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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

18 de maio de 2015

O dom de variedade de línguas - Artigo Completo



Por Leonardo Dâmaso


Texto base: 1 Coríntios 14.2,4a, 13-17, 21-25, 27-35.

Introdução

No capítulo 14, Paulo estabelece algumas diretrizes para corrigir a forma desorganizada de culto que a igreja de Corinto estava realizando. Para isso, o apóstolo se concentra em dois dons espirituais – o dom de profecia e o dom de línguas. Segundo Paulo, estes dons estavam sendo usados no culto público de maneira equivocada, e, portanto, não estava promovendo a edificação dos participantes.

Todavia, os Coríntios pareciam não se importar com relação à ausência de entendimento que havia nos cultos públicos. Eles sequer procuravam compreender tudo o que acontecia. Este desprezo pelo uso da mente para a compreensão intelectual das coisas estava sendo substituído por um culto eivado pela histeria e focado nas experiências emocionais, as quais eram confundidas com verdadeiras experiências espirituais.

Por outro lado, muitas destas experiências espirituais que os crentes de Corinto experimentaram possuíam influência demoníaca (12.2-3). Tudo isto residia na prática usual de muitos “falarem em línguas” ao mesmo tempo sem interpretação, e isto num estado de “êxtase frenético”, o qual privava os participantes de edificação espiritual (14.14-17,27-28). 
  
O mesmo ocorria com o dom de profecia; todos que possuem este dom “profetizavam” ao mesmo tempo, o que gerava confusão em vez de compreensão da mensagem transmitida (14.29-31). 

A ênfase de Paulo neste capítulo é ressaltar como critério a edificação coletiva, e não um tipo de edificação individual, conforme ressalta os continuacionistas na questão das línguas.  

O apóstolo ensinou em Efésios 4.12-13, que os dons foram distribuídos pelo Espírito Santo para o aperfeiçoamento e a edificação dos crentes como igreja. Na lista de alguns dos dons espirituais descrita no capítulo 12 de 1 Coríntios, as línguas se encontram em último lugar (12.28). Agora, no capítulo 14, as línguas se encontram em segundo lugar de importância, estando em primeiro lugar a profecia. 

Logo, os dons de profecia e línguas deveriam ser exercidos para que promovessem a edificação de todos que estavam presentes no culto público. Podemos dividir o esboço analítico da seção sobre o dom de variedade de línguas em quatro partes.

1) O dom de variedade de línguas com relação aos crentes (14.2,4a,21-25). 2) O dom de línguas com relação aos não crentes (14.21-25). 3. A limitação do dom de variedade de línguas (14.26-28). 4) Equívocos relacionados ao dom de variedade de línguas pelos Coríntios e pelos pentecostais e neopentecostais no presente. 5) Uma análise histórica e teológica da cessação das línguas.

Explanação

1. O dom de variedade de línguas com relação aos crentes (14.2,4a,6-11)

Paulo inicia sua argumentação no capítulo 14 doravante à conclusão de sua argumentação sobre a importância do amor no capítulo 13. No versículo 1 do capítulo 14, ele tece dois imperativos diretos e um indireto.

Em primeiro lugar, o apóstolo ordena que os crentes sigam ou busquem com intensidade e determinação o amor. Em segundo lugar, retomando o seu argumento descrito no capítulo 12.31, ele instrui os crentes para que sejam diligentes na procura dos dons espirituais e, de modo indireto, que eles prefiram especialmente o dom de profecia em relação aos outros dons.

Entretanto, obter o dom de profecia depende, primeiramente, da soberania de Deus; Ele, mediante o seu Espírito, concede os dons a quem quer e como quer. Por conseguinte, obter um dom depende também daquele que o requer. Portanto, os dons que o Espírito Santo confere aos crentes devem ser empregados com amor para o benefício espiritual e material da igreja (veja Rm 12.4-8).    

Em seguida, Paulo se concentra num longo trecho sobre a questão das línguas. Ao escrever o capítulo 14, o apóstolo imagina um culto público. Seu intuito é corrigir a maneira equivocada com que este dom estava sendo exercido no culto como sinal de imaturidade espiritual dos crentes da igreja de Corinto (3.1-4). Assim, ele esboça algumas características do dom de línguas com relação aos crentes. Senão vejamos: 
        
a) A natureza das línguas (vs.2)

Paulo afirma que aquele que fala em uma língua humana γλωσση (glossa) não interpretada no culto público não comunica nenhuma mensagem que tenha sentido às pessoas ali reunidas, pois elas não são capazes de entender o que está sendo dito; como consequência, não há edificação ou instrução alguma. Logo, somente Deus entende o que está sendo transmitido em outra língua.1 

Em Atos 2.4-11, todos os judeus estrangeiros [aqueles que residiam em outros locais onde se falava outras línguas] que estavam reunidos em Jerusalém para a festa do pentecostes compreenderam os idiomas humanos ou dialetos διαλέκτω (dialektos) que foram falados pelos apóstolos. Este não foi um milagre “auditivo”, onde a multidão ali reunida foi miraculosamente capacitada a entender em sua própria língua aquelas palavras. Antes, o milagre foi realizado nos apóstolos, os quais falaram sobrenaturalmente idiomas que desconheciam.  
No texto a lume, Paulo não menciona nada referente à interpretação. Pelo contrário, ele escreve que a mensagem transmitida em outra língua sem interpretação não é dirigida às pessoas, como no pentecostes, mas a Deus. Assim, os pentecostais e neopentecostais sugerem que as línguas faladas na igreja de Corinto e nas igrejas do século 1 não eram idiomas, como no pentecostes, mas uma língua espiritual incompreensível aos homens, talvez até uma língua de anjos (1Co 13.1), visto que somente Deus a 
entende.2

Porém, a expressão ainda que eu falasse a língua dos anjos em 1 Coríntios 13.1 é uma hipérbole, isto é, uma figura de linguagem que aumenta ou diminuiu exageradamente uma verdade. Desse modo, Paulo não diz que ele falava a língua dos anjos, pois o texto não menciona nada acerca da natureza da língua falada pelos anjos; ele também não afirma sobre a possibilidade de os crentes falarem a língua dos anjos.

Antes, o apóstolo descreve que ainda que fosse possível ele falar na língua dos anjos [e se realmente existe esta língua], e tivesse todos os dons (13.2), mas se não tivesse amor, ele não seria nada. Portanto, assim como no pentecostes, as línguas descritas em 1 Coríntios 14 também são idiomas humanos.

No fenômeno moderno das falsas línguas, podemos notar que as supostas interpretações são geralmente repreensões, revelações de segredos, predições vagas do que Deus está por fazer e exortações gerais muitas vezes indefinidas. Uma vez que os pentecostais e neopentecostais afirmam que o que fala em línguas dirige-se a Deus, e não aos homens, as interpretações deveriam ser uma mensagem do “homem para Deus”, e não de “Deus para o homem”! Com isso, percebemos um concomitante anacronismo em relação ao verdadeiro dom de línguas!
  
b) O meio pelo qual as línguas são emitidas (vs.2c)

Se alguém que fala em uma língua humana não interpretada não fala às pessoas, mas a Deus, visto que somente Ele entende o que está sendo falado, isto é através do “espírito”. A palavra grega πνενματι (pneuma) pode ser traduzida se referindo tanto ao “espírito” humano quanto ao “Espírito Santo”. Assim, fica difícil saber com exatidão se Paulo faz menção ao “espírito humano” ou ao “Espírito Santo”.3

Dentro do contexto do capítulo 14, Paulo salienta o “espírito humano” duas vezes (vs.14,32). Pessoalmente, acredito que ele tinha em mente aqui o “espírito humano”. Então, aquele que falava em línguas, o fazia pela atuação do Espírito Santo “em seu espírito” sem transmitir a informação à mente. Por isso, aquele que falava em línguas “em espírito” não entendia o que falava.   

c) O conteúdo das línguas (vs.2c)    

Paulo, agora, declara que aquele que fala em línguas estrangeiras fala a Deus mistérios. Ele utiliza esta palavra no capítulo 4.1, onde se refere aos ministros do evangelho como despenseiros dos mistérios de Deus. Ele utiliza esta mesma expressão no capítulo 2.7-9 para enfatizar Cristo e o Evangelho que foi revelado como o mistério de Deus que esteve oculto na eternidade (veja também Cl 2.2).

No capítulo 13.2, Paulo ressalta que conhecer todos os mistérios é algo pertencente ao profeta. Estes mistérios que eram revelados aos profetas das igrejas locais do Novo Testamento se tratavam da exposição verbal dos aspectos do mistério de Cristo que fora revelado aos apóstolos e, por conseguinte, registrado nas Escrituras. Comunicar osmistérios não é adivinhar os segredos das pessoas presentes no culto através de uma suposta revelação como fazem os “profetas” modernos. Antes, é simplesmente anunciar o grande mistério de Cristo.

Todavia, poderíamos interpretar que os mistérios que Paulo se refere aqui em 1 Coríntios 14 é o mistério de Cristo, embora seja empregado o plural – mistérios. A lógica desta interpretação é que aquele que fala em línguas transmite o Evangelho a Deus. Contudo, qual é o sentido disso? Nenhum!

Também devemos rejeitar a interpretação que ressalta os mistérios como sendo segredos conhecidos somente por Deus e por aqueles que falam em línguas. Não existem “crentes especiais” ou mais iluminados que possuem acesso a segredos particulares com Deus.

Esta interpretação, além de ser gnóstica, é vigente em ramificações heréticas como o adventismo, mormonismo, o neopentecostalismo, entre outras. Deus não têm filhos preferidos; Ele revelou o Evangelho a todos os crentes. Outra interpretação que deve ser rejeitada é que o dom de línguas foi concedido para os crentes se comunicarem com Deus de forma mais espiritual, uma vez que falam mistérios.

Não obstante, o meio que Deus concedeu aos crentes para se comunicarem com Ele é a oração realizada na própria língua. Então, o que significa falar pelo espírito mistérios? Paulo está simplesmente dizendo que, quando um idioma desconhecido é falado no culto sem haver tradução, a mensagem divulgada é “misteriosa” ou incompreensível para os ouvintes.4

Calvino ratifica esta interpretação em seu Comentário Expositivo de 1 Coríntios, dizendo que o termo mistérios possui um sentido negativo, “como sendo certas expressões ininteligíveis, confusas, enigmáticas, como se Paulo tivesse escrito: ninguém entende uma só palavra do que ele [o que fala línguas] diz”.5

d) O foco equivocado das línguas (vs.4a)

Prosseguindo sua argumentação, Paulo acentua que aquele que fala em línguas edifica6 a si mesmo. Este trecho de difícil interpretação é o favorito dos pentecostais e neopentecostais na defesa do falar em línguas em particular para a edificação individual. Esta ideia foi chamada de o “dom de pijamas”, referindo-se ao ato de falar em línguas em privado. Carlos Ortiz foi o criador desta expressão.

Por conta de uma interpretação equivocada deste trecho, ele assegurou que, diferentemente dos outros dons, que foram conferidos para a edificação coletiva [da igreja], as línguas foram conferidas especialmente para a edificação individual do crente, como um tipo de hábito privado a ser realizado pelo crente em casa, a sós com Deus.

Apesar de alguns continuacionistas afirmarem que não deve haver línguas no culto sem interpretação, através desta passagem eles apoiam o hábito de falar em línguas em particular. Entretanto, se analisarmos meticulosamente o contexto imediato de 1 Coríntios 14, abrangendo também o capítulo 12, 13, Atos 2, e o contexto teológico das línguas, entenderemos que Paulo não está ensinando aqui uma prática das línguas como um devocional privado. O apóstolo não ensina que este é o propósito das línguas! Sendo assim, vejamos algumas razões que demonstram outro entendimento: 

i. Conforme disse anteriormente, quando escreveu 1 Coríntios 14, Paulo tinha em mente um culto. Ele imagina a igreja reunida para um culto de adoração a Deus quando trata da questão da profecia e das línguas. Era como se Paulo fosse visitar a igreja quando estivesse reunida para o culto público.

Desse modo, o apóstolo relata o que acontece quando os irmãos se reúnem para o culto (vs. 26), e, assim, tece as diretrizes necessárias com relação ao uso adequado dos dons no culto (vs. 27-40). Ele imagina o caso de um irmão falando em línguas e os demais irmãos ao seu redor não entendendo o conteúdo do que está sendo emitido verbalmente (vs.9,16-17). Ele afirma enfaticamente que, ao estar presente num culto público, prefere instruir os irmãos na própria língua em vez de falar muitas palavras em línguas humanas desconhecidas para eles (vs.19). Ainda que de forma implícita, vemos aqui a preocupação de Paulo com a edificação coletiva.

No versículo 12, o apóstolo orienta os irmãos da igreja em Corinto a progredir nos dons espirituais, tendo em vista a edificação da igreja como um todo, e não a edificação pessoal do crente. Portanto, no capítulo 14, vemos orientações acerca de como deve ser o procedimento dos crentes no exercício dos seus dons no culto público. Por outro lado, nesta primeira carta a igreja de Coríntios, Paulo orienta os crentes a fazerem algumas coisas no âmbito privado [ou seja, em suas próprias casas], e não na igreja. Ele escreve que os crentes, antes de participar da celebração da santa ceia, devem comer em casa (11.34).

Caso houvesse dúvidas bíblicas por parte das mulheres no culto, elas deveriam buscar o esclarecimento em casa, indagando os seus próprios maridos ao invés de interromper o progresso do culto com interpelações (14.35). E, finalmente, os crentes deveriam reunir o dinheiro das contribuições para os crentes da Judéia em casa (16.2). Portanto, se os crentes não poderiam falar em línguas no culto sem haver tradução, mas pudessem fazer isso em particular, seria bem provável que Paulo escrevesse orientações claras acerca desta prática, como fez nos casos supramencionados.

Diante disso, percebemos que Paulo não escreve nenhuma orientação sobre o uso das línguas sem interpretação no âmbito privado. Neste capítulo ele está discorrendo sobre questões relacionadas ao culto, isto é, quando alguém fala em línguas sem haver a tradução. Logo, os continuacionistas não podem utilizar este trecho para justificar o hábito de falar em línguas em particular.   

ii. A edificação ensinada por Paulo ocorre somente quando os crentes compreendem as questões de Deus exercidas pelos dons no culto. Sendo assim, a ideia de alguém edificar a si mesmo através do hábito de falar em particular uma língua estrangeira sem interpretação foge do padrão estabelecido por Paulo. Acerca da contradição existente na auto edificação, Charles Hodge, em seu Comentário de 1 Coríntios, escreve que aquele que fala em línguas “se edifica porque entende a si  mesmo”.7 A interpretação de Hodge é interessante, porém se depara com o versículo 14, que diz que aquele que fala em línguas não entende o que está dizendo.

D.A.Carson, que apoia o hábito de falar em línguas sem tradução em privado, foge das evidentes implicações descritas no capítulo 12.7. Lá, Paulo assevera que os dons do Espírito são conferidos para o que for proveitoso, e que, no contexto, refere-se ao que for proveitoso para [ou que beneficie] a igreja. Carson reconhece isso, e afirma que, de acordo com este trecho, “não existe nenhum benefício direto [para aquele que fala em línguas sem tradução em particular]”.8 

Porém, o argumento de Carson de que as línguas faladas em secreto traz algum tipo de “benefício indireto” é tendencioso e incongruente. A prova que ele utiliza para sustentar esta afirmação é ínfima e forçada. Ele escreve:

Todavia, a Paulo foram concedidas visões e revelações extraordinárias que objetivavam somente seu beneficio imediato (2Co 12.1-10); contudo, certamente a igreja recebeu ganhos indiretos, pois essas visões e revelações, para não mencionar a questão do espinho na carne, o capacitaram mais para o seu ministério e proclamação. [...] É difícil ver como o versículo 7 torna ilegítimo o uso privado do falar em línguas se o resultado é uma pessoa melhor, um cristão com mais consciência espiritual: a igreja pode sim receber benefícios indiretos.9  
       
Não existe a comparação entre o que Paulo ensinou sobre os dons espirituais com asexperiências espirituais que ele teve em particular. Também não existe nas cartas de Paulo uma proibição contra experiências espirituais particulares. Porém, o ato de falar em línguas humanas é visto como um dom que foi concedido pelo Espírito Santo a alguns para o beneficio da igreja (veja Ef 4.11-12; 1Pe 4.10-11). Portanto, o argumento de Carson, que diz que a igreja recebe um "benefício indireto" com aquele que fala em línguas em particular é frágil demais para acreditarmos, uma vez que a experiência espiritual não edifica em si a igreja numa forma coletiva, mas apenas a pessoa que teve.

iii. Por outro lado, na tentativa de manter o equilíbrio na interpretação deste trecho, Augustus Nicodemus Lopes sugere uma posição intermediária. Ele escreve:

Paulo está admitindo que existe algum benefício espiritual para o que fala em línguas, mas que não é a edificação que ele deseja para a igreja, apesar de usar a mesma palavra. Seria uma espécie de compensação quando não houvesse intérprete na igreja, como um consolo ao que falou mas não foi entendido. Paulo admite que o espírito de quem ora, canta e bendiz a Deus em línguas, mesmo sem compreender o que diz (a mente permanece infrutífera) recebe algum tipo de beneficio. (vs.14-17). Ele mesmo recomenda que, no caso de não haver intérprete, o que fala em línguas “fale consigo mesmo e com Deus”, como uma espécie de consolo diante da ordem para calar-se (14.28). 

Isso, entretanto, não significa que o apóstolo encoraja a prática das línguas em privado. O beneficio que a mesma traz, na opinião do apóstolo, é inferior à edificação recebida na comunidade, pelo ministério dos outros irmãos, pelos dons espirituais. A compensação para o que fala em línguas é somente no caso de não haver intérprete na igreja. É bastante diferente alguém querer falar línguas em privado, já sabendo de antemão que não haverá interpretação.

Como entender, então, as experiências relatadas por cristãos sinceros de que experimentaram o falar línguas a sós? Pessoalmente, creio que Deus pode fazer exceções, mas o que ele nos ensina no Novo Testamento é que as línguas, juntamente com os demais dons do Novo Testamento, foram dados para a edificação da igreja e deveriam ser exercidos durante os cultos. 

Talvez pudéssemos justificar o uso do dom de línguas em particular lembrando que dons como o de curar, socorros e milagres provavelmente eram exercidos também fora do ambiente de culto. Porém, olhando o argumento mais de perto, vemos que há uma diferença fundamental: curas, milagres e socorros, exercidos em particular, sempre são administrados por alguém a outro alguém. No fim, acaba sendo um membro da igreja edificando outro membro da igreja. O mesmo não pode ser dito no caso de falar línguas a sós.10

O problema desta “interpretação intermediária”, embora seja atraente, consiste no fato de não haver nenhuma informação clara nas cartas de Paulo sobre a ideia de umaedificação parcial [“compensação”, segundo pressupõe Nicodemus] quando um dom espiritual [no caso, as línguas] não é usado da forma que foi estabelecida. Basear-se nos versículos 14-17 não soluciona o problema; é apenas uma fuga mal sucedida! 

