26 de fevereiro de 2013

Qual é o futuro da Igreja?

Ainda em vida, um abalado Bento XVI admite não ter forças para conduzir a Santa Sé e lança uma sucessão que definirá os rumos do mundo católico


ENFRAQUECIDO Bento XVI na missa da Quarta-Feira de Cinzas, quando se despediu dos fiéis. Ele condenou “individualismos e rivalidades” (Foto: Gabriel Bouys/AFP)
A missa da Quarta-Feira de Cinzas começava, na lotada Basílica de São Pedro, quando o silêncio foi cortado por uma voz frágil e vacilante nas caixas de som. “Acompanha com Tua benevolência, ó Pai misericordioso, os primeiros passos do nosso caminho penitencial, e que a observância externa seja correspondida por uma profunda renovação do espírito.” Ao ouvir as palavras de Bento XVI, pronunciadas ainda fora da basílica, os presentes olharam para o altar e o corredor central, na vã tentativa de encontrá-lo. O breve momento de ansiedade e confusão resumiu o sentimento na última missa do alemão Joseph Alois Ratzinger, de 85 anos, como papa. Bento XVI despedia-se dos fiéis depois de chocar o mundo com sua renúncia, anunciada no dia 11. Suas palavras falavam da chegada da Quaresma, quando os católicos devem refletir sobre suas atitudes e os ensinamentos cristãos. Nada mais simbólico. Até a escolha de um novo pontífice, a própria Igreja terá de refletir sobre seus compromissos, suas ideias e seu futuro.
>>O recado do papa e os aplausos 
Na próxima quinta-feira (28), o trono de São Pedro ficará vago. Bento XVI assumirá a condição de ex-papa, apenas o sétimo de uma lista de 265 pontífices a deixar o posto dessa maneira – uma situação tão incomum que não ocorria havia 598 anos. Os prováveis motivos de tal decisão, embora não abertamente declarados, refletem o difícil momento por que passa a Igreja Católica Romana, envolta em disputas de poder e pouco sintonizada com questões do mundo em que vivem seus fiéis. Ao comunicar sua saída, durante uma reunião até então ordinária com os cardeais (o título hierárquico mais alto para os sacerdotes católicos antes do papado), Bento XVI alegou falta de “força da mente e do corpo” para continuar sua missão. Sua deterioração física nos últimos meses era evidente, com dificuldades de caminhar e falar – o Vaticano admitiu que ele usa um marca-passo “há algum tempo”. É possível que já não aguentasse mais uma agenda com compromissos exaustivos no exterior, como a Jornada Mundial da Juventude, evento que reúne milhões de católicos e cuja próxima edição será no Rio de Janeiro, em julho. Segundo o jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, Bento XVI já pensava em renunciar desde uma viagem a México e Cuba, em março passado, quando feriu a cabeça. Mas não há dúvidas de que a opção pela renúncia baseou-se em muito mais que o simples peso da idade.
a mensagem 769 papa (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)
Bento XVI deixou seu recado na homilia da missa de Cinzas. Disse ser preciso superar “individualismos e rivalidades (...) para manifestar o rosto da Igreja”, além de ter criticado as “divisões eclesiásticas”. O Direito canônico prevê a renúncia, mas pouquíssimos papas valeram-se do expediente até hoje, devido a uma espécie de obrigação moral de resistir ao fardo do cargo, mesmo doentes. Assim foi com João Paulo II, cujas limitações físicas e sofrimento foram lentamente expostos ao mundo até sua morte, em abril de 2005. Bento XVI iniciou seu papado já em idade avançada, próximo dos 80 anos. Todos sabiam que seu papado provavelmente seria mais curto que os 26 anos do antecessor. Diante da fragilidade física, a morte poderia abreviar seu papado e lançar a Igreja a um processo sucessório acompanhado da dor da morte de um pontífice. Joseph Ratzinger não teve a mesma tenacidade do polonês Karol Wojtyla. Nem a mesma visão sobre a obrigação de um cardeal que assume o posto maior da Igreja. Bento XVI preferiu definir ele mesmo o momento de sua sucessão. Assumiu com isso a responsabilidade pelos rumos advindos da decisão. A atitude do papa foi política, a única imaginada por ele para alertar o mundo e seus colegas de Vaticano sobre os desafios da Santa Sé.
>>John L. Allen Jr.: "É possível um papa voltado aos emergentes"

