblico e orando diante de Deus, por si e pelos seus ouvintes. Como bem observou o dr. Moller, Deus decidiu ser ouvido e não visto. 

3) A pregação contemporânea sofre de focalização em necessidades sentidas.

A principal necessidade do ser humano é a paz com Deus por meio de Cristo. Desconsiderar essa verdade torna o púlpito um centro de aconselhamento para tratar realização profissional, saúde financeira e relacionamentos interpessoais. A psicologização do púlpito é uma triste realidade no cenário evangélico brasileiro. Enquanto os pregadores gastam tempo falando sobre os sete passos para melhorar o casamento, muitos casais nada sabem sobre o que significa o texto: "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela".[10]

O pastor moderno precisa voltar-se para o estudo profundo das Escrituras e para a pregação expositiva da revelação divina. Pequenos sermões tópicos, carregados de ilustrações sentimentais, que se ouvem nos púlpitos, [...] não satisfazem as mais profundas necessidades espirituais dos ouvintes".[11]

Felizes são as igrejas cujos pastores pregam a Palavra de Deus. A história testemunha que as igrejas que mais crescem espiritualmente são aquelas que valorizam a pregação. Enquanto o púlpito não ocupar a primazia no culto não haverá edificação.

III. Encorajamento aos pregadores.

A Reforma Protestante, a despeito de todas as acusações de seus detratores, deixou um glorioso legado para o cristianismo, o resgate da pregação pública da Palavra de Deus. Os reformadores não inventaram a pregação, mas certamente lutaram para que ocupasse a primazia no culto cristão. Eles exortavam os que estavam sob a sua liderança  a buscar excelência na pregação da Palavra.  John Owen declarou que "o primeiro e principal dever de um pastor é alimentar o rebanho pela pregação diligente da Palavra". Para tanto, eles tinham um pressuposto e uma motivação. Primeiro, eles entendiam que a pregação da Palavra de Deus é "um meio de graça indispensável e sinal infalível da verdadeira igreja" (Calvino). Segundo, a incansável luta desses gigantes da fé tinha como alvo a glória de Deus. Sendo essa a motivação primária para subir ao púlpito e anunciar o evangelho da graça. Deus é glorificado quando a igreja é edificada, e isso acontece através da diligente e fiel pregação da Palavra.

Martin Lloyd-Jones disse que a pregação é a tarefa mais importante do mundo. Calvino entendia que o púlpito é o trono de onde Deus governa a sua igreja. A reforma da igreja começa no púlpito da igreja. "O avivamento da igreja acontece quando se acende uma fogueira no púlpito". (D. W. Moody).

Uma palavra de encorajamento.

1) Pregue a palavra.

Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.[12]

Uma grande honra é sempre acompanhada de uma grande responsabilidade. A exortação de Alexander Wyte é muito oportuna: "Nunca pense em abrir mão da pregação! Os anjos em derredor do trono invejam sua grandiosa obra." 

2) Estude exaustivamente o texto.

Sem disciplina nos estudos não é possível pregar com excelência. "Pregação que não custa nada não vale nada", exortava John Henry Jowett. O pastor deve dedicar-se aos estudos e a preparação do sermão. Alguém sugeriu que para cada minuto de pregação o pregador deveria investir uma hora de preparação. Pode parecer muito, ou até mesmo impraticável, mas o ponto é que o preparo é fundamental. Segundo Spurgeon, o príncipe dos pregadores, "aquele que cessa de aprender cessa de ensinar. Aquele que não semeia nos estudos não colhe no púlpito". 

3) Crie pontes entre o mundo bíblico e o contemporâneo.

Não torne a sua pregação uma coisa enfadonha e sem sentido. Conheça a Escritura, mas também o povo para o qual você prega. Mostre as pessoas a conexão entre o texto bíblico e a vida delas. Use ilustrações vivas e verdadeiras. Uma boa ilustração é como janelas em uma casa, iluminam e arejam o ambiente. A viva e eficaz Palavra de Deus precisa ser comunicada com clareza, a fim de que haja uma correta aplicação para os ouvintes. 

4) Seja humilde: você depende da graça de Deus.

Certo pregador subiu ao púlpito cheio de confiança em si mesmo. Foi um completo fracasso. Então alguém lhe disse: Se você subisse como desceu (humilde) teria descido como subiu (confiante). A humildade é uma virtude que faz toda diferença na vida do pregador. Os talentos não são suficientes. Para obter a bênção de Deus no exercício da pregação é necessário suplantar a soberba e pregar na completa dependência do Senhor. McCheyne acertou ao dizer que "não é tanto os talentos o que Deus abençoa, mas uma grande semelhança com Jesus. Um ministro de vida santa é uma tremenda arma nas mãos de Deus".[13]

5) Ore invocando a presença do Espírito Santo.