Neste trecho, especialmente os versículos 16-17, Paulo, de fato, elogia aquele que louva a Deus. Ele não censura as expressões de gratidão a Deus, mas, sim, o modo em que este agradecimento é manifesto, ou seja, em línguas não interpretadas. Paulo repreende aquele que ora em línguas pela desconsideração para com o próximo, pois a pessoa não entende o que está sendo transmitido em outra língua e, portanto, não recebe nenhum benefício espiritual. Assim, o versículo 17 é uma altissonante censura desferida ao que fala em línguas no culto sem interpretação, visto que privou o seu próximo da edificação.

Diante do fracasso das interpretações que tentaram sanar a dificuldade existente no versículo 4, qual seria a melhor interpretação? O que Paulo quis dizer quando escreveu que aquele que fala em línguas edifica a si mesmo?

Segundo o meu entendimento, Paulo escreveu o versículo 4 em um tom de ironia. Esta é uma figura de linguagem que esboça uma censura disfarçada de aprovação. É o oposto do que se quer dizer, porém sempre ressaltando o sentido verdadeiro da afirmação. Era como se Paulo estivesse declarando uma verdade – o que fala em línguas edifica a si mesmo – no entanto, esta “aparente verdade” é uma ironia! Nesta mesma carta Paulo escreve outra verdade em tom de ironia (veja 1Co 4.6-8). Existem formas de ironia nas Escrituras que são praticamente sarcasmos (veja 1Sm 26.15; 1Rs 18.27).

Portanto, a melhor interpretação para o versículo 4 seria entendermos a declaração de Paulo como uma ironia ao Coríntios. Eles estavam abusando do uso do dom de línguas para exibirem uma “espiritualidade superior” aos demais; na verdade não passava de uma falsa espiritualidade egoísta e equivocada (3.1-4). Os dons espirituais eram um símbolo de status para os imaturos Coríntios!  

Interpretando o versículo 4, John Stott ratifica que “certamente deve existir pelo menos uma ponta de ironia no que Paulo escreve, porque a frase praticamente se contradiz em seus termos. A auto edificação está completamente fora de cogitação quando o Novo Testamento fala de edificação.11 

Não obstante, para fortalecer sua argumentação sobre a necessidade do entendimento das línguas faladas para que a igreja seja edificada, Paulo utiliza como exemplo três ilustrações. Ele fala sobre os instrumentos musicais (vs.7), uma trombeta tocada que alerta sobre a preparação para uma batalha (vs.8), e as conversas interpessoais (vs.9-11).

O versículo 6 é uma introdução para as ilustrações subsequentes. Paulo pergunta aos Coríntios qual seria o benefício que obteriam se ele fosse visita-los e ministrasse na igreja deles num idioma desconhecido. A resposta é: nenhum benefício! Haveria, sim, benefício se o apóstolo ministrasse na língua própria, quer fosse como profeta [revelação e profecia] ou como mestre [ciência e doutrina]. O tema desta seção poderia ser resumido numa frase: A manifestação dos dons espirituais no culto deve ser inteligível para que haja a edificação de todos!

Por mais que as línguas sejam espirituais, se não forem interpretadas, irão produzir o mesmo som confuso que os instrumentos musicais soam quando são tocados por leigos, é o mesmo que dizer de alguém que não sabe o toque de preparação de uma trombeta para a guerra, e é como se houvesse uma conversa entre dois estrangeiros que não entendem o idioma um do outro. Senão vejamos:

i. Os instrumentos musicais (vs.7)

Se uma pessoa que é leiga na música decide tocar uma flauta ou uma harpa, o som que emitirá destes instrumentos será indefinido e confuso.  

ii. A trombeta (vs.8)

De modo semelhante à questão da música, se uma pessoa produzir um sonido indefinido com a trombeta, visto que desconhece o sonido que deve ser tocado, como um exército se preparará para a batalha? Haverá confusão ao invés de preparação.

iii. As conversas interpessoais (vs.9-11)

Imagine você, um brasileiro, conversando com um alemão. Ambos desconhecem a língua um do outro. Portanto, a conversa será vã, pois não houve a compreensão da mesma. Através destas ilustrações, Paulo ensina que se alguém falar em outra língua sem interpretação no culto, a igreja não poderá ser edificada, visto que o idioma falado é incompreensível para as outras pessoas (vs.11). Para que ocorra a edificação deve haver o entendimento.

Continua nos próximos dias...

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Notas:
[1] A expressão não fala a homens, senão a Deus, é comumente usada por alguns estudiosos para confirmar que as línguas que Paulo salienta em 1 Coríntios 14 não são idiomas humanos. Porém, a expressão somente demonstra que as línguas são “uma forma de oração” (veja 14.14-15). Em Atos 2.11; 10.46, as línguas, aparentemente, eram uma forma de oração e louvor a Deus distintos da profecia (veja também Atos 19.6).  
[2] Alguns estudiosos deduzem pela expressão “outras línguas”, que ocorre algumas vezes em 1 Coríntios 14, como um sinal de que Paulo está se referindo a uma língua espiritual diferente das línguas humanas. No entanto, a palavra “outras” não aparece no grego, e trata-se de um acréscimo de interpretação dos tradutores para o português.
[3] Charles Hodge, em seu Comentário Bíblico de 1 Coríntios, defende que Paulo se refere no versículo 2 ao Espírito Santo, e não ao espírito humano. Ele ressalta que "as Escrituras não fazem distinção entre o “nous” (mente) e o “pneuma” (espírito) como faculdades diferentes da inteligência humana". Porém, o apóstolo traça esse contraste nos versículos 14 e 15.
[4] Augustus Nicodemus Lopes corrobora que quando o Senhor apareceu a Paulo no caminho de Damasco, falou-lhe em língua hebraica (At 26.14). Seus companheiros, possivelmente soldados romanos cedidos por Pilatos aos principais sacerdotes para prender os cristãos, viram a luz, ouviram a voz, mas não a entenderam (“ouviram”, veja At 22.9), visto que não falavam hebraico. A voz soou como um perfeito mistério para eles. Talvez devamos interpretar 1 Coríntios 14.2 nesse sentido (O culto espiritual, pág 195).  
[5] Calvino. 1 Coríntios, pág 414.
[6] A palavra edificar significa literalmente “construir”; traz a ideia de se construir cidades, casas ou sinagogas. É aplicada figuradamente à igreja como um todo (veja Mt 16.18; Rm 14.19; 15.2; 1Co 3.9; Ef 2.20-21; 1Ts 5.11; 1Pe 2.5). Desse modo, edificar passou a ser usada no sentido coletivo de “fortalecer uns aos outros”; “fazer com que os outros cresçam em maturidade espiritual”. Estas bênçãos espirituais só acontecem quando os dons são ministrados aos outros como igreja.  
[7] Charles Hodge. 1-2 Corínthians, pág 281.  
[8] D. A.Carson. A manifestação do Espírito. A contemporaniedade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14, pág 37.
[9] Ibid.
[10] Augustus Nicodemus Lopes. O culto espiritual, pág 198-199.
[11] John Stott, em o Batismo e Plenitude do Espírito Santo, na seção acerca do “propósito dos dons espirituais”. 



Por Leonardo Dâmaso


2. A aplicação do dom de variedade de línguas e sua relação com os não crentes (14.12-25)

Tendo tratado acerca do dom de línguas relacionado aos crentes, Paulo, agora, discorre sobre o dom de línguas relacionado aos não crentes. O apóstolo enfatiza a importância da mente para o entendimento do que ocorre no culto público. Ele ensina que os atos “no Espírito” envolvem o uso do intelecto (vs.12-17), e instrui os coríntios no uso das línguas em face dos visitantes no culto (vs.20-25). 
   
a) A aplicação das línguas (vs.12-25)

Paulo aplica o princípio do entendimento das línguas ao crente que as fala, aos demais crentes da congregação e, por fim, aos não crentes. Vejamos: 
       
i. O princípio do entendimento das línguas aplicado ao próprio crente que as fala (vs.12-14)  

A parte a do versículo 12 é a conclusão do versículo anterior. Tendo utilizado a ilustração de dois estrangeiros que conversam entre si, porém ambos desconhecem o idioma um do outro, Paulo conclui o versículo, dizendo: Assim também vós. Era como se o apóstolo dissesse: “Isso também acontece entre vocês quando há línguas não traduzidas no culto”.

Todavia, Paulo reconhece que os coríntios desejavam ter os dons espirituais; e ele não os repreende por isso (12.31; 14.1,39). Antes, Paulo os corrige com relação ao modopelo qual pensavam em obter os dons; os coríntios desejavam os dons como se fosse uma expressão de espiritualidade superior. Assim, Paulo emprega a edificação da igreja como o alvo da busca pelos dons espirituais. Era com este pensamento que os crentes deveriam exceder nos dons espirituais que fossem mais adequados para isso.  
        
No versículo 13, ele instrui os crentes em como as línguas deveriam ser exercidas no culto para que houvesse a edificação da igreja. Ele escreve que se alguém possui o dom de línguas, esta pessoa deve orar para que a possa interpretar. Como entender esta expressão? Aquele que falava em línguas no culto não entendia o que estava dizendo. Se ele entendia, por que orar pela interpretação? O objetivo de quem falava em línguas não era em si a auto edificação, mas buscar com que os outros fossem edificados. Para isso, o falante deveria orar para que pudesse traduzir as línguas.

À primeira vista, parece que Paulo está ensinando que a mesma pessoa que fala em línguas também pode interpretá-las. Porém, esta interpretação contradiz a regra estabelecida por Paulo com relação ao entendimento das línguas no culto, ou seja, queuma pessoa falasse em línguas e outra pessoa as traduzisse. Variedade de línguas e interpretação de línguas são dons distintos conferidos a pessoas distintas nas duas listas de dons que Paulo descreveu nesta carta (12.10,30).

Quando o apóstolo trata do uso das línguas no culto, ele demonstra que uma pessoa falava em línguas e outra as interpretava (vs.26-27). O sinal para que o falante em línguas deveria se calar era a ausência do tradutor (vs.28). Portanto, a melhor interpretação, seria entender que Paulo estava orientando aquele que falava em línguas a orar para que Deus concedesse o dom de interpretação de línguas a outro; assim, como resposta de oração, o que falava em línguas teria a sua mensagem traduzida. 

Para confirmar a sua instrução, Paulo enumera alguns motivos utilizando como exemplo a oração e o ato de louvar a Deus em línguas (vs.14-15). Vejamos:

1) Paulo escreve hipoteticamente como se estivesse participando de um culto público. A sentença inicial do versículo 14 implica uma “condição” – Porque se eu orar.

Paulo não diz que ora em um idioma estrangeiro no culto; pelo contrário, ele apenas afirma o que aconteceria se orasse em uma língua desconhecida dos irmãos da igreja em Corinto: o seu espírito estaria orando e recebendo a atuação direta do Espírito Santo, o que é algo bom, porém não seria a forma adequada de exercer o dom, uma vez que a mente estaria ausente para a compreensão intelectual do conteúdo da mensagem em línguas. 

Assim, não somente o falante em línguas não entenderia a sua oração, mas também os demais irmãos na igreja. Por isso Paulo escreve [utilizando ele mesmo como exemplo] que a mente daquele que falava em línguas sem interpretação no culto ficariainfrutífera, e que ele, se estivesse participando de um culto, preferia instruir os irmãos na própria língua do que o fazer em outra língua que fosse desconhecida (vs.19).

Adiante, Paulo declara que deve haver um equilíbrio no exercício do dom de línguas no culto público. A maneira adequada, diz o apóstolo, seria orar com o espírito e utilizar a mente para a compreensão (vs.15). Note que Paulo deixa claro que orar em línguas sem o uso da mente é fazer mau uso do dom e, portanto, um erro que deve ser evitado (vs.16-17). “Espírito” [humano] e mentes estão conectados, e ambos devem ser usados no exercício do dom de línguas para que haja a edificação da igreja. Paulo quer dizer que ele [e o que possuí o dom de falar em línguas estrangeiras] deve orar numa língua conhecida por todos no culto para que haja o entendimento mental. 

Simon Kistemaker esclarece:

Como o espírito e a mente funcionam? A mente humana, que tem a capacidade de pensar e entender, está intimamente ligada ao espírito humano. Quando o Espírito Santo controla tanto o espírito como a mente, uma pessoa geralmente viceja e prospera. Mas quando o espírito humano não é governado pelo Espírito Santo, a mente permanece espiritualmente ociosa e o resultado é a esterilidade. [...] É possível o espírito e a mente funcionarem separadamente, mas Paulo dá a entender que o espírito e a mente de uma pessoa precisam estar envolvidos igualmente para serem produtivos.

O espírito e a mente devem operar juntos no exercício da oração para pronunciar palavras inteligíveis. Precisam edificar os membros da igreja que ouvem essas palavras. Portanto, Paulo insiste que os coríntios orem num idioma que seja conhecido por todos os que estão presentes no culto. Ele diz aos coríntios que tanto o espírito como a mente devem orar com eficácia para o benefício da igreja.12

Calvino escreve:

Se alguém era dotado com o dom de línguas e falava de forma simples e inteligível, então seria estranho que Paulo falasse de “o espírito ora, porém o entendimento fica infrutífero”, pois o entendimento deve agir em sintonia com o espírito. [...] Portanto, se formulo orações numa língua que não é conhecida, e o espírito [humano] me supre com palavras, é evidente que o próprio espírito que regula minha língua, nesse caso orará, minha mente, porém, ou estará vagando sem rumo ou, ao menos, não tomará parte alguma na oração.13   

Por outro lado, o mesmo acontece com o louvor entoado a Deus em línguas (vs.15). Paulo ressalta que ele [e outro que possua o dom de falar em línguas estrangeiras] pode cantar em “espírito”, porém utilizando a mente como o meio de entendimento do conteúdo do louvor. Todavia, reconhecendo a prática equivocada do cantar em línguassem tradução, a qual é vigente em algumas em ramificações pentecostais e neopentecostais, Carson observa corretamente que “não existe evidência de que isso justifique uma total participação da congregação. Para começar, isso violaria o princípio de Paulo de que nem todos têm o mesmo dom; e, além disso, uma vez que isso também é uma forma de falar em línguas, a interpretação deve ser exigida”.14  

O segundo motivo que Paulo salienta para corroborar suas orientações acerca do uso adequado das línguas no culto, utilizando como exemplo a oração e o ato de louvar a Deus em línguas, encontra-se no próximo sub tópico:     
                      
ii. O princípio do entendimento das línguas aplicado aos demais crentes da congregação(vs.16-20)

2) No versículo 16, Paulo afirma que, se alguém realizar uma oração a Deus em outro idioma no culto público, o indouto não poderá dizer amém, pois não compreende o que foi dito. Como Paulo tinha mente um culto imaginário ao escrever o capítulo 14, temos, aqui, um diálogo hipotético ou imaginário. O apóstolo supõe um diálogo com um crente “espiritual” que tinha o hábito de orar em línguas durante o culto sem preocupar-se com o indouto ao seu lado. Sendo assim, quem seria este indouto?15 Existem duas possibilidades acerca da identidade desta pessoa.

A primeira possibilidade é que o indouto seria um descrente que visita um culto público da igreja. Este indouto é identificado como alguém que não é instruído na Palavra de Deus. Esta palavra forma um par com a palavra incrédulo no versículo 23, referindo-se a alguém que visita a igreja. Se o indouto for mesmo um “descrente” que participa de um culto público, seria estranho ele dizer amém após presenciar os demais crentes “adorando a Deus” através de orações de gratidão e louvores. A segunda possibilidade é que o indouto é alguém que não possui o dom de interpretação de línguas ou que desconhece o idioma que está sendo falado. Em outras palavras, era um leigo, uma pessoa simples (NTLH), mas um crente.   

A palavra indouto ιοιωτον (idiotes), no grego, significa “desinformado”; “alguém que não é instruído”. Portanto, acredito que a segunda possibilidade é a melhor interpretação; ou seja, o indouto é um crente simples que não possuía o dom de interpretar línguas humanas ou que desconhecia o idioma que era falado no culto (vs.23-24). Era um “indagador” cuja posição estava entre o descrente e o crente mais informado.16 O cerne deste problema não é a incapacidade do indouto para entender as verdades da fé cristã, mas a incapacidade de entender o idioma falado no culto sem a tradução. 

Prosseguindo o seu argumento, Paulo faz uma pergunta hipotética ou imaginária aquele que fala em línguas no culto público: E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? O indouto ou a pessoa como menos instrução não poderá dizer amém17 às ações de graças daquele que fala em línguas estrangeiras, visto que o tal não compreende o que está sendo dito. Acerca do significado da palavra amém, Augustus Nicodemus Lopes escreve: 

O povo de Deus no período do Antigo Testamento, por vezes, expressava seu assentimento à Lei e seu desejo de submeter-se a ela dizendo “amém” após a sua leitura (Dt 27.15; Ne 5.13). Às vezes, diziam “amém” em aquiescência à oração de outros (1 Rs 1.36) ou em ação de graças (1 Cr 16.36; veja SI 106.48). As igrejas cristãs primitivas seguiram o exemplo de Israel em associar-se audivelmente com as orações e ações de graça em seu favor. O artigo definido antes de “amém” (o amém) em 1 Coríntios 14.16 mostra que essa era a prática comum.18

No entanto, se a oração era realizada em outro idioma, os menos informados não poderiam dizer amém. No versículo 17 temos uma repreensão. Paulo não tece uma crítica ao ato de gratidão que o falante em línguas presta a Deus em oração, pois é algo bom; antes, ele critica a forma que a oração é realizada – em línguas. O apóstolo censura aquele que ora em línguas pela desconsideração para com os desinformados, os quais não recebem nenhum benefício espiritual porque não entendem o idioma falado.

Concluindo as razões que confirmam suas orientações sobre o uso adequado do dom de línguas no culto público, Paulo escreve no versículo 18: Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que vós. Praticamente não sabemos de nenhuma situação em que Paulo falou em línguas estrangeiras. Não há nenhum registro no livro de Atos e nas cartas de Paulo que denote que ele falou em vários idiomas em diferentes lugares. 

