2 de setembro de 2016

‘Jesus, Rainha do Céu’ causa revolta de católicos e evangélicos e sofre com tentativa de censura


O espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, apresentado no Festival Internacional de Londrina (Filo) no último final de semana, causou a revolta de católicos e evangélicos no norte do Paraná. O Conselho de Pastores Evangélicos e a Arquidiocese de Londrina emitiram notas de repúdio contra a apresentação que mostra Jesus no corpo de uma mulher transgênero no tempo presente.

No Brasil, a peça, uma mistura de monólogo e contação de histórias, estreou no Filo e com ingressos esgotados sofreu uma tentativa de censura e o local da apresentação foi transferido da Capela Ecumênica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), usado para apresentações e performances de estudantes de artes cênicas, para o anfiteatro próximo.

Apesar dos ataques, a diretora Natália Mallo enaltece o apoio que recebeu das redes sociais e a mobilização local. “O movimento de apoio foi muito maior que o de ataque. As publicações pedindo mobilização para o espetáculo acontecer foram muito compartilhados. Percebemos que estávamos bem e seguros devido ao apoio de parte da sociedade”, diz.

O Filo também se pronunciou sobre os ataques. “A organização do Festival repudia os atos de intolerância que a produção do espetáculo tem recebido em Londrina, uma vez que prega justamente o contrário: o amor e o respeito ao próximo. O Filo reafirma sua posição sempre favorável à liberdade de expressão e ao respeito às diferenças”, publicou a organização do evento nas redes sociais.

A diretora Natália Mallo conheceu o espetáculo quando foi apresentado na capela de St. Mark’s em Edimburgo. Mallo adaptou o texto e em parceria com Jo Clifford e Susan Worsfold, diretoras da obra original, e com a companhia Queen Jesus Plays lançou a montagem brasileira do espetáculo.

“A reação do público foi incrível. As pessoas ovacionaram a atriz, aplaudindo em pé. O público chorou, riu. Foi muito tocante ver como o público reagiu à peça. Na primeira noite, houve uma espécie de ato de apoio ao espetáculo. Pessoas que não tinham ingresso para assistir foram prestar apoio pra gente e, principalmente, para a atriz”, conta Natália.

Na apresentação, várias histórias bíblicas, como ‘O Bom Samaritano’, ‘A semente de mostarda’ e ‘A Mulher Adúltera’, são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e a intolerância sofridas por pessoas transsexuais e transgêneros. Quem vive o papel principal é a atriz e professora Renata Carvalho, que há 20 anos trabalha com teatros. Sua interpretação oferece à montagem elementos de sua identidade política como travesti, ao mesmo tempo em que apresenta uma Jesus brasileira, ambígua e multifacetada.

 


Assinado pelos arcebispos de Londrina, a nota de repúdio classifica a obra como um “ultraje” e “um desrespeito à verdade e ao direito de liberdade religiosa, universalmente reconhecido” e conclui definindo arte como “uma manifestação do bem, da verdade, da beleza e caminho para Deus”.

Nota da Arquidiocese

O teatro “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” realizado em nossa cidade, como evento cultural, carece de visão histórica, teológica e ética. Usar a pessoa de Jesus de Nazaré, para propagar determinada opção sexual e a ideologia de gênero, é um desrespeito à verdade e ao direito de liberdade religiosa, universalmente reconhecido. Pior, é um ultraje ao Filho de Deus e aos que O seguem e Nele creem.

Nós, católicos, respeitamos e acolhemos todas as pessoas e sua orientação sexual e também temos o direito de ser respeitados. Mais uma vez perdoamos as ofensas, mas isso não nos isenta de lamentar, repudiar e protestar, porém, sem violência.

Agradecemos todas as manifestações de repúdio ao referido teatro. Aconselhamos a fazermos adoração reparadora em nossas Igrejas. Todos sabemos que a Igreja católica é perita em arte e cultura. Para nós a arte é uma manifestação do bem, da verdade, da beleza e caminho para Deus.

Continuemos servindo o povo londrinense com nossas 269 instituições de caridade, com nossas escolas, nossa PUC, nossos hospitais, nossos movimentos e pastorais. Nossos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, catequistas e lideranças pastorais, são verdadeiros artistas que nos encantam e atraem a Jesus Cristo. Tudo fazemos em Seu nome e para a Sua maior glória.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

Dom Albano Bortoletto Cavallin
Arcebispo Emérito

Cardeal Dom Geraldo M. Agnelo
Arcebispo Emérito

Na mesma direção, o Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina e Região considerou a peça uma afronta. “Somos a favor da arte em todas as suas manifestações conhecidas, bem como ao acolhimento nas igrejas de todas as pessoas independentemente de sua identidade de gênero. A arte não precisa de justificativa, mas também não precisa afrontar valores sagrados”, afirma a nota.

