22 de agosto de 2013

Super-crentes



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Músicas declarando vitória, ministrações motivacionais, livros de auto-ajuda disfarçados de temas cristãos são cada vez mais comuns no meio evangélico. E o mercado gospel está em alta investindo no que o povo cristão quer: ouvir que receberão a vitória, a benção tão desejada e que estão acima de qualquer adversidade, tendo poder sobre ela.
O que vemos então é a moda do triunfalismo.
O conceito principal do triunfalismo deriva do capitalismo que disseminou a ideia de que o sucesso está relacionado à realização profissional e pessoal, à popularidade, ao status, etc. Logo, também está relacionado à Teologia da Prosperidade que prega aos fiéis que quanto maior for a sua oferta financeira a Deus, mais próspera será a sua vida terrena, não somente nas finanças, mas em todas as áreas.
Parece algo inofensivo, e há inúmeras tentativas de justificativa para isso. Geralmente, as pessoas que defendem esse pensamento exageradamente positivista, declaram que o povo de Deus merece o melhor, merece ser abençoado, que nada pode detê-lo de alcançar o triunfo em todas as áreas da sua vida, estando sempre livre de tristeza, doenças, etc. e utilizam versículos fora do contexto para provar que estão certos.
Entretanto, este novo conceito difere totalmente dos ensinamentos de Jesus Cristo, e dos apóstolos, já que estes resumem-se à renuncia de uma vida confortável doando-se para fazer o bem ao próximo e cumprir a missão ao qual Deus nos designou.
Jesus em seus sermões nunca prometeu uma vida fácil e livre de problemas aos seus seguidores, mas os encorajou a permanecerem firmes e fiéis a Deus nos tempos de tribulação que com certeza enfrentariam. Já a teologia da prosperidade explica que se o crente for fiel a Deus, terá o direito de exigir – determinando ou “profetizando” – o que, segundo ela, seria uma vida abençoada. Se isto não ocorre, então o crente não tem sido fiel a Deus como deveria, talvez esteja em pecado ou em dívida com o Senhor, por isto Ele não o atendeu.
Porém, Jesus refuta esta afirmação errônea, antes de curar de um cego de nascença como é relatado no Evangelho segundo João, capítulo 9:
“Os seus discípulos perguntaram: ‘Mestre, por que este homem nasceu cego? Foi por causa dos pecados dele ou dos pecados dos pais dele? ‘. Jesus respondeu: ‘Ele é cego, sim, mas não por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos pais dele. É cego para que o poder de Deus se mostre nele. ’” (Versículos 2 e 3 NTLH)
Ao dizer estas palavras, Jesus ensinou que as adversidades as quais seus seguidores passam ou passariam, não derivam de atos pecaminosos, ou infidelidade. Problemas de diversos tipos sobreviriam seus fiéis, no entanto, tudo aconteceria com o propósito de glorificar o nome de Deus, como ocorreu no caso da cura do cego.
De maneira alguma devemos nos esquecer de que o pecado tem uma consequência: a morte espiritual, mas as demais situações desconfortáveis que já haviam sido predestinadas por Deus aos seus escolhidos têm como intuito honrar ao Senhor, demonstrando a Sua grandeza, soberania, sabedoria e bondade. Tudo o que acontece conosco é determinado por Dele, e é para a glória Dele, isto fica explicito na história de Jó, por exemplo.
Sob a ótica triunfalista, um cristão que possui um familiar com uma doença terminal, por exemplo, é considerado derrotado, e só enxerga um caminho para o trinfo: a cura. Esta pessoa então é levada a gastar a sua vida não para glorificar a Deus, mas para conquistar a cura de seu ente querido. Neste caso não é considerada a possível morte do enfermo, já que o plano que Deus tem para o fiel, de acordo com eles, é que ele seja vitorioso em tudo. Não há o questionamento referente à vontade divina, pois já está firmado o pensamento de que Deus os abençoará da maneira em que eles querem e interpretam o que é ser abençoado.
Porém, Deus não poupa os seus fiéis de situações onde eles são vistos como derrotados, situações onde se sentem angustiados e deprimidos, pois tem o propósito maior para todas estas situações, que é o de moldá-los para que pareçam com Jesus. Então, neste exemplo, se o familiar do cristão morre, Deus é glorificado. Se há a cura, como no caso do cego de nascença, Deus é glorificado.
Não são poucos os fiéis relatados nas Escrituras que passaram por grandes adversidades. Nenhuma destas situações foi escondida, muito pelo contrário! Observemos o caso do Rei Davi: ao lermos os seus salmos vemos que este teve uma vida de altos e baixos. Viveu momentos de alegria, mas também momentos de solidão, perseguição, depressão. Para cada momento um salmo expondo seu sentimento. Davi foi um homem segundo o coração de Deus, e sabemos que Deus não o desamparou. Ele lutou grandes batalhas, literalmente, e o Senhor lhe deu vitória, mas isto aconteceu porque ele o buscava com a intenção de adorá-Lo e não somente para obter sucesso, e também porque ele não escondia de Deus e dos demais seus sentimentos de angústia, demonstrando sinceridade e transparência diante do Criador.
Vestir uma capa de super-crente, esboçar um sorriso fingido, e aparentar uma vida livre de problemas são ingredientes para uma vida cristã falsa e hipócrita, alimentando o orgulho e a soberba. Deve-se ter a humildade de admitir suas fragilidades e momentos de aflição a Deus e aos irmãos da fé, pois somente assim, poderão ajudar e encorajar uns aos outros em momentos de crise. Deve-se também ter em mente que todas as coisas – até as aparentemente ruins – contribuem para o nosso crescimento na fé e amadurecimento espiritual. Não devemos fugir ignorando-as, ou fingir que não acontecem, mas sim, enfrentá-las buscando auxílio em Deus e nos companheiros de fé, aguardando pacientemente o consolo e adorando sempre a Deus, seja no tempo de riso ou de pranto.
Estes são os verdadeiros super-heróis: os heróis da fé, que não maquiaram seus momentos de crise, não buscaram a Deus pelo que Ele poderia os oferecer, que confiaram que as aflições tinham um propósito, e permaneceram fiéis até o fim. Sejamos então como eles e que o poder de Cristo, de suportar tudo, seja o nosso poder.
“E [Deus] disse-me: ‘A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza.’ De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” (2 Coríntios 12: 9-10)

Fonte: http://quebrandoreligiosidade.com/super-crentes/
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Um comentário:

  1. Gostaria de saber um coisa, porque evangélico não gosta de fazer caridade, alimentar os famintos, visitar os presidiários, os doentes em hospitais, acompanhar os velhinhos em asilos, de modo geral: ajudar e ser util. 2 pesos 2 medidas.

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