É somente por meio dessa revelação pessoal, feita com o objetivo de reforçar seu argumento contra o uso das línguas não interpretadas na igreja, que sabemos que o apóstolo também falava em línguas. Falar em línguas fez parte da experiência dos demais apóstolos pelo menos uma vez, no Pentecostes (At 2.4), e, provavelmente, fazia parte do equipamento sobrenatural mencionado por Paulo em 2 Coríntios 12.12 que visava autenticar o ministério apostólico.19
  
Apesar de falar mais idiomas humanos que os coríntios pelo poder do Espírito Santo, percebemos, com esta afirmação, que Paulo se mostrava bastante reservado com relação ao uso deste dom. A repreensão contra a prática inadequada das línguas no culto não era porque Paulo não tinha a experiência pessoal de falar em línguas; pelo contrário, ele falava mais línguas estrangeiras que os demais crentes em Corinto. Aparentemente, este dom não consistia apenas na habilidade de falar uma mesma língua pelo poder sobrenatural Espírito Santo, mas várias línguas.20 
              
Por vezes, os pentecostais e neopentecostais costumam argumentar que se os crentes tradicionais, opositores do hábito de falar em línguas “estranhas”, experimentassem este dom, indubitavelmente mudariam de opinião. Entretanto, vimos que Paulo falava vários idiomas humanos e mesmo assim era reservado quanto ao uso que os coríntios faziam desse dom nos cultos. 
    
Em seguida, no versículo 19, Paulo acentua que, mesmo que fosse capaz de falar milhares de palavras em idiomas estrangeiros, ainda assim preferia falar na igreja poucas palavras na própria língua para que houvesse o entendimento da mensagem e a igreja fosse edificada. A preferência do apóstolo em instruir a igreja numa língua conhecida por todos não deveria ser observada pelos pentecostais e neopentecostais? Eles não deveriam refrear o uso inadequado que fazem das “supostas línguas” nos cultos? Ou eles não desobedecem as regras estabelecidas por Paulo nos versículos 27-28? Claro que sim! Não somente dois ou três falam em línguas no culto, mas vários, ao mesmo tempo e sem tradução.

Não obstante, para corroborar a prática da “oração em línguas” no âmbito privado, os pentecostais e neopentecostais citam como base os versículos 18-19. Segundo eles, Paulo tinha o hábito de orar em línguas em secreto. D.A. Carson afirma:

Não há defesa mais firme para o uso privado do falar em línguas do que essa [passagem demonstra], e tentativas de evitar essa conclusão se tornam marcantemente insignificantes sob exame. [...] Não adianta supor que Paulo está aconselhando o uso privado e silencioso de línguas durante um culto, enquanto outro ministra. [...] Já vimos que Paulo vê a oração com o espírito como uma forma válida de oração e adoração; o que ele não permitirá é a não inteligibilidade na igreja. A única conclusão possível é que Paulo exercia seu impressionante dom de línguas em particular.21 

Carson tenta extrair dos versículos 18-19 o que Paulo não disse, ou pelo menos não deixou claro em nenhuma de suas cartas. Ele não especificou quando ou onde falou em diferentes línguas humanas. Alegar que Paulo tinha e ensinou o hábito da “oração em línguas em particular” é uma especulação pífia. Conforme assegura John MacArthur:   

Em 1 Coríntios 14, Paulo certamente não fez uma apologia ao uso privado e egoísta do dom de línguas. Ao contrário, ele confrontava o orgulho da congregação de Corinto. Eles achavam que eram superiores porque alguns deles falavam em dialetos que eles não conheciam; mas Paulo, que tinha milagrosamente falado em línguas estrangeiras mais do que qualquer um deles, queria que entendessem que o amor superava qualquer dom, não importava o quão espetacular ele fosse. Quando Paulo exercia seus dons dentro do corpo de Cristo, sua prioridade sempre era a edificação de outras pessoas na igreja. Qualquer noção do uso autocentrado de um dom teria prejudicado todo o argumento do apóstolo em 1 Coríntios 12-14.22  
   
iii. O princípio do entendimento das línguas aplicado aos não crentes (vs.21-25) 

Quando Paulo estivesse na igreja para ensinar, preferia falar palavras inteligíveis a falar em um idioma desconhecido por todos. Sendo assim, onde o dom de línguas se encontra no plano de Deus? Anteriormente, Paulo havia exortado severamente os coríntios, dizendo que não podia trata-los como crentes maduros ou espirituais, pois ainda eram meninos na fé, imaturos e carnais, e praticavam os pecados dos descrentes (3.1-4).

Os termos meninos ou crianças são usados de modo figurado nas Escrituras para expressar a deficiência que alguns crentes possuem quanto ao entendimento espiritual das coisas de Deus. Enfatiza um estado de ignorância ou de confusão intelectual das doutrinas da fé cristã em oposição ao entendimento e a sabedoria (Mt 11.16-17; Ef 4.14; Hb 5.11-14). Assim, os coríntios possuíam um entendimento deficiente e confuso acerca das línguas. A paixão que demonstravam por este dom confirmava isso. Eles deveriam ser crianças na maldade, e adultos no entendimento (vs.20). John MacArthur escreve:

Com relação ao mal, os coríntios eram qualquer coisa menos meninos. Eles estavam altamente avançados em todo tipo de pecado. Eles tiveram praticamente todas as manifestações da carne e quase nenhuma do fruto do Espírito (Gl 5.19-23). Eles erammeninos agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina (Ef 4.14). Pelo seu desejo egoísta de se auto edificarem, abusaram do dom de línguas e estavam, entre outras coisas, ignorando o resto da família de Deus.23 

Senão vejamos a maneira em que as línguas são aplicadas aos descrentes:   
     
b) A função e o propósito das línguas (vs.21-22)

Nesta perícope, que abarca os versículos 21-22, Paulo esboça a questão das línguas na história do relacionamento entre Deus e o seu povo. Ele cita no versículo 21 Isaías 28.11-12, dizendo que “as línguas faladas por povos estrangeiros funcionavam em determinados contextos como sinal do juízo de Deus sobre a nação de Israel (Is 14.21)”.24 Augustus Nicodemus Lopes observa:

Isaías estava simplesmente aplicando ao povo rebelde de seus dias as ameaças que Moisés havia feito, em caso de desobediência. Entre as maldições que Deus havia determinado contra seu povo, quando o rejeitasse, estava a invasão por povos estrangeiros (veja Dt 28.49,50). Os profetas que vieram depois de Moisés ocasionalmente mencionaram o idioma desconhecido das nações que Deus usou para punir Israel como sinal do juízo divino (Jr 5.15).

Isaías disse a mesma coisa: Deus haveria de falar em juízo e julgamento aos israelitas rebeldes por intermédio de um povo que levantaria para invadir e desterrar os judeus de Canaã, povo esse cuja língua Israel não conhecia (Is 28.11,12). Historicamente, essas ameaças proféticas se concretizaram quando os assírios e babilônicos invadiram e desterraram os judeus cerca de 600 anos antes de Cristo. Os gritos de guerra dos soldados invasores num idioma desconhecido para os judeus deveria tê-los feito lembrar da maldição.25

Roy Ciampa e Brian Rosner salientam:

A interpretação paulina desse texto mostra que Deus não conseguiu fazer com que seu povo lhe respondesse, nem mesmo tendo lhes falado de uma forma que chamava tanta atenção. Paulo entende que os judeus incrédulos de sua época ainda são culpados diante de Deus e precisam de redenção. Isso mostra que, na opinião dele, nem mesmo o exílio trouxe a nação de Israel de volta para Deus (cf. Rm 3.9-20; 9.2-8,27-33; 10.1-3; Gl 3.10-13; 4.4,5,25; 1Ts 2.14-16).26
        
Contudo, Paulo reporta-se ao Antigo Testamento para ensinar aos Coríntios que as línguas estrangeiras tinham a função e o propósito de demonstrar o juízo de Deus sobre os judeus incrédulos dentre o seu povo (vs.21-22). Os israelitas incrédulos que estavam reunidos na festa do pentecostes ouviram os apóstolos falarem em diversas línguas estrangeiras. Eles deveriam ter entendido que, em breve, Deus enviaria o seu juízo sobre eles. A manifestação deste juízo aconteceu poucos anos depois, quando Jerusalém foi invadida e assolada pelo exército do general romano Tito, no ano 70. Este julgamento foi um dos aspectos de um julgamento mais abrangente, que incluía, além disso, a destruição do templo, da cidade e a dispersão dos judeus para outros lugares do mundo. Estes últimos aspectos do julgamento de Deus sobre o Israel incrédulo são similares aos castigos prometidos em Deuteronômio 28.49-50.

Diante de tudo, entendemos que as línguas foram concedidas por Deus primariamente como um sinal de juízo para os incrédulos. O objetivo deste dom era que ele fosse um sinal para os judeus, conforme a profecia de Isaías. Se observarmos atentamente o livro de Atos, perceberemos que todas as vezes em que ocorreu a manifestação das línguas, os judeus estavam presentes (veja At 2.4-6; 8.14-18; 10.45-46; 19.6). Portanto, os coríntios, os pentecostais e os neopentecostais não deveriam ignorar este aspecto das línguas estrangeiras, mas terem outra atitude para com este dom; deveriam ser cautelosos e não agirem como “crianças desprovidas de juízo” que ficam excitadas com um brinquedo! A profecia, em contrapartida, foi concedida por Deus com um duplo propósito: a edificação coletiva dos crentes como igreja (vs.3,22b), e alcançar os incrédulos através da exortação e consolação, para, assim, levá-los ao arrependimento de seus pecados e adorar a Deus (vs.3,24-25).

Todavia, a função e o propósito das línguas não era somente demonstrar o juízo de Deus; existia ainda outro fator que deve ser observado. No plano histórico da salvação executada por Cristo Jesus, e, por conseguinte, no contexto da igreja do primeiro século, as línguas tiveram um papel crucial. Primeiro, as línguas serviram para mostrar que uma transição estava ocorrendo, ou seja, a mudança da antiga para a nova aliança (vs.21-22; veja At 2.5-21), e que o evangelho seria divulgado em todo o mundo (At 1.8). Segundo, Paulo considera as línguas como um dom que é útil para a edificação da igreja, desde que sejam exercidas no culto público e acompanhadas pela tradução (vs.27-28). Porém, quando as línguas eram usadas fora do culto público, denotava um sinal que autenticava o evangelho, como foi no pentecostes. Embora Deus tenha usada a profecia para revelar o evangelho à sua igreja, o dom de línguas foi uma adição de um milagre linguístico impactante para corroborar a profecia e aqueles que anunciavam o evangelho como enviados de Deus.

Pessoalmente, acredito que as línguas foram concedidas e restritas ao período apostólico. Depois de cumprir o seu propósito na história da igreja, com a expansão do evangelho ao mundo, e a conclusão do cânon das Escrituras, as línguas não foram mais necessárias e, portanto, cessaram. Mas as línguas não ressurgiram com o movimento pentecostal, no final do século 19? E o fenômeno das línguas modernas? É verdadeiro ou falso? Continuarei meu argumento em defesa da cessação das línguas na terceira parte deste ensaio. 

c) O efeito das línguas usado de forma equivocada (vs.23)

Paulo, agora, descreve o resultado que as línguas produzem quando não são usadas conforme o padrão estabelecido nos versículos 27-28. O apóstolo imagina toda a igreja reunida para um culto público. De repente, muitos ou todos [ênfase de Paulo] os crentes começam a falar em línguas em frenesi, e, assim, o culto é dominado pelahisteria e por manifestações corporais espetaculares. Comportamentos similares podem ser vistos nos populares “terreiros de macumba”, no pentecostalismo e no neopentecostalismo. Exatamente no momento de “agitação espiritual”, Paulo supõe que pessoas não instruídas ou incrédulas entrassem no culto; talvez movidas pela curiosidade. Ao se deparar com a cena, a reação dos indoutos ou não instruídos[pessoas que não conhecessem outras línguas; ou talvez pessoas que não tivessem o dom de interpretação] e dos incrédulos [pessoas não crentes que nada sabem acerca do evangelho], seria imaginar que todos os que falavam em línguas desconhecidas de forma eufórica e irracional estariam loucos.
   
O verbo grego usado aqui para enlouquecer é empregado na Odisséia de Homero para descrever o estado de frenesi ou delírio dos adoradores de Dionísio ou Baco, o deus do vinho, durante os cultos orgiásticos celebrados em sua honra, quando esses adoradores começavam a dar gritos de louvor a Baco em palavras ou frases sem sentido ou nexo. Nos Escritos Herméticos, a palavra “loucos” é usada para descrever a impressão que os iniciados, cheios da gnose, deixavam nos estranhos.27    
    
Para os demais moradores da cidade de Corinto, o comportamento exaltado e desprovido de domínio próprio (Gl 5.23) destes crentes poderia se assemelhar ao comportamento dos seguidores das religiões pagãs gregas de mistério. É bem provável que Paulo quisesse evitar esta associação entre a igreja de Cristo e os cultos pagãos ao escrever este trecho. Concordo com Augustus Nicodemus Lopes, que afirma que o espetáculo de uma igreja reunida com todos falando línguas ao mesmo tempo funcionaria como uma barreira à conversão dos visitantes. Por outro lado, se a Palavra de Deus estivesse sendo anunciada e explicada pelos profetas, ela penetraria como uma espada afiada nos seus corações e consciências, produzindo convicção de pecado e levando-os, humilhados, diante do trono da graça de Deus e dando-lhes consciência de que Deus estava realmente presente entre eles (vs.24-25). As línguas não poderiam produzir essa impressão. Mas a exposição da Palavra de Deus, sim.28

Os versículos 23-25 esboçam a preocupação evangelística de Paulo em não fazer com que o culto a Deus pareça loucura aos menos instruídos e aos descrentes. Talvez os coríntios considerassem as línguas como um sinal do poder de Deus se manifestando no culto. Infelizmente, muitos [não todos] pentecostais e neopentecostais têm este mesmo pensamento equivocado. Entretanto, Paulo não ensina um tipo de espiritualidade que ignora a razão e o bom senso. A impressão que os coríntios passariam aos visitantes é de que eram loucos. Esta é exatamente a imagem que muitos [não todos] os pentecostais e neopentecostais refletem para os visitantes de seus cultos. Se os pentecostais e neopentecostais querem demonstrar que Deus está presente no culto deles e se agrada do que estão fazendo, que preguem a Palavra de Deus fielmente! É o evangelho que levará os descrentes a se renderem a Deus e admitirem que Deus está presente no culto (vs.25), e não “supostas línguas” não traduzidas.

Continua nos próximos dias...

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Notas:

[12] Simon Kistemaker. 1 Coríntios, pág 682.
[13] Calvino. 1 Coríntios, pág 423-424.
[14] D. A.Carson. A manifestação do Espírito. A contemporaniedade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14, pág 106-107.
[15] Além da Escritura, a palavra indouto era usada para referir-se ao que não era membro das religiões pagãs, mas que participava esporadicamente de seus cultos.
[16] Simon Kistemaker ressalta que assim como as sinagogas tinham os tementes a Deus, cujo status estava entre os não-crentes e os prosélitos, assim também em sua extensão evangelística a Igreja primitiva tinha discípulos ou “inquiridores” (1 Coríntios, pág 685).
[17] Na conclusão de uma oração numa sinagoga era costume o auditório pronunciar um amém responsivo – um termo hebraico que significa “Assim seja!” – como sinal de aprovação sincera àquilo que era dito. Esse costume continuou no culto da Igreja primitiva, como é evidente nos escritos de Paulo e nos dos Pais da Igreja. Os membros da igreja vocalizavam seu consentimento à oração que um deles pronunciava. Se não entendiam uma oração expressa numa língua que lhes era desconhecida, não poderiam dizer amém (Simon Kistemaker. 1 Coríntios, pág 685).
[18] Augustus Nicodemus Lopes. O culto espiritual, pág 210.
[19] Ibid, pág 212.
[20] Não é possível sabermos com exatidão como Paulo sabia que falava mais idiomas que os crentes de Corinto, uma vez que aquele que falava em línguas não compreendia o que estava dizendo. Esta era a prática normal deste dom; por isso necessitava de um tradutor. Por outro lado, é bem provável que quando evangelizava em lugares que Jesus não era conhecido, o Espírito Santo concedia sobrenaturalmente o dom de línguas a Paulo para que falasse no idioma ou dialeto do povo. O mesmo ocorria com os demais apóstolos que falaram em idiomas que desconheciam no pentecostes.  
[21] D. A.Carson. A manifestação do Espírito. A contemporaniedade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14, pág 107-108.
[22] John MacArthur. Fogo Estranho, pág 172.
[23] John MacArthur. 1 Corínthians.
[24] Augustus Nicodemus Lopes. O culto espiritual, pág 215.
[25] Ibid, pág 215-216.
[26] Roy E. Ciampa e Brian S. Rosner, em o Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, pág 923.
[27] Walter Bauer, F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker. A Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature.
[28] Augustus Nicodemus Lopes. O culto espiritual, pág  218.  


Por Leonardo Dâmaso


3. A limitação do dom de variedade de línguas (vs.26-28)  

Vimos anteriormente que o espetáculo das “línguas” faladas no culto sem interpretação produz um efeito nocivo na igreja por parte dos incrédulos. Geralmente eles ridicularizam os crentes dizendo que estão loucos (vs.23). A relutância em observar o padrão estabelecido por Paulo no uso organizado das línguas no culto gera o comportamento exagerado de muitos crentes pentecostais e neopentecostais. A consequência disso é que escandalizam muitos descrentes.

Em vez de atraí-los para Cristo através do bom testemunho, que envolve o domínio próprio, a moderação e o bom senso, os que “falam em línguas” sem tradução no culto em “êxtase frenético” repelem os incrédulos. 

Em contraste, quando a Palavra de Deus é exposta de maneira fiel, produz humilhação, quebrantamento, confissão de pecados, regeneração e fé nos incrédulos (vs.24-25).[29] O foco de Paulo neste trecho é que haja a convicção de pecados por parte dos descrentes que estão presentes no culto.   

Para solucionar o problema das línguas sem interpretação, Paulo aduz as regras para o exercício adequado deste dom no culto público. O apóstolo estabelece cinco diretrizes para nortear a igreja de Corinto sobre como as línguas deveriam funcionar sistematicamente na igreja. Estas regras, por sua vez, também se aplicam à igreja de todos os tempos. Senão vejamos:  
    
a) As línguas deveriam ser usadas para a edificação coletiva (vs.26) 

Ao escrever o capítulo 14, Paulo imagina um culto público. Assim, ele começa o versículo 26 com uma pergunta retórica: Que fazer, pois, irmãos? Em outras palavras, era como se o apóstolo dissesse: Diante de todas as minhas instruções [vs.1-25], como é o culto de vocês? O que acontece quando vocês se reúnem para o culto público?[30] Será que o tom desta pergunta é uma “orientação” acerca da variedade de “contribuições espirituais”[31] que havia nos cultos por parte dos crentes para aedificação coletiva?

Ou será que o tom desta pergunta soa uma “repreensão” concernente a confusão que havia nos cultos pelo fato de cada crente manifestar diferentes “contribuições espirituais” ao mesmo tempo, de forma desorganizada e sem um propósito definido?