Sermões áridos e sem vida matam a igreja. O que torna um sermão uma pregação é o poder do Espírito. "A pregação é lógica em fogo" (Lloyd Jones). Todo pregador deve buscar a unção do Espírito, sem o qual os frutos são impossíveis. Em uma época de aguda fraqueza espiritual nos púlpitos, acompanhada de inúmeras conversões fabricadas pela manipulação das emoções humanas, todo pregador deveria levar em consideração as palavras do apóstolo Paulo, um dos maiores pregadores da história do cristianismo: "porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós".[14]

Em suma, sem pregação bíblica, proclamada no poder do Espírito Santo, não há esperança para a igreja brasileira. Deus tenha misericórdia de nós.

* Texto publicano no site da Edições Vida Nova (Teologia Brasileira)
__________________________________

[1] LATIMER, Hugh. Citado por STOTT, John. Eu Creio na Pregação. Vida: São Paulo, 2001, pp. 27-28.
[2] OLYOTT, Stuart. Pregação Pura e Simples. Fiel: SJC, 2008, p. 23.
[3] Efésios 3.8.
[4] MOHLER, Albert. Apascenta o meu rebanho. Cultura Cristã: São Paulo, 2009, p. 25.
[5] Oséias 14.1.
[6] Apocalipse 3.2.
[7] SPURGEON, Charles H. O Ministério Ideal, Vl 2. PES: São Paulo, 1990, p. 65.
[8] CRISÓSTOMO, In: Homilias sobre o Evangelho de Mateus (38), citado por SPENER Filipe Jacob, Pia Desideria, p. 26.
[9] MOHLER, Albert. Deus não está em silêncio. Fiel: São José dos Campos, 2011, pp. 22-28.
[10] Efésios 5.25.
[11] CRABTREE. A Doutrina Bíblica do Ministério Pastoral. Rio de Janeiro: Juerp, 1981, p. 81.
[12] 2 Timóteo 4.1-2.
[13] MCCHEYNE, Robert M. Citado por STOTT, John. O perfil do pregador. São Paulo Vida Nova, 2005, p. 114.
[14] 1 Tessalonicenses 1.5.

***
Via: Bereianos

29 de novembro de 2013

A Black Fraude da religião!




Por Hermes C. Fernandes


Jamais poderia supor que o Brasil aderiria à onda do Black Friday. Participei algumas vezes durante o período em que morei nos EUA com minha família e achei que seria ótimo se tivéssemos algo parecido em nosso país. Sempre na sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, as pessoas madrugam nas filas intermináveis das lojas, num frio que costuma estar abaixo de zero. Apesar disso, todo esforço é recompensado. Os preços realmente despencam.


Aderimos ao Black Friday, mas não aderimos ao Dia de Ação de Graças. Pode até parecer que isso não tenha nada a ver, mas tem. Sem a ética preconizada pela gratidão, a Black Friday pode vir a ser uma Black Fraude, como estamos vendo no Brasil.


Dias antes, o comércio aumenta sensivelmente os preços dos seus produtos, para depois anunciar descontos de até 70%. O problema é que o aumento dado antes costuma ser superior ou pelo menos igual ao desconto anunciado. Isso é fraude!


Falta-nos a ética da gratidão, e os escrúpulos que esta ética produz em nosso caráter.


Isso nos remete à parábola contada por Jesus em que certo rei convocou seus servos para um acerto de contas. Um deles lhe devia dez mil talentos, porém, não tinha como pagar. O rei, então, requereu como pagamento de sua dívida, sua mulher e filhos. Desesperado, o homem prostrou-se e rogou que o rei fosse generoso para com ele e lhe desse mais prazo para quitar sua dívida. Movido de compaixão, o rei mandou soltar-lhe, perdoando totalmente sua dívida. Ao sair dali aliviado, aquele homem deparou-se com um colega que lhe devia quantia bem inferior à dívida que acabara de ser-lhe perdoada. Partindo pra cima dele, como quem quisesse sufocá-lo, bradava com as mãos em seu pescoço: Paga-me o que me deves! Seu colega implorou-lhe que o perdoasse, exatamente como ele havia feito com o rei minutos antes. Mas ele foi irredutível. Mandou-o pra cadeia até que pagasse a dívida. Quando o rei soube do ocorrido, ficou tão decepcionado que mandou chamá-lo de volta e cancelou o perdão que lhe concedera (Mt.18:23-34), enviando-o igualmente para a prisão até que saldasse a dívida.


A ética da gratidão deveria nos tornar menos gananciosos. O Black Friday americano só é possível porque é antecedido pelo Dia de Ação de Graças. Somente consciências constrangidas pela gratidão é capaz de abrir mão de parte de seus lucros. Já que a vida tem sido tão generosa conosco, por que não compartilhar parte desta generosidade com os demais?


Semelhante ao que tem sido vergonhosamente praticado aqui, os fariseus contemporâneos de Jesus também cometiam fraude em nome de sua religiosidade.


“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” Mateus 23:15
Era o mesmo espírito das propagandas falsas que enchem os encartes de nossos jornais no dia de hoje. Se fossem anúncios sinceros, diriam: Tudo pela metade do dobro!


