22 de maio de 2015

6 Razões Para Evitar o Apelo Evangelístico

apelo 2O apelo, dito evangelístico, é bem presente na ampla maioria dos cultos das igrejas. Se porventura alguém se manifestar, depois de repetir algumas palavras ditas pelo orador, esse alguém é direcionado a olhar para trás e ver sua “nova família”. O orador sai satisfeito. Almas foram ganhas, pois responderam ao apelo no final do culto, mas será mesmo? Considerado o ápice do culto, o apelo é feito para que os frutos da pregação apareçam. Como que por imputação, quem se manifestar naquele momento é declarado salvo por um orador que desconhece a doutrina da regeneração e justificação. Seja por ignorância, ou por falha de caráter do orador, essa prática pode levantar várias mãos, e fazer lágrimas caírem, mas podem produzir resultados que corrompam a igreja local, e por consequência ofendam a Igreja de Cristo (At 20:28). Exporei algumas razões, sem a pretensão de esgotar o assunto, para não só mostrar que o apelo é desnecessário, mas como pode ser perigoso para igreja, para o orador e para o mundo. 
A primeira razão que levanto é que o Espírito Santo não precisa da sua ajuda com mudança de tom voz, pianinho, e luzes mais fracas para produzir seus convertidos. O Espírito sopra onde quer e ninguém pode saber de onde vem (Jo 3:8), ou seja, ninguém pode produzir, induzir, facilitar ou conduzir seus resultados. O Espírito Santo age segundo o santo conselho da Trindade e não segundo as notas do seu piano, nem das belas luzes de sua igreja, nem dos gritos efusivos, ou voz cálida do orador. Essas “atmosferas de adoração” são nada mais que um manipular de emoções para produzir efeitos que simulem um quebrantar espiritual. Nessas “atmosferas” há todo tipo de vapor e gazes, menos o Oxigênio, que é o que realmente daria vida, e tal como gazes e vapores, serão levados pela primeira lufada de novas técnicas, novos métodos e serão confundidos com novos ventos de doutrina.  
A segunda razão, e coloco-a por saber que nem todos se utilizam do que foi criticado acima, é que o atender de um apelo não funciona como declaração de salvação. Judas atendeu o chamado de Jesus, andou com ele por 3 anos e sabemos o fim que levou. Assim também Demas (2 Tm 4:10) abandonou Paulo depois de ter declarado que o seguiria. O apelo produz uma falsa ideia naquele que responde a ele de que aquele momento foi decisivo para sua salvação. O apelo transforma-se numa prática ex opere operatouma ordenança que em si tem o poder de declarar salvação. Caso vá para casa sem responder ao apelo, você não é salvo ainda, caso responda, você recebe a salvação. A salvação é imputada na resposta ao apelo assim como as almas eram salvas do purgatório quando as indulgências eram pagas. Uma pessoa pode ser salva ao responder ao apelo? Claro! Porém, não pelo ato de responder em si, mas por ter sido regenerado pelo Espírito, e ainda que pense que foi por causa da resposta, não foi.  
A terceira razão por não concordar com a prática é porque ela concede à pessoa a ideia que ela tem o poder de efetuar sua salvação. Isso gera todo tipo de pensamento do tipo, “Hoje não”, “Deixa pra próxima”, “Não estou pronto”, “Não quero hoje”…. Porém, a salvação é um ato do Senhor não dependendo da vontade humana (Jo 1:13). A pessoa que responde negativamente ao apelo, postergando sua salvação para a próxima vez declara que está perdida em seus delitos e pecados, cega pelo deus desse mundo, escrava de sua vontade e que nunca buscará a Deus (Rm 3:11, 6:16, 2 Co 4:4, Ef 2:2). Então, a recusa deles não lhes confere o poder sobre a aceitação da salvação, mas somente declara seu estado de condenação (Jo 3:36). D. Martyn Lloyd-Jones argumenta: “Um pecador convencido não se decide por Cristo, assim como um coitado que está se afogando não decide pegar a corda que lhe é lançada, ele agarra à corda porque ela é seu único escape. ” Não há mérito no pecador por ter agarrado à corda, nem atribuição de participação na sua salvação. O pecador teve de fazê-lo, não havia outra escolha. Frente à percepção do perigo da morte iminente, o acesso a vida não pode ser adiado pela capacidade de se renunciar, ou resistir, a ele. Assim como tão logo o socorro atira a corda ao afogado, não esperando o sol se abrir, ou o vento diminuir, ou as ondas se acalmarem, assim devemos deixar a corda exposta para que o pecador se agarre a ela e seja salvo ao longo de todo o sermão.  