Em toda a história da igreja, nunca houve unanimidade por parte dos teólogos e ministros em relação à forma de organização litúrgica de um culto. Sempre houve divergências sobre o que deve e não deve haver no culto. Numa tentativa de fugir de polêmicas e evitar atritos, vários grupos religiosos rejeitaram qualquer forma de liturgia organizada no culto. Acredito que o movimento dos “irmãos” é um dos exemplos mais radicais nesse aspecto.

Nelson Darby, o fundador do grupo sectário dos “irmãos”, ensinou que os dons espirituais deveriam ser exercidos no culto seguindo a “vontade” do Espírito Santo, e não uma liturgia preparada. Esta era a sua interpretação do versículo 26. Todavia, em 1828, Darby publicou um folheto intitulado The Nature and Unity of the Church of Christ(A Natureza e a Unidade da Igreja de Cristo) que continha esta ideia. Logo, o movimento dos “irmãos” espalhou-se por várias partes da Europa. 

Atualmente, existem “igrejas” sectárias que também rejeitam de forma radical qualquer organização litúrgica no culto. Já estive em cultos pentecostais que são completamente desorganizados. Mesmo que rejeitem a importância de um culto organizado, baseando-se no argumento de que a ordem refreia o “mover do Espírito”, estas “igrejas”, ainda que tacitamente, acabam observando um sistema.

Obviamente, nem mesmo Darby diria que o Espírito Santo age de qualquer forma e sem propósito, embora muitos dos seus discípulos tenham deixado esta impressão. Não vejo contradição entre a liberdade que o Espírito Santo possui para agir, uma vez que é Deus e Soberano e a organização de um culto. Acredito firmemente que o Espírito Santo atua manifestando o seu contentamento onde há ordem! Não acredito que o Espírito Santo age e se agrade de um culto em que impera a desordem!  

Augustus Nicodemus Lopes escreve:

Quando o Espírito Santo orientou Moisés quanto ao culto do Antigo Testamento, revelou claramente o desejo de que o mesmo tivesse um desenvolvimento ordenado. Basta lermos os elaborados rituais do antigo culto. É verdade que o mesmo foi abolido em Cristo. Isso não significa, porém, a abolição dos princípios que o norteavam, mas, sim, a abolição das formas litúrgicas e do cerimonial que prefiguravam Cristo. É suficiente lermos o que Paulo escreveu aqui em 1 Coríntios 14.26-40 para percebermos que, para o apóstolo, ordem no culto é essencial para que haja edificação da igreja.[32]

Diante de tudo, Paulo estava instruindo ou reprovando os coríntios em sua pergunta hipotética? Acredito que o apóstolo reprova os coríntios pela desordem existente nos cultos públicos. Esta interpretação se harmoniza com todo o contexto do capítulo 14. Havia vários crentes falando em línguas ao mesmo tempo sem tradução, vários profetas profetizando ao mesmo tempo; em suma, havia muita confusão.

O culto é dinâmico, participativo. Entretanto, a “contribuição espiritual” que os crentes prestam nos cultos através do exercício de seus dons para a edificação da igreja deve ser realizada com ordem. Por vezes, alguns pentecostais e neopentecostais afirmam equivocadamente que uma liturgia bíblica e organizada é um mero formalismo mecânico. Paulo não ensina isso no capítulo 14; antes, ele tece diretrizes práticas de organização. Assim como os outros dons, as línguas deveriam ser usadas para a edificação da igreja.

O problema central que havia nos cultos da igreja de Corinto era o entendimento equivocado de “liberdade do Espírito” e ordem. Os crentes pensavam que um culto organizado era limitado. Para eles, o modo adequado de exercitar os dons reprimia o mover do Espírito Santo. Os coríntios queriam que as “manifestações espirituais” fossem livres de qualquer restrição, especialmente as línguas. Hoje, muitos [não todos] pentecostais e neopentecostais pensam da mesma forma. Contudo, Paulo ensina que o exercício do dom de línguas é limitado (vs.27a), organizado (vs.27b), definido (vs.27c) e controlado (vs.28). Senão vejamos:  
                        
b) Não mais que três pessoas deveriam falar em línguas (vs.27a)

Paulo não esperava que em todos os cultos públicos ocorressem manifestações de línguas. Não era um hábito regular. A frase inicial expressa uma condição – No caso de alguém falar em outra língua. Só poderiam participar do culto se houvesse uma ou mais pessoas que falassem em línguas estrangeiras. Porém, os falantes deveriam seguir algumas regras.

Uma das regras estabelecida por Paulo é determinar o número total de participantes no exercício do dom de línguas. Em qualquer culto, não mais que três, e preferencialmente não mais que duas pessoas, têm a permissão de falar em línguas. Este é o limite proposto.

Conhecendo a preferência dos coríntios pelo dom de línguas, Paulo concede um número máximo dos que poderiam falar, estendendo-o para três pessoas. Apesar de não serem proibidas (vs.39b), as línguas poderiam ser toleradas; o número três demonstra esta ênfase. 

“Com esses números, Paulo dá a entender que nem todos receberam esse dom (12.30). E, ainda, ele sugere que a restrição se aplica a qualquer reunião”.[33] Nos cultos pentecostais e neopentecostais, percebemos que esta regra não é observada. Não mais que três pessoas falam em “línguas”, mas várias pessoas.

c) As pessoas que falassem em línguas deveriam falar uma após a outra(vs.27b)

O termo sucessivamente άνα μέρος (ana meros), no grego, é, literalmente, “por partes”. Significa que as línguas deveriam ser proferidas numa sequência, isto é, um deveria falar após o outro. Nos cultos da igreja de Corinto, mais de três pessoas falavam, cantavam e oravam em línguas ao mesmo tempo sem que ninguém se atentasse para o que estava sendo dito.

Sendo assim, Paulo corrige esta forma errônea do uso das línguas no culto público e instrui os crentes a falarem em línguas cada um por sua vez. Em contrapartida, nos cultos pentecostais e neopentecostais, esta regra também não é obedecida. Mais de três pessoas falam, oram e cantam em línguas ao mesmo tempo. Esta é uma realidade incontestável (vs.14-16)!  
       
d) A língua falada deveria ser interpretada (vs.27c)

Se houvesse línguas no culto, deveria haver a tradução! É um imperativo! Quando uma pessoa falava em outra língua, um dos membros da igreja que possuía o dom de interpretação a traduzia. Somente assim as outras duas pessoas tinham permissão para também falar em línguas.

É provável que Paulo esteja instruindo que apenas um intérprete traduzisse o que fosse dito pelas duas ou três pessoas que falassem em outra língua. A tradução literal da frase no grego diz: se alguém fala em língua, que sejam dois, ou no máximo três, e por parte, e um interprete.

O número um é enfático, pois reflete o número dos que podem falar em línguas e os que devem interpretar. Lamentavelmente, as versões ARA, ARC, NVI não demonstram esta ênfase. Por outro lado, as versões inglesas KJV, NKJV, RSV, NAS, NAB e a Vulgata ["et unus interpretetur"] indicam o realce.

Conforme vimos, o dom de línguas e o de interpretação aparece como sendo distintos na lista traçada por Paulo (12.10). Nem todos falavam em outra língua e nem todos interpretavam (12.30). No versículo 5 e 13, o apóstolo parece admitir que aquele que fala em línguas também pode traduzi-las, como se a mesma pessoa tivesse os dois dons.

Entretanto, quando chega o momento das orientações práticas concernente ao uso adequado das línguas no culto, Paulo sugere que outra pessoa traduza, e não a mesma pessoa que fala em línguas (vs.26-28). Todavia, sabemos que nos cultos pentecostais e neopentecostais dificilmente há tradução para as “línguas” que são faladas; se há, são falsas, pois o cerne da mensagem é completamente equivocado e, por vezes, herético.
  
Reitero minhas palavras escritas na parte 1, no primeiro tópico:

No fenômeno moderno das falsas línguas, podemos notar que as supostas interpretações são geralmente repreensões, revelações de segredos, predições vagas do que Deus está por fazer e exortações gerais muitas vezes indefinidas. Uma vez que os pentecostais e neopentecostais afirmam que o que fala em línguas dirige-se a Deus, e não aos homens, as interpretações deveriam ser uma mensagem do “homem para Deus”, e não de “Deus para o homem”! Com isso, percebemos um concomitante anacronismo em relação ao verdadeiro dom de línguas!   
      
e) Se não houvesse o intérprete, não deveria falar em línguas (vs.28)

A frase no grego – e se não houver intérprete, fique calado na igreja, e fale para si mesmo e para Deus, deixa implícito que nem sempre haveria um tradutor presente nos cultos públicos. O termo intérprete διερμηνευτης (diermeneutes), só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Pode ter sido criado por Paulo baseado no verbo “interpretar” (vs.27).

Nas sinagogas judaicas havia um intérprete. Sua tarefa era traduzir para o aramaico as passagens da Lei e dos Profetas que eram lidas em hebraico nos cultos. Provavelmente, este não era um ofício duradouro, mas exercido por pessoas diferentes e escolhidas no momento do culto pelo seu dirigente.

Não é mencionado de que forma aquele que falava em línguas poderia saber se havia tradutores ou não presentes no culto. Talvez Paulo imaginasse que a igreja os conhecesse, e que, na ausência deles, os que falavam em línguas deveriam calar-se.

O imperativo “fique calado na igreja” aparece três vezes neste capítulo (vs.28, 30,34), e, no versículo a lume, denota que Paulo não abre exceções para se falar em línguas no culto sem interpretação.

É uma ordem que o apóstolo esperava que fosse observada pela igreja, pois um dos problemas que permeava a igreja de Corinto era que “muitos espirituais” falavam em línguas sem interpretação ao mesmo tempo. Tais manifestações frenéticas de línguas gerava muita confusão nos cultos públicos. O mesmo ocorre nos cultos pentecostais e neopentecostais atualmente. 

Por conseguinte, se não houvesse um intérprete no culto, Paulo orienta que aquele que fala em línguas fale consigo mesmo e com Deus. O que significa esta expressão? O que Paulo quis dizer com isso? Na ausência de um tradutor, aquele que fala em outras línguas não deveria falar de forma audível no culto, mas falar de forma quase inaudível, de modo que somente aquele que fala e Deus podem ouvir.

Os dons de línguas e interpretação formam um par; ambos estão relacionados. Para que aconteça a edificação da igreja, as línguas devem ser traduzidas. Línguas sem interpretação são um desvio crasso da regra estabelecida, e só poderiam ser admitidas no culto se fossem proferidas de forma quase inaudível, como uma exceção. Geralmente os pentecostais e neopentecostais também desobedecem esta regra em seus cultos.

Acerca daquele que fala em línguas, Calvino escreve que Paulo está dizendo: “Que desfrute de seu dom em seu próprio coração, e que dê graças a Deus”. Considero a expressão falar consigo mesmo e com Deus no sentido de refletir em seu íntimo sobre o dom que graciosamente lhe fora conferido, e dar graças por ele em silêncio, bem como desfrutar dele como se fosse sua própria possessão privativa, caso não haja oportunidade de fazer-se uso dele publicamente.[34]  
        
Um culto verdadeiramente espiritual não é marcado pela histeria irracional, a qual é caracterizada por comportamentos inadequados que beiram ao ridículo, como manifestações corporais espetaculares que envolvem gritos, pulos, rodopios e danças “no espírito”.

É inegável os abusos e a desobediência de muitos pentecostais e neopentecostais às ordens de Paulo sobre a importância de um culto racional e organizado. Portanto, é justo indagar se o Espírito Santo continua a conferir o dom de línguas a crentes que infringem as regras que foram estabelecidas na Palavra de Deus. Será que o Espírito Santo manifesta-se em contentamento em igrejas que desobedecem as instruções que Paulo descreveu sobre o uso adequado das línguas no culto? Creio que não!             

4. Equívocos relacionados ao uso do dom de variedade de línguas pelos coríntios e pelos pentecostais e neopentecostais

Paulo destaca alguns erros concernentes ao uso das línguas por parte dos coríntios. É incontestável que muitos [não todos] pentecostais e neopentecostais também cometem os mesmos erros que estes crentes do passado cometeram. Vejamos:   
   
a) Supervalorizar as línguas em detrimento dos outros dons (vs.5)

Os coríntios acreditavam que as línguas era o maior dom de todos. Hoje, ensina-se em muitas [não todas] ramificações pentecostais e neopentecostais que o crente que não fala em línguas é menos espiritual que aquele que fala. Costumam identifica-lo como um crente de segunda categoria que ainda não foi batizado com o espírito Santo.

Existem “igrejas” pentecostais e neopentecostais que exigem o falar em línguas como um requisito fundamental para se nomear um crente ao diaconato e ao ministério da palavra. Logo, o crente que não fala em línguas não pode exercer tais funções na igreja. 

Todavia, este entendimento é completamente equivocado e bizarro! Pensar assim é ignorar as Escrituras e negar o ensino de Paulo, que deseja que os crentes falem em línguas, mas prefere que eles profetizem ou divulguem o Evangelho.  
  
b) Considerar as línguas como uma prova cabal de espiritualidade (13.1) 

Nenhum dom é prova de espiritualidade. O dom não é o “termômetro da espiritualidade”, como pensam muitos pentecostais e neopentecostais. Não se mede a espiritualidade de um crente pelos dons que ele têm pela graça de Deus; pelo contrário, mede-se espiritualidade de um crente pelo fruto do Espírito (G1 5.22-23). A igreja de Corinto tinha todos os dons (1.7), mas era uma igreja carnal e imatura espiritualmente (3.3). 

c) Presumir que as línguas é a evidência do batismo com o Espírito Santo(12.13)

Muitos mestres pentecostais e neopentecostais concordam que o falar em línguas é a evidência do batismo “com” ou “no” Espírito Santo. Segundo este entendimento, o batismo “com” ou “no” Espírito Santo é uma segunda benção após o batismo nas águas; todavia, não há unanimidade sobre isto nestas ramificações. Para confirmar este argumento, os pentecostais e neopentecostais recorrem às passagens de Atos 1.5; 2.1-3; 10.44-46; 19.1-7.

Estes eventos históricos, com exceção de Atos 2.1-3, demonstram que, após ouvirem o Evangelho e crerem, algumas pessoas falaram em línguas, como foi o caso da família de Cornélio (At 10.44-46), e os doze homens de Éfeso que foram batizados por Paulo (19.1-7). Além do evento do pentecostes, só há estes dois registros no livro de Atos sobre pessoas que falaram em línguas após serem evangelizadas e batizadas.

Não creio que as línguas sejam o sinal do batismo “com” ou “no” Espírito Santo. Antes, o batismo “com” ou “no” Espírito significa a inserção no corpo de Cristo por ocasião do novo nascimento ou da conversão (1Co 12.13). John MacArthur salienta que 1 Coríntios 12.13 esclarece que o batismo do Espírito é, na realidade, parte da experiência de salvação de todo crente.

Essa passagem não se refere ao batismo nas águas. Paulo não falava sobre a ordenança do batismo nas águas, por mais importante que esta seja em outro contexto. Paulo se referia à presença do Espírito de Deus no crente. O batismo do Espírito leva o crente à união vital com Cristo.

Ser batizado com o Espírito Santo significa que Cristo nos imerge no Espírito, concedendo-nos, por meio desse ato, um princípio vital comum. Esse batismo espiritual é aquilo que nos une a todos os outros crentes em Cristo e nos torna parte de seu corpo. O batismo com o Espírito unifica todos os crentes. Isto é um fato, e não um sentimento.[35]  
         
Augustus Nicodemus Lopes afirma que, com a expressão todos nós, Paulo faz referência aos crentes em geral, e não somente a si mesmo e aos coríntios. Paulo está descrevendo, na passagem, uma experiência que une todos os cristãos, independente de raça, sexo ou status social. O objetivo do apóstolo, na segunda parte de 1 Coríntios, é enfatizar a unidade dos cristãos, em contraste com a diversidade dos seus dons. Nessa perspectiva, não resta dúvida de que 12.13 esteja se referindo a uma experiência da qual todos os cristãos participam.[36] 
      
John Stott corrobora:

O "batismo" do Espírito é idêntico ao "dom" do Espírito, que é uma das bênçãosdiferentes da nova aliança e, também, uma bênção universal para os membros da aliança e uma bênção inicial. Ela é uma parte e um quinhão da nova época. O Senhor Jesus, mediador da nova aliança e fiador das suas bênçãos, concede o perdão dos pecados e o dom do Espírito a todos os que fazem parte desta aliança. O batismo de água, por sua vez, é o símbolo e o selo do batismo com o Espírito assim como é do perdão dos pecados. O batismo de água é o ritual cristão de iniciação porque o batismo com o Espírito é a experiência cristã de iniciação. Assim, pois, sejam quais forem as experiências posteriores à conversão, "batismo com o Espírito" não pode ser a expressão correta para elas.[37] 

Não rejeito que ocorram experiências espirituais profundas após a conversão; porém, utilizar a expressão Batismo “com” ou “no” Espírito Santo, que é indicativo da conversão para outras experiências espirituais [e a ideia de que as línguas são uma evidência disso], é peremptoriamente um equívoco.

O derramamento do Espírito Santo foi uma promessa descrita no Antigo Testamento que se cumpriu no dia de pentecostes (Jl 2.28-32; At 2.14-36). Este evento marcou o início do ministério pleno do Espírito Santo na igreja e a expansão da mesma por todo o mundo[38] (veja At 1.8-9; 11.1,18; 15.6-21). Assim, o batismo “com” ou “no” Espírito Santo inseriu Cornélio e os doze homens de Éfeso no corpo de Cristo. As duas passagens deixam claro que ambos não eram regenerados ou nascidos de novo.[39] 

Finalmente, as línguas não podem ser o sinal do batismo “com” ou “no” Espírito Santo porque é um dom. O Espírito Santo é quem distribuí os dons de maneira soberana a quem quer como quer e quando quer. E nenhum crente possuí todos os dons (1Co 12.28-30). Do contrário, não seríamos um corpo [igreja] e não precisaríamos servir uns aos outros através dos diferentes dons.

Existiram crentes que não tinham o dom de línguas, mas isso não significa que não eram convertidos. A lógica do batismo “com” ou “no” Espírito no pentecostalismo e no neopentecostalismo é a seguinte: Se o crente não fala em línguas, não é batizado ou não possui um “revestimento de poder espiritual”. 

Não obstante, se um crente não é batizado “com” ou “no” Espírito Santo, que denota o novo nascimento, ele não é convertido. Portanto, as línguas não são evidência do batismo “com” ou “no” Espírito Santo.    
                  
d) Enfatizar que todos os crentes devem falar em línguas (vs.30)

Muitos pentecostais e neopentecostais incorrem no erro de ensinar que todo crente têm que falar em línguas. Eles costumam dizer que, para obter experiências mais profundas com o Espírito Santo e ser revestido de poder espiritual para fazer a obra de Deus, o crente precisa falar em línguas. Existem crentes imaturos que sentem culpa por não receberem este dom.