A possibilidade de renúncia era ventilada no Vaticano desde que o papa falara, numa entrevista, sobre a possibilidade de abandonar o cargo caso não se sentisse mais capaz de honrá-lo, “fisicamente, psicologicamente e espiritualmente”. Para a maioria a seu redor, a declaração não chegava a configurar um sinal concreto de um desejo. Poucos cardeais, não mais que dez, sabiam que ele realmente decidira deixar o posto. Um deles era o decano do Colégio dos Cardeais, o italiano Angelo Sodano, que já preparara uma pequena mensagem lamentando a novidade, lida logo após o comunicado do papa. O irmão mais velho de Ratzinger, Georg, de 89 anos, também já estava ciente do que estava por vir. Sabiam também, por certo, da gravidade do gesto e da complexa disputa interna que ele detonaria pelo futuro da Igreja.
PECADOS O cardeal americano Roger Mahony fala em 2007 sobre denúncias de abuso sexual nos EUA (acima) e o padre mexicano Marcial Maciel, acusado de violência sexual, celebra missa em 2005 (à esq.). As denúncias de abuso contra mulheres e crianças, envolve (Foto: Gus Ruelas/AP e AFP)
O cardeal Ratzinger sempre foi reconhecido como um teólogo brilhante. Por 24 dos 26 anos de papado de João Paulo II, foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, instituição do Vaticano responsável por zelar pela moral e pela observância dos princípios cristãos entre os integrantes da Igreja. O posto acadêmico, intramuros, caía bem para um homem cuja biografia reserva as seguintes palavras sobre sua própria juventude: “Eu era tímido e pouco prático. Não tinha talento para os esportes, organização ou administração”. Fora a falta de aptidão esportiva, as outras duas deficiências causariam problemas a Ratzinger depois de se tornar Bento XVI. Comandar a Igreja Católica, em meio a diferenças significativas de pensamento e estilo, exige tanto capacidade de liderança como objetividade.
>> Às vésperas de conclave, Vaticano mostra à imprensa seus lugares mais restritos