A quarta razão é que o chamado ao arrependimento deve ser feito ao longo da mensagem. O teor da mensagem deve mostrar a condição do homem sem Deus (Ef 2:1) e deve mostrar a solução (Ef 2:8-9). Isso é que transformará e fará o pecador uma nova criatura. O Espírito Santo agindo através da exposição clara e fiel das Escrituras, as Escrituras sendo pregadas com amor e zelo e Deus sendo glorificado, isso sim é a única forma que trazer pecadores à vida. Pois a fé vem somente pelo ouvir da Palavra de Deus (Rom 10:17). Não é a resposta ao apelo que garante o sucesso de uma pregação, é o grau de fidelidade à Palavra que gerará os verdadeiros convertidos. 
A quinta razão é que não importa o método que o semeador use, se a semente cair em qualquer solo que não seja o fértil, ela não brotará. O semeador simplesmente tem que “sair a semear”. A resposta ao apelo pode produzir a falsa ideia que a semente que caiu em solo rochoso é um bom resultado. O apelo produz um fervor imediato, um alvoroço e um brotamento de determinadas características que logo são extintas quando o verdadeiro preço de seguir a Cristo aparece. O apelo nada mais é do que o desejo de colher o fruto dessa semente que caiu em solo rochoso, o fruto não terá as mesmas qualidades do fruto da semente que cai em solo fértil, ainda que aparente ser bom. Ao contrário, a semente que cai em solo fértil, não brota imediatamente, leva tempo, a raiz ainda vai se aprofundar, levará tempo, mas o fruto é garantido. (Mc 4:1-20) 
A sexta razão é um resumo das outras cinco. Até o momento dei razões que não impedem do apelo ser feito, mas apenas o tornam desnecessário. Porém, uma breve reflexão sobre os cinco pontos anteriores nos faz perceber que o apelo tem grande potencial de gerar falsos convertidos. E qual o problema do falso convertido?
  • Em primeiro lugar, o falso convertido está sendo levado ao inferno pensando que está a caminho do céu. Uma pregação fraca e não genuína, aliada a um fervoroso apelo, gera a falsa ideia de salvação, uma falsa adoção por Cristo, uma falsa cidadania celestial e, portanto, o Peregrino só deu a volta da no quarteirão da Cidade da Destruição e pensa que chegará à Cidade Celestial.
  • Em segundo lugar, o falso convertido dará um mal testemunho ao mundo do que é ser cristão. Ele viverá de maneira inconsistente, insegura e seu testemunho servirá de contra-exemplo. Ainda que tenha sua moralidade mudada em certo nível, haverá inconsistências em sua forma de pensar, agir e se comportar que não coadunarão com a verdadeira profissão de fé cristã.
  • Em terceiro lugar, o falso convertido é como o fermento que levedará a massa da igreja, por não ter sido genuinamente regenerado pelo Espírito, ele introduzirá sutilmente má práticas, costumes e pensamentos na igreja, e isso a tornará doente.
  • Em quarto lugar, o falso convertido produz a falsa sensação de trabalho bem realizado no pregador. O pregador tem a ideia que o sucesso de sua pregação é devido ao número dos que respondem a ela positivamente mais do que a fidelidade que deveria ter à Bíblia. R. C. Sproul diz: “Deus nos confiou o ministério da pregação, não seus resultados. ”  
  • Em quinto lugar, o falso convertido é uma afronta a Deus. Deus não se agrada no louvor do ímpio e vemos ao longo do relato de Isaías que as festas e louvores do povo de Israel não agradavam a Deus. O falso convertido é aquele que se aproxima de Deus com os lábios e o honra com palavras, mas tem o coração está longe dele (Mt 15:8). O falso convertido é aquele que somente ama a Deus por ele ter suprido uma necessidade imediata, mas que não suporta suas duras palavras (Jo 6:26, 60), ainda que sejam palavras de vida eterna (Jo 6:68). O falso convertido não adora a Deus exclusivamente, mas adiciona-o ao seu hall de ídolos do coração, Deus é mais uma fabricação do seu coração idólatra que o corrompe para si, deturpando sua glória, travestindo-a de coisas boas e aceitáveis para si. 