Hernandes Dias Lopes observa que existem igrejas que chegam a induzir as pessoas a falar em outras línguas, ensinando alguns cacoetes para a pessoa enrolar a língua e emitir sons estranhos. Ele afirma que isso é imaturidade e uma conspiração contra o ensino das Escrituras.[40] 

e) Imaginar que se podia falar em línguas em êxtase frenético (vs.32)

Corinto era uma cidade dominada pelo paganismo e norteada pela cultura grega. Seus habitantes deleitavam-se nas discussões filosóficas. Todavia, Corinto era mais conhecida pela imoralidade sexual. “O nome da cidade foi transformado em verbo. “Corintizar” significava relacionar-se sexualmente com prostitutas. Corinto era conhecida, em todo o mundo, por suas perversões e exageros sexuais”.[41] Pessoas retiradas deste contexto formavam a igreja nesta cidade.

Antes da conversão, muitos crentes de Corinto eram adeptos das religiões de mistérios; e uma das maiores ameaças contra eles eram os resquícios da influência destas religiões que não foram extirpados de seus corações. Por cerca de mil anos as religiões de mistérios dominaram aquela parte do mundo. John MacArthur esclarece:

As religiões de mistérios assumiram muitas formas diferentes, retrocedendo a milhares de anos. Diversos ensinos e superstições que essas religiões propagavam eram comuns a cada uma de suas ramificações. Evidentemente, todas elas estavam interligadas por doutrinas comuns. A evidência aponta para a mesma origem: Babilônia. Todo falso sistema de adoração originou-se nas religiões de mistério da Babilônia, pois todos esses falsos sistemas religiosos começara na torre de Babel. Babel é a primeira representação da religião falsa, sofisticada e organizada (Gn 11.1-9). Ninrode, neto de Cam e bisneto de Noé, foi o patriarca apóstata que organizou e dirigiu a construção da torre (10.9-10).

Parte do esquema consistia no estabelecimento de um sistema de religião falso, uma imitação da verdadeira adoração a Deus. Desde essa época, todo falso sistema de religião possui laços filosóficos e doutrinários relacionados à apostasia da torre de Babel. Por quê? Porque Deus, ao julgar as pessoas que construíram a torre de Babel, espalhou-as pelo mundo. Elas levaram consigo as sementes da falsa religião iniciada em Babel. E, onde quer que tais pessoas se estabeleciam, praticavam alguma forma da falsa religião de Babel. Eles a adaptavam, alteravam, faziam-lhes acréscimos; mas todas as falsas religiões subsequentes provêm da religião de Babel. A heresia babilônica permanece viva até hoje.

É claro que em um centro comercial sofisticado, como a cidade de Corinto, as pessoas conheciam e praticavam diversas religiões de mistério. Tal como as falsas religiões contemporâneas, esses grupos praticavam ritos e liturgias sofisticados que incluíam regeneração batismal, sacrifícios pelos pecados, banquetes e jejuns. Os adeptos das religiões de mistério também praticavam a automutilação e castigos corporais. Criam em peregrinações, confissões públicas, ofertas, abluções religiosas e penitência para a remissão de pecados.

No entanto, talvez nenhum outro aspecto era mais característico das religiões de mistério que a experiência chamada de “êxtase”. Seus adeptos procuravam manter a comunhão mágica e sensitiva com o divino. Eles fariam qualquer coisa para entrar em um estado semiconsciente, alucinatório, hipnótico e orgástico, no qual criam manter contatos sensitivos com uma divindade. Alguns usavam o vinho para auxiliá-los na experiência eufórica, como Paulo deu a entender em Efésios 5.18. Quando os participantes sucumbiam ao estado de euforia, quer pela intoxicação literal, quer pela excitação emocional, eles pareciam estar drogados. Presumiam estar em união com Deus.[42]  

O êxtase experimentado pelos adeptos das religiões de mistérios produzia um efeito inebriante! A pessoa era envolta numa esfera mística tão indizível que a racionalidade era suprimida e, por mais que a pessoa tentasse voltar à racionalidade, não conseguia, pois a sua vontade estava relaxada e as suas emoções acentuadas. Neste estado, a racionalidade era completamente eclipsada. Em outras palavras, a mente envolvida no êxtase era neutralizada e as emoções assumiam o controle da pessoa. Por conseguinte, suas atitudes seriam baseadas na irracionalidade. Mas o que gerava o estado de êxtase?

Samuel Angus declara que o êxtase podia ser induzido por vigílias ou jejuns, expectativa religiosa, danças de roda, estímulos físicos, contemplação de objetos sagrados, efeito de músicas emocionantes, inalação de vapores, contágio avivalista [como ocorreu na igreja de Corinto], alucinação, sugestão e todos os métodos pertencentes ao aparato dos mistérios. Segundo Angus, o êxtase poderia variar do delírio anormal à conscientização da unidade com o invisível e à dissolução da individualidade dolorosa, que caracteriza os místicos de todas as eras.[43] 

John MacArthur corrobora, dizendo que o êxtase poderia emancipar a alma do confinamento no corpo e possibilitar a comunhão do indivíduo com o mundo espiritual. Criava uma extraordinária sensação de leveza. Nesse estado, a pessoa detinha supostamente a capacidade de ver e compreender coisas que apenas os olhos espirituais poderiam contemplar.[44]  
     
A sensação de entorpecimento espiritual provocada pelo êxtase nas religiões de mistérios era a mesma sensação que os coríntios experimentavam na igreja quando falavam, cantavam e oravam em línguas de forma desorganizada no culto. Eles eram sucumbidos pela irracionalidade emocional. O descontrole era tal que alguns chegavam a vociferar Anátema, Jesus! (1Co 12.1-3). Atualmente, reações similares acontecem em muitas igrejas pentecostais e neopentecostais.

Muitos pentecostais e neopentecostais descrevem ter o mesmo tipo de experiência espiritual ocorrida nas religiões de mistérios. Contudo, eles atribuem as reações de euforia espiritual caracterizada por manifestações corporais espetaculares ao mover do Espírito Santo ou ao dom de línguas.

O testemunho comum deles é o seguinte: É muito bom sentir isso! É renovador! Estou me sentindo tão bem! Esta experiência é mesmo de Deus! Porém, um sentimento de bem estar denota que a experiência espiritual é verdadeira e procede de Deus? Não, necessariamente. Embora as experiências espirituais sejam subjetivas, eu não as rejeito, pois a Escritura fala sobre elas. 

Todo crente, ao longo de sua trajetória cristã, experimenta uma comunhão profunda com Deus. Isso não ocorre o tempo todo, mas algumas vezes e a vida inteira. Por quê? Como assim? Mesmo regenerados e habitados pelo Espírito Santo, ainda somos inclinados ao pecado. Ainda temos uma natureza humana não redimida dentro de nós. Enquanto a glorificação de nossos corpos não acontece, vamos pecar!

Por vezes pecamos contra Deus e somos suscetíveis a permanecer durante um período de nossas vidas na prática deliberada de algum pecado; e Deus não se agrada disso. Não existe um crente sequer que em nenhum momento de sua vida não tenha perseverado teimosamente num hábito pecaminoso. 
   
O verdadeiro crente pode permanecer um tempo no pecado, mas não a vida inteira no pecado (veja 1Jo 2.9). Ele foi liberto da escravidão do pecado (veja Rm 6 e 8). Se um dito crente permanece toda a sua vida pecando, ele não é um verdadeiro crente, mas um falso crente! A vida cristã passa por altos e baixos; mas o Espírito Santo que habita no crente o capacita a vencer suas inclinações pecaminosas e a viver uma vida obediente a Deus.

Toda experiência espiritual deve ser confirmada pelas Escrituras. Se uma experiência espiritual não é ratificada pela Palavra de Deus, é falsa! A verdadeira experiência espiritual desemboca em mudança de vida; transforma todo o ser do crente. A verdadeira experiência espiritual fortalece o crente trôpego, pois ele se afasta do pecado e se volta para Deus.

A verdadeira experiência espiritual atrai o crente para uma comunhão mais profunda com Deus em oração, leitura, meditação, estudo das Escrituras e serviço cristão. Se uma experiência espiritual não gera mudança interior no crente, é falsa. Não obstante, por mais que a verdadeira experiência espiritual com Deus seja benéfica, é a Palavra de Deus que deve nortear a vida do crente, e não as experiências espirituais.

Experiências espirituais que não envolvem a razão são perigosas! O subjetivismo irracional abre portas para influências demoníacas! Por outro lado, nem toda experiência espiritual é oriunda do Espírito Santo ou do diabo. Muitas das experiências espirituais que crentes pentecostais e neopentecostais alegam ter são frutos de emoções reprimidas que são extravasadas nos cultos em que vigora a “frenesi”. 

Sendo assim, tanto o profeta como aquele que falava em línguas tinha pleno controle de sua vontade. Ele falava quando queria e se calava quando queria. O verdadeiro dom de línguas era exercido com domínio próprio (Gl 5.23),[45] e não em êxtase como o falso dom de línguas moderno.  
          
f) Falar em línguas na exposição da Palavra não denota fervor espiritual(vs.18-19)

Entremear na pregação frases em “línguas” [sem interpretação] é um hábito pentecostal e neopentecostal forâneo às Escrituras. Não é sinal de espiritualidade, mas de imaturidade e desobediência. Paulo prefere que a igreja seja instruída na própria língua do que em “uma língua desconhecida”.        
  
g) Confundir as línguas com a profecia

Os pentecostais e neopentecostais afirmam que aquele que fala em “outras línguas” não fala aos homens, mas a Deus, visto que não entende o que diz, exceto se houver interpretação. Desse modo, a “língua estranha” emite uma mensagem do homem para Deus, e não de Deus para o homem.

Entretanto, há um equívoco bizarro por parte dos pentecostais e neopentecostais na execução das supostas línguas: eles alternam as línguas com a profecia! Vejamos através de um diálogo fictício como é a junção das línguas com a profecia de acordo com alguns segmentos evangélicos. 

Marcos está em um culto de oração. De repente, “movido pelo Espírito Santo", ele fala em “outra língua”. Em seguida, Marcos traduz a língua que falou com uma predição para o irmão José, dizendo: “Meu servo”, ou, ainda, “eis que te digo” [...], e divulga a mensagem. Onde está o erro nessa prática?

1) Transformou a mensagem da suposta língua falada em profecia. 

2) Em toda a Escritura, as profecias sempre foram transmitidas numa língua conhecida por todos.

3) Reiterando, os pentecostais e neopentecostais asseguram que as línguas são uma mensagem do homem para Deus, e não de Deus para o homem. A profecia, por sua vez, é uma mensagem de Deus para o homem. Portanto, a tradução das línguas deveria ser uma mensagem do homem para Deus, e não uma mensagem de Deus para o homem, como é a profecia.      

4) Não existe na Escritura uma profecia sequer comunicada na primeira pessoa, comomeu servo. Geralmente as profecias eram comunicadas na terceira pessoa: Assim diz o Senhor! (veja alguns exemplos em 1Cr 21.11; 2Cr 34.23; Is 7.7; Jr 33.2; Ez 7.1-2; 21.9; Ag 1.7; Zc 11.4). 

Então, qual é o equívoco nas expressões meu servo ou eis que te digo? Implica em dizer que a pessoa que está divulgando a mensagem profética é uma incorporação do próprio Deus. O profeta está falando em nome de Deus ou é o próprio Deus? A pessoa que está ouvindo a profecia é serva de quem? Do profeta que está comunicando a mensagem ou de Deus?

Quando divulgava uma mensagem, o profeta do Antigo Testamento não assumia o lugar de Deus, mas falava como um representante DEle. O profeta era apenas o instrumento da mensagem, e não a sua fonte. Portanto, é laborar em erro dirigir-se a outra pessoa, dizendo: “Meu servo” ou “eis que te digo”. Ademais, interpretar as “línguas” em forma de profecia também é um erro que deve ser rejeitado. 

5. Uma análise histórica e teológica da cessação das línguas

Na segunda parte deste ensaio, eu disse que o dom de línguas foi concedido e restrito ao período apostólico. Tendo cumprido o seu propósito na história, com a expansão da igreja no mundo, e a conclusão do cânon das Escrituras, as línguas não foram mais necessárias e, portanto, cessaram. Quero elencar quatro argumentos que comprovam a cessação das línguas. Senão vejamos:

1) As línguas eram um dom miraculoso, e a fase dos milagres também cessou no período apostólico.

No pentecostes, os apóstolos foram miraculosamente capacitados pelo Espírito Santo a falar em idiomas estrangeiros que desconheciam. Isto foi um milagre excepcional! O mesmo ocorreu com outras pessoas que falavam apenas um idioma e foram capacitadas sobrenaturalmente por Deus a falar em outras línguas que desconheciam (veja At 10.44-46; 19.1-7). Todavia, o último milagre registrado no Novo Testamento foram as curas de Paulo e do pai de Públio na ilha de Malta, por volta do ano 58 d.C. (At 28.1-10).  
  
Do ano 58 ao 96, quando João escreveu o livro de Apocalipse, nenhum milagre foi registrado. Os dons de milagres, como o de línguas e curas, são mencionados apenas em 1 Coríntios, uma das primeiras epístolas a ser escrita. Duas epístolas posteriores, Efésios e Romanos, versam cabalmente sobre os dons do Espírito — no entanto, não fazem qualquer referência aos dons de milagres. Naquele momento, os dons miraculosos já eram considerados pertencentes ao passado (Hb 2.3-4). A autoridade e a mensagem dos apóstolos não precisavam mais de confirmação. Antes do fim do século 1, todo o Novo Testamento estava escrito e circulava pelas igrejas. Os dons de revelação haviam cumprido seu propósito e cessaram. Ao findar a era apostólica, com a morte de João, os sinais identificadores dos apóstolos já tinham se tornado questionáveis (2Co 12.12).[46] 

Embora os dons de cura e milagres tenham cessado – Deus, ainda hoje, cura e realiza milagres como resposta de oração. Deus não confere mais os dons de cura e milagres apessoas individuais como Pedro e Paulo como no período apostólico. Algumas curas e milagres que ocorreram após o século 1, e que ocorrem atualmente, são orações de crentes que são respondidas pelo agir soberano de Deus.   
             
2) As línguas foram um sinal do juízo de Deus para os judeus incrédulos

John MacArthur sintetiza:

Deus havia começado uma nova obra que incluiria os gentios. O Senhor falaria agora a todas as nações em suas línguas. As barreiras foram derrubadas. Assim, o dom de línguas simbolizava não apenas a maldição divina sobre a nação desobediente, mas também a bênção de Deus sobre o mundo todo. As línguas eram, portanto, o sinal da transição entre a Antiga e a Nova Aliança. Com o estabelecimento da igreja, um novo dia raiou para o povo de Deus. Ele se comunicaria em todas as línguas. Contudo, uma vez que o período transicional passasse, o sinal se tornaria desnecessário.[47]   
     
Palmer Robertson complementa:

As línguas serviram para demonstrar que o cristianismo, embora procedente do judaísmo, não deveria ser distintivamente judeu. [...] Agora que a transição [entre a Antiga e a Nova Aliança] estava completa, o sinal da transição não tinha mais valor permanente para a vida da igreja. Hoje, não há necessidade de um sinal para comprovar que Deus está se movendo de uma única nação, Israel, para lidar com todas as nações. Esse movimento tornou-se um fato consumado. Assim como ocorreu com o ofício dos apóstolos como lançadores dos alicerces da igreja, assim também o dom transicional de línguas cumpriu a função de sinal da aliança para o povo de Deus da Antiga e da Nova Aliança. Havendo desempenhado seu papel, ele não tinha mais utilidade entre o povo de Deus.[48]  

3) O dom de línguas era inferior à profecia 

O objetivo das línguas, primordialmente, era servir como um sinal (14.22) e não podia edificar a igreja de modo adequado, pois, na maioria das vezes, era usado erroneamente para a edificação pessoal, e não coletiva (14.4). A igreja existe e se reúne para cultuar a Deus com o propósito da edificação coletiva, e não para a satisfação pessoal através de experiências espirituais, por exemplo. A utilidade das línguas na igreja era transitória e, portanto, não era um dom permanente.

4) A história assegura a cessação das línguas 

As línguas são mencionadas apenas em Marcos, Atos e 1 Coríntios. Nas outras doze cartas que escreveu Paulo não faz menção das línguas. Da mesma forma, Pedro, Tiago, João e Judas também não mencionaram nada sobre as línguas em suas cartas.

As línguas foram conferidas para um breve período. Logo que a igreja se estabeleceu, não houve mais a necessidade das línguas. Elas cessaram. Livros após a fase apostólica também não mencionam nada acerca das línguas. Crisóstomo, um dos pais da igreja, asseverou que as línguas cessaram em sua época, no século 4. Ele descreveu as línguas como uma prática incerta, e declarou:

O obscurecimento é produzido por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, pois eles ocorriam anteriormente, mas não ocorrem em nossos dias.[49]          

Agostinho, um dos maiores teólogos da história da igreja, escreveu sobre as línguas como um sinal remoto aos apóstolos. Ele disse:

Nos primeiros anos, “o Espírito Santo desceu sobre os que creram, e eles falaram em línguas” que não haviam aprendido, “conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Esses sinais eram adequados aquele momento, pois era necessário haver aquele sinal do Espírito Santo em todas as línguas, para mostrar que o evangelho de Deus deveria ser comunicado em todas as línguas da terra. Isso foi realizado como um pressagio e, então, desapareceu.[50]

Continuando, Agostinho disse ainda:

Ora, irmãos, se alguém foi batizado em Cristo e crê nele, mas não fala nas línguas das nações, devemos afirmar que essa pessoa não recebeu o Espírito Santo? Deus não permita que nosso coração seja tentado por essa infidelidade. [...] Por que será que ninguém fala nas línguas das nações? Porque a própria igreja fala agora as línguas das nações. Anteriormente, a igreja era uma única nação, onde se falava nas línguas de todos. Por falar nas línguas de todos, isso significava o que viria a acontecer: ao crescer entre as nações, ela falaria as línguas de todos.[51] 

Não obstante, a história relata que, nos primeiros quinhentos anos da igreja, apenas pessoas que seguiam movimentos heréticos e fanáticos como o montanismo, Jansinismo e os “shakers”, “falaram em línguas”. Apesar de ser continuacionista, Carson admite que “pelo menos em relação à igreja primitiva, parece que as línguas eram extremamente raras depois do início do segundo século”.[52] W.A. Criswell corrobora:

Na longa história da igreja, depois dos dias dos apóstolos, onde quer que o fenômeno da glossolalia surgisse, era encarado como uma heresia. A glossolalia foi, sobretudo, confinada aos séculos 19 e 20. Mas, independentemente de onde e como surgiu, ela nunca foi aceita pelas igrejas históricas da cristandade. Foi universalmente repudiada por essas igrejas como aberração doutrinária e emocional.[53] 

Thomas R. Edgar tece uma observação crucial:

Visto que esses dons e sinais cessaram, recai totalmente sobre os carismáticos [pentecostais e neopentecostais] o dever de provar a validade de seus dons. Por muito tempo, os cristãos têm presumido que os não pentecostais e neopentecostais devem apresentar evidências bíblicas incontestáveis de que os dons de sinais miraculosos teriam de cessar. Entretanto, os nãos carismáticos não têm que provar nada, pois seus postulados já foram comprovados pela história. Isto é um fato irrefutável, admitido por muitos pentecostais. Assim, os neopentecostais devem comprovar biblicamente que os dons de sinais ressurgirão na era da igreja e que os fenômenos contemporâneos são esse ressurgimento. Em outras palavras, eles precisam provar que suas experiências comprovam o ressurgimento dos dons inativos por quase 1900 anos.[54]

Portanto, desde Montano até a Rua Azuza, todas as manifestações de línguas não foram consideradas genuínas, mas sim, como uma falsificação do verdadeiro dom de línguas.
         