Como pontífice, Ratzinger foi obrigado a lidar com todas as instâncias da Cúria Romana, o corpo governamental do Vaticano, uma diferença importante de prioridade em comparação com o antecessor. João Paulo II pouco supervisionava as decisões internas da Cúria, pois preferia exercer seu carisma com os fiéis pelo mundo. Bento XVI fez mudanças que incomodaram os poderes estabelecidos. A principal insatisfação da Cúria foi a nomeação de seu braço direito nos tempos da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal italiano Tarcisio Bertone, como secretário de Estado, o número dois na hierarquia da Igreja. Visto como um intruso, Bertone não tinha experiência diplomática como núncio (nome dado aos embaixadores do Vaticano), ao contrário de seus antecessores.
Bento XVI foi acusado de não se dedicar como deveria a investigar denúncias de abusos sexuais
Mover uma peça errada num xadrez político tão delicado pode custar pontos preciosos a um líder, especialmente num ambiente tão fechado como o Vaticano. Bertone, o amigo íntimo do papa, passou a jogar contra o pontífice, segundo disse a ÉPOCA o vaticanista italiano Gianluigi Nuzzi, autor do livro Sua Santidade – As cartas secretas de Bento XVI, publicado em maio de 2012. “O poder lhe subiu à cabeça. Bertone começou a costurar alianças com membros da Cúria, colocando o papa contra alguns cardeais. Para evitar disputas, Bento XVI não questionou muitas decisões. Acabou alimentando a cobra que o picaria”, diz Nuzzi. A obra revelou documentos confidenciais do Vaticano, episódio apelidado de Vatileaks pela imprensa italiana. Numa das cartas, o arcebispo Carlo Maria Viganò escreve ao papa para pedir que não fosse transferido do posto de presidente da Governadoria da Cidade do Vaticano, uma espécie de prefeitura, onde era incumbido de cuidar de todos os contratos e licitações. O livro afirma que Viganò alertou Bento XVI sobre diversos casos de corrupção e abuso de poder dentro da Cúria. Apesar do pedido, o secretário Bertone o retirou do cargo e o nomeou núncio nos Estados Unidos. A culpa pelo Vatileaks recaiu sobre o mordomo do papa, Paolo Gabriele, acusado de ter passado os documentos a Nuzzi. Ele assumiu o crime e foi condenado por um tribunal do Vaticano a 18 meses de prisão. Foi perdoado em seguida pelo papa – fato interpretado na Itália como um sinal de que Bento XVI não acreditava no papel de Gabriele como único responsável pelos vazamentos.
>> Bento XVI: "Continuarei servindo de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças" 
Outro caso de destaque desgastou a relação entre Bento XVI e Bertone. Ettore Gotti Tedeschi, amigo de Bento XVI, foi demitido da presidência do Banco do Vaticano pelo Conselho Administrativo, presidido por Bertone. Tedeschi tinha o aval do papa para adaptar o banco aos critérios da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), de modo que pudesse entrar numa lista de instituições reconhecidas pelo combate à lavagem de dinheiro. Os antigos presidentes do banco temiam que transações financeiras duvidosas viessem à tona. O Banco do Vaticano ficou quase um ano sem presidente. No último dia 15, o papa nomeou o advogado alemão Ernst von Freyberg como o sucessor de Tedeschi.
GUERRA DOS DIREITOS  Ativistas contrários ao aborto protestam em Washington, no aniversário de 40 anos da liberação do procedimento nos EUA (acima), e manifestantes a favor do direito ao aborto e pelo uso da camisinha fazem ato contra o papa Bento XVI, em (Foto: J. Scott Applewhite/AP e Francois Guillot/AFP)
Como responsável por punir o mau comportamento de sacerdotes por quase três décadas, o papa sentia um grande incômodo com a série de casos de pedofilia envolvendo padres de vários países, especialmente na Irlanda, na Áustria e nos Estados Unidos. As denúncias sempre atingiram indiretamente Bento XVI, acusado por muitos de não se dedicar como deveria à investigação de abusos de crianças nas igrejas, durante seu período na Congregação para a Doutrina da Fé. Bem antes da onda de episódios que emergiu em 2010, o papa já convivia com esse cenário desconfortável. Admitiu lentidão no escândalo do padre mexicano Marcial Maciel (1920-2008), fundador da ordem Legionários de Cristo. Ao longo de décadas, Maciel engravidou diversas mulheres, violentou discípulos, coroinhas e até dois de seus filhos. “A história estava muito bem encoberta”, disse o papa. Só recentemente a ordem sofreu uma intervenção do Vaticano, já depois da morte de Maciel. Também constrange Bento XVI a situação do cardeal americano Roger Mahony, ex-arcebispo de Los Angeles. Mahony reconheceu ter acobertado centenas de casos de abuso cometido por padres de sua região desde os anos 1980 e, algumas vezes, tê-los transferido para paróquias em outros Estados, com o intuito de dificultar as investigações. Em janeiro, Mahony foi afastado pela Igreja de “funções públicas ou administrativas”, mas segue como cardeal. Será um dos participantes do conclave previsto para março, que escolherá o sucessor de Bento XVI. A situação opôs mais uma vez o pontífice a outros integrantes da elite hierárquica da Igreja. O papa gostaria de ver Mahony longe do Vaticano. Seus pares recusaram a ideia de excluí-lo do Colégio de Cardeais.
>> Guilherme Fiuza: O papa e a prostituição da bondade

