25 de fevereiro de 2012

Brasil está “politizando a religião”, afirma teólogo Luterano!







Com informações UNISINOS










Oneide Bobsin é teólogo luterano, professor de Ciências da Religião e reitor das Faculdades EST. Estudioso do tema, ele acredita que “há novos atores religiosos na política brasileira, que são os evangélicos. Apesar de sua fragmentação institucional, existe a criação de um ‘sentimento de ser evangélico’ que está sendo disputado pelos políticos”.

O debate aberto pelo governo do PT e as lideranças religiosas do país sobre assuntos como a descriminalização do aborto e a legalização do casamento homossexual, tem atraído atenção para o assunto. O pedido recente de desculpas do Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, por ter ofendido os evangélicos e o recuo de Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, em sua defesa da legalização do aborto à Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, trouxe muitas perguntas para o meio político.

A força da Frente Evangélica, que reúne em torno de 80 deputados e 3 senadores, tem se mostrado maior depois dessas “provas de fogo”. Mas esses assuntos não dizem respeito apenas aos evangélicos, pois atingem também a Igreja Católica.

Para Bobsin, “nos temas ético-morais as igrejas pentecostais e neopentecostais apresentam afinidades com posicionamentos da Igreja romana. Ressalva-se, no entanto, que a Igreja Universal do Reino de Deus é acusada por outras lideranças evangélicas midiáticas de silenciar diante do governo federal, já que há bom tempo Edir Macedo, seu líder, apoia os governantes petistas. De fato, há novos atores religiosos na política brasileira, que são os evangélicos. Apesar de sua fragmentação institucional, existe a criação de um ‘sentimento de ser evangélico’ que está sendo disputado pelos políticos”.

O teólogo não vê isso como negativo, mas acredita que no Brasil estamos “politizando a religião”, o que pode trazer grandes mudanças no futuro. É preciso levar em conta que em países como os Estados Unidos, França e Alemanha, a postura religiosa é determinante para se resolver algumas questões. Nos países de maioria muçulmana, a influência da religião é tão grande que países aprovam ou deixam de aprovar leis e projetos dependendo da opinião dos líderes religiosos.

Sendo 2012 um ano de eleições, é natural que se debata o chamado “voto religioso”. Nunca houve tantos políticos religiosos, que em sua maioria são ou foram pastores de igrejas evangélicas. Oneide Bobsin analisa que “A ideia de que irmão vota em irmão perdeu força… o mundo moderno libertou o Estado do domínio da religião. Se o Brasil não fosse uma democracia moderna republicana, temeria a influência da religião. Como criamos mecanismos democráticos que asseguram a liberdade individual e coletiva, as pessoas crentes e suas lideranças têm todo o direito de se manifestar, mas jamais governar em nome de um credo. As organizações religiosas não podem gerir o Estado e os governos”.

Por outro lado ele acredita que essa questão ainda está longe de um consenso, afinal “Abstraindo os pontos ético-morais, que refletem uma postura da sociedade, a bancada evangélica vota com o governo. Mas não sei como reagiriam as bancadas religiosas no Congresso diante de uma radicalização das reformas [agrária, política, tributária etc]”.

Como pesquisador e observador das igrejas e religiões, o estudioso percebe uma “crescente autonomia dos fiéis em relação às suas lideranças religiosas e pastorais”. Um dos motivos para isso, segundo ele, é o sucessivo envolvimento de parlamentares evangélicos em escândalos de corrupção (sangusssegas, mensalão e outros). Isso e a constante troca de legendas que dificultam uma identificação com determinado linha ou partido, fazem hoje os fiéis desconfiarem de certas propostas.

Do ponto de vista sociológico, isso seria positivo, mas a pluralização pode confundir e dividir igrejas e denominações. Na última eleição presidencial, lideranças da Assembleia de Deus se dividiram. Alguns apoiaram Dilma e outros, Serra. “A fragmentação das igrejas em tendências internas e a disputa por almas impedem uma decisão de conjunto no campo eleitoral”, finaliza.

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