E as novas línguas?     

O dom de línguas não ressurgiu com o movimento pentecostal, no final do século 19? E o fenômeno das línguas atuais? É verdadeiro ou falso? Indubitavelmente, as “línguas” faladas hoje são falsas! A glossolalia moderna é uma deformação, pois não demonstra nenhum idioma verdadeiro! É simplesmente uma invenção de palavras inexistentes; é falar de maneira ininteligível. 

Depois de alguns anos pesquisando sobre a glossolalia atual, e visitando segmentos pentecostais e neopentecostais em vários países, o professor de linguística da universidade de Toronto, William Samarin, conclui:

Não há mistério sobre a glossolalia. Amostras gravadas são fáceis de se obter e analisar. Elas sempre acabam por ser a mesma coisa: sequências de sílabas, compostas de sons retirados de todos aqueles que o orador conhece, reunidos mais ou menos ao acaso, mas que, no entanto, surgem como unidades semelhantes a palavras e frases por causa do realismo, do ritmo e da melodia semelhante à linguagem. Glossolalia é, de fato, como a linguagem, em alguns aspectos, mas isso é só porque o orador [inconscientemente] quer que seja como linguagem. No entanto, apesar das semelhanças superficiais, a glossolalia não é fundamentalmente uma linguagem. Todos os tipos de glossolalia que já foram estudados não produziram recursos que cheguem a sugerir que eles refletem algum tipo de sistema de comunicação. [...] Glossolalia não é um fenômeno sobrenatural. [...] Na verdade, qualquer um pode produzir glossolalia se for desinibido e descobrir qual é o truque.[55]

Em contrapartida, diferente da xenoglossia [idiomas estrangeiros], a glossolalia falada pelos pentecostais e neopentecostais produz sensações agradáveis. Muitos afirmam que a vida cristã se tornou melhor quando passaram a falar em línguas. Geralmente os relatos são similares. Um testemunho fictício esboça um pouco da experiência de falar em línguas. Mariana declara: 

Quando comecei a falar em línguas, me senti mais renovada! Tornei-me uma pessoa melhor; sou mais alegre e sinto uma paz interior inexprimível! Sou mais perceptiva a presença de Deus. Eu era uma pessoa fraca; hoje, me sinto forte e capacitada espiritualmente para fazer a obra de Deus! 
           
A evidência para confirmar relatos dessa natureza é duvidosa! Alguém poderia atestar, com integridade, que aqueles que falam em línguas vivem para Cristo de forma mais piedosa do que aqueles que não falam em línguas? As “igrejas” neopentecostais são mais sólidas e espiritualmente superiores que as demais igrejas de crentes tradicionais que não falam em línguas?  O que dizer, então, dos inúmeros escândalos envolvendo pregadores, pastores e cantores neopentecostais que, nestes últimos anos, demonstraram ser moralmente corrompidos pelo pecado? Aliás, escândalos que foram comprovados por investigação policial!  

E o que dizer de crentes que cessaram de “falar em línguas” e relataram que, desde então, não sentiram mais alegria, paz, poder e renovo espiritual enquanto não abandonaram o pentecostalismo e, especialmente, o neopentecostalismo? Por que, na maioria das vezes, a experiência de fazer parte do movimento neopentecostal redunda, com o passar do tempo, em decepção? À medida que as experiências místicas se tornam mais difíceis de repetir-se, e as “bênçãos do evangelho da prosperidade triunfalista” são vetadas, a tendência à frustração e ao desligamento destas “igrejas” se torna inevitável.

Apesar de sustentarem muitos benefícios espirituais que o falar em línguas promove, os pentecostais e neopentecostais referem-se ao efeito que a experiência produz neles, e não sobre como a experiência faz com que se tornem crentes melhores, mais bíblicos e mais equilibrados. Todavia, o resultado externo que estas experiências subjetivas produzem no corpo não demonstra novo nascimento ou conversão. O verdadeiro crente é identificado pelas boas atitudes e por sua observância aos preceitos das Escrituras.

Não obstante, os pentecostais e neopentecostais não podem ratificar que as línguas que praticam correspondem ao verdadeiro dom de línguas descrito no Novo Testamento. Desde então, não surgiu nenhum caso verdadeiro de que um pentecostal ou neopentecostal tenha falado em um idioma humana traduzível.

O linguista William Samarin disse que é muito duvidoso que os casos alegados de xenoglossia [línguas estrangeiras] entre os carismáticos sejam verdadeiros. Sempre que se tenta verificá-los, descobre-se que os relatos foram muito distorcidos ou que os “testemunhos” são incompetentes ou não confiáveis do ponto de vista linguístico.[56]

Uma vez que não possuem evidências de que as línguas modernas correspondem ao verdadeiro dom de línguas, os pentecostais e neopentecostais somente declaram que falam em línguas.

Portanto, como explicar e entender o fenômeno das novas línguas? Existem três maneiras. Senão vejamos:     
       
1) As línguas modernas podem ser de origem demoníaca

Não creio que todas as manifestações de falsas línguas hoje podem ser atribuídas a influência do diabo. Por outro lado, estou cônscio de que Satanás encontra-se muitas vezes por trás de fenômenos que são atribuídos a obra do Espírito Santo. Creio que muitos crentes são influenciados pelo diabo a falar em “falsas línguas”. Satanás está por trás da falsa religião (1Co 10.20), e sua maior artimanha é fraudar a verdade (2Co 11.13-15). Por negligenciarem o estudo das Escrituras, muitos crentes são enganados pelo diabo através de doutrinas e práticas heréticas (1Tm 4.1).

As línguas extáticas são comuns nas religiões pagãs. Há registros da África Oriental em que pessoas possessas por demônios falam fluentemente em suaíli ou inglês, embora em circunstâncias normais essas línguas não sejam entendidas. Entre o povo tonga (África), quando um demônio é exorcizado, geralmente canta-se uma música em zulu, ainda que os tongas não entendam zulu. O exorcista supostamente fala em zulu por um “milagre das línguas”.

Hoje as línguas extáticas são encontradas entre muçulmanos, esquimós e monges tibetanos. Um laboratório de parapsicologia da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia relata casos de pessoas que falam em línguas entre os praticantes do ocultismo. Esses são uns poucos exemplos da tradição multissecular da glossolalia que continua hoje entre pagãos, hereges e ocultistas. A possibilidade de influência satânica é uma questão séria, e não deveria ser descartada irrefletidamente pelos carismáticos.[57]   
   
2) As línguas modernas podem ser uma prática aprendida

Acredito que a maioria dos crentes que falam em “línguas” se enquadra nessa categoria. Existem pastores que ensinam como falar em “línguas”. Certa vez, em um culto de “busca do Espírito Santo” numa IEQ [Igreja do Evangelho Quadrangular], o pastor solicitou que aqueles que falavam em línguas fossem a frente do “altar” e fizessem uma roda; e os que não falavam em línguas se adentrassem nela.   

Em seguida, o pastor orientou aos que não falavam em línguas a fecharem os olhos e rogar a Deus que fossem “batizados com o Espírito Santo” e falassem em línguas. Feita a oração, o pastor instruiu os que não falavam em línguas a vociferarem continuamente glória, glória, glória, até falarem em línguas. Enquanto não falassem, não poderiam cessar o brado. Esta era a “receita” para se falar em línguas, ou seja, glorificar a Deus! Isto durou cerca de 20 minutos. Porém, ninguém dentro da roda alegou ter falado em “línguas”.

No livro The Psychology of Speaking in Tongues (A Psicologia de Falar em Línguas), John Kildahl concluiu, após estudar exaustivamente sobre o assunto, que a glossolalia é uma habilidade aprendida. Estudos psicológicos demonstram que, mesmo com uma instrução mínima, qualquer pessoa pode aprender a falar em “línguas”.

3) As línguas modernas podem ser induzidas psicologicamente

John MacArthur esclarece:

Alguns dos casos mais estranhos de falar em línguas foram explicados como aberrações psicológicas. Quem fala em línguas entra no automatismo motor, que é descrito clinicamente como o desligamento radical e íntimo da pessoa em relação àquilo que a rodeia. O automatismo motor resulta na dissociação de quase todos os músculos voluntários do controle consciente.

Você já viu alguma reportagem mostrando jovens adolescentes em shows de rock? Devido à emoção, ao ardor e ao barulho, eles abrem mão do controle voluntário das cordas vocais e dos músculos. Caem ao chão como em um ataque.

A maior parte das pessoas, em uma ocasião ou outra, passa por momentos em que se sente um pouco desligada, aturdida e fraca. Sob certas condições, particularmente quando há grande fervor emocional, uma pessoa pode passar com facilidade a um estado em que perde o controle consciente do corpo. A glossolalia pode resultar desse estado.[58]

A euforia que muitos [não todos] sentem quando falam em línguas pode estar relacionado a hipnose. “A possibilidade da hipnose constitui o elemento indispensável da experiência de glossolalia. Se alguém pode ser hipnotizado, ele se encontra nas condições adequadas para falar em línguas”.[59]

Muitos crentes são instruídos explicitamente por líderes religiosos que possuem algum conhecimento de hipnose a submeterem-se à “renúncia passiva do controle de si mesmo”. Eles são orientados a se libertarem de si mesmos e a não resistirem ao controle da voz. Desse modo, os crentes são treinados a pronunciarem poucas sílabas e permitirem a fluência, isto é, não pensarem no que estão dizendo, mas apenas dizer.

Charles Smith, falecido dirigente do Master’s Seminary, nos EUA, escreveu sobre o fenômeno moderno da glossolalia. Ele disse que as línguas podem ser produzidas por “automatismo motor”, “êxtase”, “hipnose”, “catarse psíquica”, “psique coletiva” ou “estímulo da memória”.[60]
   
Estudos psicológicos confirmam que pessoas ingênuas, passíveis de sugestões, e dependentes de pessoas, como líderes espirituais, são as mais capacitadas a falar em línguas. É importante ressaltar que nem todas as pessoas que falam em línguas se encontram nessa categoria; entretanto, a maioria delas se enquadra perfeitamente na indução psicológica.           

Diante de tudo, é impossível fugir desta realidade: As novas línguas não correspondem ao verdadeiro dom de línguas descrito na Escritura. Na verdade, estas línguas são uma fraude!

Conclusão

Antes da expansão do movimento pentecostal, que se deu por ocasião do evento na Rua Azuza, nos EUA, bem no início do século 20, os primeiros pentecostais, como Charles Fox Parham e Agnes Ozman pensaram que haviam recebido do Espírito Santo a habilidade sobrenatural de falar em línguas estrangeiras.

Os primeiros pentecostais acreditavam que a glossolalia foi dada à igreja com o propósito de evangelizar o mundo. Muitos deles foram para campos missionários estrangeiros esperando plenamente que o Espírito Santo lhes desse a língua dos povos nativos de forma sobrenatural. A expectativa inicial e a experiência resultante foram uma amarga decepção para aspirantes a missionários que não quiseram investir em anos de estudo de outro idioma.[61] 

Quando perceberam que as línguas que falaram eram falsas, os primeiros pentecostais foram obrigados a fazer uma escolha. Eles poderiam continuar falando em falsas línguas e fingir que elas correspondiam ao verdadeiro dom de línguas, apesar da evidência que demonstrava o contrário, ou poderiam criar uma nova definição das línguas para sanar o fracasso de suas experiências no campo missionário. Eles escolheram redefinir o significado das línguas. Falar de maneira ininteligível e irracional é a explicação pentecostal e neopentecostal para o “dom de línguas” contemporâneo.  

Uma palavra final de encorajamento aos meus irmãos pentecostais e neopentecostais que falam em “línguas”.

Para os irmãos pentecostais e neopentecostais que leram atentamente este ensaio, entenderam todas as implicações, concluíram que as línguas que são faladas hoje são uma fraude, e que falam estas “línguas”, meu conselho é que vocês suprimem este hábito equivocado de uma vez por todas! Não é pecado nem, tampouco, “esfriar espiritualmente”. Pelo contrário, agir assim denota amadurecimento espiritual nesta questão.

As falsas línguas não produzem fervor espiritual. Um crente fervoroso é alguém que vive uma vida de comunhão com Deus em oração, leitura, meditação e estudo das Escrituras e obediência aos preceitos Deus; um crente fervoroso é alguém que é ativo no serviço cristão e usa seus dons para a edificação da igreja; um crente fervoroso é alguém que, sobretudo, ama os seus irmãos. Meu desejo e minha oração é que este ensaio possa esclarecer muitos irmãos pentecostais e neopentecostais em relação as falsas línguas. E que muitos destes irmãos possam aprender ser crentes mais equilibrados e amantes não somente das Escrituras, mas, principalmente, do Deus que as Escrituras nos apresentam.               

____________
Notas:
[30] Charles Hodge entende a pergunta de Paulo desta forma.
[31] O canto de salmos fazia parte da liturgia das sinagogas judaicas e da igreja primitiva. Podia ser ou não acompanhado melodicamente por algum instrumento. Presumo que o ensino e a revelação são relacionados à exposição das Escrituras.        
[32] Augustus Nicodemus Lopes. O culto espiritual, pág 224. 
[33] Simon Kistemaker. 1 Coríntios, pág 703.
[34] Calvino. 1 Coríntios, pág 437.
[35] John MacArthur. Caos Carismático, pág 250-251. 
[36] Augustus Nicodemus Lopes. Cheio do Espírito, pág 77.
[37] John Stott. Batismo e Plenitude do Espírito, seção sobre A promessa do Espírito.  
[38] Acerca da “extensão” do derramamento do Espírito Santo, veja Abraham Kuyper, em A Obra do Espírito Santo, pág 154.   
[39] Para saber os detalhes da interpretação dos textos mencionados, veja John Stott, em A mensagem de Atos, pág 210-215; 341-343, e Simon Kistemaker, em Atos, vol. 1 e 2.
[40] Hernandes Dias Lopes. 1 Coríntios, pág 263.
[41] John MacArthur. Caos Carismático, pág 214.
[42] Ibid, pág 215-216.
[43] Samuel Angus. The mystery religions and Christianity, pág 101.  
[44] John MacArthur. Caos Carismático, pág 218.
[45] Quando falaram em línguas estrangeiras no pentecostes, os apóstolos tinham consciência do que estavam fazendo (At 2.15).
[46] John MacArthur. Caos Carismático, pág 306-307.
[47] Ibid, pág 308.     
[48] Palmer Robertson. The Westminster Theological Journal 38, pág 56.
[49]  Chrisóstomo. Homilies in First Corinthians, pág 168.
[50] Agostinho. Homilies on the First Epistle of John, pág 97.      
[51] Agostinho. Lectures or tractates on the gospel according to St. John, pág 195.
[52] D. A. Carson. A manifestação do Espírito. A contemporaniedade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14, pág 168.
[53] W. A. Criswell. Facts Concerninting Modern Glossolalia, em The Holy Spirit in today Church, pág 90-91.  
[54] Thomas R. Edgar. The cessation of the sign gifts, pág 374.
[55] William Samarin. Tongues of men and angels, pág 227-228.
[56] Ibid, pág 112-113.  
[57] John MacArthur. Caos Carismático, pág 319.
[58] Ibid, pág 322.
[59] John Kildhal. The psychology of speaking in tongues, pág 54.  
[60] Charles Smith. Tounges in biblical perpective, capítulo 5.
[61] Kenneth L. Nolen. Encyclopedia of Psychology and Religion, pág 349. 