Segundo Natália Mallo, vários convites foram feitos às entidades religiosas para o diálogo e para assistir à peça e determinados setores da sociedade não aceitam a ‘figura incômoda’ de um corpo trans. “A partir de um preconceito e intolerância com a figura da atriz, por ser transgênero, se criou uma ideia de que a peça seria uma afronta à fé cristã, seria contra e uma zombaria com a imagem de Jesus, quando na verdade a mensagem é o contrário: um apelo para que possamos viver pela mensagem, pelo projeto de Jesus, de amor, de tolerância e de proteção à vida”, diz a diretora.

Por outro lado, outras lideranças religiosas, como a Igreja Episcopal Anglicana de Londrina emitiram notas de apoio ao espetáculo. A Reverenda Lucia Dal Ponte Sirtoli, que assistiu a peça, define como “uma releitura dos ensinamentos do Evangelho de Jesus à luz dos problemas, dilemas e dores da atualidade, encarnada na vida das pessoas sofridas e marginalizadas que a sociedade e, por vezes, muitas Igrejas as excluem”. Para a organização religiosa, às críticas feitas ao espetáculo são “reproduções do preconceito, pois antes mesmo da apresentação, já havia julgamento de valor e condenação de falta de ética e falta de respeito, fato que não foi constatado”.

Nota da Igreja Episcopal Anglicana

“Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, ou seja, aos que creem no seu Nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:11-13).

A Paróquia São Lucas de Londrina, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil vem a público declarar seu total apoio, elogiar e prestar nossa solidariedade à peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” interpretada pela atriz transexual Renata Carvalho e a toda equipe de produção.

É sabido de todos/as que este grupo sofreu tentativa de censura por parte de movimentos cristãos e de um candidato a vereador da cidade, pelo fato dela inicialmente ser apresentada na réplica da primeira Igreja Católica Romana no Campus da UEL, sendo a mesma, uma capela ecumênica. As críticas são reproduções do preconceito, pois antes mesmo da apresentação, já havia julgamento de valor e condenação de falta de ética e falta de respeito, fato que não foi constatado. Ao assistir à peça, pude presenciar um imenso respeito à mensagem de Jesus Cristo, nenhuma ofensa ou ridicularizarão. Nada que ofenda ou venha ferir o Jesus Nazareno, os Cristãos e Cristãs ou alguma Instituição Religiosa.

A peça é uma releitura dos ensinamentos do Evangelho de Jesus à luz dos problemas, dilemas e dores da atualidade, encarnada na vida das pessoas sofridas e marginalizadas que a sociedade e, por vezes, muitas Igrejas as excluem. Uma releitura contemporânea da mensagem profética de Jesus, onde houve uma contextualização de parábolas do Evangelho para denunciar o preconceito, a hipocrisia e estimular a prática do amor fraterno, justiça, aceitação e inclusão daqueles que são considerados à margem. A peça demonstra cenicamente o melhor da Teologia Cristã ao reivindicar a “Encarnação” do Cristo frente às dores deste mundo, frente as rejeições, exclusões, julgamentos e assassinatos de pessoas homossexuais, bissexuais e transgêneros, pelo simples fato de sua sexualidade. A peça é profética no sentido em que revela a hipocrisia e denuncia os discursos de morte. A peça é ecumênica no sentido em que apresenta um Jesus desvinculado das tradições religiosas. A peça é kerigmática no sentido em que é proclamação de amor, do acolhimento e um chamado para a Vida. É Mensagem de Cristo. Entendemos que a sexualidade humana é plural e, como tal, sagrada a Deus.

“[…] lutamos por mudança de pensamento, comportamento e ações em relação às pessoas excluídas, marginalizadas ou discriminadas por sua orientação sexual e etnia, para que sejam eliminadas as barreiras que as impedem do direito à justiça e à igualdade. […]” (Livro de Oração Comum – Pg. 759)

Quando em nosso Livro de Oração oramos o que está acima, não podemos ficar calados/as diante do que vimos e ouvimos.

Dom Naudal Alves Gomes
Bispo da Diocese Anglicana do Paraná

Reverenda Lucia Dal Ponte Sirtoli
Reitora da Paróquia da Paróquia São Lucas – Londrina – PR

Próximos locais

De acordo com a diretora, a ‘peregrinação’ da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” vai para São Paulo e deve estrear em outubro. Depois vai para o ‘Outburst Queer Arts Festival’, em Belfast, na Irlanda do Norte. “Temos o objetivo de apresentar em Curitiba e mais pra frente fazer trabalhos no Nordeste. É uma peça que a gente fala que invés de turnê, fazemos peregrinação então a gente vai pra onde essa peça for necessária e importante”, concluí Natália.

Fonte: Uol
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