19 de outubro de 2012

Carregando a Cruz


  

Quando eu era católica, fazia questão de exibir a minha fé, carregando ao pescoço um crucifixo de ouro, enquanto na parede do meu quarto, sobre a cama, estava pendurado um crucifixo de madeira com uma imagem de Cristo em marfim. Eu imaginava ser uma boa católica, sentindo-me orgulhosa dos meus símbolos “cristãos”.
         Os anos passaram. Meu marido (um luterano liberal) era complacente e, se não acreditava no poder dos meus crucifixos, também não me censurava pela fé ingênua naqueles símbolos religiosos. Naquele tempo eu ia à missa - aos domingos - no bairro onde residíamos. O padre era um italiano esquerdista, que usava a missa para pregar discretamente a revolução dos empregados contra os patrões e aquilo começou a me incomodar, pois eu era microempresária e achava que ele estava me atingindo. Certo dia, quando ele foi almoçar em nossa casa, falei sobre o assunto, ao que ele contemporizou: “Mas eu falo dos maus patrões. Você não é patroa... É uma verdadeira mãe para os seus empregados”. Mesmo depois daquela ressalva continuei preocupada, até que em agosto de 1976, lá em Fortaleza, ganhei de presente um bebê recém-nascido, cuidei dos papéis legais e o trouxe para criar. Era uma menina, a qual foi adotada  como filha e, por causa dela,  deixei de freqüentar reuniões sociais, preferindo ficar em casa lendo textos edificantes e cuidando do meu bebê.
         Como me achava despreparada para ser mãe novamente (a filha única estava na Universidade Rural e eu me sentia velha demais para exercer um papel tão importante), fui fazer um curso de Psicologia com a Professora Lídia Mattos, em Copacabana. Lá fui aconselhada a ler um livro que, embora herético, iria me conduzir à verdadeira vida cristã. Era “O Poder do Subconsciente”, de Joseph Murphy. Li o livro, gostei muito e em seguida fui em busca de outros no gênero. Foi assim que entrei em contato com os livros de Norman Vincent Peale e comprei todos os títulos que encontrei nas livrarias. Quando li o 10º. livro dele - Mensagens da Vida Diária - copiei os 90 versículos bíblicos ali mencionados, como sempre ia fazendo nas leituras anteriores, sentei diante da máquina de escrever e fiz um poema para Jesus Cristo. Logo em seguida, comecei a ler o Novo Testamento e quando me filiei a uma igreja presbiteriana já o havia lido umas 50 vezes.
         Diante da sociedade eu fosse um modelo de virtudes. Depois de ler os versículos apresentados nos livros do Peale, comecei a me conscientizar da maldade natural que existia em meu coração e descobri que era orgulhosa, vaidosa, agressiva e rebelde contra Deus. Quando sentei diante da máquina de escrever (01/05/78), confessei meus pecados a Jesus e O aceitei como Salvador e Senhor de minha vida.
         Hoje, não me considero uma pessoa melhor. Continuo cheia de defeitos, pecando diariamente por causa do meu temperamento forte, mas tenho a certeza de que “O meu Redentor Vive e eu também viverei” na eternidade, junto com Ele e meus irmãos na fé, ou seja todos os que O aceitaram,  confiando exclusivamente no Seu sacrifício vicário na cruz, sem adição de obras e obediência a qualquer organização religiosa.
         Dave Hunt fala da maneira errônea como a cruz de Cristo tem sido exibida pelos cristãos modernos, nesta citação:
         “... A. W. Tozer escreveu: ‘Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretém. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne...’ A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado - mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz...  O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: ‘Estou crucificado com Cristo’. A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos experimentar ‘o poder da sua ressurreição’ (Filipenses 3.10), pois somente os mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz àqueles que há tempo anelam por escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de ‘nova cruz’... Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Gálatas 6.14). É uma linguagem muito forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos - e, através desse ato, nos  crucificou também. Vamos assumir uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas o fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade”.
         Ser crucificado com Cristo é a maneira mais sublime que podemos encontrar, a fim de crescer na vida espiritual. Infelizmente, o nosso “eu” é forte demais e essa luta que travamos, diariamente, para ser crucificado com Cristo, seguindo o exemplo do Apóstolo Paulo  (Gálatas 2:20), muitas vezes é perdida por causa do mundanismo que nos cerca através dos programas de TV, da mídia e das amizades que entretemos neste mundo que jaz no maligno.
         Contudo, somos mais que vencedores em Cristo e, mesmo quando sucumbimos sob o poder do EGO, um poder maior se levanta em nosso coração, o poder do Espírito Santo, que nos conduz ao arrependimento e nos mostra que, mesmo tendo caído, ainda podemos nos levantar, sacudir a poeira de nossas almas e seguir em frente, para um dia alcançar o que é perfeito.
         Que Deus nos dê coragem para prosseguir na luta e nos faça realmente vencedores, conforme a promessa que recebemos em Sua Santa Palavra. 
         "Sabemos que Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28), mesmo porque não ousarei dizer coisa alguma que Cristo por mim não tenha feito” (Romanos 15:18).

         Na minha vida passada, / não tinha encontrado a luz,
         até que fui resgatada / na salvação de Jesus.
         A vida só tem valor / quando se conhece Cristo.
         Jesus é o Santo Pastor / que nos conduz ao aprisco.
         Ele nos dá salvação / e garantia nos dá;
         com Ele no coração, / nada, então, nos faltará.

Mary Schultze, 14/10/2012 – maryonlybible & marybiblia.com
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Um comentário:

  1. Vejo o inimigo, realmente sabotando, digo, tentando sabotar, a Igreja de Cristo, mas lembro da promessa que diz: "..as portas do inferno não prevalecerão contra ela;" Mateus 16:18 Então sei que não vai conseguir, mas ele tem tentado fazer isso mais do que nunca, enganando os que se perdem, porque até passeata, em época de páscoa, se vê as denominações ditas evangélicas, fazendo, em nome de "chamar a atenção" para a "cruz de Cristo", dizem eles que isso faz as pessoas perguntarem o que significa essa demonstração! Ora, se pregar o evangelho precisa de "demonstração" de objetos ditos religiosos, para chamar a atenção do povo, o que é isso, se não uma nova forma de catolicismo, de religiosidade vazia? Cheia, sim, de méritos humanos, daquele que teve a ideia de fazer marketing do evangelho, daqueles que "se dispõem" a "pregar" o "evangelho", do sacrifício, que é ficar por mais de horas caminhando,se cansando, para provar e mostrar que é cristão! Quanta besteira, em nome de quê? De "ganhar almas"? Pra quem? Pra quê? Infelizmente, esta é a triste realidade de nossos dias, parece, que voltamos à Idade das trevas!

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