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Fonte: Bereianos

Músico que queimou Bíblia reclama de perseguição

Músico que queimou Bíblia reclama de perseguiçãoMúsico que queimou Bíblia reclama de perseguição
Quando resolveu queimar um exemplar da Bíblia para “protestar” contra o cristianismo, o vocalista da banda Violação Anal, Roberto Oliveira, não imaginava a repercussão que o ato teria em todo o país.
Estudante da Universidade do Acre (Ufac), foi dentro do campus, durante um evento de ateus, que Oliveira queimou o Livro Sagrado dos cristãos e agora está reclamando de ser perseguido por esses religiosos.
Em uma carta endereçada ao padre Massimo Lombard, reitor da catedral Nossa Senhora de Nazaré, o jovem diz que hoje entende que errou, mesmo estando dentro do “seu direito de liberdade de expressão”.
“No exercício da minha liberdade de expressão, acabei por ferir o direito à liberdade de outros, agora vejo e compreendo isso. Compreendo que errei. Não no conteúdo de minha crítica, mas na forma”, escreveu Oliveira.
A carta é uma resposta a um documento aberto assinado pelo padre onde ele tenta ensinar ao jovem que Bíblia é um instrumento de paz, amor e respeito. “Queimar bíblias, quebrar imagens, humilhar o outro pela religião que professa, satanizar a crença do próximo, hoje, no terceiro milênio constitui um atraso cultural imperdoável para um universitário”, escreveu o padre.
Mas não é este amor que alguns internautas estão enviando ao jovem ateu, pois segundo ele alguns cristãos estão perseguindo e enviando ameaças. “Estou sendo perseguido, afrontado e constantemente atacado por pessoas que se dizem cristãs”, diz ele que até perdeu o emprego por conta da repercussão do caso.
“Pessoas que tiram fotos com suas Bíblias com tom ameaçador e me enviam por redes sociais com ofensas, ou que proferem palavras de ódio a mim, não acredito que vivam plenamente este amor.”
Oliveira será investigado pela Delegacia da 4ª Regional do Acre após o enviou de um documento feito pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP), pois o ato do universitário fere o artigo 208 do Código Penal Brasileiro.
Via: Gospel Prime

Pastor ganha carro de luxo de fiéis como presente de aniversário e recebe críticas nas redes sociais

Pastor ganha carro de luxo de fiéis como presente de aniversário e recebe críticas nas redes sociais
Um pastor pentecostal porto-riquenho exibiu em sua página no Facebook uma foto do carro que os fiéis da denominação que ele dirige deram a ele de presente: uma Mercedes-Benz.
O líder da Igreja Fé e Graça publicou a foto ao lado, quando ele e sua esposa deixaram o templo para curtir o esportivo. Vários fiéis, sorridentes, fotografam o casal e o belo carro conversível.
Segundo informações obtidas pelo site El Nuevo Dia, o líder da denominação sediada em Dallas, Texas (EUA), recebeu o veículo como presente por seus 64 anos de idade. A entrega do carro incluiu um grande laço vermelho no capô.
O pastor Rodolfo Font agradeceu aos fiéis da igreja pelo luxuoso presente com uma publicação no Facebook: “Eu tenho sido um pastor por quase 42 anos. E agora a bela congregação da Fé e Graça me surpreendeu com este belo presente, uma Mercedes-Benz. Estou sem palavras. Mas agradeço a todos os meus filhos através deste ato de amor e reconhecimento. Especialmente meu filho pastor Martin Gonzalez por se juntar ao profeta Pimentel e motivar a congregação inteira para este presente”, escreveu Font.
Como não poderia deixar de ser, a reação dos demais internautas na rede social foi de desaprovação à ostentação, e muitas comparações com outros líderes evangélicos foram feitas, como por exemplo, a apóstola chamada Wanda Rolon, que alegou ter recebido uma profecia de um pastor norte-americano que teria um jato particular.
Rodolfo Font é um pastor influente na comunidade latina no Texas e é um dos fundadores da Torre de Oração e do Museu da Bíblia, um edifício que pode ser visto de vários pontos da cidade de Dallas.
Via: Gospel+

Apóstola cobra dízimos de prefeito depois de ter orado por sua recondução ao cargo

Apóstola cobra dízimos de prefeito depois de ter orado por sua recondução ao cargo
Uma líder evangélica está cobrando do prefeito de Bogotá, Colômbia, os dízimos de seus salários por causa de uma oração feita por ela quando ele enfrentava problemas com a Justiça Eleitoral do país.
Lilia Inés Travecedo, que se apresenta como apóstola da igreja Sua Casa Sou Eu, afirmou que recebeu ordens divinas de cobrar o dízimo do prefeito Gustavo Petro, como forma de pagar as “bênçãos recebidas”, ou seja, sua reintegração ao cargo.
“Deus lhe mandou cobrar o dízimo”, disse a apóstola, que assegura que somente com suas orações foi possível que Petro fosse reintegrado ao cargo depois da destituição feita pela Justiça Eleitoral em dezembro de 2013.
“O único que recebeu a bênção que Deus te deu através de mim foi você”, afirmou Travecedo, em entrevista ao programa Noticias RCN, dirigindo-se ao prefeito. “O Senhor foi quem me mandou cobrar os dízimos”, acrescentou.
A pastora já havia cobrado o pastor por outros meios, inclusive cartas, onde cobra também $ 1,8 milhão de pesos colombianos (o equivalente a R$ 2.300,00 com a cotação de hoje, 15 de maio), com prazo de dois meses para quitação.
Como não obteve resposta, Travecedo adicionou juros e mora, e a “dívida” do prefeito passou a ser de $ 3 milhões de pesos colombianos (R$ 3.900,00), além de publicar uma carta-aberta ao prefeito no Facebook, o que gerou enorme repercussão entre os fiéis e cidadãos colombianos.
Não bastasse isso, a apóstola ainda pintou um quadro, com uma paisagem que teria sido inspirada por “vozes”, que a orientaram a vender ao prefeito pelo equivalente a R$ 18.200,00. Travecedo enviou o quadro ao prefeito sem perguntar se ele queria, e como o despacho não foi aceito pelo destinatário, foi devolvido à apóstola artista.
Fonte: Gospel+

15 de maio de 2015

Um dia na prisão com o pastor Saeed

Saeed Abedini  é um pastor americano, que está preso há mais de dois anos no Irã por causa da sua fé em Jesus. Através de informações que ele compartilhou com a sua família e de detalhes contados por outros presos, uma espécie de diário foi feito, como se o próprio Saeed estivesse contando como é um dia de sua vida na prisão de Rajaei Shahr, na cidade de Teerã
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8h Acordo depois de uma noite sem dormir, sem saber o que o dia me prepara. Será que hoje algum de meus companheiros de prisão será arrastado para a forca? Será que algum preso roubará meus pertences? Será que um guarda me ameaçará pedindo para que eu negue minha fé e retorne ao islamismo?
Começo a preparar minha mente buscando forças para o novo dia, mas meus pensamentos são interrompidos quando os guardas chegam para a contagem. Para eles, eu não sou um homem, mas apenas outro número. Fico pensando se devo voltar a cabeça no travesseiro e dispensar o café da manhã, mas chego à conclusão de que, se o fizer, terei pouco alimento para me sustentar durante todo o dia. A realidade me atinge bruscamente todas as manhãs, despertando-me de meus sonhos de família e liberdade. O sono é incrivelmente sedutor, porque é nesse momento que escapo temporariamente da realidade da vida na prisão. O sono também me ajuda a passar o tempo e evitar tensões com outros prisioneiros.
Há dias em que não tenho forças para sair da cama, mas felizmente hoje não é o caso. Começo meu dia orando para acalmar minha mente e me lembrando das promessas de Deus.
10h Vou tomar banho. Parece algo simples, mas aqui, com instalações limitadas e um problema sério de superlotação, é uma bênção poder se lavar, apesar da sujeira do banheiro.  Veja só, existem apenas três chuveiros para cerca de 80 detentos em minha seção. Na prática, isso significa que eu posso tomar banho mais ou menos uma vez por semana. A água é fria, mas eu sou grato.
11h Depois do banho, penso se devo voltar ao meu cantinho na cela ou tentar me juntar aos outros prisioneiros. São cerca de 80 pessoas no meu pequeno quarto construído para 20, mas tenho um canto onde eu posso orar e evitar conflitos com outros prisioneiros.
Antigamente eu podia fazer cruzes de papel para pendurar na minha cama, uma espécie de pequeno santuário, mas os guardas proibiram tais exposições. Ao mesmo tempo em que os dias passam mais rápido quando me reúno com os meus irmãos, essa atividade tem ficado cada vez mais difícil. Alguns prisioneiros veem minha presença como uma ameaça, pois não sou apenas um convertido ao cristianismo, mas também um americano. Essa tensão só tem crescido enquanto os Estados Unidos e o Irã estão em negociação. Hoje resolvi ficar no meu pequeno espaço, sozinho com meus pensamentos.
12h Os guardas nos agrupam para levar para o pátio. O pátio é como uma cela de concreto ao ar livre, mas é a minha única oportunidade de sentir o sol no rosto. Ficar ao ar livre é um luxo oferecido diariamente; mas no ano passado, em muitos dias eu tive que evitar, pois foi lá que alguns prisioneiros associados a grupos terroristas islâmicos ameaçaram me matar. As tensões são fortes com prisioneiros que se opõem a minha fé e conversão do islã. E por causa dos acontecimentos geopolíticos recentes, minha cidadania se tornou uma fonte de tensão. A luz solar me atrai, mas sei que colocar os pés lá fora me coloca em situação de grande risco. Por isso que hoje eu evito o conflito e decidi que a luz do sol não vale o risco.
14h Na condição de prisioneiros, somos responsáveis por manter a ala e por cumprir cada tarefa e função a nós atribuídas. Mas mesmo com essas tarefas que desempenhamos, o grande número de pessoas e a falta geral de cuidados com as instalações criaram condições desumanas e insalubres. Nosso banheiro, do qual estou encarregado pela limpeza hoje, não é mais do que um buraco no chão. Toda tentativa de limpar o banheiro é inútil, já que está com vazamentos de fezes e urina do banheiro. Enquanto eu limpo, tento ponderar os fatos cantarolando músicas de adoração. Em meio a esta sujeira, lembro-me da profundidade da minha própria imundície que Jesus levou por mim, morrendo na cruz.
17h Meu estômago começa a sentir as dores terríveis da fome. A porção de pão e queijo do café da manhã não me sustentou durante o dia. Além dessas dores de fome, também busco desesperadamente um alívio para as dores no meu abdômen - lesões que sofri de inúmeros espancamentos na prisão ao longo dos anos. O nível de dor tem variado nos últimos anos, mas hoje em dia ela é forte. Infelizmente, os analgésicos leves que inibem a intensidade da minha dor já acabaram há muito tempo. Os médicos da prisão disseram-me que não fornecerão nenhum medicamento extra para os meus ferimentos internos. Então, hoje vou recorrer à única fonte que conheço para ajudar a minha dor - vou ao encontro de Deus.
18h Pela segunda vez hoje, devo entrar na fila para ser contado pelos guardas.
19h Quando um prisioneiro chega, tem apenas as vestes e um pouco de dinheiro que tinha no bolso no momento em que foi detido. Depois de passar pela quarentena obrigatória, o detento se integra ao grupo e deve adquirir as coisas de que precise da loja da prisão. Devemos comprar os nossos próprios pratos e utensílios para comer, nossos cobertores para nos aquecer no inverno frio, nossas roupas de baixo e nossos produtos de higiene pessoal. Assim, alguns prisioneiros afastados da família têm muito pouco recurso e comem a sua comida em recipientes de plástico cortados, de garrafas de leite usadas e de produtos de limpeza. Hoje me sinto abençoado por minha família ter colocado dinheiro suficiente na minha conta da loja para que eu pudesse adquirir minha própria tigela e colher. Para o jantar, recebo uma única batata ou uma tigela de arroz com um pouco de molho. O jantar de hoje é - arroz com algo que tem gosto de molho de soja. Dos dois anos e meio vivendo aqui, a prisão só disponibilizou proteínas, que deviam ser compradas na loja, por 2 meses. A última vez que comi proteína foi há mais de 7 meses. A água potável também é um item raro. Já faz meses que tenho que beber água da torneira – tenho que deixar a água descansar para que os sedimentos se assentem antes que eu remova a água de cima. Posso dizer que a falta de alimentos nutritivos tem trazido consequências sobre a minha força e saúde.
21h O sol se pôs e o dia está terminando. Volto para a minha cela e tento encontrar algo para ocupar minha mente. O quarto é extremamente lotado e escuro. Há uma pequena janela perto da minha cama, sem vidro e barras de aço. É terrível ter a janela quebrada durante os meses de inverno, por isso estou grato pelo fato de o tempo estar esquentando. Antes de me acomodar, tenho que verificar regularmente as camas, já que a prisão está infestada de baratas e ratos. Algumas semanas atrás, fui pegar um lenço na minha caixa - e descobri um rato morando lá dentro.
0h30 Luzes apagadas. Enquanto procuro dormir, o sono me foge. Nas últimas semanas, o número de execuções na prisão aumentou consideravelmente. Tento fechar meus olhos e evitar os sons e as imagens da morte. Tento convencer minha mente a reconhecer que eu posso parar meus pensamentos sobre minha realidade e voltar aos meus sonhos, onde estou reunido com minha esposa e meus dois filhos lindos. Tento contar os dias da semana e me agarro à esperança de que vou conseguir ter uma visita da minha família iraniana na quarta-feira - são nessas visitas que vejo fotos dos meus filhos crescendo. Nessas visitas, recebo palavras de encorajamento de todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que se comprometeram a orar pela minha liberdade.
O American Center for Law and Justice (ACLJ), organização dedicada a defender os direitos de liberdades constitucionais garantidos pela lei, continua a trabalhar no Irã para garantir a liberdade do pastor Saeed. O ACLJ representa a esposa do pastor Saeed, Naghmeh, e seus dois filhos pequenos que vivem em Idaho. Clame a Deus pela vida do pastor Saeed e por sua família, que assim como muitos outros cristãos estão presos por crerem em Jesus. Ore para que em Jesus permaneçam firmes e para que consigam justiça e liberdade.
FonteACLJ
TraduçãoDaniela Cunha

Desempregado e investigado pelo MP, ateu que queimou Bíblia pede desculpas: “Errei”

Desempregado e investigado pelo MP, ateu que queimou Bíblia pede desculpas: “Errei”
Após dizer que não se arrependia de ter queimado um exemplar da Bíblia Sagrada, jovem ateu pediu desculpas pelo gesto depois de receber críticas de um padre em Rio Branco (AC).
Roberto Oliveira, 29 anos, estudante de Filosofia na Universidade Federal do Acre (UFAC) e vocalista de uma banda de rock, leu uma carta aberta escrita pelo padre Massimo Lombardi, da catedral Nossa Senhora de Nazaré, e disse que refletiu profundamente sobre suas palavras.
Na carta, Lombardi afirmou que o gesto de queima da Bíblia “constitui um ato imperdoável para um universitário”, e destacou que “no mundo de hoje as guerras começam quando se mexem com os sentimentos religiosos, que constituem a alma mais profunda do sentido da nossa vida e da vida dos povos”.
Em sua resposta, Roberto Oliveira admite que foi desrespeitoso em seu protesto, revela que tem “formação cristã” e é um “ex seminarista”.
“No exercício da minha liberdade de expressão, acabei por ferir o direito à liberdade de outros, agora vejo e compreendo isso. Compreendo que errei. Não no conteúdo de minha crítica, mas na forma. Neste ponto, concordo plenamente com o senhor, precisamos buscar outros meios de combate ao fundamentalismo, com diálogo e respeito mútuo”.
O estudante lamenta que “pessoas que se dizem cristãs” tenham passado a persegui-lo após o episódio, contradizendo a mensagem de paz do Evangelho: “Tiram fotos com suas Bíblias com tom ameaçador e me enviam por redes sociais com ofensas, ou que proferem palavras de ódio a mim, não acredito que vivam plenamente este amor”, escreveu em sua página no Facebook.
A repercussão da queima da Bíblia levou Oliveira a perder o emprego e se tornar alvo de um inquérito do Ministério Público Federal do Acre.
Leia a íntegra da retratação do estudante ateu:
Querido Padre Massimo,
Fiquei muito feliz em ler a sua carta direcionada para mim. Pois, desde sempre, o senhor é um referencial em minha vida. Um exemplo como cristão, sempre dedicado a seu serviço e ao amor aos seus semelhantes. Desta maneira, suas palavras me tocaram, pela sensibilidade e carinho em cada letra.
Pela minha formação cristã, pois, também, sou ex-seminarista, como bem sabe, vejo-o como o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas, que deixa as 99 ovelhas que estão apascentadas e vai em busca daquela única ovelha que se perdeu. Na minha busca incessante pela afirmação de minha vida, existência e ideais, acabei me afastando de alguns valores e posicionamentos, acabei adquirindo uma visão mais crítica em alguns pontos, o que acabou por me endurecer um pouco mais e que me levaram a cometer este protesto. Acabei por incorrer em um solipsismo.
Na tentativa de combater um fundamentalismo extremado por meio de uma performance artística, acabei me posicionando de forma equivocada, pois meu ato se configurou desrespeitoso, principalmente, devido a visão sensacionalista de parte da mídia, que julgou, sem ao menos saber os motivos do meu protesto.
Digo que se configurou, pois em mim não existia a intenção de ofender ninguém. Deixo claro meu respeito por toda as religiões e reconheço o papel fundamental que o cristianismo teve em minha formação. Busquei apenas chamar atenção para os abusos que sofremos diariamente por parte de religiosos extremistas e radicais.
É certo que, no exercício da minha liberdade de expressão, acabei por ferir o direito à liberdade de outros, agora vejo e compreendo isso. Compreendo que errei. Não no conteúdo de minha crítica, mas na forma. Neste ponto, concordo plenamente com o senhor, precisamos buscar outros meios de combate ao fundamentalismo, com diálogo e o respeito mútuo. Do contrário, corremos o risco de nos tornarmos iguais ao que combatemos.
E, por mais que eu possa e tente me explicar, sinto não poder aplacar a fúria e o julgamento, também extremado, daqueles que se posicionam contra meu ato, contra minha pessoa. Em meio a isso tudo, consigo compreender o verdadeiro significado do que seja a intolerância. E isso me faz refletir, que a tolerância e o respeito são essenciais em todas as esferas da sociedade, porquê a sua ausência pode trazer à tona o que existe de mais feio e pernicioso na natureza das pessoas.
Estou sendo perseguido, afrontado e constantemente atacado por pessoas que se dizem cristãs. A luz de tudo o que já vivenciei, acredito que elas não entenderam a verdadeira mensagem de Jesus, pois, se me recordo bem, o princípio fundamental do cristianismo é o amor, incondicional. Pessoas que tiram fotos com suas Bíblias com tom ameaçador e me enviam por redes sociais com ofensas, ou que proferem palavras de ódio a mim, não acredito que vivam plenamente este amor. Por isso, sua carta me tocou tanto e me levou a uma profunda reflexão.
Se me recordo bem, outro importante ensinamento que o senhor me deu, no decorrer de minha formação, é o que devemos ser rápidos em perdoar e lentos em condenar. Todos somos passiveis de incorrer em erro e a possibilidade de nos corrigirmos geralmente vem seguida de perdão.
Da mesma forma que me posiciono contra as coisas que não acredito, existem outros que o fazem, e entendo toda esta revolta de alguns que se dizem cristãos. Reconheço, padre, que posso ter exagerado, porém, creio que, mesmo de maneira equivocada, acabei por trazer à tona um importante debate para a sociedade em que vivemos, o da tolerância, principalmente, em um mundo que o fundamentalismo parece crescer. Neste sentido, a performance surtiu efeito. Por outro lado, quero pedir desculpas a todos os Cristãos não radicais que se sentiram ofendidos, pois, definitivamente, esta não foi a intenção.
Exemplo melhor disso, são as muitas pessoas dignas do meu respeito, que mesmo não aceitando o que fiz, entenderam o que busquei denunciar e me apoiam neste momento tão complicado de perseguição. Já perdi meu trabalho e, como já disse, estou recebendo diversas ameaças, inflamadas por personalidades religiosas públicas e pela mídia sensacionalista.
Não acredito que ferir um princípio constitucional de liberdade de crença, pudesse, além de me imputar uma penalidade, fazer surgir uma inquisição. E isto, em pleno século XXI, me deixa assustado e me faz pensar, que meu ato não foi vazio de razão.
Espero que toda esta polêmica tenha servido para algo, esta também é a função da arte. Que nem sempre é puro entretenimento e também tem a função de incomodar e trazer a reflexão. Lembremos do ocorrido com o atentado na revista Charlie, quando o mundo debateu os limites da arte e o perigo do crescimento do fundamentalismo religioso, no caso Islâmico.
Pelo menos, o que desejo, é que as pessoas possam ter refletido e tirado algum aprendizado e reflexão. Para mim, todo o ocorrido, só fortaleceu alguns conceitos que tenho previamente estabelecidos: de que existe muita coisa podre na política, que a mídia usada de má fé pode ser algo totalmente destrutivo e trazer prejuízos irreversíveis e que o fundamentalismo religioso também e outras formas impositivas de posicionamento, devem ser combatidas prioritariamente no campo das ideias, mas com o bom uso da razão.
Para mim, seu apoio neste momento é fundamental, pois meu caso, ultrapassa os limites da simples compreensão das pessoas, uma vez que se percebe um jogo de interesses bem maior em torno da questão, que já não diz respeito somente aos cristãos e a queima da bíblia, mas ao oportunismo político em torno dos fatos.Assumo as consequências dos meus atos e reconheço que minha crítica poderia ter sido feita de uma outra forma, menos agressiva. Por fim, querido padre, obrigado por suas palavras, pois reacende a esperança em meu coração e a certeza que nem todos os religiosos são fundamentalistas e que acreditar o contrário é cair no mesmo erro.
Sem mais, deste que sempre irá lhe admirar enquanto sacerdote, mas acima de tudo como o ser humano, amigo verdadeiro e modelo para aqueles que se dizem cristãos.
Via: Gospel+

Uma Geração que não Sabe Sorrir



Confesso que fiquei surpreso com uma crítica dura que recebi em um post que coloquei na minha time line numa rede social. Como se pode ver na imagem deste artigo, trata-se de um cartoon que se utiliza do bom humor para fazer uma denúncia. As figuras que aparecem no mesmo, como se sabe, não carecem de apresentação nem comentários...
Pois bem, por causa deste dito cujo, recebi a reprimenda de que estava fazendo pilhéria, algo de mau gosto, debochando, ridicularizando os pastores em destaque, que os profetas, ou os apóstolos – Paulo e Pedro – jamais fariam isto, que a denúncia era desmedida, etc., etc.