Para fazer um novo convertido (prosélito), o fariseu era capaz de qualquer sacrifício. Percorriam qualquer distância, ainda que sob o sol escaldante de 40º. Isso constrangia a pessoa de tal maneira que, em resposta, acabava aceitando sua proposta religiosa. Todavia, uma vez convertido, o jugo que se colocava sobre seus ombros era duas vezes mais pesado do que o que lhe fora removido. Pois é justamente isso que ocorre em nossos dias. Igrejas investem massivamente em propaganda, fazem promessas irrecusáveis, mas depois que a pessoa cede ao seu apelo, coloca-se sobre ela um peso muito maior do que aquele que ela carregava antes. Trata-se, portanto, de uma Black Fraude!


Uma vez enredada, dificilmente a pessoa consegue se livrar. As ameaças são constantes. Inferno, maldições, legiões de demônios, são apenas alguns itens daquilo que poderá sobrevir na vida de quem resolve desertar dessas igrejas farisaicas.


Só há uma maneira de se corrigir isso. Qualquer proposta de espiritualidade que não seja precedida pela oferta da graça deve ser imediatamente recusada. Para ser Black Friday legítima tem que ser antecedida pelo Dia de Ação de Graças!


Consciências perdoadas devem dispor-se a perdoar. Quem se beneficiou da generosidade deste Deus deve igualmente ser generoso com os demais.


Chega de Black Fraude! Chega de religiosidade exploradora. Recuse-se a ser duas vezes mais filho do inferno. Em vez disso, seja um instrumento da graça e do amor perdoador do nosso Deus.






Quem preferir cair no conto do vigário, só lamento.

Show superfaturado de Fernanda Brum coloca secretária de Cultura de Cachoeiro-ES no banco dos réus

O Ministério Público denunciou e a Justiça acatou ação de superfaturamento por um show da cantora gospel Fernando Brum
Cristiane Fagundes Paris
Secretária da PMCI, autoizou contratar

O Ministério Público denunciou e a Justiça acatou superfaturamento no show da cantora gospel Fernando Brum, realizado em julho de 2012, pelo valor na época em de R$ 110 mil, através da O.ES Consultoria e Assessoria Fonográfica Ltda.
A quantia superfaturada saiu em dos cofres públicos em junho e julho de 2012 , R$ 110 mil por um show da Fernanda Brum no dia 25 de março do ano passado.
Estão no banco dos réus por crimes de improbidade e outros relacionados ao assalto aos cofres públicos, a Secretária Municipal, ordenadora de despesas, Cristiane Resende Fagundes, a empresa citada e seus sócios Marcelo Leite da Silva e Edson da Silva Cruz.
O Ministério Público apurou que o show da artista evangélica, de renome nacional, vale quatro vezes menos o valor pago pela Prefeitura de Cachoeiro-ES. O processo se encontra na Justiça da Fazenda Pública de Cachoeiro de Itapemirim em fase de sentença.
Esta prática de superfaturamento de shows artísticos é comum em algumas Prefeituras, principalmente a de Cachoeiro de Itapemirim em que a Secretária já responde por quase uma dezena de processos pelas mesmas práticas.
Tentamos entrar em contato com a cantora Fernanda Brum, pelos números disponibilizados no seu site oficial, mas ninguém quer falar sobre o assunto e nem sobre a empresa que a contratou.
A cantora não figura como parte do processo, apenas a empresa que a contratou. E não se sabe na intermediação com quanto ela ficou dos recursos da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim-ES, terra de Roberto Carlos.
Confira andamento do processo:

Processo : 0018310-71.2013.8.08.0011Petição Inicial :201301459097Situação :Tramitando
Ação : Ação Civil Pública Natureza :Fazenda MunicipalData de Ajuizamento:
04/11/2013
Vara : CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - VARA FAZENDA MUN REG PUB
Distribuição
Data : 04/11/2013 14:41Motivo : Distribuição por sorteio
Partes do Processo
Requerente
   MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO
        0000000/ES - PROMOTOR PUBLICO
Requerido
   CRISTIANE RESENDE FAGUNDES
   O.E.S. CONSULTORIA E ASSESSORIA FONOGRAFICA LTDA
   MARCELO LEITE DA SILVA
   EDSON DA SILVA CRUZ
 
Andamentos
13/11/2013     Aguardando remessa    (IC) MESA MATILDE
08/11/2013     Aguardando remessa    (C)Devolvidos Juiz - Ver andamento
06/11/2013     Autos devolvidos do juiz com despacho   
05/11/2013     Autos concluso para despacho   
05/11/2013     Autos recebidos em cartório CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - VARA FAZENDA MUN REG PUB   
04/11/2013     Autos carga CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - VARA FAZENDA MUN REG PUB   
04/11/2013     Processo distribuído   
 
Opinião do jornalista e evangelista sobre adoradores cobradores de cachê: