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"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

19 de julho de 2010

Livro não recomendado: Eleitos, mas livres!

Charles Finney e a Secularização da Igreja
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 
320
Editora:
 Vida
Autor: Norman Geisler
Ao se começar a leitura desta obra, não se leva muito tempo para que o leitor teologicamente mais instruído passe a entender que este trabalho é qualquer coisa menos uma "visão equilibrada" da eleição. Eleitos, mas livres tem a intenção de apresentar um ponto de vista que é simplesmente uma forma de arminianismo disfarçado com outro nome, algo tão óbvio que o leitor gostaria de saber como exegetas e teólogos da estatura de João Calvino, John Owen, B.B. Warfield e John Murray não viram isto!
O livro tem três problemas principais. O primeiro problema que atinge o leitor é a tentativa descarada de Geisler de redefinir a terminologia teológica tradicional. Por exemplo, em seu entendimento, "calvinista extremado é alguém que é mais calvinista do que João Calvino (1509-1564), de cujos ensinos vem o termo. Visto ser possível argumentar que João Calvino não cria na expiação limitada (...), segue-se que todos os que o fazem são calvinistas extremados" (p. 63). Ele assume que há uma descontinuidade dentro da tradição reformada, seguindo a controversa tese de R. T. Kendall (mencionado numa nota de rodapé na p. 177) - mas em nenhum lugar ele interage com respostas eruditas que já foram escritas refutando este ensino (cf. as obras de Paul Helm, Calvin and calvinists, e o erudito trabalho de Joel Beeke, The quest for full assurance, ambos lançados pela Banner of Truth, este último a ser lançado em português)!
O segundo problema que o leitor mais avisado achará é um fluxo quase contínuo de caricaturas relativas à posição de seus oponentes. É elogiável a bibliografia que Geisler usa. Mas em nenhum momento ele interage seriamente com suas fontes. Ele constantemente está citando eruditos reformados do passado e do presente (tais como John Owen, William Ames e Jonathan Edwards, R. C. Sproul, John Piper e John Gerstner), mas muitas de suas citações são retiradas de contexto, não fazendo jus à argumentação dos escritos destes homens.
O terceiro problema é uma negligência geral quanto à exegese, em favor de meras afirmações sem grande apoio nas línguas originais. Ainda que ele ofereça sua interpretação de muitos dos textos-chave do debate (geralmente sem considerar o contexto onde estes mesmos textos estão inseridos), Geisler poucas vezes interage com justiça com a interpretação que os reformados tem feito deles. Muitas vezes as exposições dos comentaristas reformados são simplesmente retiradas do contexto! Talvez quem mais sofra com isto seja o erudito batista John Piper. Num debate tão complicado como este não são clichês que resolverão a tensão, mas exegese.
É revelador também que em nenhum lugar Geisler oferece uma definição de livre-arbítrio, ele apenas pressupõe que ele exista, e passa a buscar textos bíblicos que validem sua posição. Aliás, onde, nas Escrituras, é mencionado que o livre-arbítrio faz parte da imago Dei?
É lamentável que um autor que se propôs a defender a verdade (como de fato ele fez em muitas obras) agora maquie a verdade para favorecer sua posição teológica.
Trecho de resenha feito por Franklin Ferreira
A leitura deste livro é sem sombras de dúvidas...

Nota 10


Extraído do site: Eleitos de Deus

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1 comentários:

  1. Engraçado... Este livro já me foi recomendado por calvinistas convictos que desejaram que eu entendesse melhor seu ponto de vista. Agora não entendo mais nada...

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