Ora, não é de hoje que sei que a mente religiosa, além de limitada, é violentamente condicionada pela moral de ocasião, um subproduto da cultura bíblica que, na esmagadora maioria dos casos, é irremediavelmente mal aplicada a contextos diversos da vida. Sim, a igreja neste tempo sofre, dentre outros, de dois males terríveis: ignorância doutrinária e analfabetismo histórico.

O grande mal da alienação que a religião produz é a amputação do indivíduo para a vida. A religião não suporta nada que não seja ligado a “fé”, que não se atenha as suas rotinas, credos e confissões. Para o religioso, arte, cultura, ciência, política, são temas exilados da existência, para nada aproveitam ao “homem-de-Deus”, são manifestações e conhecimentos inúteis que cabem, apenas, ao mundo caído e as suas dinâmicas próprias.

Este confinamento do saber às mídias de cunho espiritual, além de limitar o pensar do indivíduo, bitola-o de tal forma em sua consciência que ele se torna alguém impossibilitado de fazer abstrações, desenvolver um senso crítico, questionar algo ou mesmo se posicionar na contramão do sistema. O resultado é o que chamo de “crente em série”, um produto da igreja-fábrica que oferece a sociedade um sujeito obtuso, do ponto de vista da cultura, e intolerante, da perspectiva da fé.

A trágica realidade é que, a grande maioria das pessoas ligadas à religião, perdeu a capacidade de sorrir. Sim, é um contrassenso uma espiritualidade que, ao invés de tornar o indivíduo um ser melhor, faz dele uma aberração! Esta é uma geração que não consegue se alegrar com nada que não seja pregação ou culto do sagrado. Eles não conseguem rir de uma piada, nem admirar o nu de uma obra de arte, não podem assistir a uma dança popular ou falar sobre economia e política sem o viés da religião.

Eu usei o cartoon para fazer a denúncia – lembrando que este tipo de arte consegue alcançar uma enorme quantidade de pessoas – como poderia ter utilizado uma música do Ivan Lins, criticando o cerceamento da liberdade, ou uma obra de arte de Edvard Munch – como “O Grito” – para falar do desespero humano, ou uma poesia de Pier Paolo Pasolini, denunciando práticas sociais perversas. Eu não vivo numa gaiola, vivo numa sociedade plural!

Portanto, é bom lembrar que a bíblia não é o único canal da manifestação de Deus na história humana, pois a Graça Comum nos revela um Pai que faz com que seu amor alcance pessoas através de meios, não raro, totalmente inusitados e imponderáveis.

Sou um homem do mundo contemporâneo, não posso viver minha fé da mesma forma que Jeremias viveu. Os princípios de Deus são imutáveis, mas as dinâmicas da vida estão marcadas pelas características de cada tempo e da própria história humana debaixo do sol.

Os heróis da fé sempre serão, para nós, uma referência, mas eu preciso encontrar a forma certa para comunicar o Reino de Deus e a Salvação em Jesus para este tempo! Se assim não for, estou correndo o sério risco de afirmar que “Jesus Cristo é a solução”, mas sem saber quais são os problemas que afetam as pessoas neste dia chamado hoje.

© 2015 Carlos Moreira

14 de maio de 2015

Igreja Universal diz que terremotos no Nepal são ‘claro sinal do fim dos tempos’


Convite da Igreja Universal convoca fiéis para palestra sobre terremotos no Nepal. Ao lado, nepaleses passam por prédios destruídos pelos tremores de abril e maio - AFP/ ROBERTO SCHMIDT

RIO - O anúncio de uma palestra da Igreja Universal sobre a origem dos abalos sísmicos no Nepal deixou internautas revoltados. O panfleto, publicado na página oficial da instituição no Facebook, convocava os fiéis para um culto especial, na noite de quarta-feira, no Templo de Salomão, em São Paulo: “Venha descobrir os motivos que levaram a acontecer o terremoto em Nepal”, dizia a propaganda. O convite, no entanto, foi deletado da rede social na manhã desta quinta-feira. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da igreja ainda não confirmou se o evento realmente ocorreu.

O site da Universal, que deu mais detalhes sobre o encontro, trouxe a teoria de que os tremores de terra seriam “um claro sinal” do Apocalipse:

“A Bíblia fala sobre terremotos como um claro sinal do início das dores do Fim dos Tempos.

Como se não bastasse isso, outros sinais apocalípticos, como as crescentes guerras, o esfriamento do amor pelo próximo, a fome e outros distúrbios naturais e sociais, estão cada vez mais frequentes e abundantes. Há poucos dias, por exemplo, o Chile presenciou uma das mais violentas erupções vulcânicas de sua história.

Você ainda tem dúvidas de que os sinais do Apocalipse já estão acontecendo? Está preparado para o Fim dos Tempos? Tem certeza da sua Salvação?

Participe de uma reunião na Universal. Encontre um templo perto de sua casa acessando www.universal.org/enderecos. Se você necessita de ajuda neste momento, fale com um pastor ou bispo pelo Pastor Online.”

Segundo a instituição religiosa, “uma série de acontecimentos ao redor do planeta não deixa dúvidas do que foi profetizado na Bíblia”. Para a doutrina, “grandes desastres naturais seguidos” são evidências de que o fim da Terra se aproxima.

Três semanas atrás, um abalo devastador no Nepal matou mais de 8 mil pessoas e danificou centenas de milhares de edifícios. Nesta terça-feira, mais um tremor, de 7,3 graus de magnitude, sacudiu novamente a região, matando ao menos 96 pessoas e deixando mais de 1.100 feridas. Muitos internautas consideraram o tema da palestra extremamente desrespeitoso com as vítimas da tragédia; outros decidiram demonstrar o descontentamento transformando o evento em uma grande piada:

Quero ir pro intensivao sobre os terremotos no Nepal da Igreja Universal— thulio (@sexfame) 14 maio 2015

A Universal vai dar palestras pra explicar os motivos dos terremotos no Nepal, interessante saber q o Bispo Macedo é geólogo— Luiz Felipe Santiago (@luizfsantiago) 14 maio 2015


aposto que eles vão falar que o nepal nao pago o dizimo na universal http://t.co/CXPUpMwfTR— Eduardo França (@O_Duh_) 13 maio 2015

Putz, a igreja universal está chamando as pessoas a irem pra la entenderem a causa do terremoto no Nepal Vai rolar aula de geografia gratis— Henrique Pimentel (@zaap) 13 maio 2015

A Igreja Universal vai ministrará curso de sismologia no Templo de Salomão e explicará o que aconteceu no Nepal.— Cassionei Petry (@cassioneipetry) 13 maio 2015


Segundo cientistas, os terremotos na região são causados pelo avanço da placa tectônica da Índia contra a Euroasiática, que geralmente se unem cinco centímetros por ano. No primeiro grande terremoto, estimou-se que a capital, Katmandu, tivesse se deslocado vários metros.

Fonte: O Globo

Razões Teológicas Para Rejeitarmos a Evolução Teísta


No princípio criou Deus os céus e a terra. – Gênesis 1:1

Em seu excelente livro O Enigma das Origens, A Reposta, o Dr Henry Morris nos explica algumas razões para rejeitarmos a faláciosa “Evolução Teísta”.


As Contradições Teológicas da Evolução Teísta.

Há muitas pessoas que creem em Deus mas não têm convicções muito fortes em relação à Bíblia como Sua Palavra. Portanto, o fato de que os ensinos da Bíblia não podem ser harmonizados com a evolução não é, para elas, de particular interesse, visto que elas aceitam apenas a inspiração das Escrituras de maneira vaga e genérica, se o admitem. Para elas a Bíblia é considerada como um livro de valor em termos de percepção religiosa e valores éticos, mas não em questões de ciência e história.

Contudo, mesmo sem se considerar a Escritura, assim mesmo há várias contradições sérias na evolução teísta (presumindo que o Deus que supostamente criou todas as coisas por este processo é realmente um Deus pessoal, eterno, onipotente, onisciente, gra­cioso, amoroso, proposital). A maioria dos evolucionistas teístas (sem considerar a evolução panteísta) provavelmente concordariam com um conceito de Deus como este; sem dúvida, este é o tipo de Deus revelado na Bíblia.
Mas se Deus é assim, parece completamente incoerente que Ele usasse a evolução como Seu método de criação, pelas seguintes razões:

a) A evolução é incoerente com a onipotência de Deus.

Visto que Ele tem todo o poder, é capaz de criar o universo em um instante, em vez de precisar estender esse processo por tempos infindáveis.

b) A evolução é incoerente com a personalidade de Deus.

Se o alvo do processo evolutivo era o homem, criado à Sua imagem, certamente Deus não teria esperado até o fim do tempo geológico para criar personalidades. Não era possível nenhuma comunhão d'Ele com rochas, mares, ou mesmo com dinossauros e gliptodontes.

c) A evolução é incoerente com a onisciência de Deus.

A história da evolução, da maneira como é interpretada pelos geólogos evolucionistas, segundo o registro fóssil, está cheia de extinções, desacertos, becos-sem-saída evolutivos, e outras evidências de mau planejamento. A própria essência da evolução, de fato, é mutação ao acaso, e não progresso científico.

d) A evolução é incoerente com a natureza amorosa de Deus.

O suposto fato da evolução é melhor evidenciado pelos fósseis, que falam eloquentemente de um mundo hostil, cheio de tempestade e sublevação, doença e fome, luta pela existência e morte violenta. O mecanismo aceito para se induzir a evolução é superpopulação e uma seleção natural através do extermínio dos fracos e menos aptos. Um Deus amoroso certamente teria mais consideração para com as Suas criaturas.

e) A evolução é incoerente com a intencionalidade de Deus.

Se o propósito de Deus era a criação e a redenção do homem, como presumivelmente acreditam os evolucionistas teístas, parece incompreensível que ele desperdiçasse bilhões de anos em meandros evolutivos sem objetivo, antes de chegar ao seu alvo. Que aparência de objetivo poderia haver, por exemplo, no reinado dos dinossauros durante centenas de milhares de anos, e sua posterior extinção?

f) A evolução é incoerente com a graça de Deus.

A evolução, com sua teologia de luta pela sobrevivência no mundo físico, se adapta perfeitamente à teoria humanista de obras para se obter a salvação no mundo espiritual. O conceito cristão da graça de Deus, propiciando vida e salvação em resposta à fé tão somente com base no sacrifício voluntário dEle próprio pelos ineptos e indignos, é diametral mente oposto ao conceito evolucionista.


Portanto podemos chegar à mesma conclusão do Dr Morris, de que:

“...a chamada 'evolução bíblica' é uma confusão semântica, mais ou menos semelhante a 'metabolismo inorgânico' ou 'ateísmo cristão'. A Bíblia simplesmente não admite a evolução em seu sistema hermenêutico”.


Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. – Romanos 1:25

Dinheiro: cristãos devem vigiar para não fazer dele um deus

Aprenda a atrair dinheiro
Visto como uma bênção de Deus por muitos e demonizado por alguns, o dinheiro sempre foi objeto de controvérsia no meio cristão. “O dinheiro traz uma sensação de poder, ele compra os caminhos em que passa. É necessária a experiência do que significa ter ou não ter para avaliar a questão”, avalia o pastor Newton Carpintero, pregador de igrejas protestantes nos EUA e Brasil.
“O dinheiro é bênção quando você não entrega sua vida por ele e não baseia sua força nele”, completa Carpintero. O líder religioso também diz que valores financeiros podem se tornar uma bênção quando quem os possui os utilizam para abençoar as pessoas. “A palavra de Deus diz: é melhor dar do que receber”, lembra o pastor.
Por outro lado, o dinheiro pode se tornar uma maldição quando a pessoa que o possui o vê como um deus, explica o pregador. Para ele, os valores materiais modificam a estrutura do coração do homem por ser um dos maiores motivos de disputa na vida de quem quer que seja.
Ele recomenda a vigilância quanto à manutenção e necessidades de valores e posses.
Contrário ao que prega a Teologia da Prosperidade, hoje praticada por diversas denominações, Carpintero lembra que essa linha teológica, que considera “uma grande aramadilha” não é exclusividade do Brasil.
“Os EUA, devido à sua prosperidade material, acabou dando muita ênfase na questão dos valores materiais, deixando os espirituais de lado”, diz.
Ele avalia que a igreja tem se distanciado de Deus pela orgia da preocupação com valores e menos com as vidas. “As vidas tornaram-se um grande motivo para se produzir dinheiro. Os valores estão distantes dos valores de Deus”, observa.
Ele finaliza dizendo que o cristão deve ter outras preocupações além dos bens materiais. “Além de obedecermos a Deus e sermos bons mordomos dos bens deixados por Ele, devemos obedecer a Deus em sua ordenança de evangelizar e fazer discípulos entre as nações”, conclui.
Pastor Newton escreve periodicamente sobre assuntos teológicos no blog www.pastornewton.com.
Fonte: Gospel prime

“Queimei um pedaço de papel, não matei seu Deus”, diz ateu que queimou Bíblia

“Queimei um pedaço de papel, não matei seu Deus”, diz ateu que queimou Bíblia
O estudante Roberto Oliveira, da banda Violação Anal, resolveu se pronunciar sobre a queima da Bíblia durante a apresentação do grupo no 4° Encontro Nacional de Ateus, realizado no dia 30 de abril no Coliseu da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Sem se arrepender, o jovem afirmou que faria de novo e que o caso só virou manchete nos jornais por ser um tabu. “Queimei um pedaço de papel, não queimei sua religião. Não matei seu Deus. Não apaguei a sua fé. Um ‘ato simbólico’ foi transmutado em condenação. Eu dei um alto e sonoro recado. Não quero e não preciso de sua religião”, escreveu Oliveira no Facebook.
Ele diz que não queria ofender, mesmo sabendo que incomodou a maioria da população brasileira que se considera cristã. “O problema todo se deu, porque mexi em algo que é considerado TABU, ou seja, Deus é intocável. Não me arrependo de ter feito o que fiz. Se pudesse voltar atrás faria exatamente o mesmo. Não quis ofender nem ferir o credo de ninguém. Mas se incomodei, que reflitam sobre as suas práticas mediante a minha. Já faz tempo que não acredito que é certo virar a outra face quando te batem”.
Em seu desabafo nas redes sociais ele solta que já frequentou igreja e se diz triste por ter seu trabalho ameaçado por conta da repercussão do caso. “Não aceitarei que esta imprensa ridícula se aproveite da minha imagem e desta situação. Muito obrigado por comprometer meu trabalho e o de outras pessoas da minha família”, revelou.
“Durante muito tempo da minha vida quis ser exemplo pra muita gente, principalmente, quando estava na igreja, hoje só quero ser eu mesmo, vivendo minha vida e isso me basta”, escreveu o estudante.
O ato realizado no dia 30 de abril dentro da Ufac será investigado pelo Ministério Público do Estado do Acre que recebeu da Polícia Civil a representação do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) que se indignou com o ocorrido.
Feliciano lembrou que pelas leis brasileiras vilipendiar um símbolo religioso é crime e constatou um agravante por ter acontecido dentro de uma Universidade Federal. O MP-AC vai investigar o caso e identificar todos os envolvidos no ato. 
Com informações ContilNet / Via: Gospel Prime

Apóstolo Estevam Hernandes prega união das igrejas evangélicas: “O ímpio sabe andar junto, e nós não”

Apóstolo Estevam Hernandes prega união das igrejas evangélicas: “O ímpio sabe andar junto, e nós não”
O apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, pregou a unidade das denominações evangélicas no Brasil durante um evento que reuniu pastores e bispos em São Paulo.
Durante o “Café da Unidade em Prol da Marcha Para Jesus 2015″, organizado pela Confederação das Igrejas Evangélicas Apostólicas do Brasil (CIEAB), Hernandes disse que “precisamos ser curados da criancice espiritual” e promover parcerias entre as igrejas: “O ímpio sabe andar junto, e nós não sabemos”, afirmou.
“O dia que eu for maduro ao ponto de alguém falar mal de outro pastor e eu disser: ‘Eu te repreendo em nome de Jesus por você tentar estragar nossa unidade’, eu estou sarado”, acrescentou o líder da Renascer.
Reforçando o discurso da unidade, o apóstolo demonstrou expectativas em relação aos efeitos dessa proposta: “Nós vamos ser uma nação sarada espiritualmente, em nome de Jesus! Está na hora da gente se misturar!”, disse, segundo informações do Guia-me.
Sobre a Marcha Para Jesus, Estevam Hernandes disse que o evento “contribui para o crescimento da igreja” porque expõe o movimento evangélico às pessoas na sociedade: “Faz com que elas tenham a visão certa e adequada, quebra estereótipos, destrói paradigmas”, adjetivou.
Em São Paulo a Marcha Para Jesus vem perdendo público nos últimos anos. A edição 2015 terá o tema “Exaltando o Rei dos reis” e será realizada no dia 04 de junho, na semana seguinte à do Rio de Janeiro.
O trajeto será o tradicional e já conhecido do público, partindo da estação Luz do Metrô às 10h00 e concentrando os fiéis na praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, ao lado do aeroporto Campo de Marte
Via: Gospel+