As tensões reveladas nos últimos anos seguem vivas e ainda podem influenciar naquilo que mais interessa aos mais de 1 bilhão de católicos ao redor do mundo. Bento XVI prometeu ficar “escondido do mundo” depois de deixar o posto. Não interferirá diretamente no processo de escolha de seu sucessor – por ter mais de 80 anos, não tem direito a voto no conclave. Mesmo assim, não há como negar o peso de um ex-papa e suas “pegadas” no Vaticano. Bento XVI escolheu estar vivo e ativo durante a escolha de seu sucessor. Certamente tem em sua mente uma ideia clara sobre o que fazer com sua presença neste mundo, enquanto os poderosos do Vaticano decidem sobre seus rumos.
>> Bento XVI, o papa da tradição 

Boa parte de sua influência estaria garantida mesmo se Bento XVI não estivesse mais entre nós. “Um cardeal não é escolhido se não compartilhar em grande parte os pontos de vista de quem o escolhe”, afirma Andrea Tornielli, historiador e vaticanista do jornal La Stampa. “Ratzinger nomeou 67 dos 115 cardeais aptos a votar. Os outros foram nomeados por João Paulo II, sob sua influência.” Conservador, Bento XVI pouco avançou no debate de questões espinhosas para o Vaticano, como o aborto, a eutanásia, o casamento gay, o fim do celibato e o uso de preservativos – como contraceptivo ou para impedir a transmissão do vírus HIV, que causa aids. Sua única opinião controversa foi expressa em 2010, ao afirmar que o uso da camisinha seria aceitável em certas situações. Citou como exemplo o caso de um garoto de programa que se protegesse para diminuir as chances de se infectar com o HIV. “Esse pode ser um primeiro passo no caminho para a recuperação de uma consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer o que se quer”, disse o papa. Alguns analistas mais apressados vislumbraram uma mudança na posição da Igreja sobre o sentido da sexualidade. Logo depois, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, divulgou uma nota de esclarecimento para reafirmar que a Igreja “naturalmente não considera a camisinha uma solução moral e autêntica”.
NOVO CATOLICISMO Milhares de fiéis lotam o Santuário Mãe de Deus, erguido pelo padre Marcelo Rossi. Novas manifestações católicas, como a Renovação Carismática, sugerem um caminho para a Igreja mais caloroso e mais próximo do que espera grande parte dos f (Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press)
Nos tempos atuais, em que preceitos religiosos interferem cada vez menos na vida do cidadão e situações antes impensáveis, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, são cada vez mais aceitas, a escolha de um novo papa suscita perguntas sobre a posição moral da Igreja. Sob um novo papado, a Igreja pode rever posições específicas ou mesmo sua linha mestra sobre moralidade no futuro? Alguns temas provavelmente continuarão inflexíveis. Aborto e eutanásia são encarados como uma afronta à vida e devem seguir sob condenação. Outros serão mais tolerados, ainda que sigam vetados pela doutrina católica, como a união homossexual. “Não acredito que a Igreja um dia aprove o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, mas se tornará mais e mais receptiva à participação pastoral da comunidade gay”, diz Chester Gillis, chefe do Departamento de Teologia da Universidade Georgetown, em Washington. Para Scott Richert, editor do site americano Catholicism Guide, é preciso separar as questões morais dos assuntos disciplinares. “O próximo papa pertencerá à linha de João Paulo II e Bento XVI no que diz respeito a aborto e eutanásia, mas é possível que a instituição do celibato seja revista.” O número de padres no mundo vem caindo, tanto pelo desinteresse dos jovens de se ordenar como pela imagem negativa provocada pelos escândalos sexuais nas igrejas. Segundo o Vaticano, havia 419 mil padres em 1970; hoje, são 412 mil. É comum um padre ter de rezar missas em mais de uma paróquia. Por isso, o Vaticano não tem se oposto à ordenação de pastores luteranos e anglicanos que tenham decidido se converter ao catolicismo, mesmo se forem casados. Essa tendência leva a crer que Roma já reflita sobre uma alternativa à exigência celibatária.
O número de padres no mundo vem caindo. Eram 419 mil em 1970. E hoje são 412 mil
Se a atual crise palaciana já é um grande desafio para a Igreja, maior ainda é reduzir a distância entre seu centro de poder, a Europa, e seu principal eixo de fiéis, formado por América Latina, África Subsaariana e Ásia. Enquanto todas as decisões mais importantes do catolicismo são tomadas basicamente por europeus, a maior parte dos que têm de se ajustar a elas vive numa realidade distante. Nos últimos 100 anos, a distribuição geográfica do catolicismo mudou completamente de perfil. Segundo um levantamento do instituto americano Pew Research Center, os países com o maior número de católicos em 1910 eram a França e a Itália. A Europa concentrava 65% dos fiéis. Em 2010, as duas maiores nações católicas são Brasil e México, seguidos das Filipinas. Juntas, América Latina, África e Ásia abrigam 68% da população católica global, estimada em 1,17 bilhão de discípulos. A Europa conta hoje com 24%. Esse novo panorama nem de longe se reflete na composição do Colégio de Cardeais, formado por 209 integrantes. A Europa tem mais da metade (115), ante apenas 68 cardeais latino-americanos, africanos e asiáticos. No ranking de países, a Itália lidera com 49 cardeais. O Brasil, com a maior população católica do mundo, só aparece em quarto lugar, com nove (dos quais cinco podem participar do conclave). Há um sentimento, mesmo entre os fiéis italianos, de que esta pode ser a hora de transferir o comando da Igreja a um cardeal de fora da Europa. “Por que não um papa negro? É uma ideia que vários amigos católicos compartilham comigo”, diz o aposentado italiano Vittorio Carli, que saiu de Gênova, no norte da Itália, para assistir à missa de Cinzas celebrada por Bento XVI. Um cardeal negro bem cotado entre os papáveis é Peter Turkson, de Gana, considerado jovem com seus 64 anos. Tal pensamento aumenta a possibilidade da escolha de um cardeal brasileiro para o trono de Pedro. Além dos naturais interesses políticos que influenciam a escolha, o conclave terá de avaliar os pontos positivos e negativos de apostar numa mudança em favor de um nome não europeu. “Os candidatos do sul têm força testemunhal e energia, mas não estão preparados para tão dura tarefa. Os do norte são gestores e políticos mais hábeis, mas arrastam o peso do continuísmo e da inércia”, diz o jornalista espanhol José Catalán Deus, autor do livro Depois de Ratzinger, o quê?, de 2009.
>> Papa Bento XVI aprova novas regras para que cardeais antecipem conclave 

