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18 de abril de 2017

Estuprada por terrorista, garota se recusa a abortar seu bebê: "É um presente de Deus"

Refugiadas choram e se abraçam em Centro para Deslocados Internos, na Nigéria. (Foto: Reuters)
Refugiadas choram e se abraçam em Centro para Deslocados Internos, na Nigéria. (Foto: Reuters)
Uma menina de 14 anos que foi sequestrada pelo grupo radical islâmico Boko Haram na Nigéria, forçada a se casar com um de seus combatentes e estuprada por seu "marido" disse que ela agora vê sua gravidez como um "presente de Deus" para ela.
"Fui tirada da minha casa quando, em Bama, quando a cidade foi incendiada pelo Boko Haram. Eles puseram uma arma na cabeça do meu pai e disseram que o matariam se ele não me deixasse ir com eles", contou a menina, identificada como Aisha, se lembrando do dia em que ela foi sequestrada pelos terroristas, em um depoimento publicado na última segunda-feira pelo site Naij.com.
Aisha foi sequestrada há dois anos, mas já foi resgatada e agora vive no Campo de Deslocados Dalori em Maiduguri, onde recebe apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Como muitas outras meninas, ela foi abusada sexualmente e forçada a se casar com um dos terroristas do Boko Haram, enquanto estava em cativeiro.
Aisha compartilhou alguns detalhes sobre sua vida como uma refém do grupo e disse que as mulheres e seus sequestradores estavam constantemente em fuga, por causa da guerra em curso entre o grupo terrorista e o exército nigeriano.
As mulheres mal falavam entre si, disse ela, em meio a temores de que qualquer conversa negativa irritasse os radicais e pudesse levá-las à morte.
"Se você dissesse a alguém que queria escapar, eles te chamariam um incrédulo, então puniriam ou até mesmo matariam você. Então eu guardei meus pensamentos para mim mesma", disse Aisha.
"Enquanto caminhávamos, os homens nos diziam: 'Esta é a obra de Deus [Alá], é difícil, porque ele está te provando e você precisa ser forte'. Eu não sabia se meus pais ainda estavam vivos, minha cidade estava queimada e eu queria morrer", acrescentou.
Aisha conseguiu escapar com a ajuda de uma mulher mais velha, enquanto o exército nigeriano estava conduzindo uma operação contra o Boko Haram. Embora a adolescente já tenha se reencontrado com sua mãe e seu irmão, ela descobriu que seu pai morreu pouco depois dela ter sido sequestrada.
"A última coisa que meu pai me disse enquanto eu estava sendo sequestrada foi: 'Este é o momento mais difícil que você vai enfrentar, mas você vai voltar para mim", contou Aisha.

Recomeço
Agora a adolescente está tentando lidar com sua gravidez como algo positivo.
"Quando descobri que estava grávida, fiquei triste, mas agora percebo que é um presente de Deus. Outras que experimentaram isso estão enfrentando o mundo orgulhosamente", disse ela, acrescentando que ela quer voltar a estudar um dia, mesmo tendo que cuidar da criança.
As mulheres e as crianças que foram 'convertidas' ao islamismo e sofreram lavagem cerebral do Boko Haram tiveram que submeter-se ao processo de "desradicalização" em programas que contrariam os ensinamentos islâmicos radicais, dado que um número de vítimas sequestradas acabaram também se tornando terroristas suicidas.
"Você pode tratar o estado emocional de uma pessoa... mas se você não muda a maneira como elas pensam e simplesmente as libera para a sociedade, pois isso pode perpetrar um ciclo vicioso", disse Fatima Akilu, chefe da Fundação Neem de 'Desradicalização'. "Pode ser mais difícil desradicalizar as mulheres do que os homens".
O Boko Haram tem atacado e assassinado cristãos e todos os que se colocarem em seu caminho, realizando ataques na Nigéria desde 2009, capturando inúmeras aldeias e cidades no processo.
O exército nigeriano reivindicou recentemente um número de vitórias importantes contra o grupo terrorista, contudo, com uma operação na segunda-feira na vila de Jarawa no estado de Borno, levando aparentemente ao salvamento de 1.623 cativos.
"As pessoas resgatadas foram escoltadas para o Campo de Desalojados Internos de Rann, enquanto todas as crianças foram vacinadas", disse o porta-voz do exército, Sani Usman, conforme relatado pelo Premium Times.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO CHRISTIAN POST

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