5 de fevereiro de 2012

Um apelo à Paz na Quadrangular


Por Um pastor quadrangular
dos grotões 
No ano passado, toda a Igreja Evangélica Brasileira sentiu inevitável constrangimento com as discussões que perpassaram o centenário da Assembleia de Deus (e do movimento pentecostal como um todo), com uma disputa canina entre a CGADB e a Igreja-Mãe de Belém do Pará, que tinha como pano de fundo a eleição interna da convenção geral um ano antes, com troca de acusações públicas pelos programas e meios de comunicação assembleianos. Pois agora esta mesma penumbra se insinua sobre outra denominação importante do meio pentecostal, na verdade pioneira do chamado “Pentecostalismo da Segunda Onda”: a Igreja do Evangelho Quadrangular.

De 27 a 29 de março deste ano, a Quadrangular realiza sua 61ª Convenção Nacional, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, onde pela primeira vez em muitos anos haverá uma disputa pelo cargo de Presidente, que desde 1996 é exercido pelo reverendo Mário de Oliveira, deputado federal pelo PSC. O seu opositor é um nome histórico da IEQ, reverendo Jayme Paliarin, co-fundador da denominação, primeiro brasileiro consagrado ao pastorado pelo reverendo Harold Willians, que implantou a Quadrangular no Brasil em 1951, e que segue pregando com impressionante vitalidade nos seus 82 anos.

Trata-se de um embate singular, envolvendo duas biografias que se confundem com a trajetória missionária de uma Igreja que iniciou no Brasil como “Cruzada Nacional de Evangelização”. Ambos tem história na Quadrangular, tendo sido missionários de grande importância para a expansão da IEQ em todo o território nacional. Na verdade, embora hoje estejam em posições opostas, Paliarin e Mário de Oliveira tiveram estreita ligação no passado. A própria biografia oficial de Mário de Oliveira relata que ele se converteu ouvindo a poderosa pregação de Paliarin, a quem por muitos anos chamou de “meu pai na fé”. No longo período em que o sistema de governo da IEQ era parlamentarista, Jayme Paliarin foi por diversas vezes secretário-executivo da denominação, e o então jovem missionário Mário de Oliveira era um dos “ponta-de-lança” do avanço missionário da denominação, abrindo igrejas em diversas cidades do Brasil, como no passado Paliarin também fizera.

Oficialmente, um evita fazer citação direta ao outro. No entanto, o discurso de apoiadores de ambos os lados está muito longe de se pautar pela serenidade e espírito cristão. Enquanto os apoiadores de Paliarin ocupam as redes sociais para falar em “fim da ditadura” e “volta às raízes”, os defensores de Mário de Oliveira acusam os defensores de Paliarin de “defesa do retrocesso”, em termos nada amigáveis. Quem apóia Mário de Oliveira acusa Paliarin de ingratidão. Quem vota em Paliarin acusa Mário de ser um ditador que governa a igreja com mão de ferro, perseguindo quem se insurgir contra seus ditames. É neste nível que estão os preparativos para a Convenção Nacional, que além do presidente, também elegerá outros cargos do Conselho Nacional, separadamente. Este nível de tensão inibe a serenidade necessária, colocando a disputa num nível de tensão que faz com que muitos evitem se manifestar, temendo retaliações. E que nos obriga a fazer até mesmo uma reflexão como essa anonimamente, coisa que sempre abominamos. Entretanto, trazer à luz este debate assinando o nome, no nível que as coisas andam, seria de uma ingenuidade temerária. Acho que é isso que Salomão queria dizer quando ensinou: “não sejais demasiadamente justo; porque destruirias a ti mesmo? (Eclesiastes 7;16)”.

Há algo de positivo nesta mobilização toda, sem dúvida, porque demonstra que ainda existe interesse dos membros do ministério em relação aos rumos da Quadrangular para o futuro. E é justamente este debate, mais do que os talentos ou aptidões dos candidatos em questão, que realmente deveria importar. A evidente personalização do debate até aqui, por enquanto, passa ao largo da principal preocupação dos pastores quadrangulares Brasil afora, especialmente os que vivem nas cidades do Interior: a invasão exógena de costumes e práticas pastorais totalmente estranhas à Doutrina Quadrangular, conforme compilada pela missionária canadense Aimée McPherson na Declaração de Fé. Infelizmente não é raro ver conferencistas quadrangulares que aderiram às extravagâncias mais absurdas, como Confissão Positiva, Bênção de Toronto e outras heresias, que se disseminaram pela Quadrangular como verdadeira praga, sem que houvesse uma vigilância mínima do Conselho Nacional, coisa pela qual os dois candidatos que ora se debatem deveriam responder. A pregação da Teologia da Prosperidade e o uso de “pontos-de-contato”, estão de tal forma difundidos que há pastores quadrangulares que acreditam que esta seja a real essência da doutrina da igreja, tal a desinformação existente. Isso sem mencionar o sem-número de práticas abusivas e autoritárias que as heresias sempre arrastam atrás de si, quando substituem o bom e simples Evangelho puro. Entretanto, confiamos que esta seja uma oportunidade interessante para o ministério quadrangular refletir e pensar, não apenas em nomes, mas sim em posturas que queremos para o nosso futuro.