O chamado ao arrependimento não é apelo, mas é parte indispensável do sermão. Cristo é aquele que chama os sobrecarregados e que perdoa uma multidão de pecados, mas isso deve ser apresentado como o teor de toda mensagem evangelística. O problema do apelo é que geralmente o Cristo apresentado é um Cristo franzino e deficiente de poder em relação ao Cristo bíblico. O Jesus apresentado no apelo não é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, mas é o “amigão”, o “chapa”, o “bom-camarada”. O Pai apresentado não é o todo-poderoso soberano criador autor e consumador da nossa fé, mas é o poder superior e interior, um ser em uma realidade que não toca nem se comunica com a esfera em que vivemos, é um ser que tem um grande potencial, mas que depende do homem para que esse potencial seja revelado. E o Espírito Santo é uma entidade que foi reduzido a um impulsionador de adorações estapafúrdias, dialetos irracionais e comportamentos conformados a uma vontade oculta, pessoal e egoísta. Frente a tudo isso, é natural que seja feito o apelo, pois o que foi apresentado não é o bíblico, logo há a necessidade de uma sensação de alívio por parte do orador e para ser entregue a uma comunidade conivente de que aqueles que levantaram as mãos são almas ganhas para Deus. Que deus? 
Sei que nem todos que fazem apelo o fazem por pregar mal, mas às vezes é só por causa de uma tradição. Esses têm a pregação bíblica, apresentam o Deus-Trino tal qual se revela nas Escrituras. Mostram a gravidade do pecado e a abundante graça da salvação, porém ainda fazem o apelo por considerar que se não for feito, os arrependidos não virão. A vocês, amados, deixo essa história relatada2 por Martyn Lloyd-Jones depois de ter pregado um sermão e visto que um homem dentre os ouvintes esboçava reações copiosas. Lloyd-Jones não fez apelo, pois não era uma prática sua fazer, nem abordou o homem diretamente. Passado um dia, o mesmo homem o abordou na rua e a conversa que aconteceu foi a seguinte: 
- Sabe de uma coisa, doutor? Se o senhor me tivesse convidado para demorar-me mais um pouco, na noite passada, eu lhe teria atendido. 
- Pois bem, retrucou Lloyd-Jones, agora estou lhe fazendo um convite. Venha comigo. 
- Não, não, mas se o senhor me tivesse convidado na noite passada, eu teria atendido. 
- Meu amigo, se o que lhe aconteceu ontem à noite não perdurou por vinte e quatro horas, não estou interessado nisso. Se você não está pronto a vir comigo agora, conforme estava na noite passada, você ainda não tem a coisa certa e verdadeira. Não importa o que lhe afetou na noite passada, era algo apenas temporário e passageiro; e você ainda não conseguiu, de fato, perceber sua necessidade de Cristo. 
Meu último parágrafo, prometo. A ação do Espírito Santo regenerando uma alma pecadora, levando-a ao senhorio de Cristo e glorificação do Pai é duradoura. Não é o fato de fazermos apelo que dirá que uma alma foi salva, é tão somente se de fato o Espírito Santo tiver agido. Tal qual o que quer que aquele homem tenha sentido, se um apelo tivesse sido feito, ele teria respondido positivamente, mas não genuinamente. O único apelo que devemos fazer, é o apelo que intitula esse texto, um apelo ao Espírito Santo, que ele toque, regenere e converta almas em virtude da fidelidade do que quer que seja pregado por nós. 

1 – Falsas Conversões: O suicídio da igreja https://www.youtube.com/watch?v=jQR3Xmi_GqY
2 – Martyn Lloyd-Jones, Pregação e Pregadores, Fiel , p 256
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