22 de janeiro de 2014

É ERRADO FALAR DOS ERROS DOUTRINÁRIOS DOS OUTROS?



Uma das argumentações mais comumente utilizadas sobre a denúncia das distorções religiosas é a de que é errado falar do erro dos outros. Essa é mais uma estratégia utilizada por aqueles que seguem o pensamento politicamente correto, para poderem viver "em paz" segundo o sistema religioso que eles mesmos desenvolveram e para que sua zona de conforto não seja ameaçada ou abalada. Com isso, cria-se espaço para que os falsos mestres, falsos pastores e usurpadores da fé se sintam à vontade e bem acomodados no seio da igreja.

Nós evangelizamos, mas os lobos veem e roubam as pessoas que nós evangelizamos, e depois quando vamos defender o rebanho estamos errados? Estamos errados porque buscamos proteger o rebanho contra os lobos?

Quer dizer que temos que trazer ovelhas para o rebanho, mas não devemos proteger essas ovelhas? Elas que devem se virar sozinhas? Espera um pouco, isso é amor?

Deixa ver se eu entendi direito. Em outras palavras: O lobo está dentro da igreja e nós trazemos pessoas para dentro da igreja para o lobo as atacar lá dentro. Isso quer dizer que nós estamos apenas alimentando o lobo? Quer dizer que estamos alimentando quem deveríamos expulsar? Então, isso quer dizer que nós somos garçons do lobo? E para piorar a situação, estamos errados por denunciar o lobo e tentar expulsá-lo de perto da ovelha? Estamos errados quando buscamos alertar a ovelha do perigo?

Ainda assim, o texto bíblico mais utilizado para se defender o comodismo, a busca por uma vida politicamente correta e a não confrontação daqueles que estão errados é Mateus 7. Ao fazer tal afirmação, “Não julgueis, para que não sejais julgados”, Jesus nos traz esclarecimentos valiosos, que são bem convenientes para esse assunto. Vejamos o texto completo:
“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”. (Mt 7:1-5)
Em primeiro lugar, se julgar – nesse sentido – é errado, então aqueles que reprovam os que combatem heresias também estão julgando. Estão julgando os apologistas.

Em segundo lugar, o julgamento condenado por Jesus no texto bíblico é o julgamento hipócrita, ou seja, condenar-se a prática errada dos outros sem que antes se corrija a própria vida, pois muitas vezes condena-se os outros sem que se observe a própria prática de coisas piores.

Em terceiro lugar, Jesus não reprova o julgamento em si, propriamente dito, pois Ele mesmo diz, no mesmo texto, que se deve tirar “primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”. Observe bem que Jesus diz que após corrigir-se o próprio erro pode-se então auxiliar o outro na correção. O problema é que muitos não desejam a correção, mas anseiam por continuar em suas práticas erradas e com o argueiro no olho.

Em quarto lugar, o próprio Jesus nos orienta no correto julgamento, livre da hipocrisia, pois dos versículos 15 à 20 Ele mesmo nos dá orientações sobre como proceder em um julgamento reto e justo, observando os frutos e discernindo falsos profetas vestidos de ovelhas.

O profeta Jeremias nos apresenta um problema, ao afirmar que coisa horrenda estava acontecendo porque o povo estava gostando. Todavia, ele inquire o povo perguntando-lhe o que seria feito a respeito. O povo de Deus deveria fazer algo! Ora, para se tomar uma atitude é necessário se observar com atenção e responsabilidade, e depois se proceder a um julgamento, no qual as medidas cabíveis devem ser tomadas por amor ao Senhor e compromisso com Sua Palavra.
“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?” (Jr 5:30-31)
O apóstolo João nos diz que não é pecado julgar, desde que se faça sem partidarismo, interesse próprio nem preconceito, mas que se proceda o julgamento através da reta justiça, e nada melhor para guiar tal julgamento do que a Palavra de Deus, que é reta e justa.
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7:24)
E, por último, o apóstolo Paulo nos diz que não é pecado julgar, já que um dia haveremos de julgar até mesmo o próprio mundo. Todavia, este julgamento deve ser feito segundo os princípios de Deus, segundo a Sua Sagrada Palavra.
“Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja? Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Co 6:2-5)
A verdade deve ser mostrada e o erro desmascarado, não importando onde esteja. Seja no catolicismo ou no evangelicalismo, ou em que religião for. Não importa se é em nós ou no outro. Afinal, não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo.

Agora, que verdade é essa?

Eu vos digo: A verdade absoluta da Sagrada Escritura, Divinamente inspirada, inerrante, infalível e suficiente

Então, prezado leitor, vamos parar com essa estória de evangelizar sem doutrinar, de amor sem doutrina e de paz entre irmãos sem a aplicação correta dos princípios bíblicos, porque é por essa razão que temos tantos falsos profetas dentro da igreja hoje, e é exatamente por isso que esses falsos profetas têm se sentido tão bem dentro da igreja.

Pr. Robson T. Fernandes
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