A Igreja do Evangelho Quadrangular, ao longo de 60 anos de história no Brasil, sempre foi pioneira das mudanças que o segmento evangélico experimentou no cenário nacional. Uma história formada por homens e mulheres sérios, comprometidos com os quatro fundamentos que são o norte ideológico da doutrina: Jesus Salva, Jesus Cura, Batiza no Espírito Santo e Jesus Voltará! Na história do evangelho no Brasil, a Igreja Quadrangular tem seu lugar fundamental como uma igreja que contribuiu para reavivar a evangelização, dar ao louvor musical um dinamismo contemporâneo, dar mais ênfase à vida santificada do que aos “usos e costumes”, e elevar as mulheres ao ministério pastoral. Oramos para que a complacência com heresias judaico-messiânicas, de Toronto e não sei mais o quê, seja definitivamente abolida em nosso meio. Mas me preocupa o tom de messianismo das duas candidaturas. Sei que há ministros sérios apoiando os dois candidatos, e que tem boas razões para apoiar um nome e outro. Todavia, para a maioria dos pastores quadrangulares por esse interiorzão brasileiro afora, interessa muito mais a doutrina, que permanece, do que seus agentes, que passam. E espero sinceramente que o Espírito Santo, verdadeiro “presidente” desta Igreja, interceda para trazer mais ar puro a uma discussão que está mais para mesa de botequim do que para ministério pastoral.



NOTA DO EDITOR

Genizah tem por principio não aceitar o anonimato em artigos publicados no site. Nunca permitimos o uso deste expediente para o denuncismo. Em alguns poucos casos, abrimos mão desta regra a fim de tratar de assuntos delicados, questões de foro intimo: Testemunhos pessoais, sempre muito dolorosos, da experiência com seitas e, em um caso,  um artigo tratando de vivência matrimonial. O pretexto único sempre foi proteger as pessoas envolvidas e as suas famílias, de uma exposição desnecessária.


O caso presente é diferente. O objetivo do autor e a vontade do editor se encontram no desejo oferecer um alerta amoroso aos envolvidos, em respeito aos milhares de membros e obreiros fieis resistindo firme aos ventos solapando a denominação em questão.


A Igreja do Evangelho Quadrangular já foi alvo de denuncias seríssimas por parte do Genizah (basta pesquisar no site) e, em todas estas oportunidades, sempre foi ressaltada a presença majoritária de irmãos sérios na denominação, lutando para reverter um quadro de apostasia em parte do corpo. Tanto assim, que os inúmeros protestos raivosos de membros e líderes ofendidos com as denuncias feitas sempre foram acompanhados por outras tantas manifestações de apoio vindas de irmãos da própria IEQ, gente com a compreenção da urgência de tratar as questões levantadas nestas denúncias. 


O presente artigo trata de um momento crítico para a IEQ. Se por um lado tem potencial desagregador, por outro é uma oportunidade preciosa para o encontro dos bem-intencionados. Estes irmãos irão escolher as suas lideranças, mas, também, independentemente desta escolha, terão a oportunidade de influenciar a agenda dos debates. 


Nosso desejo é participar da comunhão dos que estão orando em favor de um desfecho capaz de fortaleçar a união dos sinceros, a sã doutrina e a paz. Neste espírito, coube a este editor concordar com a seguinte declaração vinda do coração do autor do artigo: "Fiquei alguns dias orando e consultando a Deus sobre se deveria mesmo assinar anonimamente, uma postura que sempre me pareceu covardia. Entretanto, quando percebi que esta seria a melhor alternativa para evitar até mesmo o benefício indireto de alguma repercussão positiva, fiquei tranquilizado. A melhor maneira de deixar que apenas o nome de Jesus tenha toda a honra e toda a Glória é, de fato, anular o nosso nome. Isso certamente colocará nossa própria vaidade carnal no lugar."


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Um comentário:

  1. Sou Quadrangular desde 1998, embora eu já tenha participado de algumas denominações e até gostado eu amo a Quadrangular, mas ao mesmo tempo fico dividido e chateado com isso, já pensei até em entregar algumas funções que tenho e participar menos para evitar esquentar a cabeça, a pessoa procura as vezes uma igreja por estar com problemas, mas ao mesmo tempo ela aí passa a ser incomodada pelo baixo nível de seus líderes, como se tivesses disputando um cargo político e troca de acusações.
    Felizmente minha igreja local é um pouco afastada dessa gente aí e nossos pastores aqui da cidade nem tocam nesse assunto, mas infelizmente a mídia divulga e isso chega as pessoas, pessoas muitas vezes novas na fé e que nada tem a ver com essa baixaria.
    Eu já fui feliz na Quadrangular no passado mas hoje até evito dizer que sou membro dela para algumas pessoas, não pela igreja da minha cidade, mas por esses escândalos a nível nacional, já desisti até o ITQ por esse motivo, pois problemas com pessoas eu já tenho muitos, não preciso esquentar a cabeça...

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