24 de fevereiro de 2013

Pode ter grupo de dança na igreja?


Evito ao máximo assuntos que possam levar a discussões sem objetivo e causar mágoas e contendas entre irmãos. Porém, também sinto que às vezes é necessário trazer tópicos que nos são por demais habituais de volta para um entendimento bíblico. Por isso, hoje quero tratar do assunto da dança nas igrejas, mais especificamente, dos ministérios de dança. Sei que é um assunto delicado e farei meu melhor para abordá-lo da maneira mais gentil e respeitosa possível.

Desde já, deixarei o seguinte recado: qualquer comentário ou uso desse texto que eu encontrar com um tom de deboche será apagado e denunciado por mim. Por mais que meu senso de humor às vezes me faça pecar, não quero nunca que um assunto sério seja tratado de maneira debochada, pois esse tom não é certo para um cristão.

Hoje em dia, o “ministério de dança” se tornou quase que uma regra dentro das igrejas. No meio do louvor ou no ofertório, um grupo de pessoas (quase sempre restritas ao sexo feminino) apresenta ou ministra um número de dança à congregação. A primeira pergunta é: existe base bíblica para a dança? A resposta é sim, existe, mais frequentemente no antigo testamento. Porém, ela não aparece como parte da liturgia de um culto normal. Após analisar as passagens de Êxodo, 1 e 2 Samuel, Jeremias, Salmos e mais algumas que se referem á dança, não enxerguei em nenhuma delas o aspecto coletivo da dança dentro de uma congregação. Há o exemplo de Miriã em Êxodo 15.20 onde a profetisa pega seu tamborim e um grupo de mulheres a segue em sua dança. Porém, ela não convocou as mulheres para tanto. Estas a seguiram de livre e espontânea vontade. Segundo, não era um culto. O que encontrei de comum às diversas passagens é a associação da dança com alegria, tal qual vemos no Salmo 30.11, que diz:

Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria…

A dança é uma expressão necessariamente alegre, sem dúvida. Não é normal vermos uma pessoa triste dançando. Ao considerarmos as outras passagens de Salmos que tem uma conotação de convocação ao louvor (como, por exemplo, Sl 149.3), vemos que essas ordens são dadas a todos. Não há restrição da ordem a um grupo, a um ministério somente. Ou seja, todos devem se alegrar na presença de Deus, no louvor a Ele. Há também a menção de adufes e tamborins. Bem, imagina a congregação inteira tocando tamborim. Não ia ficar legal, ainda mas que há alguns queridos irmãos, cujas vidas é motivo de graças a Deus, que não têm coordenação motora ou senso rítmico para tanto. (Não quis ofender ninguém com isso, é uma mera constatação.) Outro detalhe a ser considerado quanto a esses textos é a cultura judaica. Alguém já viu algum filme ou alguma cena de uma família judaica, de um casamento talvez, até nos dias de hoje? Todo mundo dança! Eu particularmente a considero uma tradição belíssima! Não sei explicar, mas eu pessoalmente gosto dos “antigos valores de família” que atravessam gerações. A família inteira se reúne numa expressão coletiva de uma alegria compartilhada. Fantástico!

Há quem argumente: “Mas se for assim, então também não há base bíblica para os músicos, pois eles tocam sozinhos e não juntos com todo mundo.” Isso faz sentido, até certo ponto. Não sei como é na sua igreja, mas quando um músico decide tocar por conta própria a ponto de atrapalhar todo mundo (seja uma guitarra solando descontroladamente ou um baterista que só tem dois volumes: tocando ou não tocando), o normal é que ele seja afastado do cargo até que possa se comportar melhor.

Ou seja, dança é bom, sim, mas individualmente. Quer dançar? Quer expressar a sua alegria? Glórias a Deus por isso! Eu o encorajo a fazer isso, sem dúvida. Contanto que você não constranja ninguém com a sua dança, dance e seja feliz! Mas ao considerarmos o culto, a liturgia de uma igreja e o aspecto comunitário dele, devemos levar em conta o próximo. Não se pode assumir que “Eu não posso limitar a ação do Espírito”, pois o Espírito não se contraria. Ele não promove a desordem. Se o Espírito Santo agisse de maneira irracional e estritamente emocional, por que então que Paulo fala de um culto racional a Deus? Em 1 Coríntios 14, ao falar sobre os dons espirituais, o apóstolo faz questão de ressaltar o entendimento como parte necessária do culto.

Outra questão é, quando um grupo de dança se apresenta, o que o resto da igreja faz? A igreja pode louvar junto com o grupo de dança? A não ser que ela saiba a música e possa cantar junto, é difícil, ainda mais que as músicas conhecidas e tocadas durante a apresentação geralmente estão remixadas. Ou seja, perde-se um aspecto coletivo do louvor. Quando os músicos tocam, eles acrescentam algo ao louvor de todos. A música acompanha a congregação. As duas coisas se complementam e todos participam. Mas na dança, a coisa empaca. Quem dança pode até estar louvando, sinceramente, mas quem não dança… dançou. Fica como mero espectador, o que leva a outra questão muito importante e delicada.

Sim, Deus vê o coração e o aceita. Mas o homem vê apenas o que os olhos o permitem ver. E aqui é importante ressaltar o seguinte, estou me referindo ao homem do sexo masculino, e não o homem como humanidade. As meninas precisam entender algo sobre como Deus fez o homem. Nós somos atraídos pelo que vemos. Isso é algo que não entra na cabeça das mulheres porque elas dificilmente entenderão, elas não têm que lidar com isso. Não é algo racional. É um instinto biológico, algo da nossa formação física que nos faz assim. E não, não é uma questão restrita “àqueles que estão em pecado”. Eles podem até lutar ainda mais com isso do que os outros, mas por mais santo que seja, todo homem é atraído pela figura feminina. E aí entra o grupo de dança… Por mais que as roupas largas escondam as curvas, por mais que haja todo o cuidado para cobrir e evitar qualquer detalhe que possa criar um constrangimento, simplesmente não há como. Quando elas mexem para um lado, a roupa cola no corpo. Para o outro, novamente. A mera movimentação de lá para cá já é algo que atrai o homem, e não de maneira ilícita. Simplesmente fomos feitos assim. Então, como disse o Pr. Augustus Nicodemus num evento ao responder à questão da dança: “Vocês meninas têm que ter misericórdia dos homens.” Quando estamos no período de louvor e há o grupo de dança ali na frente, elas vão chamar atenção. Por mais compenetrado que estejamos, aquilo vai distrair nós homens e vai interferir no culto a Deus. Eu, pessoalmente, quando visito uma igreja onde há dança, tenho enorme dificuldade em cantar olhando para frente. Daí cantam uma música cuja letra eu não sei e não posso olhar para a projeção. Então fico olhando pro chão, orando apenas. E é muito chato.

Resumindo: podemos dançar dentro da igreja? Sim, podemos. Individualmente e de maneira discreta. Podemos ter grupo de dança? Eu creio que não. Não vejo base bíblica para isso e, além disso, é uma atividade que atenta contra a santidade dos irmãos na congregação. Não acho que uma igreja deva ter um grupo de dança.

Se você se sentiu ofendido por este texto, peço sincero perdão. Nunca foi e nunca será minha intenção querer afrontar alguém. Faço meu melhor para trazer esclarecimentos segundo o que entendo ser a visão bíblica do assunto. Se quiser comentar, argumentar ou simplesmente falar comigo da maneira que for, por favor deixe um comentário ou me ache no facebook para conversamos.

Fonte:http://oblogdoandrew.wordpress.com/2013/02/23/pode-ter-grupo-de-danca-na-igreja/



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