A transferência do rebanho católico para regiões mais carentes do planeta exige uma adaptação do discurso da Igreja, em favor de problemas comuns em nações menos desenvolvidas. É o caso da aids na África Subsaariana, que concentra 67% dos 34 milhões de portadores do vírus HIV no mundo. Para a fúria de autoridades de saúde pública que tentam conter a epidemia, o papa Bento XVI disse, durante uma visita a Camarões em 2009, que a aids é uma “tragédia que não pode ser superada com a distribuição de camisinhas, que até agrava o problema”. O papa conhece o rápido avanço dos cultos pentecostais no Brasil em detrimento da fé católica. De acordo com o IBGE, 73,6% dos brasileiros eram católicos em 2000, porcentual que caiu a 64,6% em 2010. No mesmo período, os evangélicos cresceram de 15,4% para 22,2%.

Conservador, Bento XVI reinstituiu o latim nas missas de domingo – prática que caiu em desuso após o Concílio Vaticano II, nos anos 1960. Ele convive com uma realidade: o futuro do catolicismo passa pela renovação de sua comunicação com fiéis, considerando aspectos culturais das regiões e sociedades onde a Igreja mantém maior presença. Movimentos como a Renovação Carismática revelam que tipo de catolicismo muitos estão mais dispostos a abraçar. A principal estrela da tendência, o padre Marcelo Rossi, atrai até 100 mil pessoas para sessões de intensa vibração e contato com fiéis. Na semana passada, Bento XVI surpreendeu e mostrou ter dentro de si algo de revolucionário. Depois de fincar-se à tradição e viver as agruras da política, abalou seu papado ao lançar ainda em vida uma disputa por sua sucessão. Entre o passado que tanto inspirou o demissionário papa e a ousadia de seu ato final, a Igreja terá de encontrar seu próximo caminho.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2013/02/qual-e-o-futuro-da-igreja.html
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